Burimyu (remasterizada)
21 Capítulo 21 - Depois do primeiro show
Capítulo 21 – Depois do primeiro show
Passaram os dias seguintes àquele show fazendo outros shows, ainda em Tokyo, onde em um deles, gravaram o DVD. Seguiram para Osaka, onde permaneceram em uma instalação alugada pela Pierrot ao lado da casa de show, onde também havia um grande salão para reuniões.
— Como eu já expliquei, teremos outros musicais, com um intervalo de em média seis a oito meses entre um e outro. Por isso vocês trabalharam algumas cenas de vez em quando que não entraram nesses três dias ainda. Tínhamos que adiantar alguma coisa. Notaram que quase não nos ocupamos com o concurso da mentira, não foi?
Eles assentiram.
— Eu disse que adiantaríamos cenas dos próximos musicais, que apesar de já planejados, eu só discutiria com vocês depois. Nosso tempo é restrito, por isso adiantamos alguma coisa do concurso da mentira já que para esses três dias tivemos bem mais que seis meses. Depois dessa turnê de três dias, investiremos em outros quatro musicais. Um deles foi projetado recentemente. Faremos uma espécie de resumo desses três dias que vocês estão apresentando agora, do próximo musical, o Live Bankai Show Code 001 e o que vem depois dele, No Clouds in The Blue Heavens. Esse musical se chamará “The All”. Os outros dois não se direcionam exatamente a história, e é neles que entra o concurso da mentira. São os “Live Bankai Show”. Code 002 e Code 003. Mas esses dois últimos ainda virão depois dos três próximos.
Takuya terminou a explicação deixando todos empolgados com os novos trabalhos que viriam pela frente. Em seguida, já quase de noite, os garotos seguiram para seu quarto e as garotas para o delas. Continuaram a turnê saindo de Osaka, onde gravaram um pouco dos bastidores, para Niigata, depois Nagoya, Ishikawa e outras cidades, fazendo legiões de fãs não só no Japão, mas também fora dele. Alguns meses depois o DVD já estava ao alcance dos fãs. Todo o elenco sentia-se imensamente feliz pelo carinho, energia e consideração de todos que os assistiam.
Em um dos shows em Osaka, não só Miki e Tatsuya, mas todos do elenco e da produção, até Kubo, que fora informado, surpreenderam-se ao encontrar, na primeira fila, um casal de pequenas crianças que pareciam ser os próprios Ichigo e Rukia. Por um acaso do destino, ou não, toparam com as crianças e seus pais em um restaurante da cidade, onde os pequenos mal podiam acreditar que estavam diante do elenco do musical que tanto amavam. Conversaram. A família do garoto não era cem por cento japonesa e ambas as famílias não viviam no Japão, todos eram cosplayers e falavam português, inglês e japonês. Miki e Tatsuya ficaram maravilhados com a semelhança natural das crianças com os personagens, até porque tinham os nomes deles, especialmente a menina, era muito raro que orientais tivessem olhos azuis. Miki lembrou-se da vocalista da dupla May X May J, que tinha olhos cinza, o que também era difícil de se ver.
— Um dia vou cantar como o Tat-chan – o pequeno Ichigo comentou.
Os demais riram, achando a cena bonitinha.
— Claro que vai – ele disse sorridente, com o garoto no colo.
— Eu também vou cantar igual à Miki-chan – disse a pequena Rukia, sentada no colo de Miki.
— Um dia veremos vocês no Wolrd Cosplay Summit.
Os pequenos quase enlouqueceram de alegria com o incentivo.
— Podemos começar agora – sugeriu Tatsuya.
Todos começaram a cantar Yureru Soul Society, enquanto batiam palmas. As crianças e os pais acompanharam em uma performance quase perfeita. Passaram mais algum tempo ali. As crianças ganharam autógrafos e tiraram fotos. O elenco do Burimyu viu nos celulares fotos das duas famílias com os cosplays, em eventos. Não eram tão perfeitos quando o elenco do Burimyu, mas eram realmente bons. Eles morreram de rir quando as crianças encenaram uma das brigas de Ichigo e Rukia, usando inclusive um boneco do Kon. Depois de algum tempo, despediram-se. Viram a tristeza inundar os olhos dos pequenos.
