Bulletproof Wings

19 Você pode sorrir enquanto estivermos juntos


Notas iniciais
Genteeeee! Que luta pra postar esse capítulo! A net aqui tá horrível, mas hoje eu volto pra casa, aí melhora. Bom, como a formatação está bem louca nesse capítulo, aqui vão as orientações. Texto "justificado" - O que acontece de modo geral Texto à esquerda - O que Namjoon vê Texto à direita - O que Taehyung vê Texto itálico - O que acontece no outro mundo Espero que gostem dessa maluquice :*

Taehyung estava voltando para os containers. Tinha ido para casa e visto seu pai e sua irmã brigando. Sua decisão imediata foi sair dali. Ele não gostava de ver aquilo, tinha se desacostumado com aquelas cenas que lhe eram cotidianas. Mas, no caminho para os containers, ele começou a sentir que não era aquilo que devia fazer. Então voltou para casa, e notou que as coisas haviam piorado.

Eles não estavam simplesmente discutindo.

Ele estava batendo nela.

Taehyung olhou para a mesa repleta de garrafas de vidro. Muitas vazias, muitas pela metade. Ele se lembrava bem de que seu pai não era dado a bebidas antes de sua mãe partir, mas depois que ela se foi, a bebida tinha se tornado seu placebo. Uma cura falsa que o levava a maltratar os filhos. Era como se eles tivessem perdido os dois. Como se tivessem lhe tirado os pais e colocado um monstro no lugar. E Taehyung não aguentava mais aquilo. Era aquilo que Jungkook tinha visto antes de morrer.

Naquele momento, ele só sentiu raiva. Pegou uma daquelas garrafas vazias e foi para o cômodo onde eles estavam. Empurrou o pai para longe da irmã e lhe acertou com a garrafa na cabeça. Talvez aquilo fosse o suficiente por aquele incidente, mas não era só isso que estava na mente de Tae. Ele se lembrou de todas as vezes em que havia consolado sua irmã, em que a havia abraçado para tentar amenizar sua dor emocional, já que nada podia fazer pela dor física. Era sua mãe quem sempre cuidava dos machucados. Se lembrou de todas as bebedeiras do pai, todos os palavrões, os gritos, todas as vezes em que ele e sua irmã tinham apanhado. Lembrou-se de como ela ficava quieta, porque sabia que aquilo era consequência da saudade. Mesmo que fosse, para Taehyung era um erro, um erro que já havia durado tempo demais.

Taehyung quebrou a garrafa na metade e se vingou por tudo aquilo que conseguia se lembrar. Cravou a garrafa quebrada na barriga do pai várias vezes, a cada uma delas se lembrando de um episódio monstruoso que nunca deveria ter acontecido numa família.

Ninguém nunca tinha tentado colocar um limite naquelas atitudes horríveis, e Taehyung se cansou de não fazer nada. Puniu-o por tudo o que conseguia se lembrar de uma vez só, sem ligar para o sangue que jorrava e espirrava em sua blusa branca, ou para a sua irmã que gritava para que parasse.

Finalmente, ele se afastou, respirando ofegantemente. Seu pai caiu. Olhou para a própria mão e soltou a garrafa. A irmã tinha parado de gritar, e apenas cobria a boca com as duas mãos.

Taehyung não podia acreditar no que tinha feito enquanto estava tomado pela raiva. Também não pensou muito. Saiu dali correndo e andou pelos corredores do prédio até achar um lugar calmo onde pudesse sentar e chorar, cheio de arrependimento. Ele havia matado o próprio pai!

Depois de muito chorar, decidiu que não seria prudente ficar ali. Se aventurou sozinho por Seoul, procurando algum lugar onde pudesse ficar só.

Namjoon estava sozinho no container quando finalmente sentiu o perdão de Jungkook, mas o ignorou. Tirou o pirulito da boca e o jogou dentro do copo de café, tomando-o em seguida. Foi como se tivesse posto fogo no desenho. No fundo, aquilo não era o que ele precisava. Ele precisava perdoar a si mesmo, mas não conseguia. A culpa o havia consumido.

Taehyung estava sentado em um canto vazio do clube abandonado. Já tinha chorado o suficiente, agora tentava de alguma forma reparar seu erro. Olhou para as mãos sujas do sangue de seu pai. Sangue do seu sangue.

Hoseok apalpou as paredes do container, tentando achar alguma saída. A tinta colorida sujou suas mãos. Tinha uma consistência extremamente pegajosa. Ele olhou para suas mãos e tentou entender aquilo.

Jungkook se lembrava daqueles respingos que destruíam a pintura, lembrava de seu próprio choro. Ele não queria destruir aquela imagem.

Taehyung usou a garrafa para tentar limpar um pouco do sangue, mas não teve muito sucesso. Finalmente, decidiu ligar para Namjoon. A ligação não precisou de dois toques inteiros para ser atendida.

— Tae! — Falou ele, falhando na tentativa de parecer calmo.

