Brothers

2 Resistência


Noah Moore
14/15 de Setembro

Chegando na Área 2, vejo milhares de jovens como eu se alinhando um atrás do outro para entrar na base. Há o dobro de soldados espalhados, procuro meu irmão nessa multidão de homens com armas e roupas camufladas, mas nada.

Tudo que acontecer hoje será transmitido para a TV de todas as Áreas e depois será queimado, o motivo? Não sei ao certo. Acho que é para evitar manipulação desses vídeos, coisa assim.

Antes da primeira etapa começar somos separados em 2 categorias, homens e mulheres. Em seguida, começa a primeira parte do teste. É mais simples do que eu imaginava, alguns funcionários passaram nos perguntando em qual área gostariamos de trabalhar.

— O que você quer ser? — Uma mulher ruiva me pergunta.

— Quero participar da equipe de inteligência do exército.

— Certo. Mais uma pergunta, você tem irmãos ou irmãs?

— É... eu tinha um irmão.

— Qual o nome dele e a idade?

— Ele se chamava Gabriel... Ele morreu numa missão no exército.

— Capitão Moore?

— Sim.

A mulher me encarou por alguns segundos, pareceu não acreditar em mim, mas um soldado se aproximou e sussurrou alguma coisa em seu ouvido que a fez dar um sorriso largo e ir fazer perguntas a outro candidato.

A segunda etapa tinha como objetivo testar nossa resistência física, assim fizemos uma série de exercícios físicos e atividades. Inicialmente, nos alongamos e depois fomos separados em grupos de quatro. Tivémos que escalar a parede frontal da base que tem aproximadamente 20 metros.

Minha equipe ficou em segundo lugar, graças a um garoto magricela de cabelos castanhos que era incrivelmente ágil. A equipe vencedora teve uma vantagem no próximo desafio físico, uma simulação de conflito armado. Os vencedores começaram com o dobro de munição e puderam escolher a própria arma e a das outras equipes.

Como era de se esperar, escolheram uma das piores armas para nós, uma pistola de cano duplo enquanto que a deles era um fuzil de assalto. Eu não sou do tipo mais atlético, rápido ou forte, isso passa longe das minhas habilidades. Mas eu sempre fui muito bom em criar estratégias em jogos de tabuleiros. Não deve ser muito diferente disso, não é?

— Eu tenho uma ideia — virei-me para minha equipe, estavamos atrás de uma parede de gesso nos protegendo de tiros — vamos nos esconder naquele bunker ali.
Estávamos num ginásio aberto para uma área ao ar livre na qual tinham dois bunkers. Dentro do ginásio haviam várias paredes de gesso, algumas destruídas, que tornavam o conflito confuso.

— Eu não sou de me esconder! — Um garoto musculoso respondeu.

— A gente não vai estar fugindo da briga, é só para pensarmos em alguma coisa!

— Não precisamos pensar, temos que lutar!

— Não, assim vamos perder — ele franziu a testa enquanto eu falava — eles tem armas melhores e mais munição, é idiotice ficar aqui!

— Ele tá certo, Hugo — disse o magricela — vamos no bunker e a gente pode pensar em alguma coisa lá!

O jovem forte, Hugo, não gostou da ideia, mas como toda a equipe concordou em ir até o bunker ele veio junto.

— Entra, vamos rápido — faltava só mais um menino entrar — antes que nos vejam!

— Fala aí então, já que você é o sabe tudo.

— Para, Hugo! Deixa o pivete em paz — o garoto magro respondeu enquanto recarregava a pistola.

— Temos a mesma idade — retruquei para ele e recebi um olhar torto — tá, deixa para lá. Minha ideia é esperar...

— Esperar?! Eu disse que não fugia de uma luta, merda! — Hugo começou a ficar vermelho de raiva.

— Então vai lá, vamos ver se você vai conseguir acabar com todas as outras equipes sendo que mal dá para ver onde elas estão por causa das paredes...

— Calma ai, calma ai... Já sei! — O magricela arregalou os olhos — é um labirinto! É um labirinto!

Fazia muito sentido que fosse um labirinto. Por isso têm tantas paredes e continuamos em grupos pequenos. Cada equipe está em uma ponta do labirinto... Mas se cada equipe está em um lado, como estávamos recebendo tiros? Como uma equipe foi tão rápida para atravessar o labirinto e chegar até nós? A menos que eles estivessem no meio do labirinto...

— Eles tão no meio, por isso acharam a gente rápido assim! — Nesse momento comecei a entender tudo — essa é a desvantagem deles, ficar no meio!

— Desvantagem? Como que isso pode ser ruim? Eles tão bem no meio, podem achar qualquer outra equipe mais rápido! — Um garoto ruivo perguntou.

— O Sabe-Tudo tá certo, é um baita prejuízo. Vamos cada um em uma ponta do labirinto e ai a gente cerca os malandros!

