Burimyu (remasterizada)

19 Capítulo 19 - O dia se aproxima


Capítulo 19 – O dia se aproxima


Dois dias. Todos os sentimentos possíveis passavam dentro deles. Medo, felicidade, expectativa, receio, insegurança, coragem, agitação extrema, ansiedade... Confiavam em seu trabalho, mas não podiam deixar de sentir aquele tremor interior, aquela ansiedade que às vezes parecia medo.

— Você tá muito tensa. Para de se preocupar com isso, vai dar tudo certo – dizia Haruki enquanto bebia café – afinal o ensaio geral foi um sucesso, mesmo com todos morrendo de medo.

Estavam no pequeno estúdio da casa dele. Ele mostrava a ela um pouco de todo o trabalho fotográfico que havia feito ao longo daqueles meses e o que filmara também. Depois procuraram descobrir, como estava o coração dos fãs a apenas dois dias do RMB. Estavam tão loucos e ansiosos quanto ela. Saber daquilo afastou um pouco o nervosismo que sentia.

— Quem deve estar pior que você é a Kumi-chan.

— É verdade, vou à casa dela hoje.

— Sério? Ela vai gostar.

— Vai.

— Admiro a coragem dela. Tem só 17 anos.

— Sim, é a mais jovem de todos nós.

— E o Tat-chan?

— Ainda não falei com ele. Deve estar completamente louco de tão emocionado. E Rei também. De qualquer forma todos nós vamos nos encontrar amanhã cedo uma última vez. Vamos saber.

Cerca de meia hora depois ela saiu, com intenção de ir à casa de Kumiko, mas parou a certo ponto para observar a cidade. Era verão. Os raios de sol batiam na cidade e as árvores estavam verdes. Lembrou-se do Hanami e do Hanabi, fora um dia inesquecível. Sorriu. Às vezes o calor do verão incomodava, quando ficava mais intenso, mas assim como a primavera era uma estação agradável e feliz. Enquanto estava imersa em seus pensamentos, outra pessoa se aproximou.

— Yo.

Ela se virou e sorriu.

— Yo.

— Nervosa?

— Sim.

— Não preciso dizer que eu também estou.

— Eu imaginei – riu.

— Finalmente... tô muito feliz com isso. Em pensar que um dia nunca imaginei que isso poderia acontecer. Nunca imaginei que conheceria as pessoas com quem convivo agora.

— Eu acho que na verdade muito poucos pensam nisso, mas no fundo sabem que qualquer coisa pode acontecer. Existem ligações entre todos nós que nem sempre sabemos quais são, de onde vem ou porque existem.

Ele a olhou atento ao que ela dizia. Percebendo o olhar interrogativo dele, continuou.

— É algo que já existia há muito tempo, talvez desde antes de nascermos. E durante a vida, os pontos se reencontram por acaso, às vezes sem intervenção de ninguém.

— É isso que confunde destino com pré-destinação. É difícil entender.

— Nem tanto. O destino são as ligações. Nós reencontramos as nossas ligações e tentamos caminhar por elas do jeito que queremos, mas ao passe que outras ligações reaparecem, colidem com nosso caminho. Essas são as casualidades que unidas ao destino formam o futuro. É por isso que qualquer coisa pode acontecer. É subjetivo, o futuro se forma a partir do que está acontecendo agora e mesmo assim, não há como existir um único caminho. O que acontece no presente pode tomar vários rumos e fazer com que existam vários futuros possíveis.

— Então as colisões podem afetar os acontecimentos, consequentemente o futuro. Eu acho que a única coisa que existe é o presente. O passado não passa do nome que se dá a uma série de lembranças e o futuro ainda não existe antes que aconteça e nunca existirá, porque quando chegar também será presente.

— É verdade, mas se não existissem as palavras passado e futuro seria muito mais difícil falar do que estamos falando agora.

— Seria mesmo.

— Como é que nós começamos a falar de tudo isso?

Os dois riram de tudo aquilo, era verdade. Ficaram um tempo em silêncio.

— Penso se ocorrerão imprevistos depois de amanhã.

— Talvez. Mas nos preparamos muito pra eles. Se ocorrerem nós daremos um jeito – ele fitou o rosto sério dela e certificando-se de que não havia ninguém por perto, cautelosamente aproximou-se.

Ela sentiu seus ombros serem envolvidos por um braço dele.

— Vai ficar tudo bem. Até eu que sou o mais chorão, mais que a Rei, estou confiante. Você tem que ficar também. A Rukia é a estrela desse musical.

Ela riu tentando disfarçar o nervosismo e a surpresa dele tê-la abraçado.

— O Ichigo é o astro. A Rukia vem depois dele.

— É, mas é a saga Soul Society. Não teria sentido sem a Rukia, e o Ichigo não brilharia sem ela. Todos te veem como uma pessoa forte e eu sei que você é.

Ficou em silêncio. Confiava em si mesma, sempre confiara, mas era humano sentir-se nervosa diante de algo tão importante. Agora sentia aquele nervosismo dissipar-se.

