Burimyu (remasterizada)

23 Capítulo 23 - O último show


Capítulo 23 – O último show


Naquele dia fariam o show do Live Bankai Show Code 002, que na opinião de boa parte do elenco e da produção, era o mais engraçado até então. Os taiins entraram pela platéia avisando que o show iria começar. As cortinas abriram e os shinigamis apareceram, alguns em cima da parte luminosa do palco, que subiu de dentro do chão, e começaram cantando Bleach Soul Shout. Depois Tatsuya conversou um pouco com a platéia, Rukia chamava sua atenção desesperadamente e ele se preocupava por ela estar pálida, o que fez a platéia gritar emocionada. Os shinigamis se revoltam pela presença dos três capitães traidores e conversavam entre si com loucuras e provocações, fazendo a platéia morrer de rir. Depois de uma longa conversa, Aizen, Gin e Tousen cantaram Catharsis of Eternity. Em seguida um grupo de shinigamis andava pela platéia conversando e divertiam a todos. Momo oscilava entre defender e não defender Aizen.

— Depois de ver o capitão Aizen cantar todo animado eu me senti feliz como eu me sentia antes... Mas uma parte de mim fez eu me sentir com raiva. Por que eu estou tão feliz como uma idiota? Mas o capitão Aizen cantando é tão amável que eu fiquei encantada... – ela dizia com um sorriso bobo – Mas não importa quão linda é a voz, eu até me senti bêbada! É como se não fosse eu mesma!

Depois de mais conversa cantaram High Risk, No Return e Ichigo discutia com Renji.

— Quando o Aizen aparece, elas gritam “Kyaaa”. Quando Byakuya aparece, é “nii-sama”! Quando Renji aparece... nada.

— Ei! Ei! – Ele se revoltou — é verdade – a platéia ria.

Depois de todos rirem da cara de Renji e dele e Ichigo disputarem atenção, ele fez a platéia gritar o nome de Ichigo, que cantou Ore Wa Kurosaki Ichigo Ni Naru. Depois Renji fez todos gritarem o nome dele e cantou também.

— Rukia! – Ambos gritaram ao fim da canção, estendendo a mão na direção da platéia.

— Que barulhentos! – Ela surgiu no topo da escada – o que é isso? “Ichigo!” e “Renji!”. Vocês estão tirando vantagem da pena de todo mundo! A popularidade temporária realmente faz vocês felizes, hein?!

— O que há com você? Inveja? – Renji provocou.

— O que? É isso? Se você fosse bonita... – Ichigo começou.

— Idiota! Quem iria...

— Entendi, entendi, entendi... – Renji falou – Já que a Rukia não está sendo honesta, eu vou dizer uma coisa boa... Não culpe só a você mesma. Você não é dura o bastante para agüentar tudo sozinha afinal!

— Vamos esquecer o sobrancelhas esquisitas aqui – falou interrompendo Renji – Agora, vamos lá! – Ela socou o ar e o público gritou – Pessoal, por favor, chamem o meu nome.

Ela agradeceu após ouvir todos ali chamando seu nome.

— O que? Você só queria ser chamada também.

Após Ichigo reclamar com ela, cantaram Tsuyosa to Egao wo Tabanetara. Hitsugaya, Momo, Aizen e Matsumoto falavam sobre aniversários no aniversário de Hitsugaya e cantaram Fuyu no Hanabi e Hitsugaya brigou com Aizen.

— Aizen... quando eu te agradeci antes... o meu bom senso voltou! Voltou agora mesmo! – Gritou furioso, virando-se para Aizen e Momo o repreendeu.

Depois de Matsumoto colocar um ponto final na discussão, Gin apareceu.

— Você pensou em mim agora há pouco, não foi Rangiku? – Ele disse de forma doce.

— Gin! Baka... – ela o olhou nervosa e se aproximou dele, fazendo sinal de silêncio e Hitsugaya a questionou, ainda mais irritado.

Ela se se virou com um sorriso para Hitsugaya, dando-lhe um empurrãozinho – Capitão... Você é sempre tão desconfiado... Está tudo bem!

