Broken and Destroyed
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Olá pessoas! *corre*
Bom, tenho bastante coisa pra falar. (Sorry por isso)
Primeiramente, quero pedir 51815 desculpas por ter demorado tanto pra atualizar, mas de qualquer forma, eu havia avisado que iria demorar um pouco mais.
Como também havia dito antes, estou com muitos problemas aqui na minha casa. Não tenho mais internet, nem celular, e provavelmente meu pai vai tirar o computador daqui. Vou ter que ficar indo em lanhouses e em casa de amigos. Triste a minha vida. E é exatamente por esse problema, que também peço desculpas por não ter respondido todos os reviews. Mas sério, não tem como, é quase que impossível. Peço que não me abandonem por causa disso, eu vou responder assim que puder. Pois cada um deles é importante para mim. ;3; ♥
A demora também se deve ao fato de eu estar ocupada escrevendo uma oneshot yullen para a minha noiva, que viajou para a Disney, e OMG... Kami, voltaaaa~ ;; ♥ *comentário aleatório*
Enfim, em relação ao capítulo, tenho coisas sérias para falar. Pra quem estava curioso, fiquem felizes pois uma parte do acontecimento do passado do Kanda e do Allen aparece.
Outra coisa, vocês vão notar uma mudança drástica. Sei lá, a fanfic foi dividida em quatro partes e está começando a entrar na segunda, que é focada no Allen e no Kanda. Também é uma fase de estabilizar a situação. Sei que as coisas vão parecer mudar de uma hora pra outra, mas é isso mesmo. Os acontecimentos da vida acontecem quando a gente menos espera, haha.
O único problema é que estou achando as personalidades horríveis e que minha escrita está decaindo. ;-; O que vocês estão achando?
E sério, ignorem os erros que encontrarem! Meu beta super irresponsável salvou o capítulo errado depois de a gente ficar corrigindo e perdeu toda a revisão. u___u Resumindo, quase matei ele porque a criatura estava do meu lado. Depois tive que revisar sozinha porque ele tinha que estudar. Depois eu o faço corrigir de novo. Por isso, sinto muito. Ignorem o meu problema com crases e minha síndrome das vírgulas.
Vão realmente notar que esse capítulo está diferente dos outros. Por favor, deixem sua opinião. *Flavs achando o cap inteiro uma porcaria*
Enfim, até as notas finais porque já falei demais. Capítulo dedicado para a leitora linda, Stray Wolf que recomendou a fic ♥
Boa leitura. ~
"Se as coisas não saíram como planejei, posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser." — Charles Chaplin
Mais uma semana havia se passado diante dos olhos de Yuu Kanda. E não havia novidades, nada havia mudado. Sua rotina era sempre a mesma; chegava em casa depois do trabalho e faculdade, jantava, fazia algo aleatório até a hora de dormir, era acordado no meio da madrugada com gritos do Moyashi e, já até havia abandonado a ideia de tentar descobrir o que estava acontecendo. Por fim, ele acordava no outro dia para repetir todas as atividades do dia anterior.
Havia poucos momentos em que Allen saia do quarto, mas era exatamente nessas horas que Kanda não se sentia tão entediado. Estressado ele ficava, não podia negar, mas também não podia negar que ele ficava ansioso para saber o que o pirralho iria fazer quando saísse da “toca”. E o simples fato de se dar conta de que estava interessado em algo assim o fazia ficar mais mal humorado que o normal.
No momento, ele permanecia sentado a mesa da cozinha, tomando o café da manhã, comendo apenas alguns biscoitos e bebendo uma xícara de café.
Ouviu seu celular vibrar em alguns dos bolsos do casaco, e não demorou em pegá-lo e ler a mensagem.
Alma
Yuuuu, vc vai me dar uma carona hoje? Não estou a fim de pegar ônibus, haha. xD
Eu
Passo aí na frente em 15 minutos, é bom você já estar pronto.
Respondeu a mensagem rapidamente, levantando-se em seguida para ir escovar os dentes e pegar seu material.