— Não, Hugo, isso é a ideia mais idiota que eu já ouvi — o magro colocou a pistola em cima de uma estante — vamos esperar até que eles se matem e quando sobrar só uma equipe, nós saímos daqui e vamos atrás dela.

— Isso não é contra as regras? — Perguntei.

— Quais são as regras, Noah? — Ele respondeu.

Como sabia meu nome? Eu devia saber quem ele era?

Esperamos até que os sons de tiros parassem. Já era noite quando decidimos sair do bunker.

— Qual o plano agora? — Indagou Hugo olhando para o garoto ruivo — fala ai, cara.

— Meu nome é Silas. Agora saimos daqui e procuramos seja lá quem tenha sobrado.

— E se eles estiverem aqui do lado? — Eu sabia que o plano não era dos melhores, só se esconder, mas era pior ainda sair por ai arriscando — só um devia ir.

Silas, o Magricela e eu nos entreolhamos e já sabiamos quem seria isca. Podia ser imoral jogar o fortão ali como atrativo, mas era o único jeito seguro que conseguimos pensar. Se alguma equipe estivesse muito perto e o visse saindo, teriamos tempo para correr até o labirinto e nos escondermos por ali ou até o outro bunker. Já era noite, seria difícil que nos vissem correndo.

Peguei a pistola de Hugo e joguei para fora da porta. Ele me levantou pelo colarinho da blusa.

— Tá louco, cara? Quer morrer?! — Logo me soltou e escancarou a porta para pegar a arma.

Deixamos a porta entreaberta e ficamos vendo-o procurar pela arma. Não passaram dois segundos até que o cano da pistola começasse a brilhar azul neon.

— Que merda é essa? — Hugo pegou a arma na mão e ficou analisando-a.
Ouvi algumas vozes se aproximando.

— Hugo, entra aqui! — Tentei chamá-lo sem falar muito alto.

— Não enche!

Em poucos minutos vimos luzes neon verde vindo pelo labirinto no ginásio e as vozes ficaram mais altas.

— Agora sim a festa vai começar! — Hugo preparou a mira e ficou parado em frente a entrada do labirinto.

Silas me empurrou e saiu em disparada pela porta, escondeu-se atrás de uma rocha na lateral do bunker. Eu e o Magricela o seguimos e ficamos mais afastados, deitados na grama alta com a mira preparada.

Assim que o primeiro vulto verde neon saiu do ginásio, Hugo começou a atirar e gritar fervorosamente. Em seguida, os outros três garotos apareceram e começaram a atirar também. Hugo levou um tiro e caiu no chão. Silas começou a atirar do outro lado e o Magricela saiu correndo em direção ao corpo de Hugo.

— Me dá cobertura! — Ele gritou enquanto corria.

Eu sou um péssimo atirador, principalmente quando o alvo está se movendo. Mas, por sorte, consegui acertar um dos nossos inimigos no joelho fazendo-o cair. Diferentemente, Silas era um ótimo atirador e conseguiu derrubar outros dois caras da equipe deles.

Senti duas mãos me puxando para cima e quando me virei vi um garoto robusto com uma cicatriz enorme no rosto. Pensei que Hugo tivesse derrubado ele, mas parece que não.

— Me larga! — Gritei tentando me livrar das mãos dele.

O garoto segurou meu braço com uma mão e começou a me socar com a outra. Começei a enxergar dobrado e a sentir um líquido quente escorrer pelo meu nariz e boca. De repente, cai no chão e acho que apaguei por alguns segundos, quando acordei vi Silas em cima dele o espancando com o cano da pistola.

— Já deu! — Gritei para Silas, porém ele não me ouvia — para!

Puxei Silas para longe do menino que estava apagado no chão.

— Já deu, cara! — Olhei-o nos olhos e ele começou a se acalmar.

Ele concordou com a cabeça e perguntou onde estava Magricela, eu não sabia. Fomos procurá-lo e o encontramos ao lado do corpo de Hugo, chorando.

— O que aconteceu? — Perguntei-lhe.

— Ele... ele... — o garoto não conseguia para de chorar e soluçar — ele... não tá respirando.

Silas agachou-se e tentou fazer massagem cardíaca para trazê-lo de volta.

— Eu pensei que fossem balas de borracha — falei em choque.

— Sério mesmo? — Magricela se virou para mim — isso é tudo culpa dele! Ele sabia!

— Ele quem? — Perguntei.

— O Governador, é claro! — O menino se levantou e começou a olhar para todos os lados, a procura das câmeras — é culpa sua! Só sua! Você é o seu próprio inimigo!

Imediatamente algumas luzes se acenderam e soldados entraram pelo ginásio, colocaram os feridos em macas e um deles veio até Magricela, algemou-o e lhe deu uma coronhada na cabeça.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.