— Gin, eu vou te matar! – Ela o olhou furiosa e ele desculpou-se, ouviram gritinhos da platéia.

Relembraram a brincadeira feita com Bengara Koushi.

— Eu não quero lembrar do Abarai cantando – comentou Hitsugaya.

— Foi muito engraçado, mas eu já tive o suficiente – disse Momo.

Eles cantaram Bengara Koushi e em seguida vieram Zattsu Otoko e muitas cenas depois a conhecida Kaien no Omoide e Josei Shinigami Kyoukai. Depois a platéia vibrou enlouquecidamente com Mou Hitotsu no Chijou e o solo de Tatsuya em Where is My Body, na qual ele dançou com os taiins e deixou todos encantados. Enceraram aquele show magnífico com Ichigo convidando-os para ouvir uma coletânea de canções imensamente amadas por todos. No Clouds in The Blue Heavens, Yureru Soul Society, The Dark of The Bleeding Moon, Bleach, Kawaranai Kimochi e Hona Sainara. Em Bleach, Ichigo corria por entre a platéia. Ele e Rukia estendiam a mão um para o outro enquanto cantavam e ele voltava ao palco.

“BLEACH! Acredite no amor, no futuro e em nada mais. BLEACH! Continue a acreditar e você terá o poder para mudar o destino. BLEACH!”

Cantaram alegremente Kawaranai Kimochi.

“Mesmo se as coisas não podem mudar

Eu não quero perder esses sentimentos imutáveis”

Gin correu para o centro do palco e cantaram a canção final. Hona Sainara. Ao final da canção, os shinigamis invadiram a platéia, cantando.

“Amanhã será definitivamente melhor”

Terminaram de cantar e comemoraram aos gritos de alegria da platéia. Despediram-se e deixaram o palco. Nos bastidores, todos estavam enlouquecidos de alegria com o sucesso de mais um show realizado.

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Ao final de um dos shows do Live Bankai Show Code 003, eles se preparavam para a participação de Kubo. Cantando o refrão, Tatsuya entrou na platéia e caminhou por entre as pessoas, parando ao lado de uma delas, puxou Kubo pela mão e o conduziu até o palco enquanto todos ali aplaudiam. Quando subiram ao palco, todo o elenco também aplaudiu. Tatsuya levou Kubo até eles e o posicionou entre ele e Miki, para cantarem o final da canção.

“O outro lado de um limite

Eu vou continuar lutando”

A canção acabou e tudo que ouvia agora eram os gritos e aplausos da platéia. Ichigo falou sobre Kubo, apresentando-o a platéia como o criador de Bleach.

— Kubo Taito sensei desu!

As cortinas tocaram o chão. Foram para os bastidores e comemoraram. Os taiisn agarram Tatsuya e o jogaram para cima três vezes, fazendo o mesmo com Miki e Kubo. Estavam imensamente felizes. Não imaginavam a triste notícia que estaria por vir no último show daquela turnê.

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Era o quarto dia do último show. Mais uma vez, cedo, estavam todos ali para se arrumarem. O clima já não estava tão pesado, mas a tristeza ainda era evidente.

{Flash Back}

Eram 14 horas. Por alguma razão desconhecida, Takuya mandara reuni-los no salão de reuniões e parecia que o que tinha a dizer não era bom. Estavam todos sentados, Tatsuya estava estranho, sua expressão sempre sorridente não estava em seu rosto.

— Bom, eu não queria dizer isso hoje, nessa reta final, mas acho que é o certo a fazer. Nós estamos trabalhando juntos há mais de um ano. Estou ciente que cada um aqui ama Bleach, mas que também há aqueles que gostariam de trabalhar em outras coisas também e vocês sempre tiveram essa liberdade de saírem se fossem chamados ou se quisessem. Eu estou muito triste em dizer que, apesar de o Burimyu continuar, nós teremos um novo Ichigo.

Todos eles ficaram perplexos e chocados, especialmente uma certa baixinha ruiva. Como assim?

