Bulletproof Wings
5 Tudo por você
Notas iniciais
Com o dinheiro que tinham guardado, conseguiram pagar o primeiro aluguel de uma pequena casa. Tinha apenas dois quartos pouco mobiliados, o que foi ótimo para que os ocupassem de uma forma que abrigasse todos. A cozinha e a sala eram pequenas, e só havia um banheiro, mas era suficiente para o começo de uma nova vida em conjunto.
Eles achavam que o transporte seria um problema, e que eles teriam que usar o transporte público, mas Rap Monster tinha uma caminhonete, que fora um presente dos pais pela formatura. Quando saíam, quatro iam na cabine da caminhonete e os outros três na parte de trás. Às vezes, Jin conseguia o carro dos pais emprestado por alguns dias, em que eles ficavam mais livres para sair para lugares diferentes.
Eles saíam juntos todas as manhãs para ensaiar na empresa. Ficavam juntos durante toda a manhã, e voltavam para casa. Jin fazia o almoço para todos, e eles passavam a tarde fazendo coisas diferentes, fosse na casa ou fora dela. Nunca sabiam se V ficaria para dormir. Conforme os dias passavam, era cada vez mais comum que V dormisse na casa nova, e também era comum que Jungkook passasse a tarde fora, sem nunca dizer o motivo. O pouco dinheiro que a empresa dava a eles pelo treino, como se fosse uma bolsa, era suficiente para pagar as despesas da casa, exceto os vários remédios que J-Hope tomava para controlar a narcolepsia. O dinheiro dos remédios era gentilmente cedido pelos seus próprios pais. J-Hope se sentia bem entre os amigos, e não tinha vergonha de deixar todos os seus remédios no armário do banheiro, já que sempre tomava antes de dormir. Já Jin não tinha esse privilégio, pois seus antidepressivos eram um segredo que ele mantinha longe dos outros, principalmente do Rap Monster, que se mostrava constantemente preocupado com seu estado emocional e psicológico. Mas Jin não era o único que estava estranho.
Durante a noite e até mesmo nas pausas dos ensaios, Jungkook parecia aéreo. Mantinha os olhos o tempo todo no celular ou envolvido com envelopes, e mesmo quando devia estar concentrado no que os outros falavam, não conseguia se manter focado. Seu pensamento parecia estar longe.
Em um fim de tarde, os hyungs estavam fazendo suas brincadeiras na sala, quando Jungkook chegou.
— Até que enfim! — disse V, sentado no braço esquerdo do sofá, brincando com Suga, que estava sentado na poltrona ao lado. — Não é a mesma coisa sem você!
Jungkook sorriu fragilmente e sentou no sofá. A sala estava uma bagunça com todos brincando como se fossem crianças. Jin estava andando de skate, Jimin e J-Hope estavam brincando de luta (aparentemente causada por um livro) e Rap Monster, por algum motivo, estava dançando em cima da lata que usavam como mesa — assim como todas as outras coisas recicladas que, ao invés de ir para o lixo, tinham ganhado alguma utilidade em uma casa cheia de garotos com renda insuficiente para investir em móveis e decoração. Eles continuaram as brincadeiras naturalmente, esperando que Jungkook se unisse a eles voluntariamente, mas isso não aconteceu.
Finalmente, V notou que Jungkook já estava cochilando sentado no sofá. Ele se jogou para trás, caindo no colo do maknae, e o cutucou com o dedo esquerdo.
— Ei, o que houve com você?
Jungkook manteve os olhos fechados e moveu a mão no ar como se a mão de V fosse apenas um inseto a ser afastado. Ele virou a cabeça, tentando continuar a dormir. Os outros meninos também notaram como Jungkook estava estranho e começaram a cercar o sofá.
— O que está acontecendo? — Perguntou J-Hope.
— Jungkookie está com sono! — Explicou V.
Jimin franziu o cenho e, de trás do sofá, viu um papel em formato A4 perto de Jungkook. Ele o pegou com um pouco de dificuldade, já que metade dele estava sob Jungkook.
— Gente, olha isso!
— Evento de Abertura da Chicken Chicken? — Perguntou J-Hope.
Jimin mostrou o folder aos outros. Jungkook acordou e, embora sonolento, conseguiu pegar o panfleto de volta. Mesmo assim, já era tarde demais, todos já tinham visto.
— Isso é meu! — Protestou Jungkook, enquanto os outros tentavam recuperar o papel. — Eu vou dormir no quarto — disse ele, se afastando, chateado com os mais velhos.
— Ei, volta aqui, Jungkook! — Pediu V, sem entender porque o maknae estava daquele jeito.
— Chicken Chicken não é uma franquia de alimentação infantil? — Perguntou Jin, depois que Jungkook bateu a porta do quarto. — Por que Jungkook estaria tão interessado?
— Jungkook está estranho, ultimamente. Passa todas as tardes fora, e sempre chega muito cansado. Precisamos descobrir o que está acontecendo.
