Notas iniciais
Desculpem pela demora e espero que vocês aproveitem.

Era outro dia quente em Sorcery City, final de primavera, mas poucas árvores eram vistas naquela rua e o tanto de fábricas que havia ali só piorava a qualidade do ar e a temperatura. Keith sorriu, fazia anos que não passava por ali e nunca vira aquela cidade tão industrializada, mas de alguma forma tinha que admitir que sentira falta daquele lugar.

Keith White não era mais o menino de 10 anos que conhecera aquela garota estranha 15 anos atrás, agora ele era um homem, com 25 anos, adulto o suficiente... Ou pelo menos era o que ele achava. Os traços de seu rosto tinham adquirido um jeito mais másculo, como de praxe, mas seus olhos castanhos continuavam com um ar infantil, seu cabelo tinha crescido uns bons centímetros e os cachos caiam de um jeito despretensioso, mas charmoso; enquanto em seu rosto ele agora mantinha uma barba bem aparada e cuidada. As roupas de garoto também tinham mudado, e agora a camisa de linho branca tinha uma jaqueta de couro bege por cima, as calças não precisavam mais de suspensórios e agora era de um tecido mais grosso e resistente, sarja talvez, enquanto em seus pés, botas de cano curto davam lugar aos tênis surrados. Fisicamente, Keith havia realmente amadurecido.

Ele continuou seu caminho pela via, passando por várias pessoas e poucos carros, com as mãos nos bolsos ele andava calmamente, lembrando-se dos pequenos detalhes que sobraram daquela cidade desde que se mudara de lá com sua família. Então seus olhos se fixaram no final daquela rua e no outro lado da calçada, aquela livraria não tinha mudado nada e chegava a ser engraçado como um estabelecimento tão delicado ainda continuava a funcionar ali, mas como seu pai dizia “Os Redwine são muito teimosos”, talvez fosse por isso que aquele lugar aparentemente pequeno por fora, continuasse fincado aonde fora criado e construído. Keith riu pelo nariz, dando um sorriso mínimo, atravessou a rua enquanto nenhum carro passava e entrou na livraria, ouvindo a sineta da porta tocar.

Quando já estava dentro, colocou as mãos de volta aos bolsos e olhou em volta, o lugar era enorme e cheio de estantes e corredores, sendo cada corredor separado por seção e gênero. O lugar imenso continha cores sóbrias, as estantes eram todas de mogno escuro, e a decoração tinham toques vinho e dourado, ao longe, Keith podia ver partes das paredes que eram revestidas com papéis de parede florais. Ao centro do local, assim que entrava na loja, tinha um enorme balcão circular, com a bancada de granito preto, posta em cima de uma estrutura também de madeira, com arabescos também dourados. E por fim, ao fundo da loja, metros atrás daquele balcão, havia uma escadaria que dava acesso ao mezanino de cima, que pelo pouco que Keith podia ver... Continha, talvez, a espécie de um escritório. Trancado naquele momento.

Assim que a sineta tocou, a garota atrás do balcão levantou sua cabeça e mirou seus olhos azuis no homem parado em frente à entrada. Franzindo as sobrancelhas loiras, a garota terminou de ajeitar seu corpo, ficando naquele momento totalmente ereta e parada, esperando os próximos movimentos daquele homem, até então estranho aos seus olhos. A menina colocou uma mecha de seu cabelo loiro escuro para trás da orelha esquerda e então, pigarreou.

Naquele momento, Keith pareceu voltar em si e então mirou seus olhos castanhos na menina do outro lado do balcão, sorriu sem graça e assim que a menina deu a volta e saiu dali de trás, Keith se aproximou. Aquela menina definitivamente não era quem ele procurava. A cor dos cabelos e olhos não combinava, a pele podia ser branca, mas não era tão pálida quanto à da outra e não continha nenhuma sarda, sem contar nas roupas: a calça de malha era de um tom de bege escuro, sendo solta e leve desde o começo, dando a impressão de ser uma saia, nos pés, sapatos simples e confortáveis e para complementar uma leve regata, nada mais adequado para aquele calor. Mas Keith não imaginava a menina que procurava em tais trajes.

