Bubblegum
1 Único - Extra especial
Notas iniciais
Não tenho muito o que falar aqui, não tenho certeza se deveria postar ela ou guardar como todas as coisas que escrevo, mas como tenho uma cisma em fazer fanfics em datas comemorativas (?), não resisti.
Me desculpe se os personagens ficaram OOC. Eu tenho problemas com isso.
E ah, meus conhecimentos sobre flores são o que minha vó me explicou quando criança e o que eu vi na internet depois de uma pesquisa de meia hora, então se tiver algo errado... XD
Espero que gostem de qualquer forma.
Talvez trabalhar numa loja de doces não fosse a ideia mais genial para guardar dinheiro pra sua faculdade, mas Jason até gostava daquilo. Chegava a ser engraçadinho ver o monte de crianças animadas que entravam arrastando suas mães pela mão para comprar algumas balas, ou a quantidade de pessoas que flertavam com ele, deixando-o com as orelhas vermelhas e um sorriso evasivo. Ele tinha que manter seu profissionalismo, afinal.
Mas mais engraçado ainda era o fato de Sally Jackson, sua chefa, dizer que era esse o motivo dela manter Jason: o rapaz era bonito, atraía pessoas.
Pelo olhar dela, Jason ainda não sabia se aquilo era brincadeira ou não.
Além disso, seu emprego tinha sempre uma ou outra vantagem: Sally era mãe de seu melhor amigo e os dois se conheciam desde o ensino fundamental, então eles já tinham se visto muitas vezes antes de a mulher lhe dar o emprego. E deveria ser exatamente por isso que ela sempre deixava-o levar para casa alguns doces de vez em quando, sem falar que era totalmente flexível com seus horários quando precisava fazer outra coisa e teria que chegar mais tarde, ou sair mais cedo.
Outro ponto positivo do seu trabalho era a localização — além de ser quinze minutos de sua casa, ficava numa área comercial bem situada. Do outro lado da rua havia um estúdio de tatuagem que colocava piercings também, a menos de uma quadra havia uma espécie de armazém, as lojas de roupas por ali era incontáveis e claro, tinha a floricultura descendo a rua cuja qual ele passava todo dia pela manhã.
Há quase três meses, quando Jason recém estava começando a trabalhar na loja, ele havia visto ela pela primeira vez. Ele quase se surpreendeu ao ver o letreiro verde azulado escrito PERSEPHONE'S em letras cursivas. Jason lembrava de ter franzido o nariz; além de ter um nome meio clichê, não achava que aquelas coisas ainda davam qualquer lucro. Mas havia um garoto com cabelos negros numa escada podando uma das samambaias, então ele achou que os negócios não deviam ser tão ruim.
Ele sempre passava por lá, da mesma forma que ele todo dia passava pela loja de penhores MERCÚRIO — as pessoas deveriam ter alguma cisma com mitologia naquele lugar — ou o bazar da Sra. Iris. Mas... As coisas naquela floricultura eram apenas... diferentes. Seu olhar era sempre atraído para lá, mesmo que não intencionalmente.
E conforme o tempo ele notou os dois jovens que trabalhavam ali. Mais do que devia, para ser sincero.
O garoto, o mesmo que aparou a samambaia e parecia fazer isso todas as manhãs, tinha em média um metro e setenta e cinco centímetros, talvez sendo um ano ou dois mais novo que si. Ele era esguio, tinha dedos finos e longos e sempre mantinha seu cabelo negro preso. Sua pele era pálida, tinha olheiras abaixo dos seus olhos negros e alguns piercings nas orelhas. Juntando tudo isso e as roupas negras que sempre usava sob o avental branco, o rapaz não fazia o tipo de pessoa que Jason achava trabalhar num lugar daqueles.
Já a garota era ainda mais baixa, não passando de um metro e sessenta centímetros. Ela tinha pele escura, olhos tão dourados quanto a armação dos seus próprios óculos — que tanto foram zoados no ensino médio porque de acordo com seus amigos não Jason, seus óculos definitivamente não parecem com ouro (mas os olhos da garota pareciam) —, cabelos castanhos e costumava sorrir para as pessoas que passavam na rua. Ela sempre usava roupas claras sob o avental branco idêntico ao do garoto, e por várias vezes Jason tinha a visto com uma tiara de flores.
