Não. Não. Por favor. Silencie. Eles cospem no meu ouvido, querem que eu escreva, tornei-me um escravo de meus sentimentos, no azul escuro. Profundo. Descrevo-me como um navio de fundo falso, onde os furos são fantasiados por retalhos, por pressões baixas e densidades altas. O céu é tão lindo, a queda é tão rica, se faço de meu favor um rei, faço da minha recusa minha terra. Abnego a fossa, durmo no escuro e beijo no claro, uma mulher estranha, perfeita e mortal... Desinteressante e fugaz, inexistente.
Sou debutante de um jogo de disputa, onde o mal não existe, e a ignorância é 70 %, 30 % sintonia e o resto catatonia. Permaneço. Cavo. Enterro. Renasço. A bateria acaba, que demoro desligar, minhas pálpebras descansam, voluntario a dormir, involuntário a servir. Ouço vozes, quero sussurros de socorro, e abraços reconfortantes, soa surreal, ecoa temporal.
Chove estacas, cai vampiros, tubos e auréolas preenchendo o infinito, em uma dança melódica sem tempo de riso e nem de mitos. Sopa de letras, onde após o caldo há um vocabulário a ser descoberto. Descubro. Saqueio. Prendo-me. Soqueio. Martírio, esse é o nome.
Capões e pianos, em uma orquestra magistral, beirando o abismo da ilusão e dando descarga, desbrava a bravura. Gravura. Desanimo. Sofro como todos. Devo dormir, não há antídoto para a minha cura. Não há doenças, há doentes. E sono, muito sono.


FIM
23/11/2014

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