O celular vibrou mais uma vez, mas ele não se deu ao trabalho de ver, já sabia que Alma havia respondido com um simples, “ok”.
Subiu a escada, caminhando para o corredor, não resistindo em dar uma espiada pela porta do quarto de hóspedes que permanecia entreaberta.
Visualizou um moyashi dormindo de bruços entre as cobertas, fazendo com que apenas os cabelos brancos ficassem visíveis. E para sua completa surpresa, Mugen encontrava-se deitada no meio da cama do albino, cochilando esticada.
– Tch — estalou a língua.
Não conseguia acreditar em como a gata havia se apegado tanto aquele garoto, afinal, ela tinha uma personalidade chata como a dele, principalmente com Alma.
Virou as costas, retirando-se dali.
∞ ॐ ∞
Cross Marian havia acabado de estacionar o carro em frente a um café, localizado em uma parte menos movimentada de Boston. Ouviu seu celular tocar, verificando o número antes de atender.
“Cross, eu já cheguei! Onde você está?”– uma voz masculina conhecida perguntou.
– Já estou entrando! — comentou simplesmente, desligando em seguida.
Retirou-se do carro, dando uma última tragada em seu cigarro, jogando-o no chão, para depois pisar em cima.
Logo, ele já adentrava a porta de vidro do, “Mullanhond’s Cafe”.
Localizou o conhecido em uma mesa de canto, e dirigiu-se até lá, de maneira discreta.
– Finalmente! — o homem loiro comentou, um sorriso estampado nos lábios.
– Fala como se eu tivesse demorado. — comentou sério — Mas então, Reever, você me disse para vir rápido! Descobriu algo?
– Sem falar meu nome em voz alta. — reclamou.
– Tá, como quiser! Fale logo. — pediu, a voz mais grossa que o normal.
– Bom, deu muito trabalho para encontrar algo sobre os nomes que você me passou... — declarou, enquanto colocava uma pasta sobre a mesa.
– E?
– Não consegui muita coisa, mas já vou avisando que você está lidando com pessoas extremamente perigosas. — falou, separando alguns papéis, apontando para que Cross olhasse.
– Mas que diabos é isso? — questionou após alguns segundos, analisando as inúmeras fotografias de pessoas assassinadas das piores formas possíveis.
– Isso, meu amigo... É trabalho do pessoal que anda com o cara que você me deu o nome, Tyki Mikk.
– Trabalho? Como assim? Se sabem o nome e o que eles fazem, por que ainda não foram presos? — o ruivo perguntou sério, abismado com as atrocidades que haviam naquelas fotos.
– Aqui vai a bomba, Cross. — declarou, voltando a juntar os papéis — Eu não sei da onde eles são, nem posso afirmar se Tyki é o nome verdadeiro, mas, o fato é que pertencem a algum tipo de máfia, das grandes.
– Máfia?
– Sim, e não estou brincando. Eu e o Johnny ainda estamos pesquisando, mas de acordo com os documentos, ninguém foi preso pelo fato de os oficiais da policia terem sido subornados. É tudo mais complexo do que você imagina. E eles também costumam agir discretamente. — encarou o homem à sua frente — Eu aconselho que não fale nada para o garoto por enquanto, vamos pesquisar mais um pouco. Precisamos descobrir porque essas pessoas estavam atrás do Mana e consequentemente, do filho dele. Sei lá, dê um jeito de conseguir pistas.
– Hm — Cross pensava em alguma forma de ter acesso a casa do falecido amigo. Talvez conseguisse encontrar algo que a pericia não tivesse notado — Isto está ficando cada vez mais complicado...
– Sim, eu sei. E sobre o tal Nea, eu ainda não consegui encontrar nada, já que não há um sobrenome. E o pior, é que esses assassinatos aconteceram entre vários países. Estou tentando descobrir quem comanda tudo isso, mas já dá pra notar que é algo grande.
– Só conseguiu isso? — Cross Marian encontrava-se carrancudo devido a falta de mais informações.
