Burimyu
1 Capítulo 1 - O encontro
— Pense bem. Bleach tem feito sucesso. O anime, o mangá e os filmes, por todos esses anos. Os fãs amam tudo isso. Imagine a alegria deles ao ver o sonho se tornar quase real. Sei que tem os cosplayers, mas seria diferente.
Ele tentou organizar os pensamentos. Não havia porque recusar, era uma ideia fantástica. Olhou o pôster, desenhado por ele mesmo com os personagens mais importantes, com uma frase, feita para o pôster, de Shoichi Tama.
“Bleach! Acredite no amor, no futuro e em nada mais. Bleach! Continue a acreditar... e você terá o poder para mudar o destino. Bleach!”
— Tudo bem – ele disse fitando a identificação presa ao bolso da camisa de Takuya Hiramitsu – é uma ideia fantástica! Estou disposto a ajudar!
Eles apertaram as mãos.
— Não vai se arrepender Kubo. A Pierrot cuidará de tudo.
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Ela estava mais uma vez em frente a seu computador, verificando e-mails, agenda... Havia acabado de chegar de um ensaio fotográfico. Apesar de ser cansativo às vezes, ela realmente amava o que fazia. Um e-mail da Studio Pierrot. Abriu-o e começou a ler. Não sabia o que pensar, ficou encantada com a proposta. Acompanhar a série era uma das coisas que fazia em seu tempo livre e gostava muito. Se aceitasse teria se dedicar somente àquilo por um tempo, mas valeria à pena.
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Ele sentou num lugar mais isolado do restaurante. Estava de chapéu e óculos escuros. Pediu o almoço e enquanto esperava, pegou o celular para conferir a caixa de e-mails. Um e-mail da Studio Pierrot. Segurou-se para não gritar de alegria com a proposta. Ele amava Bleach e agora aquele sonho poderia se materializar nele e em quem mais participasse. Claro que ele iria pensar com calma antes de responder, mas 90% dele gritava para que ele aceitasse.
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Ela tinha dado sua resposta e recebido orientações sobre o Musical. Muitos outros atores haviam sido chamados, alguém já escrevia as músicas e o próprio Tite Kubo iria acompanhar. Dois dias depois ela se dirigia ao Studio da Pierrot para conversar com a produção. Eles queriam ouvi-la cantando, ver um pouco da sua atuação, falar sobre contrato e outras coisas. Eram sete da manhã. O carro parou em frente ao Studio e ela desceu, aproximando-se da porta e chamando no interfone. Uma voz feminina pediu que ela se identificasse.
— Sou Miki Sato. Estou aqui por causa do novo musical.
— Tudo bem. Alguém vai abrir a porta agora.
Um jovem de cabelos negros, até o queixo, arrumados de um modo engraçado, espetados para todo lado, abriu a porta. Ela curvou levemente a cabeça e sorriu em agradecimento.
— Bom dia.
— Bom dia senhorita Sato. Sou Hideki Yamada. A voz que você ouviu no interfone é de Chiyo Akamatsu – ele apontou para o balcão da recepção e ela viu uma mulher de cabelos ruivos como os seus e estranhos olhos cinza.
— Olá – ela cumprimentou sorridente.
— Olá – ela também sorriu acenando.
— O diretor Takuya Hiramitsu e o letrista Shoichi Tama estão lhe esperando. Ao passar pela sala de recepção vire a direita e entre na terceira sala.
— Obrigada.
Ela seguiu para o local que ele indicava. A porta de entrada dava para uma sala de recepção, com o balcão de Chiyo, sofás, flores em alguns vasos no chão e uma pequena mesa de centro no meio dos sofás. Depois dela outra porta levava a corredores cheios de salas. Tudo era branco e as lâmpadas emitiam luzes amarelas e brancas. Ela chegou em frente a porta e a abriu devagar. Era uma sala de tamanho médio. Haviam alguns sofás, uma mesa com seis cadeiras e pequeno estúdio para testes montado no fundo da sala. O estúdio se dividia em duas cabines. A cabine de quem cantava, devia caber até quatro pessoas, e outra onde os sintetizadores e um notebook eram controlados pela outra pessoa que ouvia quem estava cantando. Apenas as pessoas na cabine ouviam o que se passava. Deduziu isso porque quando entrou havia um homem jovem, moreno, de cabelos castanhos escuros cantando na cabine e outro homem de cabelos negros, curtos e lisos, usando óculos, controlava a outra cabine, mas ela não ouvia nada.
— Você é Miki? – Um homem sorridente com cabelos parecidos com os do homem da cabine e um rosto um pouco mais magro estava sentado no sofá.
— Sou sim. Bom dia – ela fechou a porta e caminhou até ele.
— Bom dia. Sente-se – ela sentou e ele prosseguiu – sou Takuya e aquele na cabine de controle é Shoichi. Deve ter ouvido falar de nós quando chegou.
— Claro.
