Burimyu (remasterizada)
12 Capítulo 12 - Tokyo Kaiyukan
Capítulo 12 – Tokyo Kaiyukan
O Aquário Kaiyukan era do estilo metropolitano, considerado o maior do mundo, capaz de armazenar 11.000 toneladas de água. O Kaiyukan também apresentava o ambiente natural das dez regiões que rodeavam o Pacífico, em 14 gigantescos aquários, com os temas “O Anel de Fogo e o Anel da Vida” – o Anel da Vida (os seres vivos do Pan-Pacífico) se sobrepunha ao Anel de Fogo (a faixa vulcânica Pan-Pacífica), circundando o Oceano Pacífico, e estas faixas interligavam-se, formando um aro”. No Kaiyukan, para reproduzir a Natureza do Pacífico em 14 tanques, além das várias espécies de peixes, apresentavam também 580 espécies em média, com 30.000 seres vivos, desde anfíbios, répteis, aves, mamíferos, até animais invertebrados. A visita começava do oitavo andar, descendo em espiral em volta do aquário principal, onde se podia ver outros aquário ao redor dele. Alguns tanques eram vistos em vários andares, assim os animais eram observados de diversos ângulos. Eles tinham ouvido falar tudo isso sobre o aquário e agora iriam ver.
Encontraram-se na frente do aquário pouco antes do horário em que ele iria abrir. A frente do aquário tinha duas paredes azul-escuras com desenhos de algas e animais marinhos, entre elas uma tarja cinza com dois golfinhos e bolhas. Em cima, um tipo de marquise vermelha e azul. Entraram atravessando um túnel transparente que passava entre os peixes, chamado “Aqua Gate”. Depois disso chegavam a um lugar chamado “Bosque do Japão”, intensamente iluminado pela luz do Sol. Depois chegaram ao aquário principal, intitulado “Oceano Pacífico”. Era um aquário gigantesco onde se podia ver um tubarão baleia, o maior peixe do mundo. Os três se aproximaram do aquário sem ver nada além de água, arraias e peixes. Havia uma placa com o nome do peixe, a quantidade de água e profundidade do aquário: Jinbezame / 5.400 toneladas de água / 9 m de profundidade. Os três usavam óculos escuros, às vezes os afastavam um pouco dos olhos para ver melhor o lugar e os animais. Sempre havia outras pessoas visitando o aquário, inclusive turistas e estrangeiros. Haruki segurava uma máquina fotográfica. Era permitido tirar fotos, mas sem flash. Depois de alguns minutos de espera, o gigantesco animal se tornou visível e aproximou-se do vidro do aquário como se observasse os três, enquanto Haruki tirava fotos dele. Por instantes, Miki e Tatsuya ficaram olhando o animal de olhos arregalados assustados com seu tamanho. Mesmo sabendo que ele se alimentava apenas de seres microscópicos, animais pequenos e alguns invertebrados, vendo-o tão de perto parecia que a qualquer momento o gigantesco tubarão poderia atacá-los e engoli-los. Depois dos segundos de susto, admiraram a beleza do tubarão cinza-azulado com manchas brancas pela pele e barriga branca, enquanto os animais menores nadavam ao redor dele. Agora que ele estava próximo ao vidro, as pessoas se aproximavam para vê-lo melhor e tirar fotos.
— Assustador – comentou Haruki depois de parar as fotos.
— Verdade, mas é lindo.
— Então você teria um desses na sua casa se pudesse?
— Talvez – ela riu.
— Prefiro o Tenshi.
— Tenshi?
— É meu cachorro panda. O tubarão é realmente lindo, mas Tenshi parece bem menos ameaçador.
Os dois riram do que ele disse.
— Você tem razão.
