Burimyu

4 Capítulo 4 - Os pequenos cosplayers


Notas iniciais
Há abreviações nesse capítulo porque é uma conversa no msn.

Capítulo 4 – Os pequenos cosplayers

No dia seguinte todos chegaram às sete horas e já começaram a treinar cenas e canções. Miki e Isaka cantavam Utoshi Yattsu. Alguns observavam às vezes, achando engraçado o jeito dos personagens naquela música. Tentavam esconder o laço que tinham e era incrível como Miki e Isaka o faziam como se fossem os próprios Ichigo e Rukia. Ambos cantavam e falavam com vontade e naturalidade como se estivessem mesmo xingando um ao outro e não numa interpretação.

“Eu realmente achava que você era um saco.

Aparecendo tão de repente, você foi tão atrevida!

Eu não quero nada com você, garota irritante."

“Eu realmente achava que você era esquisito.

Com uma atitude estúpida ou com um jeito estúpido.

Eu não quero nada com você, garoto irritante."

No outro lado do salão, Takashi e Kumiko treinavam uma parte de seu roteiro. Às vezes paravam e Takashi conversava com ela tentando uma aproximação para deixar as coisas mais fáceis para ela. Ela era tímida, assustada. Quando atuava nem parecia que era daquele jeito, não havia problemas, mas era difícil conversar com ela. Depois Harumi chegou e entrou na conversa, deixando-a mais a vontade. Eles mudaram a parte do roteiro que treinavam para Bengara Koushi e chamaram Yuichi e Kengo para cantarem junto. Em outro lugar, um grande grupo de atores treinava determinada dança com os coreógrafos e outros treinavam uma cena junto com Eiki.

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— Vc soube Maya-chan?

— Sim, acabei de ver na pág de anúncios da Pierrot. Ñ acompanho sempre, mas vc ama isso ñ é Rukia-chan?

— Claro!

— Vc é a cosplayer mais jovem q conheço. Nunca vi uma cosplayer da Rukia de apenas 9 anos. Sem falar q vc parece um clone q pulou de dentro do mangá. E sua mãe ainda faz cos da Nanao e seu pai do Shunsui.

— Maya-chan... vc acha q eu poderia ir ao musical? Vínhamos nos preparando pra voltar ao Japão algum dia, pra visitar.

— Seus pais são cos tbm, acho q vc pode sim. Conversa com eles. Sem falar que todos vocês são japoneses.

— Vc poderia ir junto.

— Ñ Rukia-chan. Vc ama isso, eu nem tanto. Vc veio de lá, sei q precisa voltar. Mas ficarei muito feliz se vc for, sei q se divertirá muito. ^^

— Brigada Maya-chan. ^^ Preciso sair agora.

— Tá. Kissu.

— Kissu.

Ela desligou o MSN e o computador. Sentou na cama e olhou sonhadora para o pôster do Burimyu a sua frente. Realmente parecia que ela era a própria Rukia Kuchiki que havia criado vida. Tinha a pele clara, os cabelos negros e olhos hitoe, azuis, como sua mãe. Era extremamente raro, mas existiam japoneses de olhos azuis ou cinza, como a grande gueixa Sayuri Nitta ou Chiyo Sakamoto, que era seu verdadeiro nome. Rukia e os pais eram japoneses. Sua ligação com o Brasil era que seu avô paterno era brasileiro nissei. Viviam em São Paulo, no Bairro da Liberdade. Quando ela nascera, nove anos atrás, pouco tempo depois a família havia se mudado. Seus pais acompanhavam Bleach desde o início. Como homenagem e também pela grande semelhança, seus pais chegaram ao acordo de chamá-la de Rukia. Ela cresceu naquele mundo e também tornou-se cosplayer aos sete anos. Vez ou outra eles voltavam à cidade de origem. Osaka, no Japão. Aprenderam português e japonês desde a infância. A não ser sua mãe, que aprendera português depois. Estaria de férias em pouco tempo. Seu pai vinha falando em viajar. Suas férias coincidiriam com o musical. Era a chance perfeita. Esperaria o pai voltar para casa. Ele trabalhava à tarde e sua mãe durante o dia em uma loja de vendas de artigos japoneses e artigos para cosplayers da qual eram donos. Seus pais chamavam-se Saori e Yuki. Depois de vinte minutos conseguiu parcialmente se acalmar e voltar a estudar.

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— Mãe!

Ela largou o que fazia, sorriu e tomou em seus braços o menininho de nove anos, cabelos ruivos e olhos futae, castanhos, que veio correndo e pulou para abraçá-la.