— Eu estou procurando por Valkyria, a dona da loja...

A loira respirou fundo e então respondeu:

— A Srta. Redwine não está no momento, mas deve voltar em alguns minutos. – a própria menina estranhava sua polidez, mas era como as coisas funcionavam por ali ou pelo menos, era como Valkyria tratava as coisas por ali. – Se o Senhor quiser esperar, pode ficar a vontade na área de leitura aos fundos da loja.

Keith sorriu de lado, talvez um pouco galante. Mas ele tinha que admitir que não conseguisse se controlar perto de meninas bonitas.

— Me chame de Kit, por favor. E a esperarei, a menos que você me diga seu nome.

— Schlund... – a menina pensou que aquela resposta era suficiente para aquele homem, mas ao ver sua careta, completou. – Isabella Schlund.

Kit então assentiu com um sorriso leve e passou ao lado dela, indo direto ao fundo da loja, daria uma olhada por enquanto, estava encantado com o lugar. Isabella, no entanto, girou os olhos assim que ele passou por si. Afinal de contas o que aquele homem queria com Valkyria?

Balançando a cabeça, ela voltou a ajeitar o que a dona da loja havia pedido para ela fazer. Sentou-se na cadeira e voltou ao seus papéis, mas se permitiu ficar distraída por alguns segundos e girando a cadeira parou olhando para o andar de cima. Isabella sabia que ali era o escritório particular de Valkyria e que muitas vezes a sua superior passava a maior parte do dia ali, mas ela admitia ter certa curiosidade para saber o que se encontrava lá e o que Valkyria fazia. Os segundos passaram, junto com os minutos e Isabella só saiu de sua imaginação ao ouvir a sineta tocar novamente. Com um pequeno pulo de susto, virou sua cabeça rapidamente e se esticando, pode ver que Valkyria havia voltado.

A mulher andou até o balcão e com um suspiro cansado, ela sorriu e informou que estava de volta, como Isabella tinha visto.

Valkyria Redwine. Se Keith havia mudado nesses últimos 15 anos, aquela garota havia mudado ainda mais. Seu corpo ainda continuava magro e miúdo, mas havia ganhado forma, seu rosto agora não possuía traços tão delicados assim e possuía uma expressão forte, sendo sua mandíbula centímetros maiores que sua testa, lhe dando um formato triangular, os olhos e os lábios, porém não haviam mudado nada, seus olhos verdes pareciam mais claros agora, mas continuavam grandes e expressivos, e seus lábios ainda eram pequenos e finos, mas por trás deles ainda se revelava aquele enorme sorriso, que agora possuía todos os dentes, alinhados e brancos na medida do possível. Valkyria retirou o capuz escuro, o cabelo permanecia curto, dois dedos abaixo de seus ombros, e agora ela sustentava uma franja que quase chegavam a seus olhos, por seu cabelo ser uma mistura de duas cores, sua franja possuía apenas uma mechinha branca na ponta do lado direito, e o resto de seus cabelos continuavam uma mistura de ruivo e branco. Naquele dia eles estavam totalmente soltos, mas normalmente eram meio presos em um pequeno e frouxo rabo de cavalo.

Isabella voltou a se levantar, mas dessa vez sem sair de trás do balcão.

— Um homem, chamado Kit veio te procurar. – Isabella parou esperando uma resposta, mas como a única coisa que recebeu foram as sobrancelhas ruivas franzidas, ela decidiu continuar. – Ele está te esperando no fundo da loja, não sei se era algo importante.

— Obrigada.

Desprendendo o botão do capuz e o soltando de si, colocou-o em cima do balcão junto da bolsa tira colo verde musgo que carregava junto a si. Colocou os cabelos para trás e bateu levemente na saia de seu vestido longo e então, andou até os fundos da livraria.

Valkyria mirou seus olhos verdes claríssimos no homem sentado na poltrona de couro vermelho, em suas mãos grandes e fortes estava um livro de capa dura azul, que a mulher não conseguiu identificar. Deu mais alguns passos em cima de suas botas de saltos curtos e quadrados e então se sentou na poltrona de frente a dele, cruzando as pernas e ajeitando o vestido enquanto o esperava tirar os olhos daquele livro.