— Tatsuya-san foi chamado pelos diretores de um outro trabalho, que por sinal o interessa, em Nagoya. Se ele aceitar, nós teremos um novo Ichigo em alguns meses. Está sendo difícil pra mim dizer isso agora, eu confio em vocês e sei que apesar de doer muito, isso não vai interferir na qualidade da performance de vocês hoje, mas achei que tinham o direito de saber que possivelmente serão as últimas vezez que Tatsuya-san sobe com vocês ao palco. Agora, temos que voltar ao trabalho – ele se retirou, visivelmente triste.

Estavam todos calados e sem reação. Se recusavam a absorver aquilo. Em segundos os mais íntimos de Tatsuya viraram-se para ele, questionando-o.

— É realmente um musical que me interessa e eu ainda não sei se vou aceitar trabalhar com eles. Mas a chance de acontecer é grande, é algo em que eu gostaria de trabalhar tanto quanto o Burimyu. Mas não vamos pensar nisso agora, tem pessoas esperando pra nos ver mais tarde e elas não querem nos ver tristes.

Eles levantaram-se e depois de conversar com as incontáveis pessoas que o abordavam, finalmente ele pode sair. Todos começaram a dispersar-se para se arrumar. Já com o kimono shinigami, ele entrou naquela sala de teste, onde estivera pela primeira vez ali, onde a conhecera, não queria encará-la ainda, tinha medo de ver a tristeza nos olhos dela. Sabia que ninguém entrava ali nos dias de show, estavam usando as outras salas de som, o salão, as salas de maquiagem... Ele olhou para o exato lugar onde estiveram sentados naquele dia, para a cabine de som... suspirou e se permitiu chorar. Silenciosamente, tentava livrar-se daquele aperto incômodo no coração de ter tido que revelar aquilo a eles. Havia pensado em sumir de repente, mas seria muito cruel. Seu coração ainda estava dividido entre os dois trabalhos e entre deixar aqueles que aprendera a amar ali ou não.

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Ela já vestia o kimono shimigami. O procurou pelo estúdio, sem achá-lo. Sabia que ele devia estar em algum lugar chorando como muitos ali já o faziam, inclusive ela. Kumiko a viu passando pelos corredores, seu rostinho infantil também triste, queria consolar Miki, mas não a impediu, sabia onde ela podia estar indo. Miki continuou seu caminho até chegar àquela sala, que por sorte era não só vazia, mas os corredores a sua volta também. Entrou. Ele estava lá. Fechou a porta.

— Tat...?

Ele se virou, chorando. Aproximou-se e segurou as mãos dela, fitando-as. A abraçou. Ela o envolveu também, apertou-o com força e libertou suas lágrimas. Ele encostou o rosto em sua cabeça e afagou seus longos cabelos ruivos. Por longos dois minutos ele apenas chorou. Ela fazia o mesmo, silenciosamente. Respiraram fundo, tentando se acalmarem. Quando as últimas lágrimas deixavam seus olhos, finalmente puderam falar.

— Eu já disse antes que gosto muito de Bleach e amo todos vocês, mas há outras coisas em que quero trabalhar. Me perdoem por deixá-los.

— Nenhum de nós quer que você vá, mas se isso te faz feliz... nenhum de nós quer que você perca essa nova chance.

— Lembra de tudo que conversamos sobre ligações? Eu não sei porque, mas quando te encontrei aqui naquele dia... pareceu que eu encontrei alguém que tinha procurado a vida toda, por algum motivo, embora eu não tenha a mínima ideia de qual. Eu vou embora, mas se estamos mesmo ligados, vamos nos encontrar de novo. Eu vou mandar notícias, vou vir visitar vocês quando puder.

— Vai ser muito doloroso nos próximos musicais entrar aqui todo dia e não escutar sua voz alegre como sempre. Se quer saber, quando te encontrei aqui... senti uma felicidade intensa, que também não sei de onde veio. Eu vou sentir muito a sua falta, mas quero que você siga seu coração, porque só temos uma vida pra fazer isso.

— Acho que devemos ir agora – falou após alguns segundos — Vamos entrar naquele palco mais tarde e dar o melhor de nós. Não vamos nem pensar que é um dos meus últimos shows. Eu quero você sorrindo, eu vou entrar sorrindo e direi o mesmo aos outros. As pessoas que estarão nos esperando não querem ver tristeza.