– Você tem noção de como eu tive que me arriscar para conseguir esse tipo de informação? Mantenhamos a calma, nós vamos dar um jeito. Pelo menos agora sabemos que definitivamente não foi por acaso, agora precisamos saber quem é o Nea, já que aparentemente, o Mana foi morto por não passar informações sobre este homem.
– Descobri algo que só piora a situação.
– O quê?
– Já é definitiva a pessoa escolhida para dar continuidade ao caso. Soube por fontes de dentro da polícia da cidade que o maldito afirmou que Allen é culpado. Não dou um mês pra essa noticia estourar.
– Quem é que pegou o caso? — Reever perguntou, passando as mãos pelo cabelo desalinhado.
– Malcolm C. Lvellie, aquele cara do FBI que estava de licença. — Cross levou as mãos até as têmporas, percebendo o quanto a situação estava ficando complicada.
– Esse homem é conhecido por ser um completo filho da puta... Vamos ter mais trabalho do que imaginávamos.
– Nunca pensei que seria fácil...
∞ ॐ ∞
Allen acabou sendo acordado por algo macio que insistia em cutucar seu rosto. Abriu os olhos lentamente, dando de cara com dois olhos azuis felinos, que pareciam irritados por estarem o esperando acordar.
– Mugen...– falou, levando-se em seguida, bocejando e se espreguiçando — Você não vai desistir de me tirar dessa cama, né? — sorriu gentilmente, olhando o animal que o encarava do meio da cama.
“Bom, chega de ficar trancado aqui! Hoje eu finalmente vou fazer algo descente.” — pensou consigo mesmo, sentindo uma motivação desconhecida apoderar-se de si.
Finalmente, ele estava disposto a ignorar tudo o que estava passando, e iria tentar bloquear pensamentos que o fizessem voltar para a cama.
Levantou-se decidido, pegou algumas roupas e sua escova de dente e saiu do quarto, sendo seguido por Mugen à medida que seguia para o banheiro.
Adentrou o local dirigindo-se em frente ao espelho, parando para observar o quanto ele parecia magro, extremamente pálido e com olheiras profundas.
– Estou um lixo! — comentou frustrado, fitando o próprio reflexo no espelho de formato oval.
Escovou os dentes, e não demorou em retirar suas roupas para tomar banho.
***
Allen desceu as escadas rapidamente, passando pela sala até chegar na cozinha. Ouviu Mugen miar próxima a vasilha de comida, visando deixar claro que ela queria comida fresca.
– Ok, ok, eu vou procurar! — comentou, pondo-se a abrir alguns armários e gavetas em busca do pacote de ração. — Ahá, achei! — para sua felicidade, Kanda havia deixado em um lugar bem óbvio.
Depois de encher a vasilha da gata, olhou o relógio da geladeira, que marcavam 11h36min. Buscou algo para comer, e depois de uns quinze minutos já estava entediado sobre o sofá da sala, passando os canais compulsivamente.
Assim que seus olhos bateram em um noticiário, ele sentiu que os pensamentos ruins iriam invadir sua mente. Desligou a TV, olhando ao redor da sala, pensando em algo que pudesse fazer. Em alguns instantes uma ideia surgiu.
Iria limpar e arrumar toda a bagunça da casa de Kanda. Afinal, era o mínimo que ele poderia fazer para se redimir por todo o nervoso que tinha feito o moreno passar nas duas últimas semanas.
Levantou-se do sofá num minuto, já indo até onde a enorme quantidade de livros permanecia jogada. Começou a empilhar um por um, ficando perplexo com o quanto a faculdade de Kanda parecia ser difícil, já que a maioria dos livros tratavam-se sobre coisas envolvidas com engenharia de software.
– Não sabia que ele gostava desse tipo de coisa... — comentou sozinho, passando as folhas de um livro acadêmico. — Se bem que... Talvez eu já não saiba muita coisa sobre ele... — divagou, acabando por sorrir tristemente.
