Burning

25 Bônus 3


Notas iniciais
Aqui vai um bônus para vocês...Boa leitura!! P.S. Comentem, please!!

BÔNUS 3

Nathan

Observei atentamente enquanto Lorena entrava na barraca e a fechava antes de se deitar. Suspirei.

Eu havia pensado que nunca me apaixonaria. Que as tragédias que ocorreram em minha vida só me trouxeram mágoa. E que por causa disso, meu coração permaneceria fechado para certos sentimentos.

Mas eu deveria saber que, assim como aos poucos fui me permitindo confiar nas pessoas e estabelecer amizades, eu me permitiria também, mesmo que de forma inconsciente e involuntária, a amar. Foi isso o que aconteceu quando conheci Lorena naquele reformatório.

Não foi a primeira vista, embora isso não fosse algo impossível porque ela é inegavelmente linda. Mas, mesmo sendo isso o que me chamou a atenção no início, não foi pela sua beleza que eu me apaixonei. Foi pelo seu jeito. Quando ela começou a confiar em mim e, lentamente foi baixando a guarda, me permitindo conhecê-la, eu me vi completamente apaixonado por ela.

Mas o que mais me tormenta é o fato de que ela sempre foge. Todas as vezes que eu me aproximava ou que tentava beijá-la, por mais que estivesse gostando, ela se afastava. E isso é frustrante.

O som da barraca sendo aberta me tirou de meus devaneios. Observei confuso, enquanto Lorena saía de dentro da barraca e andava em direção ao monte de folhas secas que ela havia juntado para se sentar antes.

Ela pareceu perceber meu olhar, porque disse:

– Não estava conseguindo dormir.

– Algum problema?

– Eu só estou muito agitada, não consigo relaxar. – esclareceu. – E você? Não vai dormir? – perguntou.

Não respondi a princípio, apenas a fitei nos olhos, meu coração disparando instantaneamente. Depois desviei o olhar para meus braços cruzados sobre o peito.

– Não consigo. – admiti, por fim, com um suspiro.

– E por que não? – perguntou curiosa.

Ela realmente queria saber o por quê? Porque seu eu fosse explicar teria que descumprir a promessa que fiz de fingir que não sentia nada por ela.

– Porque eu não consigo dormir tranqüilo enquanto estou vendo que o que eu quero, está cada vez mais longe de ser alcançado. – expliquei da forma menos comprometedora que consegui.

Mas, é claro que ela não pararia por aí!

– E o que é que você quer?

Quer saber? – pensei – Dane-se a promessa!

Levantei o olhar para olhá-la intensamente.

– Você. – disse surpreso por minha voz estar firme ao declarar o quanto a queria ao meu lado.

Ela arfou.

– Nathan... – começou. Ela engoliu em seco antes de continuar. — Não faz isso, por favor! – pediu com uma voz fraquinha, mas tingida de desespero.

– Isso o que? – perguntei fingindo-me de inocente.

– Não fica falando isso. – disse ela.

– Por quê? – eu fiz essa pergunta para tentar decifrá-la, eu queria desesperadamente saber por que ela fugia tanto de mim...de nós.

Mas ao invés de responder a minha pergunta e saciar a minha curiosidade, ela me ignorou e ficou de pé. Imitei-a.

– Você disse que ia fingir... – É claro, minha promessa! Esqueci de avisá-la que eu acabei de decidir que iria ignorá-la, pensei com sarcasmo.

– Sim, eu disse. – falei, interrompendo-a. – Mas eu não agüento mais, Lorena! – desabafei, deixando toda a angústia que eu sentia tingir minha voz, enquanto eu andava decidido até ela, parando há mais ou menos trinta centímetros de distância. Ela recuou um passo e eu avancei mais um pouco. Ela deu outro passo para trás e fez uma expressão apavorada quando sentiu o tronco de árvore às suas costas.

Sorri e avancei ainda mais, aproximando tanto nossos corpos que podia seu hálito doce em meu rosto. Ela fechou os olhos.

– Por que você sempre foge? – perguntei sussurrando. – Eu gosto de você. Você gosta de mim... Qual o problema? Por que você tem que complicar tanto?

– Porque eu nunca gostei e nem sequer beijei algum garoto antes. Eu nunca me interessei por nenhum dos que eu conheci. –eu a encarava, atento a cada palavra sua. – Mas aí, você apareceu e...era tudo tão confuso e... intenso entre nós! Você me faz ter sensações que eu nunca tive antes. – ela suspirou. – Quando você se aproxima demais, como agora, meu coração dispara, minha respiração fica ofegante, minhas mãos começam a suar, minhas pernas ficam bambas, sinto borboletas em meu estômago... E eu nem sei o que isso tudo significa!

Eu estava extasiado. Ela não estava dizendo que só gostava de mim, mas estava citando tudo o que uma pessoa apaixonada sentia. Tudo o que eu sentia quando estava com ela. E eu não cabia em mim de tanta felicidade ao ver que era recíproco.

– Você está apaixonada. – falei, mais para mim mesmo do que para ela.

– Eu acho que sim. – sussurrou ela. Eu não pude conter o sorriso de triunfo que se espalhou pelos meus lábios enquanto eu afastava seus longos cabelos castanhos de seu rosto para levar meus lábios à sua orelha.

– Então – sussurrei em seu ouvido, meu coração galopando por estar tão perto dela. – eu acho que devo lhe dizer que eu também estou apaixonado por você. Perdidamente apaixonado. – eu disse e então toquei seus lábios com os meus.

Eu já havia beijado outras garotas antes, na Academia de Não-Humanos, só por diversão, mas todos aqueles beijos não foram nada comparados a esse. Talvez por eu estivesse apaixonado agora ou talvez porque fosse ela...Mas era muito melhor!

Senti suas mãos em meus cabelos puxando-me para mais perto dela e não pude conter o sorriso. Avancei, então, prendendo-a habilidosamente entre mim e o tronco às suas costas e aumentei a pressão em seus lábios. Afastei meu rosto um pouquinho, minha e respiração ofegante banhando-lhe o rosto. Suas pálpebras se abriram e vi centenas de emoções passeando em seus olhos castanhos.

– O que achou de seu primeiro beijo? – eu não podia deixar de perguntar, queria saber se fora tão incrível para ela quanto fora para mim, mas adotei meu tom sarcástico de sempre, para mascarar os sentimentos intensos que eu sentia. Ela não respondeu e, quando a olhei, notei que ela encarava meus lábios, hipnotizada. Sorri presunçoso. – Se quiser outro beijo, é só pedir.

Mas ao invés de pedir, ela usou as mãos que ainda estavam em meus cabelos, para puxar meu rosto para baixo. E então, tocou meus lábios com os seus delicadamente, separando-os um pouco. E nesse momento, não pude mais me controlar. Agarrei sua cintura e pressionei-a ainda mais contra a árvore, ansiando por ela.

E foi nesse momento que ouvimos um som vindo da floresta.

Notas finais
Mereço reviws?