Eles se soltaram. As marcas das lágrimas permaneciam em seus rostos. Enxugaram os olhos e saíram dali. Miki se dirigiu a sala das garotas, o clima estava meio pesado ali também. Kumi também havia chorado e mesmo as que se seguraram estavam tristes.

Ele entrou na sala dos garotos, alguns estavam abatidos, outros choravam. Takashi morria de rir tentando não chorar com aquilo, mas não aguentou e chorou enquanto abraçava o amigo.

{Fim do Flash Back}

Aquilo havia acontecido no último dia em Tokyo. Estavam em Niigata, no último dia da turnê daqueles quatro dias. Apresentariam dentro de algumas horas o Live Bankai Show Code 003. Já não doía tanto, mas em pensar que seria a última vez com ele no papel de Ichigo, a tristeza batia em cada um.

— Eu também não estou cem por cento feliz hoje, mas não pensem nisso. Só... entrem e arrasem mais uma vez. Eu sei que vocês podem fazer isso, mesmo naquele dia, fizeram um show excelente.

Haruki estava aprontando as câmeras para mais tarde. Muitos deles já estavam com o figurino completo. Ela já era Rukia, estava sentada ao lado dele, obervando-o. Os demais se distribuíam pelo estúdio, acertando os últimos detalhes. Logo já estavam entrando em palco.

Começaram cantando uma parte de No Clouds in The Blue Heavens, com as luzes apagadas. Escutaram a voz de Isaka gritando numa interação com a platéia. Os shinigamis começaram a entrar em duplas ao som inicial de The Dark of The Bleeding Moon, fazendo a platéia gritar bastante a cada dupla que aparecia destacada pela luz na escuridão do palco. Rukia apareceu sozinha no centro. Todos gritaram ainda mais, vários taiins entraram no palco correndo de um lado para o outro em fileiras, do meio deles, de repente, surgiu Ichigo, que saltou para a frente do palco e começou a erguer-se, enquanto levantava a Zangetsu. Ele a apoiou no ombro direito, eles cantaram a primeira palavra, Bleach. Duas pequenas explosões nos lados do palco e iniciaram a canção. Quando terminaram conversaram com a platéia. Depois de um tempo de conversa, no qual Ichigo parou Renji, que novamente tentava desesperadamente conseguir atenção, cantaram Hallelujah Goodbye. Terminaram e Hanatarou chamou a atenção para que todos mantivessem suas lanternas coloridas em mãos para Yuzurenai Mono Hitotsu.

— Nii-sama, você está com a sua também? – Rukia lhe perguntou de forma gentil.

Ele ergueu a lanterna para que ela visse, enquanto abriu um lindo sorriso, que fez todos se derreterem. Não era todo dia que se podia ver Byakuya sorrindo. Depois cantaram lindamente Kawaranai Kimochi, Hisagi cantando com a lanterna, como se fosse um microfone e Hitsugaya fazendo voz de fundo, deixando a canção mais bonita. Deixaram o palco e Byakuya ficou sozinho. Yoruichi entrou brincando com ele e deixando-o furioso e sendo aplaudida por suas acrobacias. Os dois cantaram e dançaram juntos Mamagoto Onigoto Hakarigoto. As shinigamis entraram e após um breve diálogo cantaram Josei Shinigami Kyoukai, o que deixou Byakuya irritado. Elas saíram deixando-o sozinho.

— Hisana... Rukia está ficando rebelde – ele comentou, fazendo todos rirem.

Kira apareceu dando uma olhada a sua volta e chamou os demais shinigamis. Eles entraram todos de óculos escuros e com a parte superior do shuhakusho suspensa em seus ombros. Era uma reunião da associação masculina de shinigamis. Renji deteu Byakuya, que tentava sair, e lhe deu um óculos escuro. Eles conversaram bastante por alguns minutos e cantaram Otokomichi. As shinigamis voltaram no final junto com Hanatarou e Kira ficou envergonhado. Momo se dirigiu a Hitsugaya.