— Mãe! Você não disse que iríamos visitar o Japão logo?

— Sim filho, mas porque fala disso agora?

— Vão fazer um Musical de Bleach! Podemos ir? É em Osaka. Se vamos até lá, não custa ver o musical! Por favor!

Ela riu. Gostava tanto de Bleach quanto o filho e o marido. Ela se chamava Kanade, seu marido Yuzuru. Eram donos de um famoso restaurante de sushi no Bairro da Liberdade. Mesmo não precisando trabalhar ali o tempo todo, ambos amavam fazer aquilo. Ela cobria o turno da tarde e seu marido da manhã. Tinha cabelos ruivos como o filho, Yuzuru tinha cabelos negros. Eram todos nisseis. Visitavam o Japão de tempos em tempos. Era difícil pelos custos da viagem, mas iam quando podiam. Na última vez, nove anos atrás, o pequeno Ichigo não era nascido. Nasceu logo após a mudança. Era o cosplayer de Ichigo mais jovem que ela conhecia e a semelhança era incrível, por isso ele recebera aquele nome ao nascer. Ela e Yuzuru eram cosplayers de Gin e Matsumoto. Às vezes parecia estranho que pais fossem cosplayers, mas não se importavam.

— Sério?! Vamos falar com seu pai hoje à noite, eu também gostaria muito de ir!

— Obrigado mãe! – Abraçou-a com força, depois pulou de seus braços e saiu correndo de novo para brincar, fazendo as mangas de seu kimono branco esvoaçarem e o som de suas guetas ecoarem quando colidiam com o chão de madeira.

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— Então eles gostam de pôr os nomes dos personagens nos filhos Takuya-san? – Questionou Isaka, estavam sentados ao redor de uma das mesas em uma das salas do estúdio.

— Sim, são apaixonados por isso. Eles tem cosplayers bem jovens. De sete, oito, nove anos. Às vezes até bebês. É um país interessante nesse aspecto, é um dos lugares do mundo onde mais se vê nossa cultura fora do Japão.

— Só é uma pena que os investimentos em educação sejam um tanto deficientes. Isso dificulta a carreira e situação financeira de muitos não é?

— Realmente Usui-san. Muitos gostariam de crescer e visitar outros lugares, inclusive o Japão ou simplesmente ter uma qualidade de vida melhor. Mas poucos tem essa chance. Voltando ao início da conversa, há muitos jovens cosplayers por lá que desejam chegar até aqui pelo que vi durante o tempo livre em que minha curiosidade despertou pra que eu pesquisasse sobre os cosplayers do resto do mundo.

— Você acha que teremos brasileiros na platéia do musical?

— Provavelmente Isaka-san. E de outros lugares também. Quem sabe não conhecemos um Ichigo? Uma Rukia ou um Ikkaku?

Eles riram com a possibilidade de conhecer alguém com um daqueles nomes.

— Seria uma coincidência incrível.

— Eu não acho que existam coincidências. Isso é ó o nome que as pessoas dão ao que é inevitável porque tudo já estava não escrito, mas ligado. Há uma possibilidade de isso acontecer.

Ela lembrou da conversa com Haruki e da frase de Mizuki de “Sakura Card Captors”. “Nesse mundo não existem coincidências. Só existe o inevitável.”

— De onde veio isso Miki-san?

Ela encarou Usui.

— Você acompanhou Sakura?

— A caçadora de cartas? Claro! Bem menos que Bleach, mas vi alguma coisa.

Ela falou da frase e de sua conversa com Haruki, sem citar que tinham falado de Isaka.

— Eu nunca tinha pensado assim. É um ponto de vista interessante Miki-san – disse Takuya.

— O que você acha Isaka-san?

Ele demorou a responder a Usui, estava pensando no que ela disse e em como a conheceu.

— Tem razão.

Ele ficara tão distante refletindo sobre aquilo quanto ela. Ela percebeu.

— Bom, é hora de voltar ao trabalho, vamos! Ainda tem muito que ser feito. E vocês tem uma nova canção pra aprender ainda hoje.

Sem dizer nada todos se levantaram e saíram. Miki e Isaka trocaram olhares rapidamente, confusos. Antes que alguém percebesse, olharam de novo para frente e continuaram andando.

Notas finais
Inseri essas famílias de cosplayers na história me baseando em nós, fãs, que somos inspirados a fazer cosplay por causa de Bleach e acredito que todos os fãs de Bleach gostariam de poder ver esse musical ao vivo e em cores. Eu não sei se todos já conhecem, mas eu garanto, esse musical é FANTÁSTICO!!!