Kit, então, sem olhar para ela, fechou o livro com as duas mãos, colocou-o em cima da mesa entre eles e só no final olhou para ela. Deu um sorriso de canto imperceptível aos olhos de Valkyria, e a encarou durante alguns segundos, analisando seu rosto, corpo e vestimentas. A mulher em sua frente realmente havia mudado, mas aos seus olhos ainda tinha algo que lhe lembrava a Valkyria de apenas seis anos. Talvez fosse aquele cabelo estranho. Ele riu em pensamentos, se lembrava daquele dia quando foi contar aos seus pais e irmãos o que tinha acontecido e por mais que soubesse o nome da menina, só a conseguia chamar de “garota do cabelo estranho”, e então ele se pegou pensando como Valkyria reagiria se ele a chamasse daquele jeito.

O vestido longo e azul escuro que ela usava, não lembrava nem um pouco o vestido que usava naquele dia. Ele era de mangas curtas e possuía algumas fitas para amarrar e ajustar no meio do busto. Tirando os olhos dali ele voltou a olhá-la.

— Você não deve se lembrar, por isso eu faço questão de me apresentar de novo. – Kit estendeu sua mão direita por cima da mesa. – Keith, o garoto do beco, o menino ao qual você deu o apelido de Kit.

Valkyria estendeu a mão pequena para apertar a do homem, enquanto tentava se lembrar direito. Ela sabia que conhecia aquele nome de algum lugar, mas...

Então, quando as mãos deslizaram se soltando, ela conseguiu lembrar-se do dia que correu atrás do gato que sua mãe tinha lhe dado e consecutivamente lembrou-se do gato velho e gordo que provavelmente devia estar dormindo em sua cama naquele momento. Quinze anos não era muito? Como aquele garoto tinha lhe encontrado?

— Eu me lembro. – a resposta foi simples e direta e então, ela voltou a esperar que ele falasse.

Kit sustentou seu olhar nela por mais alguns segundos antes de começar a falar. Pigarreou e se recostou no encosto da poltrona confortavelmente.

— Eu sei que faz muito tempo, mas naquele dia por algum motivo quando você apareceu as coisas ficaram mais calmas. – Kit deu uma pausa.

Valkyria sorriu de lado, dando uma fungada, quem ouvisse aquilo poderia facilmente considerar as palavras de Keith uma declaração, mas assim como declarações, Valkyria tinha medo de onde aquilo iria parar.

— O que foi que você fez? Eu estava tão apavorado naquele momento, que eu tenho certeza que você fez algo.

A ruiva engoliu a saliva e então se recostou na poltrona também, colocando seus braços em cima de cada braço do móvel e olhou para ele. O jeito seria mentir e acabar logo com aquilo.

— Eu não fiz nada. Podemos pensar que você pensou ter algo naquela viela que te assustava, te dava medo e quando eu apareci... Você percebeu que era apenas uma menina de... seis anos? E então seu corpo relaxou. – sua expressão continuou neutra enquanto observava os movimentos do outro.

Kit se mexeu desconfortavelmente na poltrona. Ele já esperava uma reação daquelas e sabia que ela mentia. Keith nunca iria atrás de uma pessoa apenas com aquela intenção.

— Eu tenho certeza de que você fez algo. – ele insistiu.

— Mas eu não fiz. É uma pena. – a ironia subiu até seus lábios e então ela continuou. – Eu já respondi a sua pergunta e agradeço se você se retirar agora, Keith.

Valkyria então descruzou as pernas calmamente e se levantou do mesmo jeito, se concentrando para manter o equilíbrio, se virando de costas para ele, ela voltou a andar de volta ao centro da loja. Sem saída, Kit se levantou logo em seguida, ajeitando a barra da blusa e pegando a jaqueta – que tinha tirado alguns minutos depois que se sentou.

Os dois chegaram à frente da porta novamente, parando um de frente para o outro. Valkyria segurou um bico ao perceber que mesmo ela estando de salto, Keith era uns bons centímetros mais alto que si. Espantando aqueles pensamentos ela se esticou para abrir a porta e esperou os passos do mais velho, por alguns segundos Keith permaneceu no mesmo lugar, mas então decidiu se mover. Com um aceno de cabeça ele se movimentou até a saída.

