Brother And Sister
21 Capitulo
Notas iniciais
Abrir meus olhos lentamente, a sala onde eu me encontrava era clara e o branco das paredes fazia minha cabeça doer ainda mais. Olhei em volta tentando identificar onde eu me encontrava, tentando lembrar em como eu fui parar ali. Minha cabeça doía tanto, meu corpo também doía. Então o turbilhão de lembranças vieram de uma vez só, me atingindo em cheio meu estomago.
– Justin. – queria ter gritado, mas saiu como um sussurro um sussurro sufocado.
Algo que eu não tinha percebido antes surgiu em meus olhos, sentir um alivio enorme em saber que eu não estava sozinha. O loiro a minha frente no qual não sabia há quanto tempo estava segurando minha mão me olhou assustado e um pouco aliviado. Sentir-me melhor por ter ele do meu lado
– Graças a Deus você acordou. – disse ele e soltou o ar.
– Quanto tempo? – perguntei.
– Mais ou menos uma hora, você acordou e voltou a desmaiar umas trezentas vezes. – falou ele.
As lembranças recentes de como aconteceu mais uma vez me atingiu, mas dessa vez atingiu bem no meu peito. Aaron e eu quase nos beijando, Ryan me puxando e dizendo que Jus estava ali, Caitlin me contando que Jus tinha me visto com Aaron, eu e Justin brigando no meio da rua, ele me xingando, eu e Aaron indo atrás dele, o carro capotado, a escuridão e minha vontade de morrer.
– Diz que eu só passei mal por causa da bebida. – pedi já com os olhos marejados já sabendo a resposta e pedindo mentalmente que ele mentisse para mim.
Apesar de ter certeza que aquilo não foi um sonho ou coisa da minha cabeça, eu queria muito que tivesse sido. Aaron engoliu em seco. Eu já tinha entendido e foi tudo o que precisou para que desabasse de vez.
– Diz que ele esta bem Aaron, por favor. – implorei apertando sua mão.
Aaron ficou de pé e me pegou no seu braço me abraçando forte.
– Como eu queria dizer que ele esta bem, eu queria poder, mas eu não posso. – Aaron me pedia perdão em silencio.
Meu coração estava apertado, as lagrimas não me obedeciam mais. Mas eu tinha que me acalmar, precisava vê-lo, ver o meu Justin, precisava ver como ele estava, precisava muito.
– Preciso... Meus pais... Eles...
Aaron me soltou.
– Liguei para eles assim que a ambulância chegou, sua mãe queria ficar aqui, mas disse que era melhor que ela ficasse esperando noticias do Justin que eu ficava aqui. – falou ele. – você não precisa ficar no quarto se não quiser. – complemento.
Sair rapidamente do quarto descalça mesmo, não conseguiria andar de salto de qualquer forma. Mas o único problema era para onde ir, onde meus pais estavam? Onde o Justin estava.
– Mia. – chamou-me Aaron.
Olhei para trás, ele indicou o lado certo com a cabeça e segurou minha mão. Cada passo que eu dava meu peito se apertava ainda mais, não queria receber más noticias, queria que quando eu chegasse minha mãe estivesse sorrindo e agradecendo a Deus pelo o milagre do Justin.
Mas quando cheguei ao corredor onde minha mãe estava não foi isso que vi. Um médico conversava com meus pais, e minha mãe se abraçou ao meu pai murmurando alguma coisa. Eu simplesmente não conseguia ouvir o que o médico falava, eu não queria ouvir o que ele falava. Vaguei meu olhar para os outros presentes, vovó e vovô estavam ali sentados, mas chorando. Ryan, Christian e Charles também estavam ali. Caitlin, onde estava Caitlin?
– Eu posso doar. – a voz de Aaron sobressaltou a todos na sala.
– Seu sangue é O-? –perguntou o homem.
– Sim. – respondeu Aaron.
Olhei para Aaron sem entender.
–Mia. – ouvir alguém me chamar, mas ainda estava sem entender o que Aaron podia doar.
Sentir meu ar sumir, só então percebi que estava sendo abraçada por minha mãe e Caitlin ao mesmo tempo.
– Como você esta? – perguntou o medico a minha frente.
Olhei-o por cima dos ombros da minha mãe.
– Bem. – respondi me libertando do abraço. – cadê o Justin, ele esta bem? – perguntei.
