Burimyu
26 Capítulo 26 - Onde está o coração
Capítulo 26 – Onde está o coração
Era sexta-feira. Chegara bem mais cedo ao estúdio. Takuya a chamara por telefone desculpando-se por pedir que ela comparecesse mais cedo.
— Miki-chan, deixaram algo na recepção hoje de manhã, junto com nossa correspondência.
Ele lhe estendeu uma flor de cerejeira, uma fita de um rosa tão delicado quanto o de suas pétalas estava amarrada na flor, com apenas uma palavra: Miki. Ela pegou a flor.
— Não faço ideia de quem a enviou. Isso significa algo pra você?
— Takuya-san... por favor, eu sei que começamos a reunião em algum tempo, mas preciso sair. Juro voltar assim que possível. Vou tentar não demorar.
— Tudo bem, se é tão importante... e ainda há tempo suficiente até a reunião. Pode ir.
— Obrigada – ela sorriu e se retirou.
Correu para a saída e em alguns minutos estava no parque Tennoji. Estava ainda fechado e vazio àquela hora. Procurou por ele em volta. Estava sentado em um dos bancos que ficava na frente da entrada do parque. Àquela hora só havia os dois ali. O banco estava sombreado pelas árvores. Ele ergueu os olhos e levantou, abrindo um grande sorriso ao vê-la. O cabelo castanho estava mais curto. Ela devolveu o sorriso e correu na direção dele. Se abraçaram. Ele a tirou do chão por alguns segundos e a soltou. Sentaram-se.
— Foi você.
— Gostou dela?
— Sim... obrigada.
— Você cortou o cabelo, continua linda.
— Você também... – ela falou com sinceridade – por que não disse que viria hoje?
— Eu avisei que seria uma surpresa. Pensei muito e decidi o que fazer.
— O que vai ser então?
— Antes de eu dizer... tem algo que preciso te falar. Estou tremendo de medo, mas vou te falar.
O coração dela acelerou. O que seria?
— Você sabe que nos damos muito bem desde quando nos conhecemos. Passamos um bom tempo juntos e conhecemos um ao outro. Nos tornamos grandes amigos, bem além de companheiros de palco. Eu sempre pensei se toda a alegria que sinto ao seu lado é por você ou pela Rukia... – disse de uma vez.
O coração dela falhou. Ela sempre tentara entender se a alegria que sentia ao lado dele era por ele ou por Ichigo.
— Pensei muito mesmo e sempre tive o cuidado de separar as coisas. Você não é a Rukia, você é Miki. E ultimamente, percebi que quando penso nos meus momentos mais felizes nos últimos anos, quem vem à minha cabeça não é a Rukia, é você.
Ela não sabia o que dizer, aliás, sabia, mas as palavras não saíam. Queria dizer exatamente as mesmas coisas a ele. Também nunca tivera coragem, talvez por medo da reação e porque ainda era cedo de mais. Ele a olhou rapidamente, muito nervoso.
— Desculpe... – desviou o olhar.
— Não... – tomou coragem de responder.
Ele a olhou.
— Tudo que você disse agora... é exatamente... a mesma coisa que eu te diria. Também pensei muito sobre isso por muito tempo... e também sempre tentei separar tudo. Quando lembro de quando me senti mais feliz, quem vem à minha cabeça não é Ichigo... é você.
— Verdade?
Ela olhou para baixo e balançou a cabeça positivamente. Agora ambos tinham os corações prestes a explodirem, não sabiam como prosseguir. Então ela também pensava nele. Não estava sozinho. Ele deveria continuar? Decidiu que sim. Não podia enterrar tudo com palavras vazias depois de revelar aquilo.
— Miki... – olhava-a nos olhos – posso ser algo mais pra você? Não Ichigo e Rukia... Tatsuya... e Miki. Eu e você.
Ela hesitou por alguns segundos enquanto pensava sobre aquilo. O que deveria fazer? Pensou com o coração e inspirou profundamente. Sentia insegurança, mas o medo do arrependimento era maior.
— Sim... não eles... nós dois.
Ele a puxou para perto e a abraçou. Ela retribuiu. Se abraçaram forte enquanto sentiam o coração um do outro bater violentamente e o rosto esquentar. Levaram alguns minutos para se acalmarem e ainda assim o coração continuava descompassado. Afrouxaram o abraço e ficaram calados. Ele a olhou e se aproximou. Hesitou por um instante. Ambos estavam tremendo. O lugar continuava deserto.
— Eu posso...? – Sussurrou.
