Burimyu (remasterizada)
16 Capítulo 16 - Abraços
Capítulo 16 – Abraços
Faltava pouco tempo para o musical. Embora às vezes pudessem parecer indiferentes a isso, por dentro eles estavam quase explodindo de ansiedade. Alguns simplesmente ainda não acreditavam que seriam tal personagem.
— É que parece mentira Takashi-kun – os dois riram juntos por alguns segundos, aquilo era verdade – mesmo depois de tanto tempo... em alguns momentos, por não conseguir acreditar parece que não sou capaz de fazer isso.
Ele olhou profundamente nos olhos dela. Também sentia o mesmo, mas não podia se entregar a fraqueza provocada por aquela tentativa de sua mente em pregar-lhe uma peça.
— Você é sim. Também me sinto incapaz às vezes, por ser algo tão importante, mas não podemos nos entregar a isso. Estamos trabalhando duro há meses, se estamos aqui é porque acreditam na nossa capacidade. Nós podemos fazer isso. Tem incontáveis pessoas esperando por isso e não vamos decepcioná-las. Vamos entrar naquele palco, fazer tudo direito e deixar todos felizes. Esqueça isso agora e anime-se, temos que voltar a trabalhar – agora segurava as mãos dela e deu-lhe um lindo sorriso de encorajamento, ao qual ela retribui junto com um aceno positivo de cabeça.
Os dois se soltaram e levantaram dirigindo-se ao salão de treinamento, antes estavam na parte de trás do palco. Na mesma hora ouviram as vozes das pessoas que vinham filmando. Tatsuya estava com a câmera. Junto com ele Eiki, Miki e Rei. Takashi assustou-se com a repentina aparição deles e aquela alegria exuberante.
— Sua apresentação tradicional! – Falava Tatsuya, e Miki tomou a frente da câmera.
— Sato Miki desu!
Em seguida Tatsuya brincou focando a câmera em seu rosto e imitando a fala de Miki, o que a fez rir. Ele focou a câmera em Rei.
-Yoshii Rei desu!
— Saito Kumiko desu! – Ela falou quando a câmera a focou.
— Aí estão suas amigas loucas – comentou Takashi em tom de brincadeira, arrancando risadas de todos.
Eiki pegou a câmera e os filmou enquanto voltavam aos bastidores. Chegando, foram surpreendidos por uma rápida visita de Kubo, que passou algum tempo com eles. Enquanto conversavam, o mangaká afirmou que Miki era igualzinha a Rukia e Tatsuya era mais bonito que Ichigo, o que foi engraçado, claro, mas muito gratificante para ambos. Depois que todos já estavam com os figurinos, começaram o treinamento como de costume. Kubo ficou para ver um pouco. Horas depois, quando Kubo já havia saído, encenaram os instantes que se passavam antes de Rukia ser levada para a execução. Terminada a cena, por entre os camarins Gin corria atrás de Momo fazendo os barulhos de um fantasma e chamando seu nome de forma fantasmagórica enquanto ela fugia apressadamente achando a situação divertida.
Naqueles meses, as relações haviam evoluído e os sentimentos haviam mudado. Kumiko não sentia mais tanto medo e interagia bem mais. Todos eles já não eram tão frios e retraídos uns com os outros, embora mantivessem a natural distância que deveria haver no Japão. Takuya os informava constantemente a respeito da repercussão do trabalho deles. Alguns vídeos dos bastidores eram publicados no site do musical, o que fazia os fãs delirarem. Estavam todos ansiosos demais. Os comentários via internet eram inúmeros. Alguns fãs esperavam por lutas, outros por interações entre certos personagens, os cosplayers queriam ver os figurinos e o trabalho em geral, alguns quase piravam esperando que o dia chegasse, outros se lamentavam por não poderem ir, havia os que juravam que um dia conseguiriam comparecer, por mais que demorasse ou fosse difícil. As datas dos shows já vinham divulgadas e ingressos seriam vendidos um pouco mais perto da estréia. As apresentações ocorreriam em Tokyo, Osaka, Fukuoka, Niigata, Nagoy, Ishikawa, entre outras cidades.
Àquela altura quase tudo já havia sido concluído, nos meses restantes apenas concluiriam algumas cenas e repetiriam todo o ensaio, tinha que ser perfeito.
Harumi filmava enquanto as outras garotas pulavam e riam na frente da câmera.
— Falta pouco tempo e estamos tentando aguentar até lá – Miki falava.
— Será algo realmente... implacável – dizia Azuna.
-Kumi-chan, faria o favor de falar em quais cidades nós iremos? – Pediu Harumi. Ainda filmando.
— Claro. Quando terminarmos as performances aqui em Tokyo, nós vamos pra Osaka, Niigata, Nagoya, Ishikawa e Fukuoka.
Em uma das pausas do treinamento eles estavam sentados conversando no salão, em pequenos grupos. Kumiko falava às meninas de uma aula estranha, mas engraçada e descontraída que tivera aquela manhã e do quanto havia sido difícil para ela e para os colegas.
— Sério?! Hahaha – Harumi a olhava cheia de curiosidade – nos conte!
— O sensei disse que passou treze anos no Brasil e lá ele aprendeu a ser espontâneo, respeitar sua própria vontade e fazer as coisas com amor e não só pelo dever, apesar das vezes que se irrita por as pessoas lá chegarem atrasadas e atrasar o trabalho. Em um comentário a parte depois da aula ele me disse que lá tem incontáveis fãs de Bleach e que alguns com certeza virão ver o musical.
