Notas iniciais
Quem é vivo sempre aparece, né? No caso eu. Mas quem é morto sempre aparece, também. Eu estava morrendo de saudade dessa galerinha do Segundo Mundo, e de saudade de vocês, também! O motivo da ausência vocês já sabem, e para justificar melhor: esse capítulo é o esperado espetáculo de dança da Casa Daegu, e tenho a felicidade de publicá-lo na semana do MEU PRIMEIRO ESPETÁCULO DE DANÇA! Bom, é, eu faço meus covers aqui e ali, mas é a primeira vez que estarei com um corpo de dança de verdade, não apenas um grupo de cover. O espetáculo Dentrefora é nessa quinta, e domingo tem Anime Hour, onde vou fazer três danças de kpop. Tudo isso vai ter vídeo, vou compartilhar com vocês assim que sair! Mas chega de embromation, bora pra esse espetáculo!

A batalha de B-Day contra Boombayah gerou animação dos dois lados da arena. Os filhos de Suga se divertiram muito nos palcos opostos. Na ponte, eles usaram as passarelas para se unir no Palco Central, e aí mesmo que foi uma festa total: todos dançando juntos e sincronizados antes de começar a pular loucamente animando uns aos outros e ao público, que foi junto na vibe deles.

Depois, eles se curvaram em agradecimento e saíram pelas mesmas passarelas de origem. Enquanto eles iam embora, entravam outras duas turmas nos palcos Leste e Oeste para continuar o espetáculo; era a turma 6 contra a turma 7. Crazy do 4minute contra Rhythm Ta do iKon. Depois dessa segunda performance, Yoongi apareceu no Palco Central.

— Boa noite, pessoal! Sejam bem-vindos a mais um Daegu Dance, hoje com o espetáculo temático de batalhas Roundtable Rival! Esse projeto é bastante especial, certamente o mais importante da nossa Casa Daegu até então. Isso já se nota na arena que montamos especialmente para aderir ao modelo de batalhas, com cinco palcos interligados e visão em 360º para o público. Nosso espetáculo terá duas partes, começando com batalhas entre as turmas masculina e feminina. Na segunda parte, as apresentações femininas e masculinas se confrontam, mas são isoladas. Tá, chega de spoiler. Vamos continuar conferindo os trabalhos esplêndidos das nossas turmas de dança. Se acomodem bem em suas cadeiras giratórias, fiquem atentos às mudanças de palco e tenham um excelente show!

As batalhas seguiram da mesma forma que a segunda: as meninas de duas turmas (8 e 9, por exemplo) iam contra os meninos dessas mesmas turmas. O agrupamento de turmas era a fim de condensar a apresentação e possibilitar mais performances. A 8 e a 9 fizeram Playing With Fire, do Blackpink, no Palco Sul, contra Lotto, do Exo, no Palco Norte. As turmas 10 e 11 mistas entraram no Palco Central com Fire do BTS para finalizar a batalha tripla.

Na sequência, a performance Lost Love trouxe Rumor, do K.A.R.D., contra I Need U, do BTS, mexendo com as turmas 12 e 13 nos palcos Norte e Oeste. Em oposição, as turmas 14 e 15 vieram com Hate, do 4minute, e Monster, do Exo, nos palcos Leste e Sul. As duas batalhas mudaram a configuração frontal da batalha para uma diagonal.

O intervalo foi preenchido com a orquestra e alguns vídeos de making of sem som passando nos telões, uma produção da mais recente ala artística, a cargo de Jungkook: cinema.

Depois do intervalo, vieram as performances isoladas. Começou com as turmas 11, 12 e 13 mistas proporcionando uma grande performance que usou os cinco palcos. A música foi Hola Hola, do K.A.R.D. Logo depois, as meninas da 5 e 6 vieram com Signal, do Twice, em oposição aos meninos que vieram com Baby, do Astro. As turmas 7 e 8 trouxeram Happiness, do Red Velvet, e Love Scenario do iKon. You’re the Best, do Mamamoo, e Very Nice, do Seventeen, foram as escolhas para as turmas 9 e 10. Encerrando essa parte, as turmas 14 e 15 apresentaram I Got a Boy, do Girls Generation, e Dramarama, do Monsta X.

Finalmente, chegou o momento que toda a casa aguardava. Os camarins estavam uma bagunça só com as crianças se amontoando ao redor da tela que transmitia o que estava acontecendo lá em cima ao vivo. Os mentores estavam na cochia, dando os últimos toques nas crianças: aquele cuspe no cabelo, aquela ajeitada melhor no transmissor de som, uma organizada em alguém que estava fora da fila.

Outro vídeo de making of foi projetado no centro enquanto os quatro grupos entravam em seus respectivos palcos sob aplausos. Se posicionaram, se prepararam. Finalmente, era hora do show.