Claramente aquela dupla não tinha nada em comum, mesmo parecendo gostarem muito um do outro.
Talvez fosse realmente mal educado da sua parte encarar aqueles dois independentemente de eles estarem na rua ou dentro da loja — quando isso acontecia espremia seus olhos pra ver através da vidraça. O pior de tudo que ele não demorou para ele perceber que seu real interesse estava num certo rapaz de cabelos negros que estavam sempre com folhas...
Provavelmente aquilo era um coisa muito ruim, já que a última vez que ele sentiu essa necessidade de olhar tanto para alguém que realmente conseguia prender sua atenção fora com Piper McLean na época em que eles namoravam sério, e isso fazia pelo menos dois anos; mas mesmo assim nem era tão intenso. É claro que Jason tinha ido em alguns encontros que Percy bolava para a si, mas ele nunca conseguia se interessar pelas pessoas a sua frente, independentemente de elas trabalharem num escritório de advocacia ou serem professoras ativistas. Entretanto, apenas ao ver um rapaz que mais parecia ter saído de um desenho do Tim Burton e trabalhava numa floricultura aleatória, ele simplesmente não podia tirar seus olhos dele.
O pior era que Jason sequer tinha notado quando sua obsessão — o loiro ainda não tinha encontrado a palavra certa para chamar aquilo — começou a florescer. E quando menos esperava, começou a sentir que apenas observá-lo não era o suficiente. Jason queria se aproximar dele, saber seu nome, falar com ele e todas essas coisas.
Foi por isso que depois de três meses de observar o garoto — e a garota também em certo ponto — como um stalker estranho, decidiu que era o suficiente.
Com o plano mais estúpido do mundo — que nem chegava a ser um plano —, Jason entrou na floricultura depois do seu turno na loja de doces, já que eles ficavam até quase uma hora a mais abertos.
Logo aquele cheiro de várias flores atingiu seu nariz e o loiro resistiu a vontade de espirrar. Mesmo assim era um local bonito com várias plantas que ele sequer conhecia.
Seus olhos azulados logo se voltaram para o balcão, onde o garoto moreno encontrava-se lendo alguma HQ que ele não conseguia ver o nome. Alguns filetes de luz entravam pela vidraça iluminando o rosto claro.
Ele tinha sardas.
E mesmo com suas feições angulosas, Jason achou-o incrivelmente bonito, num jeito diferente.
O loiro realmente queria seguir seu plano. Ele queria cumprimentá-lo. Perguntar seu nome. Conhecer seus gostos. Chamá-lo para tomar um café quando fechasse a loja.
Mas diferente da crença popular, não era assim tão corajoso quanto parecia e se sentia intimidado fácil dependendo da pessoa mesmo que tentasse manter a pose. Nem chegava a ser surpresa quando o máximo que saiu da sua boca foi um:
— Uh... Hã...
Mas bastou isso para o rapaz desviar seus olhos escuros dos seus quadrinhos.
— Posso ajudar? — Perguntou em um tom cordial.
E então ele entrou um pânico.
— Eu... Hum...
O moreno apenas revirou os olhos, como se aquilo fosse comum.
— Se você quiser rosas, elas estão na estante do outro lado daqui, só se virar para vê-las. Se quiser um buquê, temos alguns prontos lá, mas se quiser fazer um em especial para sua namorada e quiser ajuda, só me chamar. — Informou entediado, quase mecanicamente.
— Eu... Eu... Não! — Jason exclamou, enquanto o rapaz arqueava uma de suas sobrancelhas. — Quero dizer... Eu não tenho namorada. É. Eu só...
— Quer flores para alguém doente, então?
— ... fui a um encontro realmente ruim e queria me desculpar de alguma forma com a pessoa. — Completou Jason, se arrependendo logo em seguida do que falou. Bem, pelo menos não era totalmente mentira. Jason só tinha tido encontro ruins ultimamente, mas...
O mais novo pareceu entender. Ele deu um aceno simpático, fazendo um gesto para Jason o seguir.
