Burimyu (remasterizada)

8 Capítulo 8 - O passeio


Capítulo 8 – O passeio


As sete e quinze Haruki pegou Miki em casa e os dois se dirigiram até o estúdio onde encontrariam Isaka. Miki notava que Haruki parecia nervoso.

— Não precisa ficar assim Haru-chan.

— Mas admiro muito o trabalho dele e finalmente vou conhecê-lo! Você não imagina como foi naquela tarde de autógrafos do Asian e quando conheci você. Achei que ia ter um infarto!

— HAHAHAHAHAHA! Mas hoje você não tem mais problemas quanto a mim. Pense nisso e tente se acalmar. O Isaka é muito legal e paciente.

Eles chegaram se encontraram na frente do estúdio, onde Tatsuya já esperava, para seguiram até o Ueno. O dia ensolarado não estava quente, mas também não estava tão frio como de costume, então nenhum usava casaco, touca e cachecol. Haruki tentava se controlar. Sempre fora ansioso, especialmente em relação a momentos ou pessoas que considerava importantes. Tinha melhorado um pouco com Miki, mas não acabado o problema.

— Bom dia – Tatsuya os saudou sorrindo.

— Bom dia — responderam juntos, Miki devolveu o sorriso.

— Esse é o Haruki – ela o indicou com o olhar.

— Então você é o Haru-chan que Miki fala tanto. Prazer – ele estendeu a mão e Haruki a apertou.

Soltaram as mãos e Haruki começou a falar timidamente.

— Eu admiro muito o seu trabalho como ator. Será excelente ver você e Miki-chan trabalhando juntos. Estarei na primeira fila! Desculpe, mas sou muito embaraçado pra falar – ele escondeu o rosto com as mãos.

— Obrigado.

Os três riram.

— Deixa disso – Miki puxou as mãos dele – hoje é um bom dia pra você treinar o combate contra sua timidez. Que tal irmos agora?

Os três seguiram para o Ueno (Ueno Onshi Koen), que ficava no bairro Taitoku. A primeira coisa que encontraram foi uma placa azul e amarela escrito “Ueno Seyoken”. O parque era rodeado por figuras famosas da ficção japonesa e mais de 1000 cerejeiras, tinha três museus (Museu Nacional de Tokyo, Museu Nacional da Ciência e Museu e Museu Nacional de Arte Ocidental), sala de concertos, um santuário Gu, a lagoa Shinobazu com o santuário Benzaiten, o santuário Gogo, que tinha estátuas de Inari, e o Ueno Zoo, primeiro zoológico do Japão. Corvos voavam e gritavam por toda parte. O parque era conhecido com a porta de entrada para o norte, por ser a estação de partida para o transporte ferroviário de Tokyo, com destino a região de Tohoku. O terminal abrigava dez estradas de ferro.

— Estou ancioso pra ir ao Ueno Zoo ver o panda da China – Tatsuya falou.

— Verdade. É um dos poucos lugares onde tem pandas aqui. Vou tirar muitas fotos dele!

— Devia ter trazido o Tenshi.

— Quem é Tenshi?

— Ele tem um filhote de cachorro panda chinês chamado Tenshi.

— Por isso que é louco por pandas.... Já ouvi falar da raça, mas nunca vi um. Quero conhecê-lo depois.

— Você vai gostar dele – Miki comentou.

— Como não? Ele ama quase todo mundo, principalmente você – Haruki disse se referindo a Miki.

— Hahahaha – riram do comentário.

Haruki tirava fotos do passeio. Logo que entraram encontraram várias placas fornecendo informações sobre o parque e o que havia nele. Primeiro visitaram os museus e encontraram mais placas com explicações e inúmeros artefatos expostos, peças de metal, madeira, katanas, trajes militares, arte da Cerimônia do Chá, objetos de arte japonesa de 10.000 antes de Cristo até o século 19, arte budista, manuscritos, máscaras gigaku budistas, entre outras coisas. No segundo andar do museu eles visitaram uma biblioteca com acesso a computadores conectados a recursos de biblioteca em japonês, chinês, coreano, inglês, francês e alemão.

Quando deixaram os museus, onde Haruki havia sido permitido tirar fotos sem flash, visitaram o local destinado à arte ninja, onde pessoas especializadas se vestiam como ninjas e faziam demonstrações sobre o trabalho dos ninjas. Em seguida visitaram a famosa estátua de Saigo Takamori, personalidade importante de Edo, no período Meiji.

— Vamos ver o panda – Tatsuya chamou.

Eles se dirigiram ao Ueno Zoo e entre outros animais, encontraram o panda dado ao Japão de presente pela China. Como esperado, Haruki ficou fascinado e bateu um monte de fotos do animal. Miki e Tatsuya quase morreram de rir quando ele tentou contato com o panda chantageando o animal com galhos de bambu e até cogitou a hipótese de levar Tenshi ao zoológico uma outra vez.

— Olha! Chappys! – Ele apontou para um local cheio de coelhos – quero tirar um foto de vocês dois pertos deles!