— Mais importante ainda: precisamos ajudá-lo — lembrou Rap Monster.
— Queria saber o que ele tanto vê nesse celular — comentou Jimin, durante o jantar.
— É — reclamou Jin.— Jantar não é hora de mexer no celular, Jungkook.
O maknae permanecia concentrado em seu aparelho, sem ao menos ouvir que os mais velhos falavam sobre ele. Ao menos, parecia mais calmo depois do estresse da tarde.
— Jungkookie — disse Suga, sacudindo o ombro do amigo, que estava ao lado.
— Quê? — Disse ele, despertando de seu mundo à parte.
— Jin está falando com você.
— Quê? Ah. Hum. Pera, o quê?
— O que tanto faz nesse celular? — Perguntou Rap Monster, sempre tomando a frente da situação.
— Celular… Ah… — Jungkook coçou a cabeça. — Não é nada.
— Aposto que é uma garota — chutou Jimin. Rap Monster percebeu que aquele comentário foi suficiente para pesar o clima ao redor de Jin. Ao mesmo tempo, Jungkook corou, o que o denunciou.
— De novo? — Perguntou J-Hope.
— Nosso maknae está com os hormônios à flor da pele — disse Suga. — Só acho que deveria tomar mais cuidado para não ficar desse jeito.
— Como assim? — Perguntou o maknae, que parecia ainda estar longe.
— Você sabe, apaixonado. Está morando fora da casa dos seus pais, poderia ir a várias festas, pegar várias garotas… mas está focando só em uma. É claro que está apaixonado.
— Não consigo pensar como você, hyung. Não é legal ficar com várias garotas!
— Claro que não — disse Suga, rindo da inocência do seu amigo. — Só espero que eu não seja obrigado a ajudar em outra declaração.
— Não será necessário, Yoongi Hyung. Já estamos… Bem próximos. Dessa vez, eu me viro sozinho.
— Vou fingir que acredito — debochou Jimin.
— Por que nunca te vemos com essa menina, Kookie? — Perguntou V, supondo que ela fosse a distração das tardes de Jungkook.
— Eu ainda não a conheço. Ela mora longe, V Hyung.
— Devia conhecê-la. Ela parece ser uma garota legal, já que passa 90% do seu tempo conversando com ela...
— Estou lutando por isso.
— Como assim?
— Estou... trabalhando, Hyung. Distribuindo folders como o que vocês viram mais cedo.
— Desde quando? — Perguntou Jin, tentando agir de forma mais natural. — E que horas você faz isso?
— De tarde, né? — Opinou J-Hope. — Quer dizer… Você nunca aparece de tarde.
— É, é isso que tenho feito às tardes. Faz algumas semanas desde que comecei, Jin Hyung. Vai demorar muito até eu conseguir o dinheiro de que preciso, mas eu não posso desistir. — Os outros meninos começaram a se entreolhar, admirados com a determinação do mais novo. — Estou dando meu melhor. Juntando o dinheiro que ganho com o grupo e unindo ao dinheiro que consigo panfletando no meu tempo livre.
— É muito bonito ver como se esforça por isso, Jungkook — disse Jin. — Está realmente muito apaixonado.
— Qual o nome dela? — Perguntou Rap Monster.
— Sunghee — disse Jungkook, completamente feliz.
— Onde ela mora, mesmo? — Perguntou V.
— Em Fuchū. Fica a 20km de Tóquio.
— TÓQUIO? — Perguntou J-Hope. — Tipo, no Japão?
— Exatamente.
— Achei que seria ao menos coreana, pelo nome… — Opinou Rap Monster.
— Ela é coreana, na verdade — esclareceu Jungkook. — Cresceu aqui, mas agora mora no Japão.
— Quanto custa uma viagem dessas? — Perguntou J-Hope.
— Da última vez que eu vi, a passagem mais barata de Seoul para Tóquio estava uns 280.000 won¹.
— Eita — disse Jimin. — Meio caro né…
— Fora hospedagem, alimentação, transporte para Fuchū, transporte dentro da cidade… Eu não vou conseguir tão cedo.
— Nós deveríamos ajudá-lo — opinou J-Hope, na tarde seguinte. — Ele é nosso maknae! Pelo que ele disse, ele vai precisar de muito tempo até conseguir dinheiro suficiente pra viajar.
— Talvez, até lá, ele nem fale mais com ela — disse Suga.
— Deixa de ser pessimista! — reclamou Rap Monster. — J-Hope está certo. Nós temos que ajudar nosso maknae. Ele está se esforçando e merece nosso apoio.
Jin sorriu para ele. O líder era mesmo um grande amigo. Estava disposto a dar tudo de si pelo grupo, e por cada um dos seus membros. E naquele momento, os seis meninos decidiram que fariam tudo para ajudar Jungkook a realizar seu mais recente sonho.
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