— Hitsigaya-kun... Esses óculos não combinam com você – e saiu.

Ele ouviu as risadas do público enquanto virou a cabeça, refletindo sobre as palavras dela. Os shinigamis começaram a se retirar.

— Hitsugaya taijou... – Renji tentou chamá-lo, mas ele o interrompeu.

— Cala a boca! Eu nunca mais vou usar esses óculos... – Ele disse ironicamente se referindo a seu pouco tamanho e saiu furioso.

Ele sumiu do lado do palco e escutaram algo parecido com vidro quebrando. Renji e Hisagi já se viravam para Kira e Byakuya quando ouviram mais vidro quebrando. Ficaram surpresos por alguns segundos enquanto todos riam e finalmente se viraram para encontrar Kira ajoelhado no chão, se escondendo com seu shuhakusho e com uma cara triste. Byakuya disse algo a Kira, que assentiu, e se retirou. Kira, Renji e Hisagi cantaram e dançaram mais um pouco e saíram. Depois de Bengara Koushi, Tatsuya entrou cantando Furitomenu Ame, mostrando toda a dor de Ichigo.

“Uma chuva fria continua a cair

As nuvens negras cobrem tudo (...)

Em meu coração, a chuva sempre sempre sempre sempre sempre continua a chover

Desde aquele dia... a chuva semrpe continuará a cair”

Raios de luz da Lua invadiram um ponto do palco, onde iluminaram Miki, que com sua voz doce cantou Semai Sora.

“Eu devia estar acostumada a ver esse céu

As bordas da janela o fazem menor (...)

Nem mesmo a luz da manhã chega a esse lugar

Eu até esqueci de como o céu azul é”

Ela cantou a frase “Nenhuma nuvem no céu azul”. O cenário se iluminou e o céu escuro se tornou azul claro. Ela e Tatsuya começaram a cantar Te Wo Tsunagou.

“Por causa da dor nós entendemos um ao outro (...)

De mãos dadas

A vista da cidade ao pôr-do-sol

Nós vamos construir o amanhã de mãos dadas (...)

A minha mão se lembra do calor que eu não vou deixar ninguém apagar”

Ao fim da canção, eles estavam lado a lado. Tatsuya abriu um grande sorriso para Miki, que retribui, antes de virarem de costas para a platéia. Depois de toda a emoção daquelas três canções, pararam para o “Concurso da Mentira”.

- Momo-chan. Atrasei um relatório porque tinha muito trabalho a fazer e o capitão disse que eu merecia levar um puxão de orelha de alguém.

Ouvindo isso, ela foi até ele e fingiu puxar fortemente a orelha esquerda dele. Kira gritou pulando desesperado.

— Ussô! Ussô! Ussô! – Agora ele parecia estar com raiva.

Seus olhos adquiriram uma expressão de surpresa e ela o soltou, afastando-se. Kira a olhou, ela parecia extremamente triste e magoada.

— Não queria deixá-lo zangado Kira-kun... – estava realmente triste.

— Não fique assim Momo-chan... – ele preocupou-se.

Ela riu e olhou pra ele.

— Ussô!

— O que...?

— Ussô – disse ainda rindo.

Kira começou a rir também. Os dois morriam de rir juntos. Depois de pararem, viraram para a platéia, que ria e aplaudia, e fizeram uma reverência. Era vez de Hisagi e Soi-Fong.

- Soi-Fong taijou? – Ele andava procurando por ela, sem ver que ela estava bem na sua frente, devido a sua baixa estatura.

Ele continuou andando e chamando até colidir com alguém. Ele olhou para baixo e a viu. Depois se curvou pedindo desculpas.

— Desculpe capitã! Eu não quis fazer isso.

Ela bateu nele, ele se virou com o tapa e pôs a mão no rosto.

— Ussô! – ele falou indignado.

Agora Byakuya instruía um oficial sobre o que fazer se alguém tentasse se aproximar mais do que devia da sua irmã.

— Espero que esteja entendendo. Não é nada pessoal, apenas devo protegê-la.

— Sim capitão, entendo perfeitamente. O que devo fazer?

