Bulletproof Wings

25 Talvez eu nunca possa voar


Notas iniciais
Aqui vamos nós com mais um capítulo.

A maçã rolava pelo chão da sala de jantar. Parecia estar levando Jin para algum lugar. Ele a seguiu por um corredor pouco iluminado, até encontrar um quarto. Ele entrou lá, e as portas se fecharam.

Jin abriu os olhos muito devagar. Sentia-se sonolento e indisposto. Sua respiração densa só era possível por causa da máscara que estava presa em seu rosto. Ele sentiu a agulha do soro em sua mão, e vários outros fios em seu peito. Seus olhos enevoados piscaram lentamente algumas vezes, enquanto fitava o teto do quarto de hospital.

Poucos segundos depois, uma enfermeira entrou na sala e, ao notar que ele estava acordado, se aproximou.

— Bom dia, Seokjin. — Disse ela, com tom gentil. Ele olhou para ela, ainda atordoado. — Vou fazer algumas perguntas, acene com a cabeça para responder. Você sente dor? — Jin fez que não. — Você acha que consegue respirar sem a máscara? — Ele fez que sim. — Eu vou tirá-la. Se sentir-se mal, pode levantar a mão, está bem?

Jin confirmou. A enfermeira retirou cuidadosamente a máscara. Jin conseguiu respirar normalmente.

— Está tudo bem?

— Sim.

— Como se sente?

— Um pouco cansado. Mas vai passar rápido.

A enfermeira sorriu, surpresa com a força do menino.

— Tudo bem. Vou chamar o seu tio, ok?

Jin sorriu.

— Ok.

A enfermeira saiu do quarto. Jin tentou se recompor enquanto esperava. Finalmente, Dr. Kim. Chung Ho apareceu, apressado, se posicionando ao lado do sobrinho.

— Ah! Aí está você! Que bom, que acordou, meu filho.

Jin riu, feliz em vê-lo.

— Oi, tio. Cadê os meninos? — Perguntou imediatamente, mesmo com a voz ainda sonolenta. Chung Ho lutou para manter seu sorriso.

— Eles ficaram aqui por muito tempo, então os mandei para casa. Tenho dado notícias sobre você. Você se lembra do que aconteceu?

— A última coisa de que me lembro é a festa.

— Festa?

— Sim. Fizemos uma festa quando o Kookie chegou de viagem — Jin riu. — Ele foi conhecer a namorada virtual.

— Ah, verdade, ele comentou — Chung Ho mentia excelentemente bem.

— Há quanto tempo estou aqui?

— Algumas semanas. Você estava em coma.

Jin franziu o cenho.

— Por quê? O que houve?

— Ainda não sabemos ao certo, Jin. Você teve um desmaio e entrou em coma, não conseguimos descobrir o motivo. Mas, agora que você acordou, deve ficar bem. E eu sei como. — Chung Ho foi até a porta e chamou a enfermeira. — Onde está aquilo que eu pedi?

— Já deve estar chegando, doutor — disse ela ainda do lado de fora. — Está sendo muito caprichado. Ah, ali está.

Chung Ho abriu a porta completamente. Um funcionário entrou com uma bandeja repleta de coisas. Jin cobriu os olhos com as mãos, rindo de felicidade. Chung Ho arrumou a cama pra que Jin ficasse na posição correta para se alimentar. Ele olhou maravilhado para a bandeja, cheia de comidas leves.

— Vai devagar — recomendou o médico. — Já faz muitos dias que você não come sólidos.

Jin acenou com a cabeça, e tentou se controlar. Estava faminto, mas seguiu a ordem do tio, comendo aos poucos.

— Quando os meninos virão me ver? — Perguntou ele, comendo.

— Em breve. Ainda não tive tempo de avisá-los. Mas seus pais já estão vindo pra cá.

Jin acenou, feliz com a notícia.

Yoongi estava sozinho na sala repleta de fumaça verde. O chão tinha uma parte de vidro que o deixava ver o quarto onde estavam Namjoon e Jungkook. De repente, as portas do quarto se abriram.

— Hyung! — Exclamou Jimin. Yoongi se levantou rapidamente de sua cadeira, quase sem acreditar.

— Chim Chim! Uau, você está bonito com esse cabelo cinza, hein.

— E você, com o cabelo preto.

— É — disse Yoongi, com a mão na cabeça. — Parece que queimou no incêndio.

— Aigo, hyung, morreu em um incêndio? Que droga!

— Que droga nada! Você sabe que eu gosto de fogo.

— Hyung... Não me diga que você...

— Me matei. Foi.

— Aish.

— Esqueça isso. Onde estão os outros? Quer dizer, Tae e Hoseok?

— Hosoek Hyung está em algum quarto por aí. Tae ainda está sendo julgado. Acho que é isso que estamos esperando.

— Como assim?

— Depois que todos os julgamentos terminarem, devemos ser liberados para sair da casa. Ou, pelo menos, pra vermos uns aos outros.

— Ué, pelo que você tá dizendo, só me falta ver Hoseok.

— E Jin Hyung!

— Jin Hyung? Ele não está vivo? Em coma?

— Vivo, sim. Em coma, não. Acabei de acordá-lo!

— Quê? — Perguntou Yoongi, como se estivesse ouvindo o relato de um crime. — Como assim, você acordou o Jin Hyung?

— Foi, ué. Hyung, por que parece tão bravo?

