Bulletproof Heart
9 Feliz ressaca!
Notas iniciais
Muito boa leitura, e novamente, Feliz Natal atrasado.
Katie
– Nós vamos sair daqui sem nenhum arranhão. – Imito genericamente a voz de James, que por sua vez faz uma careta muito engraçada. – Estamos aqui dentro há duas.malditas.horas SERÁ QUE DÁ PRA ME TIRAR DAQUI? – Droga, droga, droga, mil vezes droga! Sabe o negócio de ser claustrofóbica? Eu já desmaiei três vezes, tive duas crises de pânico, chorei, berrei e o Bitters até agora está sendo um inútil, assim como o meu querido (só que não) James Diamond.
– O TÉCNICO JÁ VAI VIR, PARA DE SER UMA DIVA E ESPERE! – Bitters grita do outro lado.
– O TÉCNICO JÁ VAI VIR! VOCÊ DISSE ISSO HÁ DUAS HORAS, SEJA ÚTIL ALGUMA VEZ NA VIDA E PEGUE UM PÉ DE CABRA! – Eu sei que fui malvada, mas a TPM não me deixa sentir culpa. Ouço um resmungão do outro lado, algo como “que garota volúvel”. Limito-me a ficar em silêncio, não quero brigar mais (mais do que já briguei hoje, é claro).
Ouço mais algumas reclamações que nem me preocupo em prestar atenção e pouco tempo depois, percebo que o milagroso pé de cabra se prende nas portas.
É até legal ficar presa aqui...
Mentira, isso é horrível. Eu estou prestes a menstruar, essa porta do elevador não abre, o técnico idiota ainda não chegou e eu já discuti com James e Bitters 19872472098 vezes.
– PRENDEU NÃO FOI? – Berro.
– ELE CONSEGUE TE OUVIR SE VOCÊ FALAR NUM VOLUME CONSIDERAVELMENTE ALTO! KATIE EU ESTOU FICANDO SURTO, SE CONTROLA E PARA DE AGIR COMO UMA CRIANÇA MIMADA! NÃO SABE ESPERAR NÃO? ESSA DESCULPA DE SER CLAUSTROFÓBICA NÃO COLA! A GENTE SABE QUE VOCÊ SÓ ESTÁ FAZENDO DRAMINHA POR CAUSA DE UMA TPM IDIOTA E IRRITANTE, E QUER SABER? EU ESTOU QUASE TE ESGANANDO! – James grita tão alto que me calo e a raiva sobe no meu corpo. Junto com a mágoa.
Eu soluço alto e começo a chorar. Ele me olha com uma expressão de culpa e tenta consertar o erro:
– Desculpa Katie, eu não quis...
– NÃO QUIS DIZER ISSO? SE ESQUEÇA¹ DIAMOND! – Retruco antes mesmo que ele possa falar.
Grito abaixando e prendendo a cabeça nos joelhos, me balançando, tapando os ouvidos. Assustada, e com medo.
– Katie, me perdoa. Eu te amo.
– AMA UMA PORRA! — Carinho, você por aqui? — CALA A BOCA E ME DEIXA CHORAR EM PAZ! – Grito com raiva e ele bufa irritado.
– Você é tão... Teimosa.
– Eu sei. Você já me disse isso uma vez. – Falo engolindo o choro e secando as lágrimas que descem com meu braço.
– Você fica muito linda quando grita comigo. – Sorri com deleite e passa as mãos pelos cabelos, os fazendo balançar com o movimento.
Meu Deus, como resistir a esse sorriso, esses olhos verdes, essa voz sexy e rouca, esses músculos, esse... Esse jeito de me provocar e me deixar com vontade de matar ele?
Antes que eu possa raciocinar, Diamond se aproxima do meu rosto e me beija. Está tudo numa boa, até que sua mão boba chega à minha cintura por debaixo da saia.
Ai se Kendall te pega meu colega.
Ri internamente e tirei a mão dele de lá, e enquanto beijava James, podia sentir seus lábios queimarem minha pele, passarem por meu pescoço, fechei os olhos e permiti ele deixar um chupão no meu pescoço, ele contornou minhas coxas com as mãos e foi descendo os lábios até os meus seios...
– Christopher, pare! – Grito.
– Fica quieta Katie, mostra o que sua mãe te deu! – Ele sorri maliciosamente me empurrando em sua cama.
Fiz o que iria fazer: dei-lhe um tabefe.
– Sua vagabunda! – Ele grita com raiva e me dá outro tapa, me derrubando em seus lençóis.
– SOCORRO! – Grito quando Christopher se joga em cima de mim e tenta tirar meu vestido.