Momentos depois deixavam o zológico, ainda morrendo de rir. Haruki parecia se transformar numa criança lá dentro. Foram aos santuários e viram as estátuas Inari e mais explicações históricas nas placas. Depois visitaram a lagoa, onde havia um grande quadro com a ilustração da lagoa na frente de um dos pequenos templos. A lagoa ainda era mantida e aberta a visitação. O local era aberto e podiam fazer um pouco mais de barulho do que nos museus e templos. Na água calma e quase parada da pequena lagoa podiam ver peixes ornamentais nadando para todos os lados. Os visitantes podiam abaixar-se para observá-los melhor e tirar fotos sem flash para não assustar os animais. Aproveitando o momento de distração e a quantidade de pessoas, especialmente crianças visitando a lagoa, Haruki conseguiu uma boa foto de Miki e Tatsuya sentados lado a lado na margem da água. Achava que eles pareciam um casal, não tinha dito isso a ela ainda. Achou que a foto ficou muito fofinha, mas só mostraria a eles mais tarde e a deixaria guardada com Miki. Não queria que ficassem chateados por isso.

Concluída a missão, ele sentou-se junto com eles. Ficaram admirando o céu azul por entre as folhas e galhos das árvores. De repente, ouviram perto deles murmúrios mais altos.

— Olha, olha mamãe! São a Miki Sato e o Tatsuya Isaka! Olha!

Eles olharam para o lado procurando quem falara aquilo. Um garotinho japonês de cabelo negro, curto, que devia ter uns dose anos, falava agitadamente com uma mulher de cabelo castanho escuro, pele clara e altura mediana.

— Olha só, são mesmo! – Ela os olhou sorrindo e acenou.

Eles acenaram de volta.

— Porque não vamos até lá? – Ela disse encarando o filho.

Os dois se aproximaram e eles levantaram.

— Olá, eu sou Misa Noguchi. Esse é meu filho, Minoru Noguchi. Ele é um grande fã de Bleach já há uns cinco anos. Ele já conhecia um pouco do trabalho de vocês e quando soube que estariam no musical se apaixonou ainda mais.

— É um prazer conhecê-los, ainda mais num lugar tão legal como esse, você não acha? – Tatsuya sorriu para o pequeno enquanto bagunçava seu cabelo.

— Sim. Você é o Ichigo! Ela é a Rukia! E você...

— Esse é o Haruki.

— O seu editor e fotógrafo que você falou naquela entrevista?!

— Sim, ele mesmo – ela respondeu sorrindo.

— Eu posso tirar fotos com vocês três? Podem me dar autógrafos?! – Ele perguntava pulando, literalmente, de felicidade.

Eles se sentiram imensamente satisfeitos por terem seu trabalho reconhecido. Atenderam aos pedidos do garoto, que abraçou cada um deles depois. A mãe o observava com um sorriso, estava muito feliz por o filho ter tido a sorte de encontrá-los naquele dia. Com a voz feliz do garoto, logo outros fãs desatentos foram atraídos, inclusive estrangeiros e várias outras crianças fãs de Bleach e ansiosas pelo musical. Eles atenderam a todos. Depois de meia hora, foram para o palco de entretenimento ao vivo dos ninjas. Eles encenaram lutas e relatos passados, mostraram e explicaram sobre as armas e estratégias de ataque e os requisitos para se tornar ninja. Passaram o dia e a tarde inteira no parque. Às 17 horas, saíram.

— Haru-chan, obrigada por ter vindo.

— Eu que agradeço o convite Miki-chan, foi muito divertido. E foi muito bom te conhecer Tat-chan!

— Também foi bom conhecer você – ele sorriu.

— Miki, olha só! Que crepúsculo fantástico! Vou tirar uma foto, já volto! – Ele se afastou correndo e sumiu de vista, propositalmente.

Tatsuya e Miki olharam o crepúsculo, estava mesmo lindo.

— Você gostou de hoje?

— Sim. Muito!

— Que bom.

Ele pegou a mão dela, timidamente, e colocou uma pequena flor rosa clara. Miki fitou a cerejeira em sua mão.

— Veio voando até mim agora pouco. Achei que ia gostar dela.

O Hanami chegaria em breve, já começava a aparecer.

— É linda – ela sorriu — Vou guardar.

Ele fechou a mão dela sobre a flor, só o suficiente, para não amassar a flor Sakura. Por um tempo ele continuou segurando a mão dela na sua, aquela mão pequena. Sentia que podia protegê-la de tudo daquele jeito. Miki sentiu uma agradável segurança com aquele toque. Depois ele abaixou a mão dela enquanto a soltava levemente, no exato momento em que Haruki voltou.

— Conseguiu a foto?

— Sim. Tirei várias. O céu está fantástico. Bom, acho que agora vamos pra casa, não é?

— Sim.

Voltaram para a cidade e se separaram lá.

— Até logo – ele sorriu.

— Até – ela sorriu de volta.

Ele acenou ainda sorridente para os dois, que retribuiram, também sorrindo. Eles observaram Tatsuya se afastar até ele desaparecer e seguiram seu caminho. Já estavam a caminho de casa quando Haruki falou.

— O que é isso na sua mão?

— É uma Sakura, Isaka me deu – ela a abriu a mão para que ele visse a flor.

— É linda! O Tat-chan te deu foi? – Ele perguntou em um tom brincalhão.

Ela riu e deu um pequeno tapa no braço dele.