– Ele esta instável. – respondeu o medico.
– Não perguntei se ele estava instável, perguntei se ele esta bem. – rebati.
O medico olho para minha mãe e para meus pais.
– Vamos doutor, ele esta bem ou não? – insistir.
O medico olhou em volta, e depois me olhou, acredito que ele não deixou claro a todos o que aconteceu.
– Justin perdeu muito sangue...
Não precisou que ele continuasse para que meu coração parasse.
– Ele vai ficar bem? – perguntei por cima, com minha voz arrastada, segurando o choro que estava na minha garganta.
– Ele esta muito mal, não sabemos, mas faremos de tudo. – ele hesitou, mas disse o que eu queria saber.
Ele olhou para Aaron.
– Vamos? – perguntou.
Aaron assentiu e me olhou, deu um beijo na minha testa.
– Desculpe-me. – murmurou contra minha pela.
Assentir e o abracei.
– A culpa não é sua se eu ainda me sinto atraída por você. – sussurrei em seu ouvido. – obrigada por ir ajudá-lo.
– É o mínimo, tenho parte da culpa. – sussurrou e me deu um beijo na minha bochecha.
Os braços de Aaron foram substituídos pelo os braços de outro homem. Meu pai não se abalava com pouca coisa, e isso me deixou terrivelmente pior, queria morrer naquele momento, por ser responsável pelo o que aconteceu com o Justin. Apertei-me ainda mais contra meu pai.
– Ele vai ficar bem não vai? – perguntei.
– Vai sim meu bem, ele logo, logo, vai esta brigando com você por causa desse garoto loiro. – foi uma facada.
Meu pai não sabia mais aquilo tudo era minha culpa, minha culpa e de mais ninguém. Porque eu tinha que ser assim, porque eu tinha que dar condição para o Aaron, porque ainda me sinto atraída por aquele garoto, porque eu não sou somente do Justin? Eu só precisava me controlar, só precisava nunca mais querer o Aaron e o que eu fiz, na primeira investida eu já estava me derretendo toda por ele. Eu amo o Justin mais do que me amo, mas porque tenho que sentir atração pelo o Aaron?
Meu pai me soltou e olhou por cima dos meus ombros, olhei para trás. Vi Ryan se afastando sozinho, Caitlin o olhava, mas não tinha coragem de ir, ela dava um passo a frente mais meio para trás, como se não soubesse o que era o certo a fazer, se iria ou se o deixava sozinho, se ele queria companhia ou se só queria um tempo só.
– Ele e Justin se conhecem desde pequenos, deve esta sofrendo tanto quando nós. – comentou papai em voz baixa.
Ryan tinha me impedido de ter ficado com Aaron, Ryan sabia do nosso segredo. Caminhei lentamente em direção ao corredor aonde Ryan ia. Assim que virei o corredor vi Ryan se abaixar e sentar no chão com a cabeça baixa. Não sabia se ele queria ficar sozinho ou não, mas não era somente ao Justin que eu tinha que pedir desculpas.
Acho que uma das coisas que eu menos imaginaria ver um dia era um dos meninos chorando, aquilo me doeu tanto, mais do que já estava doendo, a culpa era minha, tudo que estava acontecendo era pelo o simples fato de eu ter quase ficado com Aaron, fato que não era tão simples, era doloroso pensar que tudo era culpa minha, só minha. As lagrima começaram mais uma vez a cair pelo o meu rosto. Aproximei-me dele e me ajoelhei na sua frente. Toquei em seu ombro. Ryan levantou o rosto e seu par de olhos azuis estava vermelho.
– Desculpa. – pedi e me afastei um pouco.
Para minha total surpresa Ryan me puxou-me para um abraço. Abraço esse que foi apertado, mas que tão bom, eu estava precisando de um abraço daqueles. E lá estávamos nós dois, no chão, abraçados e chorando.
– Eu sinto tanto. – falei entre lagrimas.
Ele afastou-se um pouco.
– A culpa não foi sua. – falou limpando as lagrimas dos meus olhos.
– Claro que foi, se eu não tivesse feito o que fiz ele e eu estaríamos em casa, falando ao telefone, rindo, brincando...
– Não a culpa é minha, ele não queria ir, ele queria esperar você ligar, queria ficar no pub, eu insistir para ele ir, eu queria ver Caitlin, eu insistir Mia e não você. – falou.