Ela o encarou e sorriu. Ele sorriu de volta. Pôs uma mão atrás da cabeça dela e tocou-lhe os lábios com os seus, suavemente. Separaram-se após alguns segundos. Encostou a cabeça dela em seu peito e continuaram de olhos fechados. Cerca de dez minutos depois continuavam abraçados. Ele mantinha a cabeça dela encostada em seu ombro.
— Eu farei tudo pra te deixar feliz, sempre – ele prometeu.
— Farei o mesmo.
Os corações de ambos explodiam de felicidade, insegurança, timidez, conforto. Tudo ao mesmo tempo. Tentando desviar aquele momento por um instante, até que se acalmasse, ela lembrou de perguntar a respeito da decisão dele.
— Você disse que tinha tomado uma decisão.
— Tomei. Pensei muito durante todos esses dias, tanto no trabalho quanto em todos vocês. Decidi vir sem avisar pra fazer surpresa pra você e outra pra todos. Vamos voltar ao estúdio agora. Eu vou dizer a Takuya que vou ficar.
— Vai?! – Ela perguntou, abrindo um grande sorriso.
— Vou, pequena.
— Que bom! – Ela continuou sorrindo e o abraçou muito forte, sendo igualmente retribuída.
Eles voltaram ao estúdio. Pensavam não só em comunicar a decisão de Isaka, mas em como comunicariam de sua nova condição aos companheiros. Eles iam notar alguma coisa, iam perguntar, então por que não falar a verdade? Não havia motivo para esconder. Entraram no estúdio, uma hora e meia depois de Miki ter saído, e encontraram Takuya em sua sala.
— Então você foi buscar o Tatsuya-san... Não disse que viria. Queria nos fazer uma surpresa?
— Sim – ele sorriu – eu já sei o que fazer.
— E então? – Olhou-o de forma séria.
— Eu quero ficar com vocês.
— Isso é ótimo! – Ele sorriu, radiante – temos nosso Ichigo de volta! Vou agora mesmo devolver seu nome aos contratos!
— Obrigado.
— Olhando essas caras, parece que vocês têm algo mais a me contar.
— É muito embaraçoso – ele disse.
— Vamos. Você tem coragem suficiente pra morrer de chorar depois dos shows, na frente de todo mundo. Nos conhecemos há muito tempo, não sou só seu diretor, somos amigos. Pode contar, ficará entre nós.
— Bem... eu e Miki... – o coração começava a falhar de novo, devido ao nervosismo – eu acabei de pedi-la em namoro há alguns minutos e ela disse sim – ambos sorriam.
— Eu achava mesmo vocês muito próximos... – estava surpreso – meus parabéns aos dois – sorriu, enquanto apertava as mãos de ambos — Mas... eu não devia estar perguntando isso... mas isso não se deve só a seus personagens, não é? Tenham certeza de não estarem confundindo as coisas, vai evitar machucados futuros.
— Não Takuya-san – ela disse – pensamos muito sobre isso, muito mesmo, também achamos que podíamos estar nos confundindo e sempre tentamos separar as duas coisas. Ichigo e Rukia são uma coisa. Nós dois somos outra.
— Muito bem, isso foi prudente... estou me sentindo pai de vocês.
Os três riram.
— Bom, agora vocês tem essa nova condição. Já sabem que isso não pode interferir no trabalho.
— Sim – disseram juntos.
— Pretendem dizer isso logo aos companheiros? Logo estarão todos aqui pra reunião. Inclusive, nosso Ichigo da turnê internacional, que embora não vá continuar conosco, virá à reunião para se despedir de todos e ele quer conhecer você Tatsuya-san.
— Vamos contar a eles sim. Vamos pensar em como fazer isso. E... também quero conhecê-lo. Eu soube que ele fez um ótimo trabalho e que parece comigo.
— De fato, embora não seja tão perfeito no papel como você, ele foi ótimo. Agora... se quiserem podem sair um pouco. Ainda temos uma hora até a reunião para o novo musical.
— Obrigado, Takuya-san.
— Obrigada. Vamos na casa de Haruki e voltaremos antes da hora marcada.
— Tudo bem, mais uma vez, felicidades pra vocês.
Agradeceram mais uma vez e saíram, dirigindo-se a casa de Haruki. Ela ia tocar a campainha quando ouviram barulhos dentro da casa. Parecia alguém gritando e caindo em seguida.
— Volta aqui! – Escutaram.
Se entreolharam e ela tocou a campainha.
— Já vou!
Alguns segundos depois, Haruki abriu a porta e eles dois morreram de rir. Haruki tinha o cabelo assanhado e estava coberto de espuma, segurava o patinho de borracha de Tenshi na mão direita.