— Vamos nos ver de novo. O Burimyu vai continuar em ação – Tatsuya tentou.
— Vocês tem que seguir em frente, vamos ficar esperando vocês no Summit – Miki disse, sorrindo.
Aquilo não dissipou a tristeza, mas deu força. Seguiram seu caminho. Na volta para Tokyo, faziam brincadeiras no ônibus. Quando chegaram, foram para suas casas. Em alguns dias começariam a trabalhar no Live Bankai 1, no No Clouds e no The All.
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Estavam mais uma vez ali, treinando para o Live Bankai. Novamente Agora com novas canções. Também treinavam para o No Clouds e o The All. Estavam há mais de um ano juntos. Os laços haviam se fortalecido ainda mais, apesar de terem perdido três companheiros que não entrariam nos próximos musicais e foram se dedicar a novos trabalhos. Rei, Ito e Naofumi haviam saído. Fora imensamente difícil se despedirem deles, especialmente para os que eram mais íntimos.
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Ele entendia, mas estava impressionado. Ela sempre fora forte e mesmo se emocionando, muito raramente ficava calada daquele jeito ou chorava. Era uma lado daquela garota forte que apenas alguns, como ele, conheciam. Estava sentada no sofá do pequeno estúdio de edição enquanto lia o script do Live Bankai. Ele estava editando alguns vídeos e por vezes a olhava. Haviam voltado do primeiro dia de treinamento do The All. Os três integrantes haviam estado presentes para se despedirem dos demais. As lágrimas que ela teimava em segurar permaneciam nas beiradas de seus olhos. Tentava deixar o que aconteceu de lado, ao menos até sentir-se forte de novo. Não era o fim do mundo, mas seus dias mudariam muito sem eles, especialmente sem Rei. Eram muito ligadas.
— Eu não sei o que te dizer... Também não estou feliz com isso – ele disse olhando-a de novo.
Ela permaneceu em silêncio, apenas balançando a cabeça negativamente, dizendo que estava tudo bem. Ele virou a cadeira giratória e levantou-se para sentar ao lado dela. Abraçou-a levemente, de forma que ela pode fechar os olhos, enquanto suas mãos relaxaram, quase soltando o script. Sua cabeça doía pelo esforço de conter as lágrimas.
— Eu sei que dói. Já perdi a companhia de muitos amigos queridos de trabalho assim. O que vocês passaram juntos nunca vai se apagar e vocês ainda poderão manter contato. Pras outras pessoas pode parecer bobagem, mas eu sei que não é – afagava os cabelos dela.
As lágrimas presas libertaram-se, silenciosamente. A dor começava a dissipar-se, respirou profundamente. Tenshi entrou no local com um ursinho de pelúcia na boca, largou-o e ficou fitando os dois.
— Você vai ficar forte de novo e arrasar, porque tem milhares de pessoas lá fora esperando pra ver você.
Ela acenou positivamente com a cabeça, ainda de olhos fechados e tentou sorrir. Pensou em Tatsuya e Rei. Eles deveriam estar ainda mais arrasados, eram os dois mais sensíveis entre todos eles e também eram muito amigos. Com certeza, ela não era a única chorando naquele momento.
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Sentia-se melhor. Uma semana se passou. Estava sentada ao lado de Tatsuya assistindo a gravação dos shows que haviam apresentado. Takuya disse que sempre fariam aquilo como uma autoavaliação. Ora eles observavam sérios, ora morriam de rir e às vezes se emocionavam. Não só eles dois, mas todos faziam aquilo. Viam onde poderiam ser ainda melhores e o que poderia ser mudado no futuro.
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Estavam, como sempre, muito empenhados. Todos cantando, encenando, filmando ou dançando ou fazendo tudo ao mesmo tempo. Os três dias do novo show seriam em dois meses. E dessa vez tinham uma inovação. No The All, Miki cantaria sem microfone. Já haviam testado e era incrível como sem microfone a voz dela ressoava mais alta do que a dos que usariam microfone. Asuna também não usaria microfone. Ainda sentiam falta dos três companheiros, mas aprenderam a seguir em frente.