Afasto James depressa, e logo arregalo os olhos. Sinto meu peito arder, sinto a dor do tapa de Christopher, as mãos dele machucando meus braços, me empurrando na parede, me jogando na cama...
– Katie? – Ele pergunta em confusão. Pois tudo estava bem. Muito bem. Bem até demais.
Ouço Bitters gritar um “VOU ABRIR!” e fixo meus olhos para longe de James.
A porta do elevador abre e, nunca, nunca me sinto tão aliviada na minha vida.
– Eu não posso fazer isso. – Falo e saio correndo, vou de escadas para o nosso apartamento e ignoro os gritos de James, e dessa vez, eu consegui ser mais rápida que ele. Abrindo a porta com rapidez, ignorando os olhares dos três garotos que estavam ensaiando uma nova música de Natal.
(...) Uma semana depois (...)
James
Ainda não sei o que aconteceu no elevador. Não sei, mas acho que foi culpa minha... Katie tem me ignorado, olhando-me como se pedisse desculpas por algo. Eu me sentindo culpado e ela me pedindo desculpas. Nem um pouco confuso... Eu não deveria ter pressionado ela tanto assim, mas é tão difícil me controlar perto dela!
Hoje é dia 23. Mas, não é qualquer dia 23, e sim 23 de dezembro. Sra. Knight está eufórica, decorou todo o apartamento com ornamentos natalinos. Jo, Cammie e ela estão trabalhando na ceia, que pelo jeito será impecável. Mas como Gustavo e Kelly irão participar – só Deus sabe o que vai acontecer – ele se ofereceu para preparar o peru. Isso cheira a encrenca, uma belíssima encrenca.
Já gravamos a música de Natal da BTR. All I Want For Christmas Is You, remake em versão bem mais rápida.
A campainha tocou e antes que eu pudesse me dar conta, uma garota de cabelos castanhos passou pela sala como um foguete e acabou tropeçando no tapete e caindo no meu colo (estou sentado no sofá).
– James, desculpa. – Ela balbucia e contenho a vontade de sorrir. Katie é tão perfeita.
Ela pisca os olhos e logo vejo dois braços a puxando violentamente.
– FOCO MINHA GENTE, PORQUE VOCÊS NÃO ESTÃO AGINDO PARA A CEIA? IRRESPONSABILIDADE É UM CÚ. – Kendall grita bufando de raiva. Só estamos os três aqui dentro, então ninguém pode impedir os gritos dele.
– CALMA PORRA, VOCÊ NÃO VIU QUE EU TROPECEI? – Katie berra com raiva.
– TROPEÇOU O ESCAMBAU, O JAMES FICOU BEM ANIMADINHO QUANDO VOCÊ FOI PARAR NO COLO DELE. – Kendall grita de volta, dando um ataque de irmão ciumento.
Simples assim. E eu? Se eu falar alguma coisa aqui os irmãos Knight provavelmente vão me fuzilar com metralhadoras.
Então eu percebo que os dois estão prestes a se fuzilar com metralhadoras. Vish, agora a porra ficou séria.
– PORRA KENDALL, SE CONTROLA! VAI TRANSAR COM A JO! – Katie grita enfurecida.
– NÃO. – Kendall grita de volta. Só eu fiquei meio indignado com essa última frase da Katie?
– FICA POR CIMA DA JO, IDIOTA. – Katie berra contrariada.
– NO MOMENTO EU QUERO FICAR EM CIMA DE OUTRAS PESSOAS. – Kendall me lança um olhar e encara Katie com os olhos cheios de fúria.
– QUE PARTE DO ELA TROPEÇOU VOCÊ NÃO ENTENDEU, PANACA? – É minha vez de gritar.
– AHHH, MAS VOCÊ GOSTOU PORQUE CONFESSOU QUE AMAVA MINHA IRMÃZINHA! – Kendall grita de volta. Babaca, babaca, babaca! Para que inimigos se você tem amigos como o Kendall?
Katie fica vermelha. Ou melhor, roxa, azul, amarela... Vish.
A campainha toca impacientemente, outra vez.
– JÁ VAI PORRA! – Nós três gritamos juntos, então a porta é escancarada por uma pessoa enfurecida.
Sra. Knight. Vish novamente.
– EU DEIXO VOCÊS TRÊS SOZINHOS POR HORINHAS E FICAM FAZENDO BARRACO? – Ela berra irritada jogando as compras que havia feito em cima da mesa.
– CALA A BOCA! – Uma pessoa do apartamento de cima grita.
– Se a gente não parar daqui a pouco o Bitters vem fazer teatrinho. – Katie murmura.
