Bullets and Kisses
9 Capítulo 8 - A outra face da mesma moeda
Notas iniciais
POV Emmett
Cheguei no edifício, e após estacionar o jipe na garagem, subi rapidamente em direção ao meu apartamento com o intuito de começar a preparar o jantar. Já disse que eu sei cozinhar? Sim, e sei muito bem. Mas hoje tenho que fazer algo especial e prático, porque não tenho mais tempo para fazer coisas difíceis e demoradas.
Meia hora depois desse pensamento, já estão no fogo o arroz e o frango. Aí você deve pensar que essa comida é tosca para o momento. Cara, primeiro: toda comida que se preze tem que ter arroz, e segundo: você nem sabe pra que vai servir o frango. Feijão não é legal pra misturar com esse tipo de comida, e também é muito pesado pra comer de noite. Então, como o arroz já tem muito tempero (milho, ervilha, linguiça em pedacinhos pequenos...), acho que pra completar, é legal fazer apenas um fricassê (n/a: fricassê é um tipo de lasanha, só que com frango, sem presunto ou massa, apenas queijo e mussarela, e alguns temperos que eu considero deliciosos) e uma salada, mas essa última vou deixar para os meus irmãos fazerem.
O tempo passa, e quando me dou conta já são quase 19:30 então vou tomar banho. Enquanto me olho no espelho, começo a ficar nervoso... Puff... Tô parecendo um adolescente inocente indo no primeiro encontro, sinceramente. Que droga, e eu não sei nem o motivo! Por mais que no fundo eu saiba o porquê dessa ansiedade, não consigo admitir em voz alta e nem se quer cogitar pensar nessa possibilidade. Eu não posso!
Já deu pra perceber que ela não quer nada comigo, e com razão. Não posso dizer que eu sou um exemplo de homem porque com certeza eu não sou. O tipo de garoto que um pai iria querer para sua filha... Naah, sou o próprio oposto. Ela deve querer distância de mim, mas apesar de saber que devo me afastar, não consigo fazer isso. Conheço essa garota a menos de uma semana, e já me sinto assim, droga! Que merda tá acontecendo comigo? Aaaarrrrggghhhh Rosalie Hale! Que porra você tá fazendo com a minha cabeça?!
Quando eu olho pra ela, vejo uma pessoa de perfeição inalcançável e que nunca iria dar bola pra alguém como eu. Nos seus olhos, dá pra perceber que uma versão de mim já a magoou e isso acaba com a minha sanidade. Não consigo parar de imaginar como isso aconteceu, e que ela possa me comparar a essa pessoa. E o pior de tudo, não sei porque isso me importa tanto! Me sinto confuso, e minha mente está cheia de perguntas que talvez não tenham respostas. Isso tudo é uma grande merda, porque eu nunca me senti assim. Fui treinado para não deixar minhas emoções transparecerem, e principalmente nunca me apaixonar... Mas acho que já é tarde demais pra isso...
***
Olho para o relógio umas 5 vezes em menos de 3 minutos, e acho que já se passaram décadas. Já deu pra perceber que o tempo não tá do meu lado. Logo após esse pensamento, a campainha toca e quando Edward vai atender, ouço vozes conhecidas até chegar a vez de uma que me encantou desde o momento que a ouvi pela primeira vez. É, acho que Deus está ao meu lado dessa vez, afinal.
Depois que eles entram, foco meu olhar na mulher loira à minha frente. E, o que é isso Senhor? Ela está simplesmente lindíssima. Seu jeito desajeitado de se vestir, me surpreendeu, mas de um jeito bom. Ela definitivamente não é do tipo de mulher que se veste com uma roupa bonita apenas por beleza, mas sim porque ela quer usar. Hoje especialmente, está um frio do caramba e ela usa uma roupa quente e simples, combinando tudo com o cabelo armado em um coque frouxo, que por incrível que pareça, destacam ainda mais seus olhos encantadores. Não sei o que dizer, e acho que se a elogiasse iria ficar muito na cara que eu sou “qualquer um”.
— Nossa, achei que não fosse vir, e que bom que estava errado. – é a única coisa que consegue sair da minha boca antes que eu possa dar um abraço na loira maravilhosa ao meu lado. Meu Deus, que cheiro bom ela tem...
— Eu disse que viria, Emmett. – ela diz, retribuindo o abraço e com esse simples gesto me sinto feliz. Mas não dura muito, porque quando nos separamos vejo um loiro emo ao lado da Rose.
— E você, quem é? – pergunto, admito que um pouco rude mas isso não importa agora. Eu não conheço esse mané e ele já tá me incomodando, então se ele preza pela vida, vai me responder agora... Oh se vai.