— Ah! Tem uma coisa... – Valkyria pareceu lembrar-se repentinamente, chamando a atenção de Kit de volta. – Não vá até o sul da cidade de jeito nenhum.

Antes que ele pudesse dar qualquer resposta, ela se virou e voltou para dentro da loja. Kit pode observar através do vidro, Valkyria subindo até o escritório no andar de cima, enquanto pensava no que ela havia acabado de falar.

“Não vá até o sul da cidade.”

~—~

Sentados na mesa feita de madeira de demolição com um jeito rústico, os dois amigos tomavam café. Keith contava o que tinha acontecido minutos antes na livraria.

— Será que ela sabe que você sabe? – o homem gordinho, tinhas as bochechas rosadas, os cabelos curtos e ralos em um tom de castanho claro, seus olhos castanhos eram pequeninos juntamente de sua boca e dentes. Bradley Johnson possuía uma aparência serena e simpática e só não parecia mais novo por causa da barba rala em seu rosto.

— Eu não sei, não conheço muito bem Valkyria... Ela parece ser inteligente, mas eu espero que ela não tenha percebido nada. – Kit deu um gole em seu café.

— Ela realmente deve ser inteligente, porque se não fosse por ela, eu ainda teria dificuldades em pronunciar seu nome até hoje. – assim que disse isso, Bradley pegou um dos pequenos sanduíches que tinha comprado no mercado.

Kit riu enquanto balançava a cabeça. Os dois haviam se conhecido há seis anos, quando Kit acabara de completar seus 19 anos e decidira ir atrás do que te incomodou durante muito tempo. Foi voltando há uma loja de sua infância, em Sorcery City, que Kit pôde conhecer Bradley, desde então os dois se tornaram bons amigos, mas como Kit morava em uma cidade vizinha de Sorcery City eles se viam pouco. E naquele momento eles aproveitavam mais um momento de amizade desde que Kit se mudara de volta à cidade.

— Mas eu ainda não desisti. Você voltará comigo lá ainda essa semana.

~—~

No final da tarde, assim que Isabella se despediu e o menino que a ajudava no período da noite chegou, Valkyria voltou a sair. Aquele era um dos dias raros onde ela não conseguia parar quieta em seu trabalho, teve que sair para almoçar junto de seu pai e conversar sobre a loja, à tarde depois da conversa com Keith passou um bom tempo em seu escritório, fazendo anotações, além de conferir os papéis que tinha pedido para Isabella organizar e agora, estava saindo mais uma vez, para discutir aquela visita inesperada com uma de suas amigas e bruxas do Círculo. Muito trabalho para uma mulher de apenas 21 anos.

Suspirou e continuou seu caminho pela rua, passando por vários estabelecimentos e foi ali que ela recebeu um belo de um encontro. A menina de pelo menos 1,70cm esbarrou em seu braço direito, porém continuou andando como se nada tivesse acontecido, Valkyria perdeu o equilíbrio por um estante, mas conseguiu recuperá-lo antes que fosse ao chão. Ela olhou para trás vendo o caminho que a menina que esbarrou em si fazia, franziu o cenho ao ver os enormes cabelos vermelhos e as vestimentas chamativas, aquela não poderia ser mais ninguém além de Hailey Faith La Freour. A Faith havia aparecido nos jornais algumas vezes e Valkyria tinha algumas anotações sobre ela e sua família em sua biblioteca particular.

O que era mais estranho não era vê-la naquelas roupas ou o cabelo extramente longo e vermelho e sim, encontrá-la tão repentinamente por ali.

Optando por ignorar o ocorrido, Valkyria continuou seu caminho.

Chegou em frente a um pequeno e modesto pet shop, as portas azuis estavam abertas e atrás do vidro de uma delas tinha uma plaquinha dizendo “Aberto” em letras grandes e verdes. Na vitrine ao lado direito das portas tinha alguns acessórios para os bichinhos, enquanto do lado esquerdo tinha pequenos filhotes de cachorros. Assim que Valkyria entrou, a mulher sentada no caixa sentiu sua presença e com um sorriso falou:

— Valkyria, o que você está fazendo aqui? Nos vimos ontem à noite.