— Se você quer pedir desculpas por alguma briga, sugiro levar cíclames. Vermelho para namoradas, branco para outra pessoa. Ou você pode levar jacintos púrpuras, que significa quando você lamenta por algo. Isso se quiseres ir pelo significado das flores, mas pode levar qualquer outro tipo se você souber que a pessoa gosta... — E assim ele continuou falando, apontando para as flores que tinha citado e algumas outras que provavelmente eram os tipos que as pessoas mais gostavam geralmente, tirando rosas. Ok, agora sim ele fazia o tipo de pessoa que trabalhava em uma floricultura.
— Eu... Eu vou levar os jacintos. É. — O loiro interrompeu em algum ponto, enquanto o outro assentiu e os dois foram para a prateleira onde estavam. O garoto, a pedido de Jason que não fazia a mínima ideia do que estava fazendo e tinha medo de estragar as flores se tocasse, fez um pequeno arranjo e entregou-o para o mais alto. Dali, os dois foram para o caixa.
— E então... Como é o seu nome? — Jason perguntou sem resistir, observando o outro garoto anotar algo em seu caderno antes do mais alto entregar o dinheiro pelo buquê. Ele ignorou o sentimento estranho que surgia no seu estômago por ter mentido, mesmo que fosse por algo aparentemente bobo.
O moreno olhou para o outro por cima da sua franja com uma careta. Ele realmente pareceu pronto para dar uma reposta ácida, mas em algum momento deve ter se lembrado que deveria tratar os clientes com respeito e respondeu sem muita vontade:
— Nico di Angelo.
— Sou Jason Grace.
— Hã... Prazer? — O moreno, Nico, falou incerto e Jason apenas assentiu.
— A floricultura é sua?
— Uh... Ah, não. — Respondeu meio desconfortável. — Ela é da minha madrasta, mas como nem vem mais tanto aqui apenas Hazel e eu cuidamos da floricultura. Ganhamos boas comissões.
Provavelmente ele guardava dinheiro para faculdade também, o loiro deduziu.
Ele ficou em silêncio, Hazel provavelmente era a garota morena simpática.
— Sua namorada? — Perguntou com uma casualidade quase forçada.
Nico logo fez uma careta.
— Minha irmã. — Corrigiu. Mas quando viu que Jason estava prestes a se desculpar pelo erro, emendou: — Mas nós recebemos muito isso, então em algum ponto paramos de ligar. — Ele recontou o troco de Jason antes de o entregar. — Pronto. Volte sempre. E ah, eu já escrevi um bilhete de "me desculpe" também para você. Acho que garotas gostam dessas coisas.
Jason assentiu, não comentando sobre o bilhete quando Nico o estendeu. Acenou para o garoto moreno, porque com certeza ele voltaria.
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E foi dessa forma que o tempo foi passando. As estações começaram a mudar, tanto a floricultura quanto a loja de doces sofreram reformas, mas uma coisa que não mudou foi o fato de Jason começar a frequentar cada vez mais o local de trabalho de Nico e Hazel.
Inicialmente, Jason continuou indo para lá com a desculpa de comprar flores para as pessoas com quem ele teve um encontro fracassado. É óbvio que sua consciência pesava cada vez mais por isso, mas conforme o tempo se passava ele aprendeu apenas a... ignorar.
Um dia ele falaria tudo. Talvez.
Hazel, no final de contas, era tão doce quanto parecia. Conversar com ela parecia mais simples também, visto que ela não parecia se manter tão na defensiva e nem ser tão grosseira por natureza, mesmo que tivesse o apelidado de coisas como "futuro solteirão", as quais Jason apenas respondia com um sorriso amarelo. Depois disso toda vez que ele ia lá e se deparava com os dois irmãos, não demorava a se juntar a conversa que era apenas interrompida quando chegava um novo cliente ou quando Hazel e Nico diziam que iam fechar.
Ou, claro, quando ele precisava manter as aparências e levar flores.
Conforme o tempo foi passando, o moreno pareceu relaxar mais em volta de si também. Claro que ele continuava arisco e até meio grosso às vezes, mas Hazel um dia tinha confidenciado para Jason que na maioria das vezes Nico não fazia aqueles comentários com intensão. Ele não costumava medir suas palavras e isso fazia-o soar como um otário.