— Sou Jasper Hale, e você deve ser o Emmett. Rose me falou sobre você. – hum... Nome gay esse, mas não importa. O que importa, é que ele falou ROSE. Quem foi que deu essa liberdade toda? Mauricinho fdp, olha onde tá se metendo...
— Engraçado, minha Rose não falou nada sobre você. – digo, e quando me dou conta do que falei me repreendo, apesar de não ligar. Ele tem que saber o lugar que lhe pertence, e que se dane o resto.
— É, hum, gente?! Que tal vocês nos mostrarem o apartamento? – Rose pergunta, provavelmente tentando mudar o foco da minha atenção. E com razão, porque eu já estava prestes a esmurrar a cara desse babaca loiro.
— É pessoal, venham. Emmett. – Edward tenta me repreender mas sem sucesso, porque eu não esqueci o que aconteceu aqui.
— Quer vir Rose?! – ofereço o braço a loira, mas pelo seu olhar vejo que ela está relutante em ceder. Que é isso? Ela tá com medo de mim?!
— Acho melhor eu ir ao lado dela hoje grandão. – esse idiota realmente tá pedindo pra apanhar...
— Não estou falando com você, cara. Rose, você quer ir comigo? — dou bastante ênfase na palavra comigo porque eu quero que ela vá ao meu lado, caramba. Será que é pedir demais?
— É, hum... É melhor irmos todos juntos, não é mesmo?! – ela responde, provavelmente com a intenção de amenizar a situação e ganhar o apoio dos outros. É, ela me quer longe. Literalmente. Mas não vai conseguir, eu não vou deixar ela me afastar.
— É, vamos logo garotos. – Bellinha sobe escada a cima, e não sei como, me puxa consigo. Eu deixei que ela me arrastasse, ok. Mas apenas pra não pular encima do pescoço do loiro com cara de dor. Epa, espera aê. A Rose e o mauricinho emo ficaram lá em baixo. Aaaahhh, mas isso não tá saindo como eu esperava... Não tá mesmo.
— Acalme-se Emmett. Eles já vão subir, não precisa ficar com ciúmes da Rose, o Jazz é da família. Não daria em cima dela. – Bella fala, olhando pra mim com divertimento, mas ao mesmo tempo, sinceridade. Não sei o que sinto ao ouvir isso. Eu não posso estar com ciúme, e eu tenho certeza de que não estou.
— Eu não tô com ciú...
— Hei, vocês vem ou não? – ela me corta, gritando para o indivíduo que está lá em baixo com a Rose.
— Já estamos indo Bells. – ouço a voz da loira, e alguns minutos depois ela sobe abraçada com o mauricinho emo. ARGH! Deus me dê paciência, porque se me der força eu mato esse cara.
***
Depois de fazer uma espécie de tour pelo apartamento, descemos e começamos a jogar conversa fora enquanto minhas irmãs não chegam. Nesse meio tempo, noto que o tal Jasper não soltou o braço da minha loirinha, e isso já tá passando do limite porque minha paciência com certeza já foi pro brejo.
— E vocês, moravam aonde antes de se mudar para Forks? – Ed perguntou olhando fixamente para os nossos convidados... Hum, agora o assunto está chegando em algum lugar.
— Los Angeles. – respondem Bellinha e Rose.
— Eu morava na Austrália. – peraí, eles não moravam no mesmo lugar?!
— Ué e vocês não moravam no mesmo país, cidade ou seja lá o que for? – pergunto, incrivelmente interessado.
— Não. Quero dizer, sim, mas Jasper foi embora com os pais depois de algum tempo. – Rose fala, olhando nos meus olhos, e quando encontro seu olhar penetrante e raciocino suas palavras, fico repentinamente aliviado. Um pouco, talvez.
— Entendo... E a família de vocês? – Edward pergunta, e percebo que eles (Rose, Bella e o mauricinho emo) trocaram olhares estranhos. Posso deduzir que até são nervosos, mas por que?
— É, hum, meu pai faz parte da polícia de L.A. e minha mãe é professora de balé em uma escola de lá. – Bellinha responde simplesmente e depois olha pro eminho.
— Bom, meu pai é juiz e minha mãe promotora. E antes que perguntem, eles se conheceram enquanto faziam o mesmo curso de direito. – senti que quando respondeu isso, ficou meio tenso. O que aconteceu?
— E os seus Rose? – pergunto, e a olho atentamente enquanto ela abaixa a cabeça ao responder.
— Meus pais são... – antes que ela termine de falar, Alice e Eleanor chegam.
(N/a: é toda aquela conversa que vocês já leram no capítulo anterior, não vale a pena repetir) Enquanto os outros se apresentam, vejo que Rosalie começou a se distanciar da conversa, e essa é a minha deixa. Chego perto dela por trás e passo os braços pela sua cintura.