Valkyria sorriu, admirava muito a mulher em sua frente. A loira sentada atrás do caixa era Clemence Jackens, era uma mulher já com 28 anos, sua família vinha de uma raça pura de bruxos, sem nenhum sangue humano e suas habilidades eram tremendas. Sua linhagem era a clarividência e ela podia ver o passado das pessoas tocando nelas ou em objetos, mas diferente de algumas bruxas, ela possuía o poder de ter sonhos premonitórios, algo raro em sua linhagem, mas que ela havia conquistado, sendo assim, dispensando as cartas de tarô. Mas o que impressionava Valkyria era o fato daquela mulher ser cega e mesmo assim olhá-la nos olhos sabendo exatamente onde eles estavam. Clemence havia nascido cega, consecutivamente seus olhos não eram brancos como as pessoas imaginam que são os olhos de um cego, eles eram azul acinzentado — o que fazia até mesmo Valkyria ter inveja -, sua pele era branca, mas não tanto quanto da ruiva e continha algumas manchas de sol, o nariz era fino e a boca era rosada, enquanto seus cabelos loiros eram em um Chanel no queixo, que lhe dava um ar de mais nova.

— Eu odeio quando você está certa. – Valkyria suspirou. – Aquela pessoa do passado que você me disse, apareceu hoje à tarde.

E então ela começou a contar tudo que havia acontecido, desde o começo. Enquanto a garota que naquele momento alimentava os filhotes, aguçou os ouvidos para prestar atenção na conversa. Amelie Courtlyn era uma menina de apenas 17 anos e se encontrava no final do turno de meio período após as aulas, ela possuía a pele alva que formavam um contraste com a cor de seus olhos e cabelos, que eram rosados, mas ao mesmo tempo eram pouco puxados para o lilás, sendo as pontas do cabelo mais escuras; os olhos com lentes possuíam a mesma cor, numa mistura divertida e bonita; os lábios eram pequeninos e rosados, enquanto seu corpo possuía belas curvas. Naquele momento suas roupas eram uma calça de algodão justa e uma blusa branca do uniforme da loja, que possuía uma manga cheia e meio plissada e por cima destas, o avental azul.

Amy conhecia Valkyria de vista e já havia falado com ela algumas vezes, sabia que a ruiva estava sempre lá para conversar com Clemence e quando Clemence podia, saía pra ir falar com Valkyria. Amy fazia parte do Círculo, mas Clemence estava retendo alguns assuntos dela, dizendo que era questão de “segurança”, a rosada não sabia qual era a posição de Valkyria no Círculo, mas sabia que ela sabia de tudo que acontecia e aquilo lhe irritava profundamente, se estava no Círculo de Bruxas não era para ser proibida de saber dos assuntos. Pelo menos era o que ela esperava, mas como em qualquer grupo, sempre havia as pessoas que sabiam mais.

— O que você acha que ele quer? – Clemence perguntou assim que Valkyria terminou de contar o ocorrido.

— Eu não sei, mas eu tenho medo dele voltar a me procurar. O que eu não duvidaria para dizer a verdade. – com um suspiro Valkyria se apoiou no balcão do caixa.

— Hm, fique atenta, humanos não deveriam se intrometer demais nessas coisas. – com um sorriso leve, Clemence se aproximou de Valkyria. – Esses dias, Scarlet me pediu para ir falar com ela, acho que ela achou alguém que seria útil para o Círculo, estive pensando em levar Amelie, interar ela em uma parte das coisas ia ser bom...

— Você que está de olho nela, não há nada em que eu possa dar minha opinião.

Valkyria deu uma olhada na menina que agora se aproximava, enquanto Clemence também direcionou seus olhos azuis para ela.

— Pode ir para casa, Amy. Nos vemos amanhã, boa noite.