Haviam dedicado um mês para cada um dos três dias e agora repassavam tudo como fizeram da primeira vez.
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Estava arrumando algumas fotos impressas do Burimyu. Passou um bom tempo olhando todas elas. Fotos de cada um deles, sozinhos ou não, de vários dias, com ou sem figurino, nos treinamentos ou shows. Encontrou entre todas elas uma foto dele. Ele olhava com aquele olhar forte e determinado, a enorme lâmina da Zangetsu shikai estendida a sua frente. Ela sorriu sem perceber, deslizou os dedos suavemente pela foto. Deixou em cima de todas as outras na prateleira. Sentiu a brisa que vinha pela janela aberta bater confortavelmente em seu rosto. Fechou-a e foi se arrumar para dormir e continuar o treinamento no dia seguinte. Teve um sonho estranho, que a deixou preocupada e até sem jeito. Lembrou da cena de Memórias na Chuva. Não entendia porque sonhou aquilo.
O céu estava nublado. Devia ser cedo da manhã. Ela estava sentada no sofá de sua casa. Tatsuya deitado em seu colo. Tinha uma expressão triste e preocupada. Ela afagava os cabelos castanhos dele, que estavam presos. No começo do sonho, ela usava seu figurino de Rukia, kimono preto, peruca e lentes de contato, mas ele não usava o de Ichigo. No fim do sonho, ela já não era Rukia, era ela, Miki, cabelo ruivo e olhos castanhos. Continuava a afagar os cabelos dele e lhe dizia que não se preocupasse, que ficaria tudo bem. Ele abria um pequeno sorriso, que logo desaparecia na expressão novamente triste dele. Estava mais calmo, mas ainda triste. De repente um rapaz, que Miki nunca vira, entrou na sala e olhou para os dois, sorriu. Ela levantou a cabeça e junto com Tatsuya sorriu para ele, que em seguida se retirou. Ambos pareceram não se importar muito e voltaram ao estado inicial.
Ela acordou. Tentava entender o motivo do sonho. Ficou sem jeito, mas sentiu-se feliz estando próxima dele. E quem seria o garoto que entrara na sala e sorrira como se os conhecesse? Olhou para a foto de Isaka com o figurino de Ichigo na prateleira.
— Será que aconteceu alguma coisa? Devo contar do sonho a ele?
Levantou, rezando mentalmente para que estivesse tudo bem. Foi preocupada que andou aquela manhã para o treinamento do Burimyu. Chegou cedo, notando que algumas pessoas ainda faltavam e imediatamente procurou por Tatsuya. Ele estava sentado no palco, sozinho. Sentou ao lado dele. Ele se virou para olhá-la.
— Bom dia Miki – ele sorriu.
— Bom dia – ela tentou sorrir, mas era evidente a preocupação dela, não sabia se deveria contar, o que faria se ele achasse aquilo tudo uma bobagem?
— Aconteceu alguma coisa?
Ela ficou um tempo em silêncio, decidindo se deveria ou não contar sobre o sonho. Decidiu contar. Olhou em volta, não havia mais ninguém, mas tentou mesmo assim não falar muito alto.
— Eu sonhei com você... – disse insegura.
— Sério? – Ele sorriu, parecendo realmente feliz com aquilo – conte-me!
Contou a ele a respeito do sonho. Ele também ficou meio sem jeito, mas ouviu do começo ao fim.
— Não acredito cegamente em sonhos, mas já tive alguns sonhos que se concretizaram depois. Então... está acontecendo alguma coisa que está te incomodando?
— Não. E eu não esconderia, até porque tenho certeza de que se houvesse algo, você, Takashi, Eiji, Eiki ou Shuji iriam perceber logo e me perguntar. Também não acredito cegamente, mas ainda acho que os sonhos sempre têm algum significado. Obrigado por me dizer. Talvez no futuro possamos descobrir quem é esse garoto que entrou de repente. Mas não fique se preocupando com isso. Eu estou bem – sorriu novamente.
Ela sorriu de volta. Ele levantou e ofereceu a mão para ajudá-la a levantar também. Ela aceitou e foram andando até o salão de treinamento.
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