— Sério?! – Perguntaram todas juntas, vibrando de alegria.
— Sim.
Alguns minutos depois voltaram ao assunto inicial da conversa.
— O sensei nos mandou expressar em desenhos nossas virtudes e defeitos, depois ficar em pares e apertar as mãos olhando nos olhos um do outro. Nós ficamos muitos nervosos. Depois ele mostrou como os homens se cumprimentam, com um tipo de abraço fraterno e mandou os alunos fazerem o mesmo.
— Fizeram? – Perguntou Rei.
— Sim, mas bem sem jeito. O sensei apontou um erro que não deve ser cometido. Disse que temos que abraçar mesmo, não podemos jogar o corpo pra trás como se quiséssemos evitar o contato.
— Esse povo tem cumprimentos estranhos – comentou Kumiko (Yoruichi).
— O sensei falou que eles dizem isso de nós.
— Hahahahaha – riram juntas.
— Ele disse que deve existir respeito, mas que isso não deve interferir no afeto e que os brasileiros que vivem aqui às vezes se sentem solitários por causa dessa diferença, mesmo que gostem muito do Japão. Ele também disse que notou uma melhora muito significativa com os anos, que hoje somos bem mais próximos, mas ainda podemos evoluir muito. Disse que apesar de ser difícil, seríamos mais felizes assim, respeitando os limites, é claro.
— Parece que o limite deles vai bem mais longe que o nosso.
— É verdade, eles vão até onde podem ir sem quebrar o respeito. Lá eles não tem problemas em abraçar e beijar em público e também andam de mãos dadas.
— Mas hoje isso também existe aqui, apesar de ser muito raro – falou Asuna.
— Sim, tem exceções – comentou Miki, pensando em uma certa pessoa.
— Lá também há exceções. Tem brasileiros que parecem muito com a gente.
— Você pareceu pensativa quando afirmou que realmente há exceções Miki-chan. Conhece alguma? – Questionou Rei, lançando-lhe um olhar irônico que ela entendeu.
— Sim. Haruki.
— Mas vocês são como irmãos, conhece mais pessoas? Alguém daqui talvez – Asuna continuou.
— Bom... alguns daqui... realmente, alguns de nós são bem loucos.
Elas riram novamente e Kumiko voltou a falar da aula de seu professor para não quebrar aquele clima descontraído.
— A última coisa que ele mandou fazer foi a mais difícil pra nós. Ele ensinou como homem e mulher se cumprimentam, com dois beijos, um de cada lado do rosto. Quase não saímos do lugar. Alguns gostaram e outros disseram que eram tímidos demais pra fazer aquilo.
— Kumi-chan, você não acha que toda essa formalidade do nosso povo interfere na nossa felicidade?
— Sim.
Miki não queria apenas a opinião de Kumiko. Também estava perguntando aquilo para si mesma, também se sentia presa.
-Então que tal esquecermos toda essa formalidade chata e sermos felizes? – Perguntou Kumiko (Yoruichi), abraçando Miki e Harumi, que estavam ao seu lado.
Começaram a rir de novo. Miki abraçou Kumiko (Momo), Harumi abraçou Asuna. Estavam de fato felizes. Aquilo trouxe de volta à mente de Miki a lembrança da noite do seu aniversário. Aquilo ainda lhe trazia um misto de nervosismo, medo e felicidade. Mas naquele abraço e entre aquelas gargalhadas e depois de tudo que havia ouvido da aula do professor de Kumiko restou apenas a felicidade pulsante que sentira naquele momento em que sentiu sua mão ser envolvida.
— O que deu em vocês? Eu não me lembro de tê-las convidado pra beber sakê – disse Usui olhando para elas, junto com os demais, sem entender o motivo de tanta alegria.
Elas se dividiram entre os grupos que conversavam ao longo do salão e contaram sobre a aula. Alguns também riram bastante, outros ficaram sem jeito. No final terminaram todos morrendo de rir, concordando com a história e abraçando uns aos outros, o que tirou risadas de Takuya e dos demais que trabalhavam ali, que repetiram o gesto.
Alguns adoraram as chances que tiveram ali. Kumiko recebeu um terno e confortante abraço de Takashi, que adorou abraçá-la. Haviam ficado realmente próximos naqueles meses. Com todos indo de um lado para o outro para abraçar quem pudessem, Tatsuya não demorou a se aproximar de uma certa pessoa e conseguir o que queria ter feito naquele aniversário. Tentando ser discreto, envolveu a pequena em seus braços, por um tempo curto, mas foi um abraço apertado, ao qual ela retribuiu com igual intensidade. Começaram a dispersar-se para retornar ao treinamento, ficando apenas alguns deles sentados no chão. Tatsuya olhou discretamente em volta procurando um certo olhar. Aproveitando-se da distração dos outros, encontrou-o e olhou profundamente recebendo dela o mesmo olhar intenso. Disfarçaram um sorriso e levantaram-se para voltar ao trabalho.
— E quem é esse professor Kumi-chan? – Takuya conversava com ela.
— Daisuke Onuki.
— Treze anos... um bom tempo. O que você contou é muito interessante. Você disse que ele já tinha tentado antes...?
— Sim, mas os alunos não conseguiam.
— Entendo... mas... foi muito bonito o que acabou de acontecer aqui. Podíamos mesmo ser mais abertos... Agora é hora de trabalhar de novo.
Notas finais
http://www.youtube.com/watch?v=0HkgHrVdoZU
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