Além disso, Jason aprendeu várias coisas sobre o garoto também; como o fato de ele gostar de desenhar por não saber se comunicar mesmo que nem fosse tão bom assim (era o que Nico dizia), que quando mais novo tinha TOC e mesmo estando melhor ainda costumava arrumar bem suas coisas e tinha mania de separar sua comida, e também era por isso que Nico estava sempre limpando os óculos de Jason ou ajeitando-o em seu rosto com uma careta desgostosa (e Jason não podia mentir que gostava um pouco demais daquilo), ou como também achava os filmes de terror ridículos demais, era um grande nerd, era italiano e gay, muito gay...
A forma em que eles começaram a se dar bem era até incrível depois que Nico apenas se acostumou com o fato do loiro ter basicamente se forçado em sua vida, e por isso nem demorou para o mais novo começar a frequentar tanto a loja de doces quanto Jason ia à floricultura. Quando o tempo começou a esfriar, Nico começou a aparecer para comprar chocolate quente para si mesmo e sua irmã, ou apenas para comer qualquer porcaria. Aparentemente, tinha um fraco terrível por doces.
Em algum ponto o outro até conheceu Percy, que apenas lançou um olhar para Jason como se dissesse que entendia suas reais intenções, o que de certa forma não fora mentira pela quantidade de vezes que ele balançou as sobrancelhas de uma forma sugestiva ou apenas lançou olhares maliciosos pra Jason.
O loiro estava realmente contente com isso, com toda a convivência que tinha com o garoto que antes era mais que um desconhecido. Claro que ele ainda tinha vontade de segurar na mão de Nico e quando ele dava um daqueles sorrisinhos de canto Jason ficava com uma vontade de beijá-lo até seus lábios incharem.
Um tanto patético, mas...
O fato era que Jason conseguia controlar a sua vontade de agarrar Nico a cada momento que eles se viam. Mas sobre ser discreto era outra coisa. Percy sabia do que ele sentia. Hazel, pelos olhares que lançava a Jason sempre que ele falava com Nico, também. Até Sally, que só viu Nico uma vez, perguntou em algum ponto "e então, querido? Quanto tempo você namora com o garoto de cabelo preto? Vocês combinam, fico tão feliz por ter alguém!".
Ver que todas as pessoas simplesmente tinham certeza de que ele e Nico eram — ou poderiam — ser alguma coisa dava-o um pouco de esperança. Era provável que Nico gostasse de si também — Jason sabia que não era feio, pelo contrário, ele tinha um belo par de "olhos azuis tempestuosos", cabelos "dourados e sedosos", uma "cicatriz no lábio inferior que realmente é beijável" e uma "bunda matadora".
É claro que fora Percy quem tinha dito isso tudo, mas se ele fosse tão bom quanto seu amigo — que em algum ponto até parou de soar convincente — parecia achar, talvez ele teria uma boa chance.
Mas toda vez que ele tentava chamar Nico apenas para jantar, nem que seja na merda do McDonald's que o moreno tanto gostava, as palavras simplesmente não saiam.
E tudo isso ficava pior por ser Valentine's Day.
Tudo bem, os negócios da loja estavam melhores do que nunca, tanto que a Sra. Jackson até ofereceu pagar hora extra para Jason se ele ficasse um pouco mais cuidando das coisas naquele maldito dia. O loiro aceitou por causa do dinheiro a mais, mas se ele soubesse que as coisas terminariam no que deu...
Ele simplesmente estava cheio de dar sorrisos falsos para os casais que entravam e aproveitavam para tomar chocolate quente juntos, fazendo juras de amor baixinho que o faziam querer vomitar, ou comprando os bichinhos de pelúcia com aquelas almofadas vermelhas de EU AMO VOCÊ que vinha numa cesta com bombons. Não conseguia mais ouvir as exclamações de "Amor, olha que fofo!" e os sorrisos melosos que um dirigia para o outro quando se compravam ainda mais chocolate. Jason também não aguentava mais ver os cartazes vermelhos com rosa — de muito mau gosto — espalhados por aí, incentivando as pessoas a se declararem ou anunciando descontos para casais e... Ugh. Chega, né? Ver toda aquela melação, além de o deixar enjoado, deixava-o amargo porque ele e Nico poderiam ser um daqueles casais nojentos.