— Jiminie... Nós estamos nas mãos de um Juízo injusto. Se descobrirem que Jin estava aqui sem estar morto...

— Ele ainda está aqui.

— Aqui? Mas... Não tô entendendo nada!

— Ele estava aqui na casa durante o coma. Eu não podia estar com ele, não podia estar com ninguém. Só agora me deixaram ver você, hyung. Só que eu senti Hoseok Hyung durante meu julgamento. Fui salvo quando descobri que Jin estava vivo. Mas, depois disso, continuei tendo contato com ele, por isso sabia que ele estava aqui. Foi á distância que consegui mostrá-lo que ele está vivo, mas eu ainda sinto a presença dele na casa.

— Como isso é possível? Como ele pode estar aqui, se está vivo e acordado?

— Não sei, hyung. Mas estou feliz por ele estar conosco. Significa que poderemos vê-lo, em breve.

— Jimin... Você não pode falar nada pra ele. Tem que fazê-lo continuar acreditando.

— No quê?

— Em qualquer coisa que ele esteja pensando. Ele não pode ter dúvidas. Não sei o que ele pensa no momento, mas é exatamente isso que ele deve continuar pensando.

— Por quê?

— Porque o Juízo pode querer puni-lo.

— Por quê? — Jimin estava aflito com tanta dúvida.

— Porque ele quer que Jin esteja morto! O Juízo... O Juízo é ruim.

— Ruim? Ele nos salvou! Olha, eu não consigo. Não vou conseguir mentir para o Jin Hyung, a mentira me destruiu! Sou incapaz de mentir.

— Então você também precisa acreditar.

— Quê? Não! Hyung, tive que morrer pra me libertar desse mal, não posso me entregar a ele de novo!

— Você precisa, pelo Jin Hyung. Não percebe? Essa mentira que te destruiu, tudo o que aconteceu, até mesmo o acidente do Jin Hyung... Tudo isso é um plano do Juízo. Todos nós morremos por causa dele. Desde o começo, estamos sendo influenciados! Todos nós! Eu disse coisas horríveis para o Jungkook antes dele morrer, o chamei de assassino, o culpei por tudo. Fui o pior amigo possível, e no entanto, fui salvo. Por quê? Porque aquele não era eu! Fui influenciado a ser aquilo, pelo próprio Juízo. Se eles não me salvassem, teriam que investigar, e seriam obrigados a culpar eles mesmos. Eles não estão nos salvando porque são bonzinhos, estão nos salvando porque são os causadores dos nossos erros! O Juízo nos trouxe para junto dele!

Àquela hora, Jimin já estava apavorado com tudo que lhe fora revelado.

— Hyung — disse ele. — Isso tudo... É horrível, mas... Eu não vou conseguir. Eu quero ajudar o Jin Hyung, de verdade. Mas eu não sei mais mentir, assim como não posso mentir pra você agora. Não posso fingir que tenho chance.

— Entendo — disse Yoongi pensativo. — Então você vai precisar acreditar na mentira, e tomá-la como verdade.

— Hyung — tentou protestar.

— Isso não vai te destruir, confia em mim. Quando o Juízo nos deixar partir dessa casa, você se liberta da mentira de novo. Porque, a partir do momento em que deixarmos este lugar, estaremos livres, não seremos mais responsabilidade do Juízo. Ele não vai poder fazer nada contra nós.

Jimin não encarava Yoongi.

— Eu estaria morrendo de medo, se já não estivesse morto.

— Tem que confiar.

— Como vamos fazer isso, hyung?

— Você vai se dividir em dois.

Yoongi explicou a Jimin o que iria acontecer. Jimin ficou com o pé atrás, mas sabia que era necessário. Pouco mais tarde, Yoongi voltou ao quarto com uma maçã e uma fita de cetim preto. Jimin mordeu a maçã, e Yoongi cobriu seus olhos com a venda. Amarrou a ponta na sacada e fechou a porta. Pouco depois, apareceu um espectro.

— O julgamento de Kim Taehyung terminou. Vocês já podem descer para o hall, mas ainda não podem deixar a casa do Juízo. As últimas providências estão sendo tomadas.

Quando a noite chegou, a mãe de Jin ficou como sua acompanhante. O irmão já a havia orientado a não falar sobre o acidente, nem sobre os meninos. Finalmente, Jin dormiu. Acordou durante a noite, e se viu cercado pelos seis meninos. Apenas a luz da lua, que entrava pela janela, os iluminava.

— Oi — disse Jungkook, baixinho. — A gente não queria te acordar.

— Tá brincando? — Sussurrou ele, passando o olho pela mãe, que dormia. — Eu estava louco pra ver vocês!

— Também estávamos — disse Jimin. — É muito bom ver que está bem, hyung. Nós sentimos saudades.

— Por que só vieram agora? — Perguntou ele.

— Infelizmente não pudemos vir mais cedo — disse V. — Por enquanto, só temos esse horário. Nunca será o suficiente — brincou ele. — Mas é o que temos.

— Está ótimo. Desde que estejam ao meu lado. — Ele olhou para Jungkook, sentado na beira da cama, e levou a mão à sua bochecha. — Meus meninos. Meus meninos à prova de balas.

Jungkook sorriu e cobriu a mão de Jin com a sua.

— Vai ficar bom logo, hyung. E então, vamos nos divertir. Eu prometo.

Depois de dois dias, Jin teve alta.

Notas finais
E então? Não sei o que pensar do Jin nesse momento... É fofo, mas dá pena.