– Mas eu que ia traindo ele e não você, você só queria ver Caitlin.- rebati.
Ele ficou um tempo em silencio.
– Não podemos ficar nos culpando, isso não vai levar a gente a lugar nenhum, ele não vai melhorar se ficarmos nos culpando.
O pior que ele tinha razão. Ele não iria melhorar com a gente nos culpando, mas o que eu poderia fazer? O que eu poderia dizer?
– Ele não pode morrer. – falei a olhando para baixo
Ryan levantou meu rosto e me fez olhá-lo.
– E ele não vai, eu já o proibir de morrer, eu ainda preciso dar uma bronca nele e ele ainda precisa fazer as pazes com você. – sorriu forçado.
– Será que Deus esta nos castigando pelo o que estávamos fazendo ser pecado? – perguntei.
– Amar, nunca foi e nunca vai ser pecado Mia, se ele for castigar vocês seria com um pequeno Justin ou uma pequena Mia, pra vocês verem o que a gente agüenta. – falou sorrindo.
– Você esta tão confiante que ele vai me perdoar. – observei.
– Ele te ama demais. – repetiu. – nunca o vi tão louco por alguém Mia. – falou. – fomos aquele clube porque sabíamos que vocês estariam lá, ele queria te ver, queria ficar um tempo com você que não fosse escondido, mas queria que você o ligasse...
Aquilo me deixou pior. Se eu não estivesse optado por ser uma namorada normal e ligar para ele, pedir a ele que ele fosse e ver, não estaria daquele jeito.
– Ele vai te perdoar, e você não fez nada...
– Por que você chegou, e deixei Aaron me tocar do jeito que Justin...
– Mia, não pensa mais nisso...
– Se ele morrer, eu me mato. – falei abraçando-o e mais uma vez desabando.
Ryan não falou nada apenas retribuiu ao abraço, me apertando ainda mais.
– Quer vê-lo? – perguntou no meu ouvido.
Afastei-me para olhá-lo. Meu coração
– Posso? – perguntei.
– Na verdade o horário já passou e só sua mãe e seu pai podem vê-lo, mas meu pai é o medico que esta cuidando dele posso tentar convencê-lo de deixar você vê-lo. – falou se levantando e me levando junto com ele.
Ryan conversava com o homem baixinho, não sei se por estarmos em um local pouco apropriado para conversa ou se por não quererem que ouvisse. Eu queria muito vê-lo, mas não sei se aquela era uma boa idéia. Ryan me chamou com a mão.
Lá estava eu tentando me controlar. Pelo os ferimentos eu só poderia vê-lo através de um vidro. Justin parecia esta dormindo, seus batimentos eram calmos assim como sua respiração, acredito que por causa do cano que ajudava também. Uma lagrima escorreu por meu rosto.
– Mia. – chamou-me uma voz masculina.
Desviei meu olhar do Justin com muita pouca vontade.
– Me deixe chegar mais perto só por um minuto, por favor. – pedi entre lagrimas.
Ele respirou fundo.
– Venha. – disse ele.
Ele estava tão quieto, só seu abdome que descia e subia. Toquei sua mão levemente, com medo de machucá-lo. Os batimentos pareciam ter acelerado um pouco já que os bips ficaram mais acelerados.
– Me perdoa... – falei com a voz embargada de choro. – eu te amo tanto...
As maquinas ficaram descontroladas, e então os bips eram somente um barulho só, o pai de Ryan entrou na sala sobe um desespero, me puxando para trás, me fazendo soltar a mão do Justin e outro homem me puxou para fora, só quando já estava fora que percebi que Ryan estava ali, me segurando. Vi o pai de Ryan e mais duas enfermeiras darem choque no peito do Justin, não conseguia olhar aquilo, eu não pode morrer, eu preciso dele, preciso dele perto de mim, preciso dele mais do que eu preciso de ar. Libertei-me dos braços do Ryan voltando para dentro da sala, sendo impedida de me aproximar mais pelo o mesmo e por mais alguém que não vi e nem podia ver quem era. Eu tinha que fazer alguma coisa, ele não podia morrer, ele estava morrendo, ele tinha que ficar, ele tem que cuidar de mim...
– Justin não, volta, eu preciso de você, por favor, VOLTA. – gritei com toda minha força.
E mais uma vez a escuridão tomou conta de mim. Se ele tiver morrido, por favor, me leva também.
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