O loiro se debruçou no balcão, observando as costas do garoto ruivo meio manco se afastarem. Ele estava tão nervoso que chegava a ser engraçado, mas nem pode se prolongar muito nisso porque logo uma garota loira entrou no lojinha. Ele ajudou-a escolher o tipo de chocolate pacientemente, enquanto via um casal olhando as balas. Eram duas garotas sendo que a mais alta segurava uma rosa laranja; isso fez Jason se perguntar se a floricultura também estava tão movimentada assim.
Ele atendeu mais meia dúzia de pessoas antes de notar que estava quase na hora de fechar. Foi com satisfação que só apareceu mais um garoto desesperado naquele meio tempo, levando chocolate com menta. O loiro não sabia como as pessoas conseguiam gostar daquilo.
Suspirou quando notou a hora chegar, agradecendo por isso. Deu uma organizada de leve no local e se certificou que os potes estavam bem tampados, antes de voltar para trás do balcão e começar a tirar seu avental.
Todavia, não demorou para ele ouvir o sininho da porta tocar.
O loiro revirou os olhos. Sempre tem.
— Desculpa — falou sem nem olhar para o cliente —, mas estamos fechados.
— Ora, não vai abrir nem uma exceção para mim? — Jason não precisava nem olhar para a figura para saber quem era o dono daquela voz.
— Nico... — Murmurou o nome, olhando para o garoto que apenas deu um daqueles sorrisos de canto.
Jason se surpreendeu ao ver que o de olhos escuros, naquele momento, não estava com o cabelo preso ou com folhas entre as madeixas negras. Ele nunca tinha o visto de cabelo solto, mas gostou, mesmo que fosse um pouco longo para seu padrão. O mais novo também não estava usando avental obviamente porém usava seu costumeiro all star velho, as calças pretas e uma camisa azul escura também. E por cima ele usava um jaqueta de aviador que ficava um pouco grande em seu corpo.
— Hora extra? — Questionou. — Estranhei não ter aparecido.
Nico falou como se não fosse nada, mas mesmo assim Jason lutou contra a queimação no seu estômago pela frase do outro.
Talvez ele realmente se importasse mais do que deixava transparecer.
— Algo assim.
Nico andou pelas prateleiras, principalmente nas de chocolate para dar pra alguém especial. Jason sentiu seu coração falhar uma batida ao ver o garoto pegar uma das embalagens, andando ao caixa.
— Vou querer essa.
Jason apenas assentiu, batendo nas teclas da máquina. Ele tentou disfarçar a decepção ao ver que Nico provavelmente iria a um encontro pela noite e daria a caixa para seu namorado. Era claro que ele namorava, mesmo que nunca falasse sobre sua vida amorosa, não tinha como alguém como ele não ter alguém e...
Aquilo não deveria doer tanto assim.
— E eu não ganho chocolate? — Jason se ouviu falar, quase entrando em pânico ao notar que ele não deveria falar o que estava pensando. Era demais. — Nem obrigatórios?
E okay, talvez sua voz tenha saído um pouco decepcionada.
Nico pareceu se divertir com a pergunta.
— Que tipo de pessoa seria eu se deixasse o "futuro solteirão" sem nada? Aposto que você ainda vai arruinar seu encontro de hoje. Hazel e eu apostamos como já. — Brincou.
Ele mexeu nos bolsos do casaco tirando de lá um saquinho com alguns bombons — pareciam ser caseiros, e ao constatar aquilo o loiro quase se esqueceu do que Nico tinha dito. E de que ele estava comprando chocolates para alguém, porque... Wow, o italiano estava dando chocolates caseiro para ele, não para o seu namorado.
Talvez ele não namorasse e os chocolates fossem de brincadeira...
Nico deu o pacote para ele enquanto pegava sua sacola da mão de Jason.