Fechou o livro, tentando espantar pensamentos que o fizessem lembrar-se do passado. Pôs-se a andar pela casa, encontrando livros e papéis jogados por todos os cantos. Também acabou encontrando livros clássicos, o que o surpreendeu. Kanda não gostava de ler naquela época, pelo menos, até onde Allen sabia.
Vendo que já estava arrumando tudo aquilo, o garoto resolveu fazer uma faxina, indo em busca de produtos de limpeza, aspirador e inúmeras outras coisas.
∞ ॐ ∞
Kanda permanecia sentado em sua mesa de trabalho, com o queixo apoiado sobre o braço. Simplesmente fitava uma parede de forma inexpressiva. Pensava no quê aquele moyashi poderia estar fazendo em sua casa. Estava sem fome, por isso, não havia saído para jantar.
Ouviu a porta da sala se abrir, trazendo atrás de si, Alma, que vinha em sua direção, sorrindo que nem um idiota, trazendo consigo duas latas de refrigerante.
– Yuu, trago boas noticias! — comentou sorridente, apoiando-se sobre a mesa do amigo, entregando-lhe o refrigerante
– Hm? — Kanda indagou, fitando-o seriamente.
– O Marie vai liberar a gente mais cedo hoje! Daqui meia hora. — seus olhos praticamente brilharam de felicidade ao dar a noticia.
– Hm, pelo menos uma noticia boa no dia. — comentou indiferente, abrindo a latinha, bebendo o conteúdo em seguida.
– O que você tem? — Alma perguntou, preocupando-se com o quanto seu amigo andava estranho nos últimos dias.
– Não tenho nada, por quê?
– Você tá muito esquisito! Está falando menos que o normal e... Também anda muito distraído. — levou a mão até o ombro do maior, puxando-o de leve — Por acaso está assim por causa daquele seu amigo? — perguntou sério, inclinando-se para encarar Kanda.
– Não. — mentiu — Não sei por que você chegou a essa conclusão ridícula... — respondeu simplesmente, mantendo a expressão neutra.
– Hmmm. — Alma desviou o olhar, afastando-se em seguida.
Conhecia o melhor amigo o suficiente para saber que algo não estava certo.
∞ ॐ ∞
Allen fitou o relógio da cozinha que marcavam 21h19min.
Acabara de colocar o arroz no fogo, já que havia decidido preparar o jantar para ele e para Kanda, caso ele chegasse com fome.
Tinha passado o dia todo limpando a casa que agora, encontrava-se brilhando. Só não havia entrado no quarto de Kanda já que o mesmo o havia proibido de ir até lá.
Acabou até descobrindo um quarto no andar de cima, que continha um piano, entre inúmeras outras coisas. Não resistiu em tirar a poeira, e tocar algumas notas. Mas preferiu sair de lá, pois o dono da casa
poderia não gostar que ele ficasse mexendo naquelas coisas, que provavelmente haviam pertencido aos seus pais.
Retirou um avental que havia encontrado, colocando-o sobre a mesa. Agora iria tomar um banho, pois estava exausto, e o arroz demoraria a ficar pronto.
∞ ॐ ∞
Kanda finalmente adentrava a garagem de sua casa, fechando o portão automático em seguida, retirando-se do veiculo rapidamente.
Suspirou cansado, e subiu as escadas, parando nos últimos degraus ao constatar que sentia o cheiro de comida no fogo.
Praticamente voou até a sala, jogou suas coisas, e atravessou o cômodo até chegar à cozinha, chocando-se ao ver que sua casa estava completamente estranha. Estava...Arrumada.
Aproximou-se da mesa, vendo que estava ajeitada, e com dois pratos postos ali, acompanhados de talheres. Caminhou até o fogão, onde havia arroz no fogo, feijão pronto, uma quantidade exagerada de batatas fritas, e algo em outra panela, que ele identificou como... Strogonoff.
“Que porra está acontecendo aqui?”– pensou abismado, voltando a olhar ao redor, vendo que a casa estava verdadeiramente limpa.
Subiu as escadas da sala, encontrando Mugen ali mesmo, parou para fazer algum carinho no animal, mas logo caminhou até o corredor, parando em frente ao quarto de hóspedes que não estava com um moyashi deitado na cama.
