Notas iniciais
Oi... *corre*
Bom, primeiramente quero pedir desculpas por toda essa demora. Eu respondi os reviews do último capítulo postado e comentei algo sobre postar domingo passado, mas, tive 2158451454 problemas e acabou dando errado. O capítulo também estava sendo betado e etc. Por isso, sooorry~ ;o;
Segundo, eu tenho que reclamar, pois se não reclamasse não seria eu. Sério, uma coisa me estressou demais. Tipo, o que aconteceu com os leitores que comentaram nos capítulos anteriores? Pqp, tem uma leitora que deve ter levado algo da RL para o lado pessoal e parou de comentar, mas enfim, e o resto? Acho que quando eu peço a opinião de vocês é porque espero ser respondida. Como vou saber se o capítulo está bom, se as personalidades estão ok e se o enredo está bom? Nossa, como isso me tira do sério. Porra...
E ah, para quem está ansioso por causa de lemon, já vou avisar que ele vai acontecer no capítulo nove. *q* Quase lá, ein?
Eu, particularmente, gostei muito desse capítulo. Não sei se vocês vão ficar em dúvida em relação a algo, mas podem me perguntar se ficarem. Quero muito saber o que estão achando do desenvolver da história e das personalidades. E, agora que lembrei... Pra quem estava curioso sobre a continuação daquele acontecimento do passado que tanto perturba o Kanda, no começo do próximo capítulo será revelado o resto do flashback. -u-
Não tenho muita coisa para falar porque estou estressada, mas agradeço de coração ao Ree, a Lú e a Kami por terem betado o capítulo. ♥ Principalmente a noivs que deve ter tido um trabalhão por causa dos hifens. ;3;
Dedico esse capítulo a duas pessoas. A linda da Kyoko, minha primeira leitora, pelo fato de ela ter dito no cap passado algo sobre ser o aniversário dela. E também porque ela comentou algo muito interessante. Sobre o fato de muitas pessoas descreverem o Kanda como um sádico sociopata, que não sente nada e só gosta de maltratar o Allen. Tem muita gente que faz isso; o trata como se ele não tivesse sentimentos e fosse o ser mais chato e bruto do mundo. Pelo amor, Kanda não é assim. Ele pode ter uma personalidade irritada e tals, mas ele tem sentimentos sim. Faz aquela pose de machão justamente para esconder esse tipo de emoção. Mas enfim, falei demais. Hihi ♥
E é claro, dedico esse capítulo também para a leitora linds, Sweet Death, que fez uma recomendação linda para B&D. *chora* ♥♥
Kami, sua linda! Também não me esqueci da sua recomendação, a qual me fez pular como uma gazela. AHUEHAUEH O próximo capítulo será dedicado somente a você. Vou fazê-la vomitar arco-íris. Assim espero. ♥33
Quero a opinião de vocês, sério mesmo. u___u
Boa leitura ~♥

Broken and Destroyed — Capítulo Sete



Terça- feira.



– Lena, calma... – Lavi repetia a mesma frase pela centésima vez – Ele vai ficar bem, tudo vai ficar bem! – ajoelhou-se em frente ao sofá, segurando o rosto da namorada entre as mãos, visando acalmá-la.


– Lavi!... – respirou fundo – Como consegue dizer que vai ficar tudo bem? Olha tudo o que está acontecendo! – Lenalee desabava em lágrimas – Só eu e você sabemos o quanto Allen amava o Mana, você acha que ele vai conseguir suportar tudo isso sem ninguém ao lado dele para, pelo menos, dizer que tudo vai passar? – a chinesa dobrou os joelhos, curvando-se para esconder o rosto.

– Mas o Yuu está lá com ele! – o ruivo sabia que era verdade, mas repetia para si mesmo que o amigo iria conseguir cuidar de Allen.

– Você sabe, melhor do que ninguém, dos inúmeros problemas que aqueles dois tiveram. Sei que no fundo Kanda odiaria ver o Allen sofrer, mas, você sabe, ainda existe todo aquele rancor do passado...

– Para, Lena. Tudo vai ficar bem. Eu e Cross vamos resolver tudo isso e dar um jeito de inocentar o Allen e trazê-lo de volta para nós. – Lavi comentou sério, acariciando os cabelos da estudante de designer de moda – Eu vou falar com o Yuu, tentar convencê-lo a ajudar o Allen a esquecer de um pouco de tudo isso.