Byakuya se aproximou e colocou as mãos entre o pescoço e o rosto dele, liberando tanta energia espiritual que o jovem oficial gritou desesperadamente. Depois Byakuya o soltou, para o alívio do oficial, dizendo que era brincadeira, embora seu olhar dissesse o contrário.

O concurso seguiu com Gin inventando mentiras para inúmeras pessoas, especialmente Hanatarou. Dos abstidores, Takuya morria de rir e agora veriam mentiras de Ikakku, Momo e Ichigo. Primeiro Ikakku e Momo tomaram a frente do palco e Ikakku fez Momo executar sua dança do Sorte enquanto ele cantava a estranha canção e depois ria de Momo. Momo chegou perto dele, tocou na sua cabeça e disse algo que fez todos rirem, mas deixou Ikakku indignado. Ichigo veio e Ikakku se afastou.

— Eu sou Momo.

— Momo? Eu sou Ichigo! – Ele arregalou os olhos surpreso, apontando para ela e para ele, numa brincadeira com o significado de seus nomes: Momo, pêssego e Ichigo, morango.

A mbos ficaram super felizes e pularam na direção um do outro, batendo as palmas das mãos e gritando. Depois chamaram insistentemente Ikakku para vir até eles. Ele ficou muito desconfiado e começou a andar até eles devagar. Quando estava perto, os dois mandaram que ele parasse fazendo um sinal com a mão estendida. Ichigo e Momo se olharam rapidamente, olharam para Ikakku e disseram “Ussô!” Logo ele percebeu que aquilo era uma vingança. E todos morreram de rir. O concurso seguiu com incontáveis mentiras de uns para os outros, entre as quais Unohana enganou muitos shinigamis dizendo que o diagnóstico feito por ela apontava doenças gravíssimas. Assim que se divertia com a cara desesperada do outro shinigami, ela dizia que era mentira. Agora veriam mentiras de Ichigo, Rukia e Byakuya.

— Rukia! – Ele olhou para ela de modo sério – não tem mais lugar no meu armário pra você – cruzou os braços e olhou para o outro lado com uma expressão de seriedade e decepção.

Ela o olhava sem dizer nada, muito triste e apreensiva.

— Na verdade... – ele falava agora, se virando um pouco para ela, mas ainda escondendo os olhos no teto e parecendo sem jeito, o que arrancou gritos da platéia – é mentira. Sempre vai haver um lugar pra você – finalmente olhou para ela e deu um pequeno sorriso, ao qual ela retribuiu, enquanto ambos recebiam um olhar furioso de Byakuya, que foi para perto deles.

— Ichigo! Tem lixo no Haori do nii-sama! Tire-o!

— Ok – ele se abaixou para pegar, mas Rukia chutou sua mão.

— Como um humano sujo como você ousa tocar no meu irmão?! Vamos nii-sama! Me leve de volta a Soul Society!

Os dois saíram e Ichigo só ficou olhando ainda assustado e triste. Passados alguns segundos Rukia voltou, delicadamente puxou a cabeça de Ichigo para perto e encostou a testa na dele.

— Era mentira.

Em seguida veriam mentiras de Renji e Rukia, Renji e Ichigo, Rukia e Gin.

— Rukia, eu tenho que dizer que... eu sempre gostei muito de você... – Renji se aproximava dela, que apenas o olhava – mesmo depois que nós crescemos... você já era linda e agora, ficou ainda mais feminina, bonita... – agora ele tinha a mão em cima da cabeça dela, a dois centímetros de tocá-la.