Não demorou em perceber que a luz do banheiro ao final do corredor estava acesa, andando lentamente até lá. A porta estava aberta, e podia-se ver o vapor saindo por ali. Não queria encontrar o pirralho pelado, mas arriscou em aparecer ali na frente.
– Oe... Que merda está acontecendo? — perguntou, escorando-se no batente da porta.
– Kanda?! — a voz de Allen saiu surpresa. — O que você está fazendo aqui a essa hora?! — perguntou curioso, fitando o moreno que permanecia parado na porta, o encarando de lado.
No seguinte momento, Kanda considerou que aparecer ali tinha sido uma péssima ideia, já que a visão em sua frente fizera com que sentisse um calor esquisito percorrer seu corpo.
Allen vestia uma calça jeans preta, e uma camisa branca que estava com todos os botões abertos, deixando seu peito e abdômen a mostra, com a pele que permanecia vermelha, devido a água quente do chuveiro. Os cabelos estavam meio molhados, e o garoto passava uma toalha branca entre eles, visando retirar o excesso de água.
“Ele não está com aquela cara de morto!”– Kanda pensou, secando-o de forma discreta, notando que havia um pouco mais de cor nas bochechas do moyashi.
– Eu sai mais cedo... — respondeu simplesmente — Mas a questão não é essa... O que aconteceu aqui em casa?
– Ah, bom... Eu resolvi arrumar a sua casa e fazer o jantar, como pedido de desculpas por ter feito você passar nervoso nesses dias que fiquei aqui. — sorriu sem graça, notando que havia algo diferente no olhar inexpressível do japonês. — Não vou pedir desculpas, pois sei que você vai se irritar. — alargou o sorriso, um pouco. — Falando nisso, deixei para refogar o arroz na última hora, tenho que desligar. — sobressaltou-se ao lembrar, seguindo até a porta.
Kanda não pode deixar de notar que Allen havia sorrido, por mais que não fosse igual ao sorriso que ele conhecia, já era alguma coisa.
– O que o fez sair da toca? — perguntou, sorrindo de canto resolvendo não deixar transparecer sua surpresa ao ver o menor interagindo consigo.
– Não sei... Acho que não quero dar mais nenhum trabalho pra você, e, a vida continua, eu não poderia ficar parado por muito mais tempo. — declarou, passando por Kanda, o tocando de leve no ombro — Mas então, vamos comer? Eu estou morrendo de fome. — dito isso, o albino caminhou para fora do banheiro, seguindo para o corredor.
Kanda não estranhou o fato de Allen não ter, sequer, tocado no assunto sobre o que havia acontecido, pra falar a verdade, ele não tinha certeza se queria saber. Depois de observar aquele Moyashi agir tão semelhantemente ao de seis anos atrás, ele sentiu algo estranho, xingando a si mesmo por estar pensando sobre isso.
“Merda! Não pode ser, eu não posso estar voltando a sentir alguma coisa por esse desgraçado !”– pensou exasperado, levando a mão até o topo da cabeça, descendo-a para o rosto, massageando os olhos de tanto nervoso.
Ele sabia que havia algo errado ali, era notável que o sorriso de Allen não era tão verdadeiro, mas ele sabia, sempre soube, que em situações difíceis o Moyashi fingia estar bem, forçando sorrisos para tudo e todos. E, também sabia que era grave, devido ao fato de ter demorado duas semanas para o Walker ter finalmente conseguido fingir estar bem. Ele não era mais o mesmo.
Respirou fundo, preparando-se psicologicamente para se sentar na mesma mesa que o menor para jantar e seja lá o que for. Já podia sentir que sua vida iria se complicar, e, talvez, ele já soubesse disso desde o momento que Allen havia pisado os pés para dentro de sua casa.
***
O relógio da sala marcava quase meia noite.