– Por favor, faça isso. Se não conseguir, pode deixar que eu mesma falo. O Allen já contou para ele? Ainda não acredito que não consegui nem me despedir do meu melhor amigo. – soluçou – Eu já posso falar com ele quando você telefonar? – Lenalee ergueu o olhar, fitando o namorado de forma esperançosa.

– Ainda não sei se ele já contou. Estou tentando não telefonar muitas vezes, quem sabe, assim, ele não consiga relaxar um pouco? Mas prometo que você pode falar dá próxima vez que eu ligar. Portanto tente ficar calma.

Lenalee sorriu, puxando-lhe o pescoço para depositar um leve selinho nos lábios do estudante de direito. Interromperam o contato ao ouvirem o som da campainha do apartamento de Lavi tocar.

– Vou ver quem é. – declarou, dirigindo-se até a porta vermelha.

– Ok, amor. – a garota concordou, enxugando os olhos de forma rápida com as mangas de sua camisa azul.

O ruivo – cogitando que fosse Cross – acabou abrindo a porta sem olhar pelo olho mágico. E, para seu completo arrependimento, deu de cara com dois homens que vestiam roupas sociais.

“Droga, certeza que é a polícia!”. – pensou consigo mesmo, analisando as pessoas à sua frente. E espantou-se ao reconhecer um daqueles caras. Seria impossível não reconhecer o loiro de cabelos compridos, trançados em um rabo de cavalo baixo. Não era ninguém menos que o ex-namorado de Allen.

– Link?! – Lavi perguntou confuso, encarando o outro que apenas permanecia impassível.

– Oh, vocês dois se conhecem? – perguntou o homem mais velho, que continha cabelos castanhos claros penteados para trás e um bigode completamente estranho.

– Na verdade, não muito. Apenas frequentava a mesma faculdade que ele. – o loiro prosseguiu no mesmo instante, não dando chance para que o Bookman respondesse primeiro.

– Sim, é isso mesmo. – Lavi chegou à conclusão, pelo olhar do outro, que não deveria falar nada sobre o relacionamento que ele havia tido com Allen, há mais ou menos um ano. – Mas... A que lhes devo essa visita? – questionou sério, tentando relembrar se Allen tinha comentado algo sobre seu ex-namorado pertencer à polícia ou algo do tipo.

– Ah, claro... Sou Malcon Lvellie, agente do FBI, e esse é Howard Link, meu subordinado. – o homem apresentou-se, sorrindo de uma forma que acabou irritando o estudante de direito, porém não deixou transparecer.

– Não sabia que você fazia parte do FBI, Link. – Lavi sorriu surpreso, ignorando o emblema policial que o mais velho lhe mostrava.

– Bom, deixando as apresentações de lado. Será que nós poderíamos entrar? Temos algumas perguntas para fazer a você, Lavi Bookman. – proferiu de forma áspera.

– Claro, sintam-se à vontade. – devolveu com um sorriso falso, escancarando a porta para que os dois visitantes entrassem.

– Lavi?! Quem é? – ouviu a voz da namorada vir da cozinha.

– Alguns policiais, Lena. – disse calmamente, fingindo não estar preocupado com a situação.

– Como é? – a garota chinesa apareceu na entrada da cozinha com um copo de água em mãos, olhava o ruivo com o semblante preocupado.

– Não sei, eles disseram que têm umas perguntas pra me fazer. – dirigiu um olhar severo à mulher, visando deixar claro que ela deveria tomar cuidado com o que fosse dizer.

– Olá, senhorita... – Lvellie sorriu sarcasticamente, andando até ela, estendendo a mão num gesto de cumprimento.

– Lenalee Lee. – ela apertou a mão do homem, mas sua atenção focava-se em Link. Pois, assim como Lavi, ela sabia muito bem de quem se tratava.

– Que sorte, você estava na lista de pessoas com quem iríamos entrar em contato – comentou brevemente – Já devem saber o motivo de estarmos aqui, não é? – Malcon perguntou seriamente, andando pela sala. Link apenas permanecia encostado em uma parede próxima, em silêncio.