Amelie assentiu e se dirigiu aos fundos da loja para se trocar, tirando seu avental no caminho. Clemence então voltou a falar:

— Acho melhor nós começarmos a interá-la nos assuntos. Sabe como é, ela é uma adolescente e pode ser um pouco problemático se ela se zangar por fazer parte de uma coisa onde ela não participa. Além de que, quero ficar de olho nela, a família Schlund está atrás da magia Regente há anos, eu não sei para que fundamento, mas nunca é bom arriscar.

— Eu concordo. Todos nós temos um motivo para querer a magia. – Valkyria então se virou em direção à Clemence, ainda apoiada ao balcão, mas agora se debruçava em cima dos dois braços, enquanto as mãos eram apoiadas nos seios. – Assim que vocês e Scarlet forem até essa pessoa, avise-a que precisamos de uma reunião para decidir como iremos resgatar aqueles arquivos.

— Você parece bastante determinada em conseguir esses arquivos... Algum motivo especial?

— Eu só não confio em ninguém para tê-los. O que pode acontecer se cair em mãos erradas novamente?

~—~

Dois dias se passaram desde então, e aquela manhã em especial parecia um pouco menos quente. Clemence decidiu visitar Valkyria antes de acompanhar a outra amiga e naquele momento as duas saiam do escritório na biblioteca, depois de poucos minutos de conversa. Naquele dia, Clemence usava um longo vestido azul claro, com pequenos babados no colo, em seus pés sandálias leves; enquanto Valkyria usava botas de salto alto, pesadas e pretas, uma longa saia roxa com bordados de flores, sua blusa era cinza em um tecido de malha leve e solto, as mangas iam até metade de seu braço, antes dos cotovelos.

Assim que as duas deram o primeiro passo para descer as escadas, a porta de entrada se abriu e a sineta tocou, entrando na loja Valkyria viu um rosto conhecido e outro não tão conhecido assim.

Kit olhou para cima, em sua direção, diretamente em seus olhos, ele sorriu abertamente e traiçoeiro.

— Me diga Srta. Redwine, aqui vocês vendem livros de magia? – ele disse em alto e bom som e Valkyria torceu para não ter nenhum cliente entre as estantes.

Desceu as escadas o mais rápido que seus saltos permitiam e quando chegou de frente a Kit, pegou seu pulso e começou a arrastá-lo de volta para o andar de cima. Suas mãos pequenas apertavam o pulso do mais velho o mais forte que conseguia, suas sobrancelhas franzidas assim como seus lábios. Começou a subir as escadas em direção ao seu escritório, Clemence decidiu segui-los.

E no andar de baixo, Isabella e Bradley — que veio junto a Kit -, trocaram olhares curiosos e preocupados, antes de ouvirem a porta do andar de cima bater com uma tremenda força.

Valkyria soltou Keith assim que entrou na sala, seus olhos verdes pareciam ter se escurecido e por um momento Keith chegou a pensar que ela soltaria raios por eles.

— O que você quer? – Valkyria perguntou séria, sua voz parecia mais grossa do que o normal.

— Quero que você me conte o que eu já sei, preciso de sua ajuda.

Valkyria abaixou a guarda com um suspiro e então olhou para Clemence, que pareceu dar de ombros. Olhou para Keith... Se aquela fosse a exceção para deixá-la em paz.

Notas finais
Por enquanto é só, eu já sei o que vou fazer durante toda a fanfic, então talvez eu não demore tanto para postar, se eu tiver algum bloqueio será na hora de passar a ideia para o "papel". Os personagens restantes vão aparecer até o capítulo 3, não se preocupem e os que apareceram nesse, aparecerão mais no próximo. As vagas logos serão fechadas, então se alguém não mandou personagens e querem mandar ainda, fiquem à vontade, mas tenho 3 avisos: em relação as fichas, personagens da linhagem de energia não serão mais aceitos, já tirei a categoria da ficha e personagens ruivos também não, me desculpem, contando com a Valkyria tenho 3 e pessoas ruivas eram ditas como raras. O terceiro é, mudei um pouco algumas ideias e agora os personagens podem ter os dois pais bruxos, se alguém desejar mudar, só me avisar nos comentários. É isso, espero que tenham gostado, até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.