Ele acenou com a cabeça para Jason e andou até a porta. Abriu-a, mas antes de sair, olhou para o de óculos por cima do ombro:
— Non sono così obbligatorio.
Jason ainda encarou o lugar por onde Nico tinha saído, tentando entender o que tinha dito. Ele desviou o olhar para o pacotinho em sua mão e abriu-o sem mais delongas, notando que no meio havia uma embalagem de chiclete com um papel preso. Ele se perguntou como não tinha notado antes.
Destacou o papel e não conseguiu evitar o sorriso idiota que se espalhava em seu rosto ao ler que estava escrito CHICLETE EXTRA: PORQUE VOCÊ É EXTRA ESPECIAL PRA MIM com aquela caligrafia que mesmo desleixada conseguia ser bonita que só Nico parecia ter.
Seu coração começou a martelar no seu peito, e Jason se perguntou se sua boca ficaria repuxada eternamente naquele sorriso que fazia os cantos da sua boca doerem.
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Jason encarou mais uma vez a porta da floricultura, sentindo suas mãos suarem mesmo com o clima mais fresco. Ele limpou-as nas calças, checando mais uma vez sua roupa.
Naquele dia o loiro tinha colocado um efeito a mais nas coisas que vestia, usando agora uma calça azul escura, uma camisa roxa e jaqueta por cima. E talvez ele também tenha colocado quase a metade do seu melhor perfume também.
Só esperava que Nico notasse.
Suspirou mais uma vez com resignação, pensando que se não fosse naquele momento, nunca mais o faria.
Ele entrou na floricultura e logo Hazel — que estava usando sua costumeira blusa verde água, o avental e o lenço branco na cabeça — fincou seus olhos no rapaz, dando-lhe um sorriso caloroso.
— Achei que não ia aparecer nunca. — Falou sorrindo. — Vou chamar Nico.
Jason não contestou.
Ela foi para os fundos da loja e em menos de um minuto Nico apareceu, limpando suas mãos que estavam com terra no avental. Ele olhou para Jason da cabeça aos pés, mas não comentou nada sobre o seu visual.
Talvez ele tenha ficado um pouco decepcionado.
— E então? Arruinou seu encontro ontem? — Perguntou com um sorriso falso. Jason apenas deu de ombros, ocultando a parte de ele na verdade ter passado a noite comendo os chocolates de Nico e balas que Sally tinha o dado enquanto via os especiais de comédia romântica.
— Que flores me recomenda?
Nico arqueou uma sobrancelha, tirando sua franja dos olhos.
— Olha, acho que você sabe muito bem que flores se dão por desculpas e...
— Não. — Jason o cortou. — Eu não formulei direito a frase. Hã... Que flores você gosta?
— Hã... Eu? — O moreno perguntou cético, apontando seu dedo para si.
— É. Você.
O garoto pareceu perdido por uns instantes, antes de dar de ombros.
— Bem... Gosto de tulipas? É. Acho que sim.
Jason assentiu.
— Que cor?
— Roxas, mas como significam paz, sugiro que pegue as brancas porque elas também são de perdão...
— Eu quero um buquê das roxas, se você gosta.
Nico assentiu lentamente, dizendo que ia fazer o arranjo.
Voltou pouco tempo depois, já com o bilhete e uma caneta para acompanhar as flores. Ele deu o buquê para Jason e limpou suas mãos novamente, antes de voltar para trás do balcão, se debruçando nele. Encostou a caneta na folha, tomando cuidado para não manchar.
— Quer que eu escreva algo além do "me desculpe" costumeiro? — Questionou.
— Na verdade, sim.
Jason exalou pesadamente, pedindo com todas as suas forças para qualquer deus para não travar. Nico esperou-o pacientemente, sem nenhum comentário. Chegava até a ser estranho.