– Vieram por causa do Allen, eu acredito. – o tom da voz de Lavi soava totalmente profissional.

– Certamente. – o homem severo parou em frente à janela da sala – Estão a par do que aconteceu e eu sei que vocês dois eram os amigos mais próximos dele. Poderiam me dizer qual foi a última vez que o viram?

Após entreolharem-se por um segundo, Lavi pronunciou:

– Foram duas semanas antes da tragédia com Mana. Não estávamos nos vendo muito, pois a faculdade tirava quase todo o nosso tempo livre...

– Hm, onde exatamente você o viu pela última vez? Ele estava agindo estranho? Notou algo de anormal?

– Foi em um barzinho – demorou a responder – próximo à faculdade dele. E, não, ele não estava agindo estranho, estava completamente normal. Inclusive, a Lena estava com a gente, pois era o único horário que tínhamos para nos encontrar. Não é amor? – dirigiu-se a Lenalee.

– Sim, eu lembro que ele estava muito cansado por causa da faculdade e plantões. Mas, mesmo assim, ele continuava alegre, como sempre. – a garota sorriu gentilmente, relembrando-se da última vez que vira Allen.

– Link, está anotando isso? – Lvellie perguntou; não se dando ao trabalho de olhar para o subordinado.

– Sim – a voz do loiro foi ouvida de um dos cantos da sala.

– Depois eu vou querer o endereço desse lugar. Mas, continuando, como era a relação entre o Mana e o Walker? Eles brigavam? Tinham algum inimigo, ou algo parecido?

– Era linda de se ver, apesar de Allen ser adotado, eu nunca vi uma relação entre pai e filho tão boa quanto à deles. Eles se davam muito bem. – a garota de longos cabelos negros respondeu.

– Era isso mesmo. Em dez anos de amizade eu nunca vi os dois terem uma discussão sequer e, que eu saiba, eles não tinham nenhum inimigo, eram adorados por todos; a não ser que o Mana tenha arranjado algum desentendimento por causa da grande concorrência com as outras empresas de brinquedos.

***

Após responderem inúmeras perguntas e até cometerem pequenos deslizes, Lavi e Lenalee finalmente terminaram todo o interrogatório imposto por Lvellie.

Juravam de pés juntos que não sabiam o paradeiro do amigo e que estavam muito preocupados. Afirmavam convictos que tinham plena certeza de que Allen não poderia ser o autor do crime. A chinesa chorou silenciosamente em meio a toda aquela conversa, no entanto Lavi considerou aquilo como crédito, talvez ajudasse a diminuir as suspeitas para cima deles.

– Obrigado pela atenção. – o mais velho comentou fazendo descaso, atravessando o espaço da sala, acabando por prestar atenção em uma fotografia que estava em cima de um móvel.

O coração de Lavi quase saiu pela boca ao se dar conta de que fotografia era aquela.

– Acho que isso é uma prova de que vocês realmente eram muito amigos. – comentou vagamente, analisando de perto a imagem onde Lavi, Lenalee e Allen no auge da adolescência faziam poses sorridentes, enquanto outro rapaz permanecia de canto, os braços cruzados, o olhar para o lado, uma expressão completamente irritada.

– Quem é esse? – Malcon questionou após alguns segundos, a voz tingida em curiosidade.

– É o... Yuu. – respondeu incerto, sem saber se tinha feito o certo em dizer o nome correto.

– Amigo de vocês?

– Não mais. Perdemos o contato desde a época do colégio. Venho tentando descobrir onde ele está morando para poder entrar em contato. – mentiu da forma mais calma possível. – Bom, se nos dão licença, nós vamos sair daqui a pouco. – pediu, por fim, a voz soando nada simpática.

– Certo, entrarei em contato se precisar. Aqui está o meu cartão. Espero que estejam falando a verdade... Para o bem de vocês, é claro. – o agente do FBI sorriu de forma prepotente e logo saiu pela porta, que já se encontrava aberta por Lavi. Link o seguiu, trocando um último olhar com o ruivo, sem deixar nada transparecer.

Assim que fechou a porta atrás de si, o estudante de direito suspirou aliviado, não demorando em encontrar os olhos assustados de Lenalee.

– Acha que desconfiaram de algo? – ela perguntou aproximando-se do rapaz.