— Oi. Não foi tão engraçado pra mim.
Riram mais ainda e entraram.
Tenshi apareceu na frente deles, molhado e coberto de espuma, se sacudiu. Eles se encolheram.
— Entenderam agora? Eu caí correndo atrás dele.
Depois de longos segundos, conseguiram parar de rir.
— Então esse é o Tenshi.
— É... Espera aí! Tat-chan!!!! Você voltou!! – Sorriu – por que não me disse nada?! – Perguntou a Miki.
— Eu também não sabia. Ele queria fazer uma surpresa. E fez, ele será o Ichigo de novo.
— Sério?! UUUUHUUUU! – Ele pulou de alegria e Tenshi correu para seus pés abanando a cauda.
— Agora eu te pego, cachorro levado! – Agarrou o cãozinho, que ficou frustrado com sua captura – desculpem, tenho que terminar de tentar dar banho nele. Venham comigo.
Foram para um pequeno quintal no fundo casa. Ele colocou Tenshi de volta em uma bacia e começou a tirar o shampoo do pêlo dele.
— Temos outra coisa pra te contar.
— O que?
— Nós dois estamos namorando.
— O QUE?!!! – Ele a olhou, de olhos arregalados – eu sabia que um dia isso ia acontecer e você ignorava todas as minhas indiretas – ela apontou para ela, sorrindo.
— É sério? – Isaka perguntou.
— É – ela disse.
— Nossa! Tão de repente... Meus parabéns! – Ele estava radiante – eu daria um grande abraço em vocês, mas coberto de água e espuma assim é melhor não.
Riram. Ele terminou de dar banho em Tenshi e novamente lutou com o cãozinho, que se recusava a receber o ar quente do secador e se sacudia a toda hora. Conversaram mais um pouco e saíram para a reunião, deixando Haruki arrumando a bagunça feita por Tenshi.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Entraram no estúdio, já encontrando algumas pessoas. Os primeiros que viram foram Eiji, Kumi e Takashi, no salão de treino. Havia outros, mas estavam em outros lugares.
— Ei! Tat-san! – Eiji gritou do outro lado.
Ele e Miki correram até lá. Fizeram uma festa ao vê-lo de novo e o abraçaram, todos ao mesmo tempo.
— Que?! Temos nosso Ichigo de volta! HUU! – Gritou Takashi, enquanto pulava.
Depois do momento de alegria, decidiram contar logo a eles três.
— Nós temos algo a dizer – Isaka falou.
— Eu e Kumi também, mas contem logo.
— Nós dois... estamos namorando.
— Eu e Kumi também! – Ele ficou surpreso.
Ambos os casais desejaram felicidades um para o outro.
— Agora Aizen não pode tirá-la de mim – ele envolveu os ombros dela e ela riu.
— Eu já esperava por isso... mas ainda não consegui assimilar – Eiji disse.
Algum tempo depois, todos estavam ali. Takuya os chamou na sala de reuniões e todos bateram palmas, fazendo festa novamente quando viram Isaka e quando Takuya anunciou sua volta ao Burimyu.
— Eu também quero anunciar a volta de Rei-chan, Itou-san e Naofumi-san ao nosso musical.
Os três entraram e foram aplaudidos. Correram até Isaka e trocaram algumas palavras. Não se viam há muito tempo. Sentaram-se e Takuya voltou a falar.
— Podem matar as saudades mais tarde. Hoje, Yuiichiro-san está aqui para se despedir. Tatsuya-san, esse é quem o substituiu na nossa última turnê.
Eles se cumprimentaram, notando o quanto eram parecidos e que suas vozes também eram um pouco parecidas, conversaram um pouco e até fizeram algumas cenas de Ichigo. Takuya voltou a falar.
— Eu também quero pedir palmas para nossos dois casais, recentemente unidos, Takashi-kune Kumi-chan, e Isaka-san e Miki-chan.
Os que ainda não sabiam ficaram alguns segundos surpresos, em silêncio, mas logo abriram um grande sorriso e bateram palmas, desejando os parabéns.
— Agora você não pode tirá-la de mim, Aizen! – Takashi falou, encarando Kengo.
— E você não pode fazer mais nada, Byakuya “nii-sama” – Isaka disse olhando para Shuji, fazendo voz fina em “nii-sama”.
Todos morreram de rir. Depois de alguns minutos de comemoração, seguiram com a reunião para o novo musical. Se chamaria “Akari Tsuki”.
Fale com o autor