A música começou com a pompa da Orquestra de Daegu. As crianças do Grupo 1 dançaram com organização espacial, sincronia e popping. Todos, inclusive Junggie e Florzinha, usavam ternos com cores vivas. O de Junggie era azul e o de Florzinha era vermelho. Ele começou no seu círculo, e ela à esquerda dele.

A primeira parte, como as outras, tinha só quatro versos. Nos dois primeiros, os dançarinos se mantinham em suas posições de origem. Nos dois últimos, começavam a desenrolar em duas fileiras que passavam para a frente de Junggie e se cruzavam, trocando os lados e voltando para trás para a pose final, um grande desenho em leque formado por todos.

A coreografia do refrão era simples, porém genial. Todos faziam o mesmo movimento, cheio de ritmo. Ao final dele, Florzinha, que já tinha passado para a direita, correu pela passarela Nordeste. Junggie a seguiu, mas ela chegou primeiro e começou a solar no círculo. As roupas ali eram de cetim brilhante. Algumas eram em vários tons de verde, outras brancas. A coreografia era mais delicada nos primeiros versos. Depois, os dançarinos formavam uma parede prendendo Florzinha do lado de fora. Ela terminava a parte deitada em seu próprio círculo.

O refrão era diferente, mas no mesmo estilo (simples e rítmico). Florzinha fazia no chão mesmo, o que a atrasava para correr para o sul. Junggie chegou primeiro.

As roupas do sul eram de dois tipos: um era em tons de azul, com voil pendurado esvoaçando com a coreografia fluida. O outro era preto cheio de penas, imitando pássaros. No terceiro verso, Junggie falava sobre uma roseira e se dirigia a Florzinha à sua direita, estendendo a mão para ela. Cenicamente, ela tentava mordê-lo, sinalizando guerra. O refrão chegou e distraiu Junggie. Antes de seu fim, Florzinha já estava na Passarela Sudoeste.

A quarta performance era mais focada no solo, mas era enaltecida pelos dançarinos dourados. A música falava de instrumentos musicais, presentes na coreografia interacional. Junggie chegou a tocar tambor antes de se posicionar ao lado dela no refrão.

A partir do fim do refrão 4, a orquestra voltava com mais força, trazendo toda a emoção para a grande migração dos quatro grupos para o Palco Central. Junggie e Florzinha foram marchando lado a lado puxando o Grupo 4 com alguns músicos da orquestra. As cores e luzes foram se espalhando pelas passarelas e invadindo o centro, enquanto os solistas dividiam igualmente as seis frases da parte 5. A sétima linha, repetição da sexta, foi cantada pelos dois, assim como o último refrão. Eles estavam bem no centro, onde um círculo começava a elevá-los para que ficassem em evidência mesmo com toda a bagunça organizada ao redor deles: um círculo desfilava em sentido horário, cercado por um círculo maior no sentido anti-horário e assim sucessivamente, formando algo em torno de cinco camadas. O desfile aconteceu no primeiro refrão. Quando ele se repetiu, todos estavam fazendo a coreografia do começo, o que produziu um efeito impressionante.

A finalização foi no último volume da orquestra, com aquela posição final visível de qualquer ângulo. A música foi diminuindo delicadamente, sendo substituída pelos estrondosos aplausos.

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Depois de agradecer, os dançarinos da turma cinco foram se dissipando pelos palcos norte e sul, porque pelas laterais chegavam os próximos: os mentores J-Hope e Suga tiveram o privilégio de assistir ao final de cima dos palcos onde fariam a performance final. Era uma música japonesa agradecendo às crianças pelo trabalho. Todas se amontoaram nos palcos norte e sul para assistir, empolgados, àquilo. Não era todo dia que os dois se arriscavam a cantar para um grande público, e aquela música era para as próprias crianças.

Os mentores vieram puxar as crianças para se arrumarem em fila nos palcos e passarelas cardeais: formaram todos um grande círculo que abraçou o público, coisa que só podia acontecer num palco daqueles.

Depois disso, Suga começou, ali mesmo, na rodinha, mais um discurso, dessa vez de agradecimento pelo trabalho, pela presença…

— Paraê!

Yoongi paralisou, surpreso. Lá do outro lado, no Palco Oeste, Junggie se soltava da corrente e andava um pouco para a frente, ficando em evidência na medida em que seu nervosismo ficava mais aparente.

— Mianhaeyo. É que… Não acabou ainda. Quer dizer... Pai... Será que eu posso... cantar mais uma música?

Suga estava um tanto sem reação. Não que aquilo o deixasse bravo, mas não esperava ser interrompido em um momento tão avulso, muito menos por seu filho. Não esperava que ele fosse se manifestar assim, muito menos pedindo para ter algo que ele vinha evitando: protagonismo. Não esperava que ele fosse pedir para cantar em um show de dança, o que não fazia sentido. Cantar e dançar, tudo bem, mas apenas cantar?