Allen havia sentado no sofá branco, e Kanda na poltrona do outro lado. Permaneciam num silêncio incomodo desde que haviam saído da mesa da cozinha. O mais novo havia feito algumas perguntas, tentando puxar assunto, coisas sobre a faculdade e o trabalho de Kanda, que apenas respondia automaticamente, tentando evitar ao máximo qualquer tipo de contato visual.
“Até que sua comida não está tão ruim, Moyashi.” – Esse seu comentário idiota havia feito Allen rir, e ele não tinha conseguido se impedir de sorrir mentalmente com tal ato.
Quando a conversa chegou a coisas relacionadas ao colégio, cortaram o assunto. E Allen resolveu chamar o moreno para assistir televisão. Mas, o que realmente acontecia era: O mais novo fingindo estar prestando atenção, olhando de vez em quando para o lado, vendo o moreno ler um livro, sentando de qualquer jeito sob a poltrona. E Kanda fazia a mesma coisa, fingia estar prestando atenção na leitura, sendo que na realidade, observava disfarçadamente aquela coisa branca, recostada sobre o sofá com os cabelos bagunçados.
– Kanda... — Allen chamou após bocejar. — Acho que eu vou dormir, estou cansado! — falou manhosamente, espreguiçando-se em seguida.
– Hm, ok. Eu também vou, daqui a pouco... — comentou, ainda olhando para o livro.
– Boa noite. — despediu-se, se levantando, dando um aceno para o amigo enquanto começava a subir os degraus.
– Oe... — Kanda chamou a atenção do menor, fazendo com que ele voltasse a encará-lo da escadaria.
– Que foi? — Allen perguntou, sentindo ansiedade para saber o que ele iria falar.
– Tch — estalou a língua — Esquece. — comentou por fim, não conseguindo agradecer o pirralho por ter limpado sua casa e ter cozinhado.
– Ahhhh... — o albino murmurou frustrado, voltando a ir para o andar de cima.
***
Kanda simplesmente não conseguia dormir. Apenas permanecia remexendo-se inquieto sob a cama pelo que pareciam horas, à medida que sua mente era invadida por lembranças que ele já havia deixado para trás há muito tempo.
Mas naquele momento, a única que teimava em adentrar seus pensamentos era uma da qual ele tinha tentado apagar de sua memória por muitos anos.
Flashback : On
03 de novembro de 2007.
O som de adolescentes bêbados gritando, e da música estridente podia ser ouvido de onde o rapaz de cabelos compridos permanecia sentado. E era impossível para ele aguentar aquilo.
Fitava o copo vermelho preenchido de cerveja, tentando encontrar a razão de ainda estar ali no meio daquela bagunça. Era tudo culpa da maldita Lenalee, pensava ele. A garota havia praticamente o ameaçado de morte, caso não comparecesse a uma das últimas festas do ano. Alegava que aquela zona era um presente para seus amigos do terceiro ano que iriam se formar em duas semanas; Inclusive ele.
A pirralha ainda havia inventado de fazer uma festa temática. Sim, Hallowen. Afinal, a data comemorativa tinha caído em dia de semana. E claro que só os idiotas do primeiro e do segundo ano estavam usando fantasia. Com algumas pequenas exceções, como o retardado do coelho, que usava uma fantasia ridícula de vampiro com presas e tudo mais.
Esse entre vários outros motivos eram a razão para Kanda ter saído daquela casa, e se acomodado em um banco enorme de madeira, localizado do lado de fora. E era surreal o fato de nenhum adolescente hormonal estar se pegando naquele espaço arejado. Dava até pra ouvir alguns grilos cantarem.
E ah, o que dizer sobre aquele Moyashi?! O idiota, acéfalo, desgraçado, inútil e imprestável não tinha se fantasiado, mas teve a ideia ridícula de colocar um nariz de palhaço e sair pela festa contando piadas e inúmeras coisas falhas.
“Bem típico dele!”– Kanda pensou ironicamente.