— Escreva, por favor, um "eu venho aqui quase todos os dias e pelo menos uma vez por semana comprar flores para supostos encontros fracassados que na real nunca aconteceram, ou melhor, eu nunca realmente precisei comprar flores. Antes mesmo de começar a frequentar aqui eu passava pela loja todo dia por ser caminho do meu trabalho, como você sabe, e sempre reparei em você e sua irmã. Principalmente em você, porque eu meio que te achava bonito. Tipo, nossa, muito bonito. Mas eu nunca soube o que fazer porque quando entrei aqui pela primeira vez, perdi a coragem de te chamar para sair e comecei a mentir, como já disse provavelmente e agora eu tenho certeza que quase todas as pessoas que moram no meu prédio já receberam um buquê de flores. Eu sei que isso é extremamente ridículo e estúpido mas eu continuei com tudo isso porque eu queria ouvir sua voz e falar com você e... e... Ontem quando você foi na loja eu quase tive uma síncope em pensar que você tinha alguém para dar os chocolates, mas então você me deu aquele chiclete e bem, eu... hã... — Jason parou seu falatório, pensando no que faria a seguir. Ele deixou seus olhos se fixarem na boca entreaberta de Nico, sem ligar para como o garoto parecia surpreso com tudo aquilo. — Oh meu Deus, eu realmente queria te beijar agora. Espera, não. Eu queria te chamar para sair só. Mas eu também quero te beijar, mas... Ah, espera. Olha, eu realmente sinto muito se te fiz desconfortável e droga, eu deveria me calar agora e deixar você escrever".
Jason sentiu-se ofegante depois de falar tudo aquilo, principalmente as coisas que não devia. Ele nunca tinha se atrapalhado tanto e as chances de ele ter ferrado tudo eram mais de a metade. E seu estado não melhorava em nada com Nico apenas o encarando perdido com a boca ainda entreaberta, absorvendo tudo que o loiro tinha o dito.
Talvez, naquele momento, o mais velho tinha apertado um pouco forte demais o caule das flores que pretendia dar para o moreno.
Nico limpou a garganta quando, do nada, seu rosto começou a ficar vermelho. Tudo estava queimando, até suas orelhas, e Jason sentiu aquilo refletindo em si também.
Ele não parecia estar surpreso com a revelação. Era como se algo em seu interior já soubesse disso — nenhuma surpresa ao pensar no quão óbvio estava sendo —, mas ainda parecia ser algo que ele precisava de pelo menos alguns segundos para digerir.
Mesmo com tudo isso, Jason se perguntava o porquê de ele ainda não ter se atirado da vidraça.
— Eu... Acho que isso não vai caber no bilhete. — Falou Nico com a voz um pouco esganiçada, logo fazendo uma careta ao se ouvir.
O loiro umedeceu os lábios.
— E os chocolates de ontem? — Jason perguntou baixinho, como se estivesse fofocando.
— Comprei pra mim mesmo. Gosto de chocolate com cereja. E como sabia que ninguém me daria qualquer coisa... — O moreno murmurou de volta, e mesmo a frase tendo soado um pouco ácida, seu tom de voz era neutro.
— Ah... — Jason quase não conseguia falar sobre seu alívio. Sem dizer nada ele estendeu as flores para o outro garoto, que deu um sorriso de canto e deixou-as no balcão, agradecendo.
Os dois ficaram se encarando sem graça por alguns segundos. Jason olhou por cima do ombro de Nico e notou Hazel parada lá, apenas gesticulando como se disse "apenas beije esse moleque, droga".
E Jason assim o fez sem nem contestar.
Nico pareceu endurecer quando seus lábios entraram em contato pela primeira vez, mas logo relaxou e começou a retribuir. Eles se beijaram meio sem jeito e nem aprofundaram o contato, mas Jason sentiu-se quente demais por isso. Suas mãos tremiam e seu coração batia rápido, sem falar que o loiro jurava que a qualquer segundo poderia cair.
E o moreno não parecia estar diferente, visto como ele segurava seu braço.
Os dois se separaram alguns segundos depois, e Jason continuava sentir-se sem fôlego.
Eles sorriram um para o outro daquela forma boba que Jason dizia que o dava enjoo, antes de falar novamente para Nico:
— Será que eu tenho uma chance de te provar que sou um bom acompanhante?
O sorriso de Nico apenas alargou e ele roçou novamente os lábios dos dois, dessa vez passando um dos seus braços pelo pescoço do garoto.
— Totalmente.
Notas finais
Obrigada a todos que leram, independentemente se vão deixar comentários ou não. c:
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