Burimyu

6 Capítulo 6 - O sonho e a dúvida


Capítulo 6 – O sonho e a dúvida

— Yuki, Rukia-chan tem uma coisa pra falar com você. É uma grande chance, principalmente pra ela.

— Boa noite pequena! – Ele acolheu em seus braços a menina que pulou para abraçá-lo e começou a girar com ela, ela amava aquilo.

Riram bastante e depois que se acalmaram ele afrouxou o abraço. Ainda com ela nos braços, olhou-a nos olhos. Seus olhos azul-escuros ficavam bem em combinação com o vestido rosa estampado com flores marrons que ela usava. Os cabelos lisos estavam presos em uma trança e a franja caia sob sua testa.

— E então? O que tem pra dizer ao papai?

— Pai, você não disse que vamos a Osaka em breve?

— Sim querida. Estamos nos preparando há bastante tempo.

— Você disse que poderíamos ver algum espetáculo de dança ou algo do gênero lá como da outra vez.

— Isso mesmo. Por que estrelinha? Você tem alguma ideia?

— Estão fazendo um musical de Bleach, três dias de apresentação, toda a Saga Soul Society! Podemos ir?

— O que? Bleach?! Mas é claro que podemos ir! Será seu presente de aniversário! – Dizendo isso, ele a abraçou de novo e começou a rodar outra vez, feliz.

Saori observava agora rindo junto com eles. Sabia o quanto era grande o número de pessoas que queriam aquela oportunidade, mas nem todos tinham condições ou ao menos uma ligação com o país. Sentia um aperto no coração por isso, sabia que Rukia e Yuki também, mas estavam felizes por terem aquela chance e a aproveitaram. Quando o ataque de felicidade dos três passou, Yuki a colocou no chão, segurou suas mãos e a encarou.

— Só tem que me prometer uma coisa. Vai continuar estudando muito como sempre fez. Não é porque estamos todos loucos de felicidade que vamos perder o foco.

— Sim papai — ela respondeu com a mesma seriedade.

— Querido, como foi o trabalho?

— Eu conto, mas só depois que disserem como foi a tarde das minhas duas princesas.

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— Pai! Pai! Pai!! – Ele deu um salto para abraçar o pai que acabara de entrar em casa.

— Olá pequeno! – Ele retribuiu o abraço demoradamente – com toda essa alegria deve ter algo pra me contar – e riu junto com o garoto – ainda não sei como você consegue saltar com essas guetas, se fosse loiro faria cosplay do Urahara.

O garoto riu, mas logo parou e voltou a concentrar-se no que queria dizer.

— Pai, você não disse que iríamos a Osaka?

— Nós vamos filho. Assistiremos algum espetáculo que você goste lá. Será muito divertido.

— Podemos ver o musical de Bleach?! Está em andamento. Vai ser na mesma época que nós vamos! Por favor! Serão três dias com toda a Saga Soul Society!

— Musical de Bleach?! Sua mãe já sabe disso?

— Sabe sim! Ela também ficou super feliz! O senhor pode falar com ela daqui a pouco.

— Então era isso que ela disse que você queria falar comigo quando chegaram. Filho, que bom!! Um musical de Bleach!

Yuzuru levantou repentinamente colocando Ichigo em seus ombros e começou a correr feliz pela casa. Os dois morriam de rir. Não ouviram o som de alguém descendo as escadas.

— Mas que bagunça é essa? – Kanade riu dos dois.

— Querida!! Como ousou não me contar antes?! – E saiu correndo de novo com Ichigo.

Ela riu ainda mais e encostou-se na parede enquanto os via correr como loucos por toda a casa. Enfim pararam e Yuzuru colocou Ichigo no chão. Depois ficou sério, olhou o garoto, tocou em seu ombro e disse.

— Ichigo, nós vamos poder visitar Osaka graças ao nosso esforço. Porque estudamos e trabalhamos duro. Não é porque finalmente conseguimos que vamos parar. Você vai continuar estudando e se esforçando como sempre. E o musical que veremos será seu presente de aniversário.

— Obrigado pai – sorriu e abraçou o pai pela cintura, foi retribuído.

Enquanto abraçava o pai ele podia ver o olhar terno de sua mãe o fitando. Estava muito feliz também, principalmente por ele, Ichigo.

— Me promete que vai continuar?

— Prometo – se soltaram.

— E então? Como foi o dia de vocês dois no trabalho?

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— Aproveitando a folga do almoço Isaka-san? – Eiji sentou-se ao seu lado.

Estavam sentados num terraço na parte térreo do estúdio que dava para um jardim.

— Oi Eiji-san.

— Parece perturbado. Sabe que estou aqui pra te ouvir e não vou contar a ninguém. Vamos, já estamos trabalhando há dois meses juntos, pode falar.

Isaka fitou o resquício da cicatriz em sua mão esquerda, entre a mão e o pulso, perto do polegar. Acontecera há três semanas. Ocasionalmente, Miki lhe questionava sobre como estava o ferimento ficando menos preocupada quando vira apenas a cicatriz em sua mão. Durante aqueles dois meses todos haviam conversado bastante e se conhecido melhor. Sabia que poderia contar com Eiji.

— Eu não sei se tô misturando as coisas ou o que.

— O que foi? Misturou o trabalho com a vida pessoal? Ou não sabe se está ou não fazendo isso?

— Segunda opção. É uma pessoa que tá aqui. Eu acho que minha fascinação por ela pode ser porque sou louco pela personagem dela.

— Entendo. Sabe? Quando não é de verdade, o coração costuma esfriar depois que se conforma e parece que o sentimento nunca existiu. Vai ter que achar uma forma de descobrir isso. Eu recomendaria que você passasse um tempo trabalhando com outra pessoa que tenha uma personagem que você realmente ame. E você saberia que misturou as coisas se esquecesse a primeira. Mas você não pode se afastar daqui no momento. Vai ter que descobrir de outra forma. Tente pensar nela e na Rukia separadamente. Como se uma não fosse a outra.

Isaka arregalou os olhos, seu rosto queimou e seu coração acelerou imensamente.

— Como sabe?!

— Não é que você seja um livro aberto, mas dá pra perceber – ele riu – e você não é o único. Relaxa.

Ele tentava se controlar. Pensar separadamente. Talvez desse certo.

— Sabe? Há muito tempo eu me encantei pela beleza de uma garota, mas achava que tinha me encantado por ela. Se chamava Ayumi. Era realmente linda. Tinha cabelos ruivos e um sorriso lindo. Passei muito tempo tentando atrair a atenção dela. Um dia parei pra pensar, não éramos próximos apesar de nos darmos bem. Ela sabia o que eu sentia, mas era sempre sincera e deixava claro que não sentia o mesmo, mas me aceitaria como amigo. Percebi que me encantei pela beleza dela e não por ela. Quando é de verdade as duas pessoas ajudam e confiam uma na outra. Espero ter te ajudado.

— Obrigado Eiji-san.

— Parece que não crescemos. Adultos não deviam se confundir com isso.

Os dois riram.

— Vou indo. Quero dar uma olhada na estrutura do palco antes de voltar ao treino. Está quase terminada.

— Vai lá.

Ele levantou e saiu. De repente Isaka foi interrompido por risadas e uma câmera surgiu a sua frente.

— Isaka-kun! O que faz aí solitário? – Era Rei.

Miki e Kumiko estavam com ela. Todas pareciam radiantes. Ele sorriu percebendo que estava sendo realmente filmado.