– Ah, e porque você correu que nem uma maluca quando a campainha tocou? – Pergunto com curiosidade, aliviado por ninguém ter contornado a confissão de Kendall (aquele fofoqueiro).
– Estou esperando uma pessoa.
A campainha toca outra vez. Dessa vez tomo atitude e me levantei, abrindo a porta e dando de cara com uma garota mais ou menos da idade da Katie. Cabelos castanho-avermelhados, olhos avelã, pele corada, curvas e tudo no lugar certinho...
GOSTOSA!
Mas a Katie é mais gostosa, desculpa aí novinha.
Só eu me achei meio pedófilo usando a palavra “novinha”?
– SAAAAM! – Katie fala um pouco alto e corre até a “Saaam”.
– Kay Kay! – Ela ri abraçando Katie.
– Você é solteira? – Pergunto e a garota me encara com uma carranca, enquanto Katie bufa.
– Sim.
– Perfeita para o Carlos. – Concluo com medo dos olhares mortais que recebo de Katie.
– Esse Carlos deve ser muito bom mesmo hein? Katie põe pilha nele há semanas! – Sam revira os olhos.
– Você é Rusher?
– A música de vocês é fofinha, mas não. – Sam sorri e Kendall e eu fizemos caretas. Katie dá uma gargalhada.
– Preciso te apresentar para as minhas amigas. – Katie fala arrastando a “Saaaam”.
– E a gente? – Kendall faz bico.
– Ah é, Kendall, Samantha, James, Samantha. Mas chamem-na de Sam ou ela vai dar um soco em vocês. – Katie fala e sai correndo com a amiguinha gata dela.
Ah meu pai, se eu não gostasse da Katie essa castanha tava no papo!
Katie
Sam e eu já estamos no saguão, quando vejo Cammie e Logan se agarrando na beira da piscina.
Que vida hein... Vou te contar...
– Aqueles dois escrotos que estão se engolindo são meus amigos. O Logan da BTR e a Cammie. – Sam apenas dá de ombros e os ignoramos.
Sam foi vai pedir uma água de coco e vou atrás de Logan e Cammie.
– Hey acabou a putaria. – Vou logo cortando o barato.
– Empata foda. – Cammie acusa.
– Vocês estão em público. Não tem vergonha na cara não? – Grunhi.
Só então percebo que Logan fita Sam.
– Olha, aquela é a amiguinha da Katie? — Logan pergunta analisando-a de cima a baixo.
– É, e se você continuar secando ela, não vou te dar um tapa, e sim um chute na bunda. – Cammie cruza os braços e olha na direção da pobre Sam como se pudessem sair lasers de seus olhos.
– Ela é de boa, Cammie. Não surta. E só um avisinho Logie: Sam é do Carlos. – Falo e eles riem.
Sam chega com a água de coco num copo descartável.
– Oi pessoal. – Sorri.
– Hey, já entendemos. Você é a Sam. – Cammie sorri com naturalidade. E pensar que ela queria matar a Sam alguns segundos atrás...
– Bem, isso mesmo. – Sam dá um risinho tímido.
– Eu sou o Logan e ela é Camille. Mas chame-a de Cammie. – Logan fala com tensão. Ele está com medo da namorada ciumenta, terrivelmente ciumenta.
– Oh, tudo bem. – Sam responde.
– Cara... – Logan começa.
– Ela não surtou. – Cammie completa.
– Ela não é Rusher. – Aviso.
– Perdeu Logan, dez pratas na minha mão. – Cammie o cobra e eu reviro os olhos.
– Sam, pode ir ao saguão, já vou com você. – Aviso e a morena sai rapidamente.
– O que você pretende fazer, Katherine? – Logan desafia.
– Vou dar uma de cupido e fazer a Sam e o Carlos ficarem no maior love. – Falo com uma expressão maliciosa no rosto e deixo os dois para trás, rindo. Mas então recuo e encaro Logan friamente. – Logan Mitchell, não se atreva a me chamar de Katherine! – Ralho num sussurro de raiva. Ele finge estar com medo. Isso serve de algo.
Ah sim, Sam vai dormir em casa hoje. E porque ela não passa a ceia com a família? Simples, a família dela não é nada tradicional, e eles não levam essas coisas da cultura natalina a sério.
Quando chego ao saguão, vejo Carlos saindo do elevador enquanto Sam está sentada em um dos bancos.
VIVA!
Corro até o elevador esbarrando nas pessoas e puxo Carlos pela mão.
– Katie, o quê... – Carlos tenta falar, mas o interrompo.