Não existia nenhuma criatura na terra que o estressasse tanto quanto aquela coisa chamada Allen Walker. Por sorte, faltava pouco tempo para finalmente se livrar daquela praga. Não aguentava mais ser impedido de quebrar a cara do garoto, por Lavi e Lenalee. E tudo bem, ele sabia que nunca fora uma pessoa calma, mas o Moyashi simplesmente o tirava do sério de uma forma absurda.
Odiava a forma como ele falava, a forma como sorria, a forma como ele sempre se fazia de feliz e radiante, mesmo quando se metia em encrenca com os garotos mais velhos que insistiam em persegui-lo. E o que falar quando o pirralho implicava consigo por algum comentário maldoso e etc?! Ele tinha uma lista mental, e poderia passar horas dando exemplos do que odiava no Walker.
Odiava quando ele tentava puxar assunto, odiava quando ele o chamava de amigo, odiava a forma como ele se aproximava de si, a forma que lhe olhava de vez em quando, e principalmente quando ele ficava com toda aquela amizade com o desgraçado do coelho e suas outras amiguinhas. Mas de qualquer forma, o Moyashi e o Lavi eram melhores amigos.
Interrompeu os pensamentos ao notar os últimos itens de sua lista. Já podia sentir a cabeça latejar devido a grande quantidade de álcool que havia bebido.
Olhou para baixo, fitando os próprios sapatos, e nem se deu conta de que alguém estava se aproximando.
– Hey! — ouviu a voz conhecida chamar.
Virou-se imediatamente, dando de cara com a peste branca que já permanecia sentado ao seu lado.
“Será que estou tão bêbado que não notei ele chegar?” — pensou incrédulo, encarando os olhos divertidos do garoto de dezesseis anos, que o fitavam de volta.
– O que você quer? — perguntou de forma apática, fazendo menção de se levantar.
– Ei, espera, não precisa sair daqui! — Allen comentou triste, puxando Kanda pela manga da jaqueta.
– Por que eu ficaria perto de você? — arqueou uma sombracelha, voltando a relaxar sobre o banco.
– Hmmm... — o garoto fingiu pensar numa resposta — Boa pergunta, Kanda. — respondeu simplesmente, abrindo seu típico sorriso abobalhado.
– Que merda, ein? Você não consegue falar nada que preste! — falou irritado.
– Por que você tem que ser tão chato? — indagou com a voz neutra, abaixando o rosto em seguida, fitando as próprias mãos.
– Tch — o estalo saiu de forma zombeteira — Foi você que veio me encher o saco, pra começo de conversa. — respondeu, erguendo o rosto para encarar a lua.
– Eu cansei de ficar lá dentro, achei que seria interessante vir falar com você... — comentou sem jeito, ainda olhando para baixo — Sabe... Eu estive pensando...
– Você? Pensando? — Kanda riu — Impossível! — afirmou.
Observou o menor revirar os olhos, e o quanto ele parecia corado.
– Bebeu demais, Moyashi? Ou está vermelho desse jeito por estar sentado do meu lado? — voltou a rir.
– É Allen, baKanda! — respondeu sorrindo forçadamente. Aparentemente, estava ignorando as provocações do mais velho.
– Tch
– Enfim, como eu estava dizendo, estive pensando de uns tempos pra cá... E, sabe o que acho? — virou o rosto, voltando a encarar o japonês.
– Hm?
– A gente devia parar de brigar... Pelo menos até a sua formatura. — sorriu sem graça, levando a mão direita aos cabelos platinados, começando a coçá-los compulsivamente.
E Kanda sabia que ele só fazia aquilo quando estava nervoso ou com vergonha.
– Ah, é? — em momentos como esse, o sorriso de canto sempre estava ali, estampado em seus lábios — Por quê?
– Bom... Er... Sei que você não gosta de me ouvir falar isso, mas sabe, você é importante pra mim, Kanda. — falava confuso, não tirando os olhos dos do moreno — Eu não quero que você se forme... Ainda me odiando. – sua expressão parecia triste ao dizer tais palavras — E-Eu não sei como explicar, é difícil...
