Notas iniciais
Hey, pessoal!
Pensei bastante no assunto dessa fic e queria que vcs pensassem também ao ler. Não é algo polêmico, acho kkkk
Acho que está mais para reflexão kkkkkkk
Espero que gostem!

Uma menina loira e branquinha andava descalça pela Crackolândia. Ela estava limpa e seu vestido era claro. Não era comum ver crianças como aquela em ruas tão perigosas. Com certeza deveria ser filha de gringos. Estaria perdida? Ou seria usada como mula? Pobre criança. A questão é: aquele era um lugar horrível para qualquer ser humano principalmente àquela hora da noite.

A menina estava com um botão de rosa na mão.

Ela sorriu para uma mulher esquelética que estava jogada no chão, possivelmente chapada.

Pouco a frente, dois traficantes discutiam. A mão de cada um deles encostada no cano frio de um revólver. Eles gritavam e acenavam. E a menina chegava cada vez mais perto.

Ela passou, sorriu para cada um e estendeu a rosa para o rapaz que já havia erguido a arma. Então, ela continuou seu caminho, enquanto os homens sentavam, chorando, no asfalto frio.

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Lena tinha uma loja na 25 de Março, trabalhava como uma louca todos os dias. Ela nunca fora casada. Havia engravidado na faculdade e largou o curso de Química para cuidar do filho, Bruno. Eram só os dois, até Bruno conhecer a maconha. Lena tentou, usou todas as suas forças, mas viu as drogas levarem seu maior tesouro. Hoje, Bruno estava sob a terra fria e seu assassino, ninguém sabia onde.

Desde então, Lena dedicava ao menos três dias da semana para levar uma sopa que fosse para a Crackolândia ou para a Praça da Sé, locais que tantas vezes fora buscar o filho. Ela sentia que ainda era mãe nesses momentos.

_Eu vi um anjo ontem, dona. — uma moça muito magra, como quase todos ali, disse para Lena

A mulher já havia tentado conversar com aquela moça. Ele era tão novinha... Ainda tinha tanto pela frente... Foi por isso que Lena se assustou ao ouvir aquela frase.

_Era uma menininha acredita? Não sei muito dessas coisas de religião, não, mas pelo que sei anjos não tem sexo, não é, dona? Mas aquele anjo era uma menina.

_Sério? — Lena sorriu — E como você soube que era um anjo?

_O Digão tava pra matar o Lobo, sabe? Daí a menina deu uma flor pro Digão. O cara sentou no chão e começou chorar como uma criancinha. Hoje cedo, ele achou uma assistente social e pediu pra ser internado. Disse que não quer mais ficar aqui não.

Lena ficou branca. Uma amiga sua, a tal assistente social, havia mesmo dito que Diogo Reis dos Santos, o Digão, traficante muito procurado em toda São Paulo, havia pedido para ser internado.

_E essa menina falou com você?

_Ela riu pra mim, dona. Nunca senti uma paz tão grande.

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_Quantos foram pra clínica hoje, Sheila?

_Três, você acredita? O dia rendeu quase o mês!

Lena estava atordoada com a história que ouvira nas ruas. Uma das assistentes sociais, sua amiga Sheila estava tinindo de alegria com tantas internações em um dia só! Digão, Lobo e a menina magra, Suélen.

Os três haviam pedido para sair dali.

Os três haviam dito que queriam mudar.

Os três haviam visto uma menina com um botão de rosas naquela noite.

As amigas almoçavam em um restaurante pequeno próximo ao trabalho da Lena. A televisão estava ligada, aparentemente uma cobertura especial do terremoto no Nepal.

"A família que sobreviveu alega ter abrigado uma criança durante a noite. Como vocês podem ver, tudo ao redor está destruído, menos a casa deles..."

Lena quase engasgou com seu pedaço de frango.

O que eram essas crianças?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.