Eles seguiram vendo os outros aquários ao redor do tubarão, era tudo fascinante. Se depararam com espécies magníficas de golfinhos, focas, pinguins, leões marinhos, lontras, peixes, águas vivas, arraias, moluscos e invertebrados. Miki ficou encantada com um bebê foca branco, malhado, que também pareceu muito interessado em observá-la. Haruki tirou uma foto dos dois brincando. Às vezes paravam para ouvir informações emitidas aos visitantes pelos guias do aquário. Algumas turmas de uma escola visitavam o aquário naquele dia também. Alguns guias acompanhavam as turmas lhes transmitindo informações. Outros se concentravam no restante dos visitantes. Miki observou um grupo de colegiais de farda branca e azul e lembrou-se de algo. Ela não escolhera aquele lugar por acaso. Kumiko havia lhe falado dele e que em breve certas turmas da escola o visitariam, inclusive a dela. Ela ainda era colegial, consequentemente a atriz mais jovem do elenco. Tinha apenas 17 anos. Miki recordou uma das filmagens dos bastidores em que alguém brincara com ela por causa disso e chamara um dos garotos de tio.
— Eu não sei se eu disse a vocês, mas a turma de Kumi-chan provavelmente está aqui hoje. Inclusive foi ela que me falou desse lugar.
— Não, não nos falou.
— Não é ela ali no meio daqueles estudantes – Tatsuya indicou com o olhar.
Os outros dois observaram e logo a encontraram. Era realmente ela. Estava com o cabelo preso e com a farda de colegial, camisa branca com um laço azul escuro, saia cinza-azulada, meias brancas e sapato preto. Ela fazia anotações de alguma coisa que o guia dizia. Quando a turma parou um pouco, os três se aproximaram.
— Kumi-chan.
— Miki-chan – ela a olhou com um sorriso tímido – não sabia que viriam hoje.
— Decidimos ontem de última hora depois que muitos já tinham deixado o estúdio.
Depois de conversarem um pouco, se separaram para não interferir no trabalho de Kumiko e combinaram de se encontrar mais uma vez antes de deixarem o aquário. Os alunos voltariam para a escola e depois para casa, mas assim como eles três, sairiam perto da hora do aquário fechar. Depois de observarem a turma se afastar, seguiram para o “Pavilhão das Medusas”, uma parte do aquário onde se localizavam inúmeras espécies de medusas, transparentes, coloridas, algumas pareciam brilhar em diversas cores e a maioria delas parecia executar uma dança para se movimentar. Seus corpos se movimentavam de forma leve e delicada pela falta de ossos. Saindo dali, foram para a “Galeria Kaiyukan”, onde realizavam exposições especiais. A turma de Kumiko estava lá. Ela ouvia concentrada as palavras do guia a respeito de uma espécie muito rara de arraia que fizera certas pessoas que se depararam com o animal pensar que era um extraterrestre por sua aparência extremamente esquisita e incomum. No projetor, eles puderam ver vídeos do animal, era realmente estranho e assustador. Era uma espécie de arraia de pele branca acinzentada com uma anatomia esquisita. Em outros lugares da galeria outras curiosidades do pacífico ou animais marinhos estranhos eram exibidos. Passaram longo tempo lá e finalizaram a visita no “Salão de Projetos e Exposições”, onde podiam ver miniaturas dos aquários, algumas com animais de brinquedo que se mexiam nadando, projetos de futuras construções ou mudanças no aquário e planejamentos de novos aquários. Deixaram o lugar e foram abordados por fãs que tinham assistido ao JumpBang no dia anterior. Quando os fãs felizes se afastaram, os três se encontraram com Kumiko na saída, onde Miki e Tatsuya foram novamente carregados de elogios, dessa vez pelos estudantes, que agora também viam a colega de turma, Kumiko, como uma estrela. Pouco tempo depois foram todos embora. Já era de tarde. Foram até o estúdio onde Haruki costumava trabalhar para ver os vídeos dos bastidores do Burimyu que ele havia filmado. Foi ótimo, pois Miki e Tatsuya puderam ver de outro ângulo como estavam se saindo. Perto da noite Haruki permaneceu no estúdio para adiantar umas coisas. Tatsuya se comprometeu a acompanhar Miki mesmo que ela tivesse insistido que não era necessário. Já estavam na frente da casa dela.
— Obrigado por hoje. É um lugar realmente lindo.
— Quando Kumi-chan me falou dele achei que seria um bom lugar pra visitarmos.