— Muito bem, acho que você já sabe o que veio fazer aqui. Depois reuniremos todos vocês para se conhecerem e falaremos de contrato e tudo mais. Por enquanto estamos testando para ver se devemos e em que ponto ajustar as habilidades de vocês. Aquele cantando ali é Isaka Tatsuya. Ele será o Ichigo. Escolhemos vocês porque as alturas de vocês correspondem aos personagens e as vozes são muito parecidas. Quando ele terminar, será a sua vez. Basta dizer a Shoichi uma música que você saiba cantar e ele colocará o som. Só queremos ouvir sua voz. Depois você e Tatsuya receberão um pequeno texto de uma cena dos personagens e vamos ver como vocês atuam juntos.
— Certo.
Então aquele seria Ichigo. Realmente era bem mais alto que ela e parecia ser simpático, mas também tinha cara de quem gostava de brincar. Em alguns minutos ele saiu da cabine conversando com Shoichi.
— Você será um excelente Ichigo! Sua voz é perfeita pra ele.
— Obrigado – ele também era muito sorridente.
— Tatsuya-san, essa é Miki Sato, ela será Rukia.
Eles se olharam por alguns milésimos de segundo. Ele sentiu extrema segurança nos olhos dela. Ela sentiu uma incrível doçura nos olhos dele. Ambos se estranharam e até se repreenderam por aquilo.
— Olá – ele estendeu a mão, sorrindo, e ela apertou.
— Olá – ela também sorriu.
Soltaram as mãos.
— Vocês já ouviram falar um do outro? Creio que ambos já sejam bem conhecidos no Japão.
— Sim – responderam ao mesmo tempo.
— Eu vi algumas atuações dela.
— Eu também vi algumas atuações dele, mas nunca tivemos contato.
— Isso é bom, assim já terão mais simpatia um pelo outro e segurança na atuação. Miki, este é Shoichi.
— Prazer senhorita – ele acenou com a cabeça, sorrindo.
Ela fez o mesmo.
— Agora, Miki é sua vez.
— Com licença – ela se levantou e dirigiu-se a cabine com Shoichi.
Ela escolheu a música e começou a cantar. Shoichi mexia nos sintetizadores e no notebook. Logo acabaram e saíram da cabine.
— Muito bom Sato-san. É uma voz forte, mas muito bonita. Também está aprovada.
— Obrigada.
Eles seguiram para outro lugar, por entre os vários corredores e salas, chegando a uma escada que dava para mais corredores e um grande pátio com assoalho de madeira e várias portas em todas as paredes. Eles entraram em uma das portas e chegaram na parte de baixo de um grande palco. Subiram no palco por um dos vários acessos e os textos lhes foram entregues. Miki e Isaka ficaram no palco, os outros dois sentaram em duas das incontáveis cadeiras na platéia. O texto era da cena em que Rukia salvava Ichigo da investida de um hollow atirando-se na frente e sendo gravemente ferida por ele, fazendo com que Ichigo se transformar-se em shinigami.
— Eu não estou em condições de lutar – ela apertou a mão contra o peito abaixando-se e apoiando-se no chão com o braço – você deve se tornar um shinigami. Eu vou te dar metade do meu poder. Se falhar, pode morrer.
— Tudo bem. Eu vou salvar a minha família. Me dê essa espada shinigami.
— Sou Rukia Kuchiki.
— Eu sou Ichigo Kurosaki.
Eles encerraram a atuação e ouviram os aplausos do diretor e do letrista.
— Parabéns! Foram ótimos. Tenho certeza que farão muito sucesso trabalhando juntos – elogiou Takuya.
— Depois veremos as canções, quando vocês aprenderem.
— Estão dispensados por hoje. Teremos uma reunião com todos os atores. Vocês serão avisados. Agora vou esperar pelo Hitsugaya.
Eles voltaram pelo mesmo caminho e despediram na sala de teste. O diretor e o letrista entraram na sala. Isaka e Miki ficaram um tempo parados em frente à porta fechada. Olharam-se.
— Sua voz é realmente linda – ele falou de repente – não te ouvi cantar, mas sua voz é encantadora.
— Obrigada – ela sorriu embaraçada – a sua também, é muito suave.
Eles sorriram um para o outro. Não entendiam aquela atração. Nunca haviam se visto. Tinham apenas uma simpatia pelo trabalho um do outro. Talvez fosse pelo fato de que iriam interpretar juntos os personagens principais ou os dois gostarem tanto de Bleach.
— Eu preciso ir agora – ela abriu um pequeno sorriso tentando não ser grosseira.
— Tudo bem. Eu também preciso ir – ele sorriu também.
Os dois seguiram para a sala de recepção, despediram-se de Hideki e Chiyo e saíram, cumprimentando rapidamente um garoto baixo de cabelos negros, compridos que passou por eles e entrou no estúdio, identificando-se como Takashi Nagayama. Depois olharam-se mais uma vez.
— Até logo.
— Até – ela respondeu e seguiram seus caminhos.
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