– Mostre todo o seu charme, latino gato. – Dou uma piscadela para ele que arregala os olhos, mas depois ri. Puxo ele pela mão, até chegar onde Sam está sentada.
Eles se encararam por alguns segundos. E do rosto dos dois brotam dois lindos sorrisos. Amor à primeira vista awn.
– Fala com ela seu besta! – Bato nas costas de Carlos que dá um pulo e então se pronuncia:
– Eu sou o Carlos, gracinha. – O moreno dá um sorriso galanteador.
– Eu sou Samantha, mas pode me chamar de Sam. – Ela responde com um sorriso enorme, um de flerte.
– Gosto de Samantha. – Carlos arqueia as sobrancelhas e se atreve a pegar numa das mãos dela, beijando-a cuidadosamente.
Acho que é hora de ir embora.
Vou saindo de fininho, até que duas vozes carregadas de preocupação me chamam.
– Katie, volta aqui. – Sam pede com a voz trêmula.
Ele a desconcertou!
Meu Deus. Eu preciso de um namorado, ou então preciso dormir mais.
– O quê? – Pergunto nervosamente.
– Não me deixe aqui com o latino gost... O Carlos! – Ela fala corando que nem um pimentão. Ela tenta disfarçar, mas nós dois percebemos que ela queria falar “latino gostoso”.
Carlos também cora. Que fofinho!
– Obrigada Sam, mas você é muita areia pro meu caminhãozinho. – Carlos fala apressadamente e Sam ri. Arregalo os olhos.
– Me deixa falar com ele só um instante, okay? – Pergunto para Sam e ela assente. Puxo o braço de Carlos propositalmente cravando minhas unhas em sua pele.
Fomos até o elevador (que exigi que fizessem uma bela manutenção) e empurrei-o na parede, fechando as portas em seguida.
– Ow Katie, James já gosta de você e eu não pego as garotas dos meus amigos, fica a dica. – Carlos fala desconfortavelmente.
– Para de gracinha! – Rosno. – Que história é essa de “muita areia pro meu caminhãozinho”? Carlos, você é muito fofo, mas a Sam é difícil. Você tem que fazer jogo duro e lançar muitas indiretas, nada do tipo “você é muita areia pro meu caminhãozinho”. – Reclamo e ele fica estupefato para a minha irritação.
– Eu gostei dela... – Ele comenta baixo, antes de eu abrir as portas do elevador.
Suspiro.
– Que amor, Carlos. Se todo garoto tivesse só um pouco de você, acho que o mundo estaria salvo. – Falo baixinho e ele ri.
– Você é muito fofa, Katie. Foi por isso que James se apaixonou por você. – Ele sorri com simplicidade.
– E por falar nisso, que história é essa de “Eu amo a Katie”? – Pergunto.
– O James te ama. Desde que voltamos de turnê e você namorava aquele babaca... O mundo dele passou a girar em torno de você. – Carlos comenta como se fosse a coisa mais normal do mundo.
– Ele só está meio apaixonado...
– Não, Katie. Nós já somos homens. Sabemos a diferença entre paixão e amor, e ele te ama. – Uau. Essa é uma das coisas mais maduras que Carlos já me disse...
– Katie? – Ele me chama.
– Quê?
– E você? Gosta dele?
– Eu gosto dele. Eu tenho uma quedinha por ele, mas talvez eu não sinta o que ele sente por mim. E se você contar isso para ele eu juro que vou...
– Me matar. – Ele conclui e abro a boca indignada, mas ele ri.
– Okay... Mas lembre-se do que eu te disse! – Friso e ele faz questão de revirar os olhos.
– Tudo bem. Mas não fale para James que tivemos essa conversa, ou ele vai ficar bravo comigo.
– Minha boca é um túmulo.
– É por isso que você tem mau hálito? – Ele provoca com um sorriso zombeteiro nos lábios.
– Te dou dois segundos para sumir de perto de mim. – Falo me fingindo de brava.
Ele arregala os olhos e dou espaço para ele abrir as portas do elevador. Ele para por um tempo e me encara.
– Corre! – Grunhi. E ele sai correndo, para não deixar ele para trás (ou melhor, para frente) corro também.
Paro assim que Carlos e Sam se esbarram, levando um baita tombo. No meio do saguão. Nem preciso comentar que todos riram muito.
Carlos levanta rapidamente e ajuda Sam a se levantar.
– Obrigada Carlitos! – Ela dá um beijinho na bochecha dele.
Carlos fica parado. Ele dá um sorrisinho e fica lá, sorrindo, parado. Como se estivesse hipnotizado.