— Seus olhos ontem ficaram realmente magníficos, não que seus olhos de verdade já não sejam assim – ele desviou o olhar do dela timidamente.
Ela refletiu por um tempo e seus olhos brilharam. Lembrou-se de achar a si mesma estranha e não se reconhecer quando olhou no espelho e encarou um par de olhos azul-escuros. Os olhos de Rukia. Ficava feliz que ele tivesse gostado. Naquele momento um sentimento estranho lhe invadiu, talvez fosse felicidade misturada com receio.
— Obrigada... – murmurou abaixando um pouco a cabeça e abrindo um pequeno sorriso.
— Nos vemos na segunda – ele pôs a mão em cima da cabeça dela afagando levemente seus cabelos – até mais Miki.
— Até Tat.
Se olharam uma última vez, ele abaixou a mão e se afastou depois que certificou-se que ela tinha entrado em casa.
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Ela estava voltando do set para o salão de treinamento quando passou pela sala das garotas e viu Kumiko. Ela tinha acabado de vir do colégio. Tinha se tornado mais sociável nos últimos meses, mas ainda era muito assustada e fazia tudo para fugir das câmeras dos bastidores. Sentia-se intimidada tendo apenas 17 anos e trabalhando com pessoas de 20 para cima. Miki parou em frente à porta. Percebeu que Kumiko a olhou e desviou o olhar muito rapidamente. Podia entender o pânico dela. Ela estava lendo uma parte de seu script. Miki entrou e fechou a porta, não havia ninguém na sala além das duas. Sentou-se ao lado dela.
— Oi Kumi-chan.
— Oi Miki-chan – ela sorriu sem olhá-la.
— Eu não sei se você gostaria de falar sobre isso, mas quero te ajudar. Sei que você sente medo aqui. Ninguém vai te fazer mal ou te tratar diferente porque é mais jovem. Você é tão capaz quanto qualquer um de nós – ela falou devagar para não bombardeá-la com aquela conversa.
Ela ficou sem resposta por longos segundos, onde sua expressão confusa mudava constantemente e seus olhos assustados se moviam.
— Não posso evitar. Nem terminei o colegial ainda. Vocês são todos tão alegres e parece que já se conheciam há tempos. Apesar de acreditar na minha capacidade, me sinto inferior – ela falou com dificuldade, algumas palavras quase travavam.
— Bom, eu já fui como você um dia, mas pude perceber que as pessoas não iam pisar em mim porque eram mais velhas, muito pelo contrário. E você não precisa descobrir isso tão rápido, vai perceber aos poucos e logo não terá mais medo. Tente agir normalmente e olhar as pessoas nos olhos quando interagir com elas. Vai ver nos olhos de todos aqui o quanto te adoramos e que ninguém te fará mal. E as câmeras não são hollows.
Finalmente ela riu e fechou o script, deixando-o em cima da mesa.
— Olha pra mim.
Ela hesitou por uns instantes, sua mão ainda pousada no script. Devagar, tirou sua mão da mesa e a pousou no colo ao mesmo tempo que virava o rosto para encarar Miki.
— Confia no que eu disse agora?
Ela tentou ler a expressão nos olhos de Miki, que a olhava de forma gentil e acolhedora. Sentiu uma mistura do seu medo e da segurança que ela tentava lhe passar. Acenou a cabeça positivamente, olhando pra baixo de novo.
— Não precisa mudar as coisas num piscar de olhos. Só tente não se assustar com tanta facilidade – segurou firme a mão dela por algum tempo, depois levantou e saiu – estamos te esperando Momo – disse sorrindo antes de fechar a porta, recebendo um olhar corajoso e um sorriso de Kumiko.
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Quando voltava para o salão de treinamento, encontrou Tatsuya em um dos corredores. Era a primeira vez que o via naquele dia. Haviam passado todo o tempo treinando em lugares diferentes. Sorriram um para o outro discretamente, pois os corredores nunca estavam vazios e sempre havia alguém do elenco ou não filmando tudo por aí. Ela seguiu para o salão e ele para a sala dos garotos.
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