— Fugindo de mim a noite toda hein?! Tsc, tsc, tsc... – sussurro baixinho próximo ao seu ouvido, e desço minhas mãos para o seu quadril.
— Não fugi de ninguém, Emmett. Se me dá licença, quero conhecer Eleanor. – ela diz, mas suas palavras não combinam com as reações de seu corpo. Ela não quer se afastar, mas pensa que consegue se manter longe de mim.
— Saiba que não pode fugir de mim pra sempre, princesa. – falo, e depois de nos separarmos entrelaço sua mão na minha. – Venha, vou te apresentar a minha irmãzinha mais nova.
Depois de piscar um olho, levo ela até minha irmãzinha que se encontra brincando com seu ursinho. Após eu apresenta-las, notei que Rose tem um jeito especial de se entrosar com crianças. Como eu percebi isso?! Simples. Eleanor gostou dela de cara. É até engraçado constatar uma coisa dessas baseado na minha irmã, mas eu sei como ela é. Elle não fala com adultos tão facilmente. Ela primeiro fica tímida, manhosa, e calada até saber que “gosta” da pessoa. Com a Rose, ela não seguiu esse processo, mas pulou no colo da loira, do nada.
(N/a: repito, essa é a parte do jantar, então vamos pular) Depois do jantar, Alice me pede para dar o remédio de Eleanor, mas antes de sair dou um beijo (ok, aquilo não pode ser chamado de beijo, pelo menos não por mim, mas já foi um início) em Rosalie e vejo que apesar da surpresa ela gostou, eu sei que sim. Mas, vamos combinar... Que lábios macios eram aqueles?! Jesus, eu preciso de mais disso. E não sou só eu que tirei uma casquinha. Eleanor aproveita esse tempo que estamos perto um do outro, e dá um abraço na loira maravilhosa. E cada vez mas eu comprovo minha teoria que a caçulinha gostou da Rose.
— Hmm, vamos ver. – coloco Eleanor sentada na minha cama enquanto procuro o comprimido na bolsa. – Você sabe onde a baixinha colocou seu remédio, gatinha? – pergunto pra Elle, que já se acomodou na cama e está com cara de sono.
— Dentlo do bolsinho menor, no fundinho da bolsa. – ela diz baixinho.
— Achei. – pego a água que está no criado mudo, e vou em direção à cama. – Agora abre o bocão pro irmão, rapidinho.
— Emm, eu não sou mais um bebê. Sei tomar o lemedinho sozinha, me dá ele aqui. – ela pega o minúsculo comprimido da minha mão, coloca na boca e engole com um pouco d’água. Eita!
— Vish, ela não é mais bebê oh... – finjo estar horrorizado. – nem acredito nisso, acho que tô ficando idoso já...
— Não, não tem nada idoso... Oaahh(bocejo)... Emm, eu te amo maninho, mas agola eu quelo dormi tá bom? Vai lá pla baixo ficar com a tia Rose tá bom?! – ela solta um risinho e eu fico realmente espantado com as palavras dela dessa vez.
— Do que você tá falando hein?
— Voxê já sabe... Boa noite maninho! – então ela vira a cabeça para o outro lado e poucos minutos depois sua respiração já está suave e calma. Ela dormiu.
Quando desço as escadas estou recapitulando as palavras de Eleanor. Como uma menina tão pequena entende o que está acontecendo se nem eu entendo?! Ah meu Deus, e por que eu penso tanto nisso?! Só posso estar ficando maluco.
Encontro meu irmão e o mauricinho emo sentados na sala, então decido me juntar a eles, que parecem estar em uma conversa animada.
— E aí, o que tanto falam? – pergunto me apoiando no encosto da poltrona e pegando uma cerveja de dentro do cooler.
— Nada de mais, só as possíveis chances do Jasper com a Alice. – Edward responde, rindo.
— Como?! – quase me engasgo, mas não pelo motivo que uma pessoa normal pensaria.
— Ah, nada de mais irmão. Eu sou uma pessoa bem direta, e eu gostei da irmã de vocês. Mas eu não sei nada sobre ela ainda, então estamos apenas zoando com a minha cara mesmo. – Jasper fala simplesmente, me encarando com a maior naturalidade do mundo.
— Rapaz, você é realmente um babaca. – falo, espumando de raiva. – Como você tá com a Rose e quer ficar com a Alice? – esse idiota tem merda na cabeça?!
— Como é? – ele pergunta incrédulo, mas depois começa a rir. – Ahahahahahahahahah!!!!! Isso é sério?! Ahahahahahahahahahah.