Vou até ele e bato as mãos em sua frente – sempre funciona – e ele dá um pulo.
– MASOQ? – Sam pergunta, mas ignoramos. Vamos até o apartamento, e passamos o resto do dia discutindo sobre a ceia. Minha mãe está eufórica.
(...)
Nunca, nunca convide Jo Taylor, Camille e Samantha para uma festa do pijama.
– JÁ SEI! – Jo fala exageradamente alto. Ela está pensando que nós somos surdas?
– O QUÊ? – Cammie a imita, também irritada com o barulho.
– Verdade. Ou. Consequência. – Ela sibila pausadamente com um sorriso malicioso nos lábios.
– Puta que pariu Jo, não temos mais quatorze anos. – Reclamo.
– Cala a boca Katie! – Sam revira os olhos.
– É, eu gostei da ideia. – Cammie também se pronuncia.
– Poxa, três contra uma é sacanagem. – Falo com sarcasmo.
– Cala a boca Katie! – As três falam em uníssono e começam a rir. Bando de amigas da onça.
– Okay, que seja. Vamos começar. Mas nada de apelação! – Aviso antes que as meninas comecem um barraco.
– Tá, tá, que seja! – Jo desce da minha cama, e cada uma de nós pega um travesseiro e um ursinho, sentando em cima do travesseiro e abraçando o ursinho.
– A garrafa! – Jo exclama e pega uma garrafa pet de coca-cola, que já está vazia. Sim, eu e minhas amigas tomamos dois litros de coca-cola em meia hora.
– Ok. Tampa pergunta, base responde. – Cammie fala as regras.
– Tem sabonete? – Sam questiona.
– Eca! – Rio jogando um travesseiro nela.
– Tem sabonete, mas não vai ser só entre a gente. – Cammie responde mordendo os lábios.
– Como assim? – Pergunto.
– Você vai ver.
(...)
Não. Não e não! Convidar os meninos para jogar verdade ou consequência no meu quarto estava fora de cogitação. Mas alguém me escuta? NÃO! Eu quase chamei a mamãe, mas ela riu e só nos fez prometer que em nove meses não iria vir nenhum bebezinho. Cadê o juízo dela? Poxa!
Em ordem, a roda ficou: Eu > Logan > Sam > Kendall > Cammie > Carlos > Jo > James (que consequentemente ficou do meu lado).
– Ok, vale verdade, consequência e sabonete. – Jo garante, e só ela percebe que dou uma olhada em James. – Não se preocupe, já que vocês querem vai ter amasso incluído.
– E a promessa da mamãe vai por água a baixo... – Kendall sorri maliciosamente.
– Quem foi que disse que irresponsabilidade é um cú? – Provoco e ele revira os olhos.
– Detalhes minha cara, detalhes. – Kendall responde como se fosse óbvio.
Cammie gira a garrafa.
Tampa para Carlos e base para Jo.
– Verdade ou consequência? – Ele pergunta sorrindo.
– Sabonete.
– Safada. – Faço questão de rir.
– Os seios da Katie. – Carlos responde com um sorriso triunfante.
– O QUÊ? – Eu, Kendall, Jo e James perguntamos juntos.
– Ela pode amarelar se quiser. – Carlos dá de ombros.
Jo suspira.
Cammie, Sam, Logan e Carlos começam a rir. Jo chega perto de mim e passa a mão por meus seios. Nem preciso dizer que o contato me fez querer matar o Carlos não é?
– Vai ter volta, Garcia. – Estreito os olhos.
Jo gira a garrafa. Tampa: Ela, base: Carlos.
– Macumbeira. – Ele faz bico olhando para mim que apenas rio em resposta.
– Verdade, consequência, sabonete ou amasso? – Jo pergunta com um sorriso estilo Coringa.
– Verdade.
– Covarde... – Murmuro baixo, mas ele ouve.
– Tá tá, Katie fica de boa aí. – Jo revira os olhos. – É verdade que você acha a Sam gostosa?
Essa garota sabe atingir os pontos fracos.
– É. – Ele engole em seco, e Sam fica mais vermelha que um tomate.
– É verdade que você quer pegar na bunda dela? – Jo pergunta de novo e nós todos começamos a rir, até mesmo a Sam, mas acho que é de embaraço.
– É. – Carlos responde firme.
– Ótimo. Você já sabe o que pedir da próxima vez, Carlos. – Jo ri e Carlos revira os olhos, girando a garrafa.
Tampa: Kendall, base: eu.
– Verdade, consequência, sabonete ou amasso?
– Como assim? – Perguntas idiotas! Vocês por aqui?
– Katie minha lerda, qual das quatro opções?
