Brothers
2 Irmãos
Irmãos [Data: 07/12/2189 – Local: Colônia de Povoamento “Heaven\'s Edge” — Gamma III] Dor, agonia, sofrimento, sangue e finalmente, sorrisos. Foi assim que meu pai descreveu a hora em que nasci. Minha mãe só me viu naquele breve momento, antes de sofrer uma parada cardiorrespiratória e uma hemorragia séria, graças ao idiota aqui...
Meu pai, um oficial aposentado das forças colonizadoras, conhecida como SkyOPS, que me criou desde aquele momento. Eu lembro que ele escolheu o nome do homem que salvou a vida dele num dia em combate, Kyle, e o sobrenome da minha mãe, Wnyr. Ele dizia que não queria que o filho carregasse o sobrenome dele, pois a família era podre em algumas partes, ele queria me deixar fora, limpo de tudo isso. Somente depois acabei agradecendo por isso...
Mesmo naquela pequena colônia, eu tinha alguns “amigos”, porém como todo “amigo” (que mais parecem simples conhecidos), eles me deixavam ouvindo os sermões sozinho pelo que ELES aprontavam... Isso sempre fez da minha vida um pouco pior...
Porém, um garoto sempre ficava lá e também ouvia os incansáveis sermões... “Amigos não fogem na hora que o bicho pega, né?” – Ele dizia. Seu nome era Alyx Yrm, tinha 7 anos ( e eu, 5 ou 6). Ele não era meu parente, nem nada, mas sempre tomava conta de mim. Ele me contou que tinha perdido a família quando era mais novo e que vivia com a tia, que estava ruim de saúde. Disse que via em mim o irmão que tinha perdido e queria poder me ajudar a sair dessas encrencas...
Eu tinha 9 anos quando a tia do Alyx morreu. Ele ficou muito mal, porém nem por isso deixou de ir ajudar na manutenção da colônia (desde os 10 ele trabalhava ajudando no armazém da colônia e na manutenção de itens básicos, como ferramentas leves). Eu acabei convencendo meu pai deixar o Alyx “passar um tempo” em casa, afinal, a única pessoa que cuidava dele tinha morrido... E assim, aos 9 anos de idade eu ganhei um irmão mais velho.
Mas nem tudo são flores na vida né? E isso se estendeu a mim e ao meu irmão. Às vezes brigávamos por coisas sem sentido, por exemplo, quem jogaria mais tempo no videogame ou quem comeria o ultimo pacote de bolacha do armário (garotos serão sempre garotos, até hoje ainda brigamos por coisas inúteis, como quem vai ficar com a última latinha da geladeira...). O pior foi quando tinha 15 anos. Num belo dia, durante uma aula de tiro (nós começávamos a aprender a atirar com 12, porém recebíamos armas de verdade para treinar só aos 15, e portar mesmo, só aos 18), nós conhecemos a garota mais linda de toda a colônia. Tá, ela não era tudo aquilo de corpo, o “conjunto da obra” (como diria meu pai) era a mais linda que já tínhamos visto na vida. Lindos olhos azuis, cabelos castanhos que desciam até o meio da costa, um jeito todo especial de andar, e o perfume, aquele perfume que não se espera que uma garota de 15 anos use (ah, bons tempos aqueles!)...
Você já deve ter desconfiado que no fim da contas, quem saiu com ela fui eu, que beijou ela fui eu, quem se divertiu muito naquele dia com a garota mais bonita da colônia toda fui EU... E quem teve o dente quebrado pelo irmão mais velho, teve que limpar a casa toda (depois de ter o dente quebrado, lógico!) sangrando e com cara de ódio, quem teve de ver o irmão beijar a cantora mais foda que já existiu na face da galáxia fui EU também (Ainda te bato Alyx! Só espera eu ficar mais forte que você... EPIC FAIL!)...
Voltando (agora é sério!), quando nós fizemos 18 anos, ambos nos alistamos para servir como soldados na SkyOPS, mesmo que meu pai falasse que não era um bom serviço e que havia milhões de oportunidades melhores para dois jovens da nossa idade... Mas já estava decidido, acabamos entrando para as forças colonizadoras...
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