— Tá rindo de quê seu babaca?! – eu me levanto, com a intenção de desmanchar esse sorriso do rosto do mauricinho. Ah, mas eu já estava com vontade faz teeeempo, e agora ele está me dando um motivo mais realista. Infelizmente Edward me segura.
— Aquieta o facho Emmett, deixa ele falar. – meu irmão diz, se segurando para não rir.
— Calma... Você não reparou no meu sobrenome e no da Rosalie? – ele me pergunta, com um sorrisinho no rosto.
— O que quer dizer? – pergunto, tentando raciocinar. Jasper Hale. Rosalie... Hale. Eles são da mesma família... Aaahhh, como eu fui burro!
— Nós somos primos, cara. – ele fala rindo.
— Uau... é... uau! Eu não sabia. – digo, voltando a me sentar na poltrona e dando um grande gole na cerveja.
— De boa brother. Mas, não notou a semelhança?
— Não me toquei pra reparar isso, Jasper. – digo, aliviado. Não sei porque.
— Humhum... – ele ri novamente, mas com calma dessa vez. – Eu sei porque não notou. Tava com tantos ciúmes de mim com a Rose, que nem se importou em analisar. Pra você eu já era um perigo iminente só por estar abraçado a ela... – então ele e Edward começam a gargalhar. Ah que saco!
— Eu já falei, que não estava com ciúmes. Eu agi assim, apenas porque não te conhecia e não sabia que tipo de pessoa a Rose estava. Sou amigo dela, então estava querendo protege-la, só isso.
— Uhum, só isso... Ah, é que eu lembrei que a minha Rose não falou nada sobre você...— Edward falou, e apenas deu corda para começarem a zoação.
— Parou aê, tá legal! Aliás, quando foi que a conversa virou sobre mim e a Rose? Não estávamos falando sobre você e a baixinha?!
— Mudamos de assunto quando você ficou todo nervosinho pelo meu caso de amor com a Rosalie. — Jasper responde, gargalhando novamente. Ah Senhor, eles vão me atazanar com isso pelo resto da vida... – Mas, você tem caminho livre com ela cara. Contanto que não a machuque, do contrário eu estouro seus miolos. Sério.
— Ai que medo dele... – faço uma voz de mulherzinha, e eles acham graça. – Não vou magoar a Rose, Jasper. Até porque eu não tenho nada com ela pra isso. Ainda.— falo essa última palavra baixinho, e espero que eles não tenham ouvido.
— Sei bem... – depois dessa palavra, as meninas entram na sala, e acaba o assunto.
Vejo que o sofá de dois lugares está ocupado por Edward, então Bellinha vai pra lá. Um já foi. No chão Jasper está sentado, e acho que nunca agradeci tanto por Alice ser espontânea e ficar ao lado dele. Os dois estão interrompendo a passagem para a poltrona reclinável, então já me livrei do segundo e do terceiro obstáculo também. Hahaha! Só a resta se sentar comigo!
— Tá tudo bem? E cadê a Eleanor? – Rose pergunta, e quando olha ao redor da sala, acho que tem a mesma constatação que eu acabei de ter há alguns minutos atrás.
— Tá tudo ótimo linda, e a Elle tá dormindo lá em cima. – respondo, com uma expressão divertida na face. Não ria Emmett Cullen. Não ria. — E você não quer sentar não? – pronto, perguntei o assunto que não quer calar.
— Não, hum, eu vou ficar em pé mesmo... – ah mais não vai mesmo.
— Tá com medo de sentar comigo? Eu não mordo, gatinha... Só se você pedir. – falo, com um sorriso malicioso no rosto, e quase posso perceber as engrenagens no seu cérebro, deduzindo se isso é uma boa ideia ou não. Eu digo amorzinho, depende do seu ponto de vista.
— Cala a boca Emmett. – uh, marrenta. Gosto disso, e ela não sabe o quanto.
— Vamo assistir um filme? – meu irmão pergunta sem deixar ninguém responder e fica em pé pra pegar o controle da TV. Até que percebo seu lugar vazio, e a loira começando a levantar pra ir para cima do travesseiro, anteriormente ocupado por Edward. Antes que consiga, prendo minhas mãos em sua cintura.
— Aonde você pensa que vai? – sussurro em seu ouvido e vejo os pelos de sua nuca eriçarem. Ela gosta, eu sei.
— Eu ia sentar com a Bella. – falou bem. “Ia” do verbo não vai mais.
— Não, não, não. Você vai ficar aqui, comigo. – a puxo para sentar em meu colo, e percebo que por um minuto ela ficou tensa, mas depois sinto seu corpo relaxar... E ter ela em meus braços é a melhor sensação do mundo. A melhor. É Emmett, acho que a noite vai ser bem longa...
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