– Consequência. – Respondo rangendo os dentes, com medo da mente maligna do meu irmão.
– Amasso com o James. – Todos começam a rir. Menos eu. E o James, que por seu sorriso parece ter ganhado na loteria.
– Como assim? Pedi consequência!
– Consequência pode incluir uma verdade, amasso ou sabonete. Consequência é tudo, benzinho. – Ele ri.
– Cadê o meu irmão que me preserva?
– É apenas pegação. Se você ultrapassar a linha de baixo, James, eu juro que te mato. – Kendall ameaça.
Reviro os olhos.
– ANDA KATIE! – Cammie incentiva e Logan a olha com indignação.
– Não vou me agarrar com ele, na frente de vocês. – Resmungo.
– Closet. – Logan sugere.
– Closet ou banheiro. – Carlos fala.
– Mas se quiserem se pegar na nossa frente, sabe, só para eu garantir... – Kendall fita James. MAS COMO ASSIM? ELE QUE ME METE NESSA ENCRENCA E... Aff.
– O que você acha, Katie?
– Closet. – Murmuro.
Nós dois nos levantamos, e abro as portas do closet, que não é nem muito pequeno, nem muito grande. Mas tem espaço suficiente para acabarmos fazendo aquilo que a gente quiser.
Fecho as portas do closet, e me certifico de que ninguém irá abri-la. Encaro James por alguns segundos.
– Vocês têm dois minutos! – Kendall alerta.
– Dois minutos para pegação? – E essa é a voz de Jo.
– Alguns bebês vêm de 30 segundos, sabia? – Kendall responde e ignoro.
Está meio escuro, mas tem uma lâmpada no meu closet, acendi e encarei James.
– Vamos acabar logo com isso. – Peço.
Ataco os lábios dele ferozmente, minha língua invade sua boca, incrivelmente quente e macia. James segura minhas coxas e puxa minhas pernas para se enrolarem em sua cintura. Ele me joga contra uma das paredes do espaço pequeno, e empurro um monte de cabides, derrubando as roupas e... AH QUE SE FODAM AS ROUPAS! Continuo beijando ele até perceber que ele está se animando...
– Acabou o tempo! – Muitas vozes se misturam e dou um gemido de frustração. Pelo menos dá para manter a promessa da mamãe, não é?
– Awn... – Dou outro gemido. – Que merda.
– Kaaaatie! Jaaaaames! – Kendall choraminga.
– Já vai caramba! – Respondo. Solto a trava das portas do closet e saio com a cara amarrada.
– Nossa Katie, seus cabelos estão brilhando. – Logan comenta.
– Assim como seus olhos... – Jo responde dando uma ajudinha.
– E as bochechas dela estão bem rosadas! – Sam responde com um risinho.
– James não está muito diferente... – Carlos não perde a oportunidade.
– A pegação fez um bem danado para os dois. – Cammie sorri.
– É, imagina o que mais ia acontecer se eu não tivesse chamado. – Kendall fecha a cara.
– Para de frescura, foi você que me mandou fazer isso. – Respondo dando de ombros, nos sentamos e a brincadeira continua, até James tocar timidamente na minha mão. Sorrio em resposta, e aperto sua mão também.
Giro a garrafa. Tampa: James, base: Sam.
– Verdade ou consequência ou o resto? – Ele pergunta sorrindo (e ainda segurando minha mão).
– Consequência. – Ela dá de ombros.
– Beije o Carlos. Nada de selinho. Língua na língua. – James declara com um sorriso safado.
Pegação te dá genes de taradice?
Sam dá de ombros novamente e engatinha até Carlos. Eu nunca vi esse lado dela, não mesmo. Ela agarra ele pela gola da camisa e dá o beijo mais lascivo que eu já vi na vida, no latino gostoso.
Dá-lhe Sam!
Ela gira a garrafa.
Tampa: Cammie, base: Logan.
Ferrou tudo, agora é um casal.
– Verdade, consequência, sabonete ou amasso? – Ela pergunta com um olhar sugestivo.
– Amasso! – Ele responde travesso.
– Vem meu ursinho! – Cammie chama e reviro os olhos ao apelido. Eles entram no meu closet, e depois de longos dois minutos de puro tédio, eles voltam radiantes.
– Precisamos fazer isso mais vezes... – Ela comenta.
– Vocês fazem isso todos os dias. – Jo estreita os olhos e todos rimos.
Logan gira a garrafa.
Tampa: Logan, base: Kendall.
– Então meu amiguinho... – Logan sorri. – Verdade ou consequência? Ou o resto?