— Obrigada.

Ele sorriu.

— Não ria de mim se eu chorar na frente da platéia no final.

— Hahahahaha. Tá bom – tomando coragem, o envolveu com um braço também.

Embora nenhum dos dois se atrevesse a falar, sentiam-se muito bem na companhia um do outro.

— Vou na casa de Kumi-chan, você vem?

— Vou.

Soltaram-se e se puseram a andar na direção da casa de Kumi. Andaram por algum tempo até chegar à casa da colegial. Ela morava com a família. Ela olhou através do olho mágico e reconheceu os dois, depois abriu a porta.

- Oi Miki-chan, Tatsuya-kun. Boa tarde.

— Boa tarde – responderam juntos.

— Estamos atrapalhando? Viemos ver se está tão nervosa quanto nós – Miki brincou.

— Não. Cheguei do colégio há pouco tempo. Meus pais estão trabalhando. Entrem.

Os dois entraram e ela os convidou para sentar a mesa da cozinha, onde lhes ofereceu bolinhos de arroz, feitos por ela e sua mãe. Enquanto comiam conversavam sobre as expectativas para o Burimyu. Em um canto da mesa estavam alguns livros e cadernos empilhados, de deveres provavelmente já concluídos, e um estojo.

— Depois do show daqui estaremos indo pra Osaka – Miki.

— Vou ficar com saudade de casa – ela fez uma cara triste.

— Mas vai se divertir muito – garantiu Tatsuya.

— Como vão ficar suas aulas? Vão terminar a tempo?

— Sim.

— Qual faculdade vai cursar? – ele perguntou.

— Teatro. Depois que eu entrar vai ficar difícil conciliar com os nossos treinamentos, mas vou dar um jeito. O Takashi-kun já entrou na faculdade e consegue conciliar, ele pode me ajudar.

— Já terminamos a faculdade, podemos te ajudar também.

Ficaram mais um tempo conversando e saíram. Aproveitando o dia livre os dois foram dar uma volta pela cidade.

— Vou ficar triste quando o show acabar.

— Não fique, teremos outros, não é? Assim que acabarmos aqui vamos pra Osaka e outras cidades.

Estavam sentados na praça de alimentação do shopping. De repente ouviram uma música conhecida entre as várias que já haviam tocado, Life de Yui. Depois, Ichirin no Hana do High and Mighty Color, Life is Like a Boat de Rie Fu. Os olhos buscavam a origem da mistura de sons. Uma grande televisão onde o shopping transmitia diversos anúncios de espetáculos ou propagandas estava exposta em um patamar próximo a mesa de uma funcionária que mexia em um notebook. Na TV passavam imagens das aberturas e encerramentos e algumas cenas de Bleach, junto com as músicas e o narrador falava do musical, exibindo algumas filmagens deles nos bastidores. Sentiram-se extremamente felizes assistindo e aquela onda de mil sentimentos misturados passou por dentro deles de novo.

— Eu sei que vou ficar nervoso, receoso, vou chorar, mas não posso esperar a hora de colocar aquele cabelo laranja de novo!

— Também não vejo a hora de me transformar na Rukia!

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No dia seguinte...

— Já estão todos aqui.

Sentaram-se e fitaram Takuya. Kubo e Abe também estavam lá.

— Nós trabalhamos muito ao longo desses meses, nos esforçando para fazer o máximo. O que aconteceu há uma semana e o que vai acontecer de novo amanhã e nos próximos dias é a prova de que conseguimos. É inevitável que fiquemos nervosos amanhã, mas sabemos o quanto nos esforçamos e temos que confiar na nossa capacidade. Há muitas pessoas lá fora esperando esse show tanto quanto nós e em breve as que não estiverem aqui amanhã ou depois, poderão nos ver no DVD.

Quando Takuya parou de falar, eles falaram também, fizeram uma corrente positiva, prometeram fazer o máximo e chegar ao outro lado do limite.

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Nos aeroportos as pessoas iam e vinham, junto com inúmeros fãs do Burimyu e cosplayers que vinham de vários lugares para assistir em diferentes cidades. Alguns já estavam no Japão há algum tempo e agora passeavam pela cidade um dia antes do primeiro show. Uma garotinha, uma jovem cosplayer de Rukia Kuchiki, de cabelos negros e olhos azul-escuros, chegava ao parque com sua mãe. Ambas sentaram-se. Passados poucos minutos, um garotinho de cabelos ruivos e olhos castanhos, um jovem cosplayer de Ichigo Kurosaki, sentava-se no banco à frente com seu pai. As crianças arregalaram os olhos uma para a outra, achavam que já tinham visto o outro antes, talvez em algum evento ou site, mas a surpresa não era essa. A semelhança era incrível. Parecia que haviam saltado de dentro do mangá. Realmente, alguns pais gostavam de dar os nomes dos personagens a seus filhos. O movimento continuou por todo o dia. Alguns fãs até se reuniram para falar a respeito do grande dia.