Ele finalmente tocou na cabeça dela e disse “Ussô!” Ela deu um tapa no rosto dele, surpreendendo-o e fazendo com que ele imediatamente tocasse o local e tirasse a mão de sua cabeça. Ela se afastou enquanto lançava a ele um olhar mortal e escutava as risadas do outros, especialmente de Ichigo. O concurso seguiu com Renji implorando para Ichigo lhe fazer massagem, mas toda vez que Ichigo consentia e começava, Renji ficava irado e mandava que ele parasse como se Ichigo fosse o pior massagista do mundo. Depois de três tentativas, Renji apontou um ponto distante. Ichigo olhou e quando se virou para Renji seu rosto colidiu com o dedo indicador ainda estendido dele e Renji comemorou. Mas Ichigo, imediatamente, conseguiu fazer uma brincadeira com ele também. No final, se vingou fazendo a mesma coisa que Renji, que depois de aceitar a derrota estendeu a mão para Ichigo, que a apertou. Agora veriam a mentira mais esperada: “A vingança de Rukia.” Depois de mentir para algumas pessoas, Gin perguntou se alguém tinha algo a lhe dizer. Rukia levantou a mão e andou até onde ele estava. Sorridente, Gin a mandou prosseguir.

— Ichimaru taijou...

Ele se aproximou dela, que não o fitava, apenas olhava em frente de forma fria e revoltada.

— Eu não esqueci do que me fez na Torre da penitência. É incrível que ainda pareça não ter nenhum tipo de remorso pelo sofrimento que causou a mim e a outras pessoas. Eu devia me tornar uma mentirosa como você e me vingar. Não pensar o mesmo??!!! Um capitão deve levar seu trabalho a sério, sem brincar com o poder que tem. Ichimaru taijou, já que você não é esse tipo de capitão... você não merece estar aqui – com extrema rapidez, ela sacou a zampakutou e se virou, apontando a lâmina para ele e a platéia gritou, enlouquecida.

Todos os outros shinigamis também sacaram as katanas e apontaram para ele. Ouvia-se o som metálico das zampakutous roçando com a bainha enquanto eram puxadas. Gin ficou apavorado enquanto todos eles se aproximavam com as zampakutous erguidas em sua direção. Terminou encurralado entre todos eles com a Sode no Shirayuki de Rukia em seu pescoço. Ela abaixou a zampakutou e ergueu o braço tentando alcançar a cabeça dele. Quando conseguiu, puxou-a para baixo, na sua direção, sua mão segurando o cabelo dele para que não se soltasse.

— Ussô! – Disse com um sorriso, próxima ao rosto dele.

Gin riu de alívio enquanto ela soltava seu cabelo e lhe lançava um olhar mortal e se afastava, ao mesmo tempo que todas as zampakutous eram guardadas.

— Ichimaru taijou...

Ele a olhou ao ouvir seu nome.

— Da próxima vez que acontecer, minha abordagem não será uma mentira – e se virou afastando-se de um modo que a fazia parecer bem superior a ele.

Ele ficou parado assustado com a ameaça enquanto os outros riam e aplaudiam e Rukia novamente lançava um olhar fulminante a Gin.

— Eu não sei o que dizer... – riu – todos vocês sacando as katanas! – Parecia indignado – eu vou me retirar! – Andou para o outro lado do palco.

Rukia terminou vencendo aquela rodada do concurso da mentira.

— Rukia-chan, sua palavra, por favor.

Ela fez um breve comentário sobre a vitória e depois cantou um trecho de Tsuyosa to Egao Tabanetara tentando fazer com que Ichigo, Renji e Byakuya dançassem. Ichigo se empenhou bastante embora sem sucesso. Byakuya também tentou, mas se saiu ainda pior. Renji nem conseguiu imaginar o que fazer. Quando terminou se virou para olhá-los. Olhava de um para o outro enquanto eles a encaravam com uma expressão perdida como se não entendessem nada. Mesmo assim, ela se curvou e agradeceu, sendo aplaudida.

Para terminar, cantaram Tear of The Flower, Oyasumi Nasai, a famosa Catharsis of Eternity, High Risk, No Return, a amada e magnífica Mou Hitotsu no Chijou e as conhecidas Song for you, Where is my body?, Yureru Soul Society, Bleach e finalizando, The Other Side of A Limit.

