Brothers
1 Capítulo Único
Sesshoumaru...
Cuide de InuYasha...
Ele cometeu um erro, aquele ser era um erro. Uma mancha, uma praga, algo que deveria ser eliminado, porém me sinto obrigado a cumprir um dos últimos desejos de meu chichiue. Na verdade, nem desejo deveria ser considerado, pois foi escrito em um pedaço de papel qualquer e me entregue como carta.
Que os meus “erros” de outrora lhe façam pensar,...
Queria que eu cuidasse dele, aquele hanyou, que eu o protegesse. Como poderia me pedir algo assim!? Seu primogênito, seu filho legitimo. Como poderia me pedir que cuidasse daquele bastardo!? Como ele podia esperar que eu cumprisse esse pedido!?
E mesmo contrariado, mesmo indignado, mesmo com o ódio queimando em mim. Aqui estou eu, esperando, torcendo, para que o tempo passe depressa e que logo não terei de fazer mais nada por aquele hanyou.
O tempo é agora e não pode esperar,...
Mas conheço meu chichiue. Ele não queria que eu apenas o protegesse, ele queria que eu aprendesse a amá-lo da mesma forma que ele. Ele queria que eu, um youkai, gostasse de um hanyou, o ser que mais odeio no mundo. Mesmo que eu não odiasse esses seres, esses erros de youkais fracos, eu seria capaz de gostar dele!?
O amor não tem hora, cor ou lugar, meu filho.
Eu o observava de longe. Ele passaria facilmente por uma criança youkai se não fosse aquelas orelhas estranhas. Era esperto, mas nem um pouco inteligente, sabia que eu estava ali, mas não fazia o mínimo esforço para se proteger ou para exercer uma fuga, nem se quer procurava saber o que estava ali. Porém, a forma com que se comportava era estranha.
Ele parecia não se incomodar comigo, como se eu fosse alguém com quem ele esta acostumado a viver. Aquilo não tinha sentido.
Tudo só tem sentido se as pessoas se amarem.
Seria assim até ele fazer 10 anos, quando começaria a aprender as coisas sozinho, quando começaria a treinar sozinho. Depois disso, nada me impedia de matá-lo.
Jamais cederia ao mesmo sentimento ao qual meu chichiue cedeu. Jamais amaria, jamais gostaria, jamais nutriria qualquer tipo de sentimento por aquele ser. Jamais.
Espero que sua garganta desate esse nó...
Um dia, aquele hanyou decidiu se aventurar no topo de uma arvore. A escalou sem dificuldades, mas decidiu parar no galho mais fino e frágil, ele certamente iria quebrar o galho com o peso que tinha.
Como se uma força misteriosa ouvisse as meus pensamentos, o galho cedeu e por instinto, eu avancei na direção do hanyou. Não o ataquei. Muito pelo contrario, eu o abracei antes que caísse e o levei para um outro galho, mais grosso e forte, da mesma arvore onde estava.
Me preocupei em não deixá-lo me ver, mesmo assim, a expressão em seu rosto quando me viu, por meros instantes, foi o bastante para ele perceber alguma mínima semelhança. E o pior, tempo o suficiente para que ele identificasse qualquer boa intenção, mesmo que inexistente.
Dê ao seu irmão um abraço apertado sem medo e sem pudor.
Comecei a perceber que o hanyou tinha consciência de seus dons, tinha consciência de suas habilidades, o que o tornava perigoso para os humanos que o cercavam.
Ele passou a treinar todos os dias. Certo dia uma mulher apareceu e eu a reconheci imediatamente, era a mesma mulher que meu chichiue deu a vida para salvar, a mesma humana que dera vida à aquele hanyou. Ele sorriu e a puxou para mostrar o novo golpe que havia criado, depois da demonstração, ela o abraçou e disse que estava orgulhosa, que ele estava ficando mais e mais forte. Ele abriu ainda mais o sorriso, me perguntei como conseguia, e disse que ficaria muito mais forte do que meu chichiue.
Tive de conter a risada depois daquela afirmação. Era o mesmo que dizer que uma criança humana podia me quebrar ao meu com apenas um dedo.
Mesmo diferentes, vocês dividem, entre acordes e tons,
A honra e o prazer de serem fortes e de terem dons.
Sempre soube que as respostas de meu chichiue as minhas criticas eram venenosas, ainda mais, quando se tratava daquela mulher e do hanyou.
Comecei a me apegar, e isso me dava raiva. Eu não queria criar nenhum laço com aquele hanyou e agora este me atava, eu zelava por ele, a minha própria maneira, mas negaria até o ultimo instante.
Que Kami-sama multiplique esse amor que deixei,
O hanyou crescia forte e saudável, ele se sentia capaz de fazer qualquer coisa, mas estava tão enganado. Só estava vivo até ali, porque, como meu chichiue pediu, eu o protegia, afastava todos com intenções assassinas e assustava quem pensava em fazer algo.
Ele crescia e eu aprendia. Nunca estive tão perto de um hanyou. De certa forma, era interessante ver ele se desenvolver.
Lhe torne sábio e sincero no riso e na dor. Torne seu irmão forte e capaz na paz e na guerra.
Sempre que aquela mulher aparecia, o hanyou lhe contava tudo o que pretendia fazer com cada novo poder que descobria possuir. Suas conversas sempre levavam ao tema de trazer paz à aquele período de guerras e de salvar todos que podia com seus dons.
Mas era uma pena que tantos dons não podiam ser aplicados da forma que queria, e mesmo que pudessem, ele nem se quer percebia que a mulher a sua frente estava cada vez mais fraca e pálida. Ele não percebia que a morte chamava por ela.
Mesmo que ele trouxesse paz e cura, jamais seria capaz de fazer isso por todos. Sempre teria um meio termo, metade ele poderia tentar salvar, mas a outra metade certamente definhara.
Que seus corações falem sempre de paz,
Nem muito de menos, nem pouco de mais.
Um dia eu voltei e descobri que ele não estava mais lá, a mulher morrera e ele fugira. Desde então todas as vezes que o encontrei tentei matá-lo, o tratei como inimigo, porém no fundo ainda via aquele pequeno hanyou de tantos sonhos e esperanças.
Tinha vezes que ele parecia ver o Eu que o pegara quando caio da arvore. Mesmo assim, isso nunca nos impediu de tentar matar um ao outro. E para piorar, ficávamos mais e mais conhecidos por sermos irmãos.
Que a história se faça por serem irmãos,
No peito e na raça, no aperto das mãos.
Com o tempo nos víamos como irmãos, mas nos negávamos a admitir, mesmo que todo o restante afirmasse que sempre seriamos irmãos.
Que todos os outros lhes vejam assim.
As palavras de meu chichiue sempre foram venenosas. Criei algum laço com o hanyou que tanto odiei e chamei de irmão. Desenvolvi carinho pela criança humana que “cuidou” de mim quando meu irmão me feriu.
Agora que a paz que ele tanto queria chegou. A criança humana esta sobre seus cuidados por meu querer. E mesmo que ainda tenhamos vontades de matar um ao outro, no fundo nos vemos como irmãos, até mesmo amigos, claro que ninguém precisava saber. Nem mesmo nosso chichiue.
Espero sinceramente que se tornem amigos.
Amigos no início, no meio e no fim.
Irmãos, não só de sangue, mas também de coração.
Inu no Taisho
Notas finais
Bjs. L :3
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