Kanda paralisava pouco a pouco, ao prestar atenção em cada palavra que o albino soltava. Sentia uma sensação esquisita, principalmente na barriga, e certa ansiedade, fazendo com que as palmas de suas mãos soassem frio. Sustentou o olhar de Allen, não se atrevendo a interrompê-lo, por mais que seu subconsciente insistisse em pedir para que ele saísse dali o mais rápido possível.
– É difícil de falar, mas... — vendo que o outro não falava nada, respirou fundo, resolvendo continuar — Quando eu chego perto de você, eu sinto como se... Meu coração fosse explodir. E eu sei, talvez não haja explicação para isso... — Allen começava a sorrir levemente — Mas... Já faz um tempo que eu queria te contar isso, só que nunca tive chance e nem coragem. E talvez, eu só tenha conseguido porque bebi um pouco e porque não tenho mais tempo... Já que você vai embora depois da formatura. — sorriu de forma triste, voltando a encarar as próprias mãos, que tremiam em seu colo. — Não quero que você me odeie ainda mais por isso, mas eu vou entender se você o fizer. Eu só... Não aguentava mais guardar isso dentro de mim...
Yuu Kanda não acreditava no que havia acabado de ouvir.
“Ele... Ele está se declarando pra mim? É isso mesmo?”– pensou consigo mesmo, enquanto tentava manter a calma, já que não sabia o que fazer. Sentia seu coração bater de forma descontrolada contra sua caixa torácica, fato este, que o deixava confuso, irritado, e, de certa forma... Feliz? — “Puta que pariu, não acredito que meu coração está batendo mais forte!”.
Quando se deu conta, já estava aproximando-se inconscientemente do Moyashi, levando uma mão até o queixo do garoto, visando erguê-lo para que o mesmo voltasse a encará-lo.
Agia de acordo com o sentimento em seu peito, encarando Allen, que tremia tentando manter o olhar em si. Levou a mão direita até a parte de trás dos cabelos macios do mais novo, puxando-o em sua direção, e sentiu o pirralho arfar ao se dar conta do que estava prestes a acontecer.
E com mais um breve movimento, seus lábios roçaram-se nos do menor pela primeira vez, enquanto os dois ainda fitavam os olhos um do outro.
Kanda podia enxergar felicidade estampada nos olhos de Allen. E não demorou para que notasse que talvez, sentisse a mesma coisa.
– Jeff, aqui! — uma voz irritante de garota acabou interrompendo o momento dos dois, fazendo com que Kanda se afastasse rapidamente, começando a tossir disfarçadamente enquanto Allen levantava-se completamente corado, avistando um casal de adolescentes que haviam chegado ao local.
– Er... Hm... Eu vou pegar uma bebida e já volto! — comentou, parecendo uma pimenta, não conseguindo olhar diretamente para o moreno à sua frente. — Não saia daqui. — dito isso, praticamente saiu correndo para longe dali.
“Não, isso não pode estar acontecendo! Só pode ser brincadeira! Tudo isso em apenas dez minutos?!”– Kanda pensou chocado, ainda sentado no banco, começando a notar que, talvez, agora, ele soubesse o motivo de tanto odiar o Moyashi.
Flashback ::: Off
Kanda cortou a lembrança antes que chegasse na parte fatídica, aquela que tanto o havia perturbado. O pequeno acontecimento que tinha ferrado anos de sua vida. E por quê? Porque ele era um idiota, assim pensava.
– Inferno! — reclamou, sobressaltando-se sobre sua cama, jogando o travesseiro contra a parede mais próxima.
Notas finais
Sobre a conversa do Cross, está um pouco superficial porque eles ainda estão pesquisando, e o Lvellie vai ser do FBI porque nos EUA não tem delegado como aqui.
Fui só eu que ri demais imaginando a cara do Kanda na hora que ele pensa "Puta que pariu, não acredito que meu coração está batendo mais forte!."? HEUAHEUAHEH
Deu pra entender que o Allen está bloqueando tudo que aconteceu e fingindo estar normal para conseguir seguir em frente?
Não sei quando o próximo sai porque posso ficar até sem o pc.
Beijos ;3; ♥
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