Bom, não era momento para contestar. Um grande público vindo de vários lugares da Coreia do Sul Segundista e todos os habitantes de Omelas esperavam por uma resposta, e certamente deveria ser um sim; uma oportunidade para o príncipe de Omelas. O que mais deu a Yoongi a certeza sobre sua resposta foi o fato de aquele ser um show tão específico: o primeiro de Junggie, o último de Florzinha. Assim como havia sido para ele a última chance de um espetáculo pondo seus filhos frente a frente, era a última chance de Junggie fazer alguma coisa que Yoongi não sabia o que era, mas sabia que não podia negar.

— Claro — disse ele, esboçando um sorriso.

— Beleza — disse Junggie, ajeitando o cabelo com a cabeça baixa enquanto tentava fazer com que sua timidez e seu nervosismo não estivessem tão aparentes. Ergueu a cabeça com um suspiro rápido de coragem. — Oi, galera — disse ele, espontâneo e intimista, ao começar seu caminho pela passarela até o centro. — Meu nome é Min Seokjung. Sou mais conhecido como Junggie ou Príncipe de Omelas, mas nada disso vem ao caso agora. Estamos quase encerrando o Roundtable Rival, o show de dança de Daegu deste ano. Mas, antes, eu gostaria de cantar uma música, uma última performance. Pra isso, vou contar com a ajuda de alguém muito especial para mim: meu tio-avô, Kim Seokjin.

A plataforma circular que tinha no meio do Palco Central estava abaixada. Ela subiu aos poucos revelando Jin em uma cadeira com um violão e um microfone em pedestal à sua frente. Ao lado dele, havia outra cadeira, um pouco mais baixa, onde Junggie se esforçou para subir enquanto Jin cumprimentava a plateia.

— Pessoal, boa noite. É uma honra estar em um espetáculo de Daegu, principalmente sendo a estreia deste superpalco. E principalmente por estar com nosso pequeno príncipe.

Jin sorriu para ele, passando-lhe de volta a palavra.

— Bom, pessoal... É... Essa música... Eu vou cantar para uma pessoa muito importante para mim. Ela com certeza sabe que é pra ela, assim como muitos de nós aqui de Omelas. De qualquer modo, a música é muito bonita. Esperamos que aproveitem.

Jin começou a tocar o violão. A música era 93 Million Miles do Jason Mraz. A letra contava que, em algum lugar, as pessoas se preparavam para receber uma novidade; essa novidade era Florzinha, uma linda luz que partiria dali muito em breve. A música era um recado claro sobre partida e sobre uma possibilidade de retorno que não era necessariamente relacionada a presença, mas sobre saber onde é o seu lar.

Jin tocou durante toda a música e fez até a segunda voz em alguns pontos. Ao final, eles foram aplaudidos pelas quatro plateias e pelo pessoal da Casa Daegu que assistia dos palcos e passarelas cardeais. Yoongi se aproveitou da demora nos aplausos para tentar se recompor um pouco da feliz surpresa. Conseguiu aparentar bastante naturalidade ao retomar o seu discurso. Dessa vez, sem ser interrompido, agradeceu a todos pela presença, pelo apoio de sempre, por terem se deslocado de tão longe em alguns casos para apreciar o espetáculo. Agradeceu aos voluntários da Casa Daegu que sempre davam o melhor para cuidar das crianças, ensiná-las e treiná-las. Agradeceu às crianças de todas as turmas, em especial as de dança, que tinham se apresentado naquele dia. No fim, voltou a se dirigir ao público.

— Sinceramente, devemos agradecer muito a todos vocês que apreciam as artes e os esportes de forma tão significativa. No fundo, é tudo por vocês. O que sempre motiva as crianças a se esforçarem e evoluírem em todos os aspectos possíveis é o fato de que nossas plateias estão cada vez mais cheias, nossos ingressos esgotam cada vez mais rápido e há cada vez mais gente interessada em ver o melhor que eles têm a oferecer. Sempre penso numa forma significativa de recompensar vocês. Para os artistas, a melhor recompensa é sempre o aplauso, o fanchant, aquela coisa de estar cercado de amor e consideração. Bom, esta é a primeira noite no Multipalco 360º, lotado graças ao amor que se multiplica, graças a muitos de vocês que acompanham Daegu desde o início e continuam fazendo isso até hoje, sempre nos cercando de sua presença e seu amor. Hoje, o Multipalco 360º nos proporcionou um espetáculo muito diferente, e é a primeira vez que um palco pode nos proporcionar estar em volta do nosso público tão querido. Hoje, nós estamos felizes por finalmente poder retribuir e cercar vocês com nosso amor, nosso agradecimento, nossa consideração... e nossos aplausos.

O grande círculo que se mantinha fechado de Norte a Norte naquela circunferência gigante se desfez por um tempo; o tempo de um longo e caloroso aplauso de elenco para público que encerrou o Roundtable Rival. A energia circular sempre foi a mais poderosa, afinal.

Notas finais
Vou ver se consigo programar uma postagem pra essa semana ainda, gente... kkkkk