— Hyung — disse Taehyung, com a voz triste, que deixou Namjoon ainda mais preocupado, porém mais determinado a demonstrar tranquilidade. Ele respirou fundo, tentando desacelerar os batimentos.

— Estou aqui, Taetae — disse ele, firmemente. — Pode falar.

— Eu quero ver os meus amigos.

Namjoon compreendeu que Taehyung queria ir aos velórios.

— Tudo bem — disse ele, com a voz trêmula. — Nós vamos vê-los. Onde você está?

Namjoon saiu andando apressadamente pelos trilhos. Jogou o café fora e apertou o passo até chegar à caminhonete. Dirigiu com velocidade pelas ruas de Seoul, preocupado com o estado do único amigo que lhe restara. Finalmente, o encontrou.

Taehyung tinha entrado na piscina vazia do clube abandonado e se jogado sobre um velho colchão. Olhava a única foto que tinha da mãe quando Namjoon chegou. O mais velho ficou feliz ao vê-lo e colocou um grande sorriso no rosto.

— Ei! — Disse ele, mexendo com Taehyung. — O que você tá fazendo aí?

Namjoon o puxou e o ajudou a levantar. Colocou o braço sobre seu ombro e brincou com ele, até que finalmente começou a rir, do jeito que Namjoon queria.

Olhava ao redor, e de repente

andou para a frente

como se tivesse sido empurrado.

Os cinco meninos o cercavam.

J-Hope empurrou V.

— Aish! Hobi Hyung! — Disse V, rindo, e a expressão de Namjoon se afetou. Ficou olhando para o jovem e alegre V, tentando compreender o que estava acontecendo. — Que bom que vocês vieram.

Namjoon tentava chamar sua atenção, mas era como se houvesse gente demais tentando chamá-lo. Taehyung estava estranho, agindo como se houvesse mais pessoas ali. Namjoon começou a ligar os fatos. V não queria ir aos velórios: queria ver seus amigos vivos e, de alguma forma, estava vendo.

Do nada, V olhou para um ponto

na beira da piscina, e começou a rir.

Andou um pouco e simplesmente abraçou o nada.

— É o Jin Hyung! — disse Jungkook,

apontando para a beira da piscina.

V olhou para onde ele apontava.

Jin estava filmando-os com sua handycam.

Desceu da beira da piscina,

foi até V e o abraçou.

Namjoon começou a ficar muito preocupado com o estado mental dele. Pensou em dar um jeito de levá-lo ao médico. Mas ele estava feliz. Não era isso o que importava?

Depois do abraço, V recuou um pouco e fez poses de fotos. Rap Monster sorriu e o imitou. Sabia, dessa forma, que ele estava vendo Jin. No fundo, Rap Monster pensou que queria ter aquela sorte. A sorte de estar com todos eles mais uma vez.

Tudo que ele queria era que V sorrisse novamente. E ele podia sorrir enquanto estivessem todos juntos.

Eles passaram uma manhã divertida no clube abandonado. Conseguiram alguns brinquedos jogados por ali e com eles se divertiram. Empurraram uns aos outros em um carrinho de rolimã, jogaram JoKenPo, queda de braço, pula-carniça, pularam uns em cima dos outros. Correram, gritaram, dançaram, caminharam na floresta. Rap Monster, embora não conseguisse entender ou acompanhar tudo o que se passava na cabeça de V, conseguia se divertir. Às vezes, simplesmente sentado, encostado na parede da piscina, sentindo o sol, quando V desenhou sua silhueta com o spray vermelho. Ele queria protegê-lo. Eventualmente, a silhueta ganhou orelhas e virou um bichinho fofo.

— O que acha, Moni hyung? — Perguntou V, ainda finalizando o desenho. Rap Monster fingiu que ia chutá-lo.

— Eu não sou fofo! — Disse, e eles riram.

Mais tarde, Rap Monster achou um carrinho da Hot Wheels, e lembrou-se imediatamente de Jin Hyung. Era uma lembrança que ele não queria. Jin estava ali, não? Ele estava bem, se divertindo com todo mundo. Ele colocou o carrinho sobre uma garrafa. Outro dos brinquedos que tinha conseguido era um taco de golfe. Ele tratou de jogar aquele carrinho bem longe. Por algum motivo, ele caiu bem na poça de água que restara da piscina. Ele riu, meio comemorando, meio torcendo para que aquilo não trouxesse V para a realidade.

Jimin o abraçou,

mas Rap Monster não deu atenção.

Porque não podia vê-lo.

J-Hope estava dormindo encostado na parede.

Suga apareceu e posou para uma foto ao seu lado.

Jungkook estava andando, tentando se equilibrar,

e ao ver aquilo, se juntou a eles.

Eventualmente, J-Hope acordou e também fez uma pose sonolenta.

Jin estava sentado à mesa de jantar posta para um. Tirou uma foto com sua Instax rosa, e as três velas no castiçal se apagaram.

Notas finais
E é isso! Contem o que acharam da formatação!