Brongs
1 Capítulo 1
Antes de ler este livro, você precisa fazer uma coisa acreditar no impossível.
Conseguiu?
Ótimo.
Olhe, eu nunca pensei em ser um Cavaleiro de Dragão, não escolhi isso para mim, já nasci com esse destino traçado.
Ser um Cavaleiro de Dragão é uma tarefa difícil, é andar, na verdade voar lado a lado com a morte, que eu diria que já a vi muitas vezes.
Sempre sonhei o que todo jovem pobre desejava e ainda desejam que é ter uma boa vida e ser alguém no futuro, mas para mim tudo não passou de apenas sonho. Então chega de tanta conversa paralela, antes de tudo, certeza que aprendeu a acreditar no impossível?
Me chamo Tristan.
Tenho 16 anos, ha algum tempo eu era um garoto pobre qualquer, cabelo sempre curto, blusa e short maiores que a minha medida, chinela de dedo encaixada com um prego por baixo para não soltar, aprendi a ler e escrever com o meu pai e minha mãe, desenvolvi a arte de desenhar sozinho e sempre gostei de desenhar e observar pássaros, meu maior ídolo é Leonardo da Vinci, por isso acho que tenho alguns costumes parecidos com o dele, também sou ambidestro.
Minha família é formada por mim, meu pai, minha mãe e meu irmão caçula chamado Kevin.
Meu pai e minha mãe eram simples, meu pai tinha o cabelo igual ao meu, chinelo de dedo, roupas algumas maiores outras menores, nossas roupas eram de doações que recebíamos, e um corpo atlético, minha mãe sempre usava vestidos de cor clara, que sempre combinava com ela, seus cabelos longos e castanhos claro, ela era pra mim uma verdadeira princesa, meu irmão usava blusas maiores que ele, seu cabelo era um pouco grande, e da cor do da minha mãe.
Moramos em uma pequena casa que possuía apenas dois quartos e uma pequena sala, continha duas camas, uma pra mim e meu irmão, a outra para meu pai e minha mãe, uma pequena mesa com dois tamboretes, uma geladeira que vivia de gambiarra e um fogão de barro armado num jirau de varas e a energia que usávamos era gatos que meu pai fazia com o poste que tinha lá por perto.
As garrafas que continha água era garrafas de refrigerantes secas, reciclávamos elas.
Eu tinha uma mania de beber água na boca e quando minha mãe via, já da pra imaginar o que ela falava, mas logo ela adulava.
A casinha se situava no nordeste do Brasil, vivíamos da agricultura e eu sempre cuidava do meu irmão, pois ele tinha doença de chagas e o medico afirmou que ele tinha pouco tempo de vida, enquanto meus pais saiam para vender os produtos que colhíamos da terra.
Eles saiam todos os dias às 6 da manhã, mas nos dias de sábado até segunda, a feira era intensa, então eu e meu pai acordávamos mais cedo para arrumar as coisas e colocá-las na carroça enquanto minha mãe preparava o café.
Minha família mesmo sendo desse jeito, era alegre e de bem, não existia briga ou coisa do tipo.
Eu estudava em uma escolinha perto de minha casa, sempre pegava o ônibus das 6:30 que deixava em frente à escola, mas parei de frequentá-la quando meu irmão adoeceu.
Certo dia, durante a manhã, o céu não estava como sempre ensolarado, estava nublado com nuvens cinza e alguns urubus voando.
Sentei em uma pedra em frente a nossa casa, comecei a observar os pássaros que estavam brincando na areia até que Kevin veio para perto de mim e falou:
– O que você está fazendo? – perguntou curioso e olhando para o caderno que eu rabiscava.
– Observando-os. – ainda olhando para os pássaros.
Kevin adorava meus desenhos.
– Por que você os observa? – perguntou Kevin, agora olhando para os pássaros.
– Porque eu acho eles criaturas excelentes. – respondi olhando para Kevin. – Imagina você poder voar por esse imenso céu, sem ninguém te impedindo.
Sempre pensei nessa possibilidade, não de sair feito louco e sozinho, mas conhecer o mundo voando.
Eu tinha a vontade de voar, de vê o mundo de outra maneira.
Lembro da frase do meu ídolo Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com seus olhos voltados para céu, pois lá você esteve e para lá você desejará voltar.
Escuto um assobio, corro para a estrada e vejo um velho que trazia um saco nas costas, era o seu Damião.