– Verdade. – Kendall sacode a cabeça. Medroso!
– É verdade que você já gostou mais da Lucy que da Jo?
P-a-r-a.T-u-d-o.
Kendall se ferrou IHAIHIAHSIAHSAIHSAIHAIHAI.
Risada psicopata level 1.000.000.
– Claro que não! Eu já gostei muito da Lucy, mas eu nunca a amei. Eu amo, sempre amei e sempre vou amar a Jo. – Kendall responde tão firme, que percebo em seus olhos que é a mais pura verdade.
– Que fofinho! – Jo sorri e se inclina para beijá-lo.
– Que horas são? – Carlos pergunta.
Fito meu pulso rapidamente.
– São 22h38m. – Respondo.
– Você não está usando relógio, Katie. – Ele rebate.
– Exatamente. – Sorrio triunfante.
– Vamos brincar mais um pouco e assistir um filme? – Ele sugere.
– Qualquer coisa. Menos American Pie! – Aviso.
– Tá.
Kendall gira a garrafa.
Tampa: Cammie, base: Carlos.
– O que você vai querer?
– Consequência.
– Dance Gangnam Style. – Carlos arregala os olhos e rio da desgraça dele.
Cammie coloca o celular no último volume em PSY e Carlos começa a fazer a dancinha. Faz tão bem que até dá inveja. Mesmo com essa barulheira toda minha mãe não acorda, ela aprendeu a usar fones desde o dia em que Gustavo dormiu aqui em casa.
Brincamos mais um pouco, e fizemos dois baldes enormes de pipoca, e pegamos duas garrafas de vodka.
Assistimos dois filmes: Madagascar 3 e A Era do Gelo 4. Pelo menos eu assisti tudo, só eu e James ficamos acordados e ele ainda segurava carinhosamente a minha mão. Encostei minha cabeça na curva de seu pescoço e o abracei.
Estava no finalzinho do filme, a parte em que aquele esquilo (se não me engano) conseguiu chegar no paraíso daquela frutinha que eu não lembro o nome (deplorável) e ele fez aquela bagaceira toda que lascou com tudo (?). Eu rio tão alto que todos acordam, grogues, e me olham feio. Volto a cena do filme e eles riem.
Desligo minha TV, e deixo todos dormirem esparramados. Eles que se danem (carinho, amor e amizade, vocês por aqui?) e vou preguiçosamente até minha cama. Sinto um peso vir ao lado do meu, e sorrio quando vejo que é James. Tem razão, talvez eu esteja gostando dele. Mais do que é seguro para mim mesma.
(...)
Acordei com uma dor de cabeça filha da puta. Eu não devia ter bebido, mas todo mundo bebeu e fui na onda deles. O negócio é que vodka é forte, meus caros. E foi vodka pura que nós bebemos. Sinto mãos grandes e quentes brincarem com meu cabelo. Sorrio involuntariamente ao ver James.
– Beijinho da manhã? – Ele pergunta.
– Só depois que eu escovar os dentes. – Aviso e vou até o meu banheiro, faço todo o processo de escovação e limpo a boca. Vou até a cama e fico de joelhos ao lado de James.
– E agora, beijinho? – Ele pergunta.
– Só depois que você escovar os seus dentes. – Brinco.
– Eu já escovei. – Ele faz uma careta fofa.
– Não tem problema, deixamos esse beijinho para outra hora. – Dou uma piscadela e ele arregala os olhos, incrédulo.
Dá-lhe Katie!
Então eu reparo a cena ao meu redor:
Jo, Cammie e Sam estão em fileira, encostadas respectivamente uma nas costas da outra, e Sam abraçava um travesseiro. Elas estão no sofá do meu quarto.
Carlos e Kendall estão esparramados em cima dos travesseiros, e Logan está em posição fetal, no colchão – uma gracinha.
Fico sentada ao lado de James, que está deitado na minha cama. Mamãe abre a porta, segurando uma buzina de gás. Daquelas que fazem um barulho insuportavelmente alto e fodem com seus tímpanos, além de ter um cheiro desgraçado.
Ela encara a mim e James, e nós apenas fazemos o sinal positivo com as mãos – para não mostrar que a bebida fudeu nossas cabeças – e tapamos os ouvidos.
Mamãe aperta a válvula com vontade, e todos dão pulos e começam a praguejar e a tocar as próprias cabeças.
Logan se levantou com a cara fechada.
– Eu fiz xixi na calça! – Que constrangedor.
– Dá um jeito nisso, mas se quiser posso te arranjar umas fraldas... – Mamãe brinca e fecha a porta, nós rimos outra vez e até mesmo Logan (que parece irritado pelas roupas) ri.
