Brooklyn, 1980.
1 Prólogo
A manhã chegara límpida e fria, com uma aspereza que sugeria o fim do verão. Chovia desde as cinco horas da manhã. “O clima está Bronteano¹”, pensou Gerard. Ele conteve um sorriso de ansiedade. Sentia-se tão nervoso que suas mãos suavam e levemente tremiam. Aquela chuva incessante, aquele frio, aquele aeroporto, aquela movimentação o deixavam impaciente. Ainda mais com o atraso do voo vindo de Utah, Gerard mal se aquietava em frente ao portão de desembarque.
Tirou o relógio do pulso e o guardou no bolso interno de seu, sobretudo preto. Enquanto homens e mulheres iam embarcando e desembarcando em seus devidos portões, lançavam-lhe um olhar distraído, de vez em quando. Todos sabiam quem ele era, mas poucos ousavam chegar perto dele. Já esperava há mais de duas horas e dois aviões de Utah já tinham pousado e nada dele. Ofegante pelo frio e o nervosismo, Gerard finalmente se sentou e cruzou as pernas. Era um homem alto, de vinte e tantos anos, levemente acima do peso, que conservava um corte de cabelo repicado, um pouco acima do ombro. Endireitou-se em um dos bancos no canto do aeroporto e ajeitou sua arma que estava encaixada entre o cós da calça e sua cueca. E de cabeça baixa ficou a pensar como iria explicar sua fortuna, suas armas, seu grupo de amizade nada convencional e principalmente como ele iria explicar sobre as drogas. Em meio aos seus devaneios, uma voz familiar chamava-o com certo tom de curiosidade. — Gerard? – disse um homem baixo, extremamente magro e aparentemente exausto pela viagem – É você? – Frank ia lentamente se aproximando até que o homem se levantava e encarava-o de cima a baixo.
Notas finais
¹ - Referência a Emily Brontë, autora do clássico da literatura inglesa "O morro dos ventos uivantes", sua única obra em prosa
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