Seu Damião era um idoso que sempre passava com um saco nas costas pela estrada, descalço, usava uma calça que a maioria dos idosos usam, uma blusa para o prefeito da cidade, um boné imundo e uma barba com fiapos brancos, eu e meu irmão sempre falávamos com ele, às vezes ele passava durante a noite e sempre contava histórias de terror, um homem bom.
– Seu Damião, pra onde o sinhô esta indo? – perguntei como sempre fazia.
– Olá meninos, estou indo para o lugar de sempre. – falou olhando para nos e sorrindo.
Ele nunca falava para onde ia, ou onde era esse lugar.
– Tudo bom com o sinhô?
– Esta tudo bem, esta tudo como antes. – falou. – Cuidado, hoje parece que o dia vai ser longo. — disse enquanto olhava para o céu.
– Pode deixar Seu Damião. – falei. – E cuidado na estrada.
– Eu sempre tenho. – falou e ao mesmo tempo piscou o olho e continuou andando.
Não sei se ele tinha família, mas todo dia ele passava na estrada, sendo tarde ou noite.
Até que me lembro de fazer algo para eu e meu irmão comermos, como sempre faço.
Faço simples montanha com bolachas e entre elas um pouco de manteiga, acompanhadas de uma xícara de café.
Eu não era o melhor cozinheiro do mundo, mas Kevin não reclamava.
Durante a tarde o sol ainda não tinha aparecido, olho para a estrada de barro e vejo meus pais voltando da feira na nossa pequena carroça e vinham conversando e rindo como sempre.
Quando eles chegam, pego a carroça e vou tirá-la do burro, coloco água e solto-o para comer o pasto, como fazia todos os dias.
Quando chega a noite, começa uma ventania, fazia um pouco de frio, olho para Kevin e vejo-o observando pela janela o céu à enorme lua que lá brilhava, acho que ele tinha coro de sapo, não parecia sentir frio.
Olho para dentro de casa e vejo meus pais sentados na mesa conversando, até que percebo que minha mãe de repente congela ao olhar para fora e logo entra em pânico, olhando para meu pai, ele logo percebeu o que ela sentia, sem ao menos ela falar nenhuma palavra, ele corre até a porta para pegar uma arma calibre doze que sempre deixava lá, peço para Kevin sair da janela imediatamente.
– Precisamos sair daqui agora. – falou a minha mãe para o meu pai.
Saímos correndo pela estrada iluminada pela lua.
Meu pai carregava Kevin nas costas enquanto suas mãos estavam ocupadas com a arma e eu segurava na mão de minha mãe.
Depois que já estávamos longe, olhei para trás e vejo alguma coisa quebrar o muro da casa, não olhei direito o que era, mas o seu tamanho superava a altura de um cavalo.
– O que esta acontecendo? – pensei comigo mesmo enquanto corríamos.
Entramos na mata fechada e íamos abrindo caminho, até que achamos uma enorme árvore, que meu pai pensou em ser um bom lugar para se esconder.
– Tristan fique aqui e cuide do seu irmão. – disse o meu pai com desespero, enquanto ele e minha mãe corriam para atrair a atenção da tal coisa. – Você me entendeu?
– Sim pai. – falei enquanto ficava perto de Kevin.
– Não sabia de que se tratava o que seria tudo aquilo.
Fiquei com o meu irmão encostado a árvore e olhando para os lados atento, até o momento em que sinto um vento quente vindo da parte de cima da árvore, se não fosse tão forte diria que tinha sido um bafo, olho para cima e vejo um par de olhos enormes e amarelos e outro par de cores brancas, mas sendo menor, peguei no braço do meu irmão e começo a correr puxando-o.
– Vamos Kevin, corre.
Corremos desesperadamente entre o meio da mata até que Kevin cai.
– Vamos. – falei levantando-o. – Precisamos correr, não olhe para trás apenas corra.
Corremos em meio à mata fechada, até que ouço tiros e logo corro em direção ao barulho.
Cheguei a meio a cena em que vejo minha mãe deitada nos braços do meu pai, a arma estava jogada no chão, tinha algo errado, ela estava toda ensanguentada e dando seus últimos suspiros. Ela os usou para falar algo a meu pai, assim entregando algo a ele.
Meu pai se caia em lágrimas.
Percebo que minha mãe ficou imóvel, assim penso que ela tinha morrido.
Deixando o corpo de minha mãe no chão, meu pai pega sua arma do lado. Ele nos vê aproximasse e diz:
– Tristan meu filho, preciso que você seja forte. – falou o meu pai pegando Kevin em seus braços e me segurando pela mão. – Aconteça o que acontecer, não solte a minha mão.