Tivemos uma longa manhã de 24 de dezembro. Mesmo de ressaca, com uma puta dor de cabeça – que havia cessado por algum tempo assim que nós tomamos alguns comprimidos –arrumamos o meu quarto, minha cama, meu closet, limpamos a bagunça das louças, e guardamos os DVDs que estavam jogados. Por fim, tudo ficou impecável.
Claro que cada um tomou um banho e se arrumou também, não é? Mamãe disse que cuidaria do resto da ceia, então nosso objetivo era a piscina, teríamos uma hora até subir para a ceia.
Só pensando alto... Somos oito jovens no elevador. Isso por acaso é seguro? Além de apertado isso aqui é extremamente assustador.
Graças a Deus conseguimos chegar lá embaixo.
– Então, piscina? – Pergunto.
– Não. – Kendall responde e mostra as chaves do BTR Móvel.
– Tá brincando né? – Pergunto colocando meus óculos escuros. Estamos em dezembro, mas o clima em Los Angeles continua quente.
– Vamos dar uma passadinha no McDonalds e vamos tomar sorvete. – Kendall garante.
– Tudo bem. – Dou de ombros.
Na frente vão os meninos, e atrás vamos eu e as meninas.
A capota está abaixada mesmo, estamos usando óculos escuros e cantando Windows Down. Isso é tão bom que seja a ser assustadoramente nostálgico.
Vamos até o McDonalds e tomamos sorvete, mas quando estamos voltando, faltando quarenta minutos para a ceia, entramos num engarrafamento enorme.
– ISSO É CULPA SUA! – Jo acusa.
– EU DOU UM JEITO! – Kendall responde irritado.
– UM JEITO É O ESCAMBAU! – Jo grita outra vez.
– Ah, então você dá um jeito, loirinha? – Kendall pergunta agora, sem economizar sarcasmo. Jo parece abalada.
– Kendall, se você atrasar a nossa ceia eu juro que fico um mês sem transar com você.
– POR QUE VOCÊ SEMPRE METE SEXO NAS NOSSAS BRIGAS? – Kendall bufa contrariado.
– Por que vocês sempre metem sexo em tudo? – Pergunto incrédula.
Ficamos vinte minutos em absoluto silêncio até que o engarrafamento cessou. Tivemos que correr até Palm Woods para não perder a hora, ou a mamãe iria arrancar nossas cabeças.
Conseguimos chegar a Palm Woods faltando cinco minutos para o horário combinado. Fomos até o apartamento, (dessa vez em duas viagens, para garantir que o elevador não travasse) e encontramos uma linda mesa arrumada, mamãe, Kelly e Gustavo sentados.
– Feliz Natal cães e gatas! – Gustavo levanta as mãos para cima. Muito mais alegre que o normal. ISSO É SEGURO?
– Feliz Natal! – E foi um “Feliz Natal” por uns três minutos até todos terem se abraçado.
Hoje é véspera de Natal, mas para não ficar de fora resolvi dizer as palavras também.
Nos servimos e colocamos os pratos na mesa, mamãe não deixaria ninguém comer até que ela fizesse o discurso dela.
– E então eu quero agradecer a................... – Não ouvi o resto pois eu realmente não prestei atenção, – Podem se servir e Feliz Natal! – Mamãe deseja e todos se sentam para provar do peru. É uma questão de segundos até que todos cospem a comida da boca e comecem a xingar em todos os palavrões imagináveis o ser que havia preparado aquilo.
Todos lançam olhares odiosos para Gustavo.
– Eu preparei conforme a receita! – Ele se defende.
– Você pegou qual dos potes brancos? – Kelly pergunta.
– O da esquerda.
– Aquilo era sabão em pó! – Ela exclama exasperada. A ceia é um desastre, mas todos começamos a rir. Muito.
– Pessoal, tenho algo para contar para vocês! – Kelly sorri. – Preparem-se, hein! Okay, as Rushers estão eufóricas e já ouviram a demo de All I Want For Christmas Is You do terceiro álbum da BTR. Mas não era bem isso que eu queria contar...
– Então conta logo! – Jo incentiva.
– Eu e Gustavo vamos nos casar!
Para tudo, para mundo que eu quero descer. É isso mesmo produção? Kelly e Gustavo vão se casar?
– É pessoal... – Falo sentindo a dor de cabeça voltar, mesmo depois de nós nos entupirmos de analgésico o efeito é meramente temporário. – Feliz ressaca!
Notas finais
Ah
Feliz Ano Novo ^^
Sim, sou muito atrasada :/
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