Os últimos minutos dele ali. A última canção que cantariam juntos, The Other Side of A Limit. Antes de começarem, Tatsuya falou algumas palavras, brevemente, mas ao fim delas todos eles estavam chorando ou perto disso, inclusive ele mesmo. Ele começou a cantar com a voz um tanto rouca por causa do choro, mas ele sorria. Os outros apenas o observavam. Eiji, ao seu lado, e Miki, do outro, tentavam a todo custo conter as lágrimas. Eiji, de braços cruzados, olhava para o chão. Miki mantinha uma das mãos no rosto. Aos poucos, os outros se aproximavam dele e também cantavam. Chegou a vez de Ichigo e Rukia. Miki conteve as lágrimas e caminhou para a frente do palco, olhando para baixo. Ele olhou em seus olhos, agora azuis, repletos de lágrimas. Ficando ao lado dele, que lhe abriu um grande sorriso, ela o olhou, inspirou fundo e começou a cantar com ele, as lágrimas marcando seu rosto. Pela primeira vez naquela canção a voz dele se destacou mais do que a dela, que cantava mais baixo por causa do choro. Logo ele e Takashi se encaravam sorrindo, mas também com a voz marcada pelas lágrimas. Cantaram todos juntos o refrão daquela canção pela última vez, com todo o coração. Choravam, mas sorriam, coloram toda a sua força e emoção naquele momento. Terminaram a canção sorrindo, enquanto aviões de papel voavam pelo palco.

“O outro lado de um limite

Eu vou continuar a lutar.”

Agradeceram e acenaram enquanto a cortina baixava. As cortinas tocaram o chão e Tatsuya entregou-se ao choro, dessa vez mais livre e desesperado, cobriu o rosto com as mãos. Agradeceu a eles, que o aplaudiam, e bateu palmas junto com eles. Ele voltou ao palco, sozinho, e agradeceu mais uma vez, enquanto jogava estrelas e corações de papel para a platéia. Voltou aos bastidores e foi novamente aplaudido, por muito tempo. Eles o agarraram e o atiraram ao ar três vezes, fazendo o mesmo com Miki em seguida. Filmaram um pouco mais nos bastidores, onde muitos ainda choravam.

No dia seguinte voltaram para Tokyo. Foram para o estúdio e de lá para suas casas. Em poucos dias se reuniriam novamente para uma turnê do Burimyu na França e um show em Roma, onde teriam um novo Ichigo e treinariam por um mês, incluindo canções dos encerramentos e aberturas de Bleach. Antes de saírem, despediram-se de Isaka.

— Tat-san, você é muito especial pra todos nós e cada um aqui, caso você não volte, vai sentir muito sua falta – Eiki lhe falava.

— Não vamos poder trancar mais ninguém no armário juntos, nem mudar o set de alguém de lugar – Takashi fez os outros rirem, mesmo estando sério.

— Vai ser muito difícil fazer o Renji discutir com outro Ichigo.

Todos eles prosseguiram falando algo. Ao final, muitos já haviam deixado o estúdio. Tatsuya conversava com Takuya em uma sala.

— Lembre que ainda há tempo. Se você mudar de ideia e voltar logo, nós estaremos te esperando. Vamos estar em turnê na França. Quando voltarmos, se você estiver nos esperando, te aceitaremos.

— Eu vou pensar bem. Mas não diga nada aos outros. Eu ainda não sei o que vou fazer e não quero lhes dar falsas esperanças.

— Não se preocupe. Não direi... caso você decida não voltar, saiba que eu duvido que eu vá encontrar alguém que incorpore tão bem o Ichigo como você. Você é muito carismático e é responsável por grande parte dos fãs do nosso musical. Espero que você fique bem em Nagoya.

Eles se despediram. Takuya continuou na sala organizando algumas coisas e fazendo ligações. Tatsuya saiu e fechou a porta. Ela estava ali lhe esperando. Sozinha, sinal de que todos os outros já tinham ido embora. Ela o olhava de maneira séria. Não havia ninguém no corredor além dos dois. Se abraçaram mais uma vez, como naquele dia em que ela soube que ele iria embora. Fecharam os olhos, abraçando apertado um ao outro. Quando se soltaram, sorriram verdadeiramente, embora segundos depois a dor tomasse seus olhos. Ele soltou as mãos dela e caminharam para a saída. Despediram-se de Chiyo e Hideki. Saíram juntos até certo ponto do caminho, porém, depois de uma última troca de olhares, logo separaram-se em direções diferentes.