Burning
45 Bônus 7
Notas iniciais
BÔNUS 7
Subi apressado os degraus da escada em direção ao quarto de Lorena, uma saudade aguda apertando-me o peito. Eu sentia falta dela, não a havia visto o dia todo, uma vez que Josh me pedira para treinar com ele.
Era sábado ainda e ela e eu teríamos o domingo inteiro para ficar juntos; mas ainda assim eu não conseguia reprimir a ânsia que eu sentia de estar perto dela – seus braços em torno do meu pescoço, minhas mãos segurando firmemente sua cintura, seus lábios movendo-se com os meus...
Apertei ainda mais o passo, e em segundos, avistei a porta do seu quarto. Parei de frente para a porta e fechei uma mão em punho, dando três batidas impacientes. Eu não via a hora de olhar para o rosto dela – as linhas belas e delicadas que compunham suas feições, em harmonia com o par de olhos castanhos brilhantes, emoldurados por seus cabelos castanhos e sedosos. Soltei um suspiro involuntário. Eu era mesmo um bobo apaixonado. Sacudi a cabeça e afastei os devaneios, voltando-me para a porta ainda fechada à minha frente, estranhando a demora de Lorena em abri-la. Bati novamente e aguardei mais alguns segundos, porém a porta continuava fechada.
– Lorena? – chamei. – Lorena, abra a porta!
Não houve nada além de silêncio como resposta.
Impulsionado pela preocupação, estendi a mão até a maçaneta e a girei, abrindo a porta e entrando no quarto que, como eu desconfiara, estava vazio.
– Lorena? – chamei novamente, agora inspecionando cada centímetro do ambiente: toda a extensão do cômodo, o banheiro, o closet; porém ela não estava em canto algum.
Voltei ao quarto e me sentei na sua cama afim de pensar onde é que ela poderia ter ido, mas sem querer, apoiei minha mão em uma folha de papel. Curioso, porém receoso de estar invadindo a privacidade de Lorena, desdobrei a folha cuidadosamente e meus olhos passearam pelas letras escritas a tinta, fazendo gelar o sangue em minhas veias.
O falso bilhete fora escrito em uma imitação perfeita de minha caligrafia, uma emboscada tramada com perfeição para atrair Lorena. Mas o que mais doía era perceber que ela tinha caído. Ela com certeza estava nesse falso encontro comigo na entrada da Academia de Não-Humanos. E eu sabia: Só havia uma pessoa que teria motivos para fazer isso, uma pessoa que já tentara tirá-la de mim outra vez – rebocá-la de volta para aquele reformatório infernal. E se todos os meus instintos estivessem certos, o amor da minha vida corria perigo. E eu precisava agir, antes que fosse tarde demais.
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