Pude vê seus olhos molhados de lágrimas e ao mesmo tempo com um brilho que nunca tinha visto, certeza era de uma pessoa que queria vingança.
De um lado sua arma, do outro estava eu e logo depois estava Kevin em suas costas.
Corremos feito louco, não sabíamos para onde estávamos indo, só queríamos fugir.
Antes do amanhecer achamos uma pequena casinha de barro.
– Vamos ficar aqui, depois continuaremos. – disse meu pai tirando Kevin de suas costas.
Kevin logo se deitou dentro da casinha, e dormiu.
Também pude vê os olhos do meu irmão antes dele dormir, também estavam cheios de lágrimas, percebi que ele também teve a mesma conclusão que a minha, nossa mãe estava morta.
Eu estava exausto de tanto fugir, então logo deitei perto do Kevin e dormi.
Acordo ao belo som das criaturas mais extraordinárias, os pássaros, logo penso em meus pais, penso que teria sido um sonho, mas logo percebo que estou na casinha de barro, então tudo o que aconteceu foi verdade.
Kevin ainda estava dormindo.
Vejo o meu pai sentado encostado à porta com a arma ainda na mão, dando pra perceber que ele não tinha dormido.
Resolvo sentar ao seu lado, que ele logo me segue com o seu olhar.
– Tristan meu filho, sei que tudo isso que passamos foi uma grande loucura, e você tem sido muito forte ate aqui, e preciso que continue sendo para cuidar do seu irmão. – disse o meu pai atento e ao mesmo tempo olhando para mim.
Olho em seus olhos e vejo que ele já está no seu limite, que já estava no máximo.
– Ta bem pai, eu prometo que vou ser forte. – falei ainda fixado em seus olhos.
– Agora como nunca, quero que cuide do seu irmão.
– Sempre cuidei dele e sempre vou cuidar. – afirmei.
– Olhe, sua mãe queria que eu te entregasse isso para você. – disse o meu pai tirando um colar com um pequeno pingente do seu bolso.
– Obrigado pai. – falei enquanto recebia o colar. – Não se preocupa, vamos dar um jeito nisso. – falei ao mesmo tempo em que abraçava-o.
– Ele simplesmente caiu em lágrimas novamente, mas ele queria ser forte tentando segura-las.
– Onde estávamos meu pai resolveu ir atrás de algo para comermos, enquanto eu olhava o meu irmão.
– Vou atrás de algo para comermos. – avisou o meu pai em pé a porta. – Vou estar por perto, e qualquer coisa você me chama.
– Ta bem. – falei olhando fixamente para a arma que estava em sua mão.
Assim que ele saiu, lembro do colar que minha mãe me tinha deixado.
O pingente parecia uma bola de gude, mas em tamanho menor e de cor esverdeada.
Logo me lembrei da minha mãe, de tudo que ela fez e fazia nossa vida não era fácil, mas ela nunca deixou que isso tirasse um sorriso dela, ela sempre pareceu alegre, lembro dela estendendo a roupa no arame da cerca, enquanto o vento vinha e levantava seu cabelo.
Me derramo em lágrimas, choro forte, mas em silêncio, com cuidado para Kevin não acordar, segurando o colar na mão.
Fico tentando enxugar as lágrimas na mão, na minha blusa, para que meu pai não veja, mas não podia, eram muitas.
Com a chegada do meu pai, ele colocou algumas frutas perto da porta e me avisou que ia descansar e que qualquer coisa chamasse ele, assim, logo se deitou perto de Kevin.
Fiquei sentado perto da porta, do lado de fora da casinha, ate que resolvi andar um pouco, mas antes, peguei um pedaço de madeira enorme e uma pedra para me proteger.
Andei pouco e logo encontro um riacho, onde não pensei duas vezes, tirei minha roupa deixando o colar em cima delas e todos em cima de uma pedra, e me largo dentro do riacho feito um louco que nunca tinha visto água.
Pulei, mergulhei, engoli água e tudo isso por causa do riacho.
Pensei em minha mãe novamente, ali eu estava só, mergulhei e chorei debaixo da água.
Quando volto, tudo está normal a não ser o pingente do colar, ele estava brilhando.
Tentei pega-lo para vê o que seria, mas ele estava quente e logo soltei-o, assim fazendo com que ele quebrasse em cima da pedra e surgindo um clarão enorme.
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