– Não sei. Eu ainda não to acreditando que o Link é do FBI. – Lavi comentou cansado, massageando as têmporas sem saber o que fazer a seguir.

– Eu também não sei o que pensar. Eu não acredito que ele possa tentar prejudicar o Allen. Tenho certeza que ele ainda não o esqueceu. Você lembra de todo aquela história, que o Allen terminou o relacionamento por não ter tempo por causa da faculdade?

– Sim, ele tinha dito que não conseguia sentir o mesmo que o Link. – Lavi falou, lembrando-se do quanto o amigo tinha sofrido em ter que terminar o namoro – Bom, não é hora pra ficarmos parados. A coisa está feia, vou ligar para o Cross. – concluiu, já começando a procurar o celular que seu tio havia lhe dado para entrar em contato.



∞ ॐ ∞



Quarta- Feira



Alguns dias passaram-se após Allen ter tomado a decisão de sair do quarto e, para Kanda, isso poderia ser considerado como uma tortura, ou como algo muito bom. Tentava, ao máximo, manter certa distância do menor, mas, no fim, sempre se encontrava tentando sair mais cedo do serviço para finalmente chegar em casa e encontrar o maldito moyashi. Quando menos esperava, estava secando o garoto nos momentos mais inusitados, mas não conseguia se perdoar por estar agindo tão ridiculamente. Era esperto o suficiente para não deixar que Allen notasse qualquer comportamento anormal, porém não podia esconder de si mesmo o que acontecia em seu interior.


“Eu só posso estar enlouquecendo.” – concluiu, enraivecido, ao se dar conta de que estava atrasado para a faculdade por ficar observando o moyashi dormir da porta do quarto de hóspedes.

Mugen miou próxima de suas pernas, o encarando com uma expressão que poderia ser traduzida como: “Eu estou vendo o que você está fazendo.”.

– Tch – estalou a língua, irritado, caminhando para longe dali enquanto coçava os cabelos compulsivamente. Precisava sair daquela casa o mais rápido possível.


∞ ॐ ∞



Em algum lugar desconhecido, Tyki permanecia sentado no sofá de uma enorme sala, era preenchida por móveis caros e chiques. Mantinha o pensamento longe, apesar de estar acompanhado.


– Tyki, preste atenção no jogo! — uma garota de aparência exótica chamou sua atenção. Ela era exageradamente baixinha, seus cabelos eram curtos, castanhos e repicados, detalhes, estes, que acabavam por dar-lhe um ar travesso e rebelde. Continha a mesma cor e olhos arteiros de Tyki e vestia roupas escuras, assim como as dele.

Road, não vê que estou irritado? Me deixe pensar em paz. – o moreno comentou exasperado, passando a mão no cabelo ondulado, colocando-os para trás.

– Você é um péssimo tio, não pode nem fazer as simples vontades de sua adorável sobrinha? – questionou de forma irônica, aproximando-se do homem à sua frente, enlaçando os braços em seus ombros.

– Pelo amor, Road, você está com quase vinte e três anos, chega de joguinhos. – respondeu entediado, jogando as cartas de baralho que ainda estavam em suas mãos.

– Eu sei que você gosta de joguinhos, ti-tio. – inesperadamente, a garota sorriu, subiu no colo de Tyki, sussurrando as palavras de forma provocativa em seu ouvido esquerdo.

– Depende do jogo, é claro. – o homem de olhos caramelados acabou por sorrir perversamente, mudando seu comportamento de uma hora para a outra – Agora saia de cima de mim, você é completamente surtada. – a expressão irritada acabou por voltar à medida que ele jogava a mulher para o lado.

– A culpa é toda sua ~ – Road respondeu como se cuspisse as palavras, mudando suas próprias feições para uma sem emoções.

Entretanto Tyki sabia que a tinha estressado. Estava prestes a puxá-la de volta para seu colo quando a porta dupla da sala se abriu, revelando atrás de si um homem – de aproximadamente sessenta e poucos anos – estava um pouco fora do peso e continha traços italianos, assim como os demais habitantes da sala; os cabelos eram de um castanho claro e estavam penteados para trás, mas alguns fios rebeldes insistiam em pender para frente.

– Olá, família ~ ♥ – sua voz rouca soou alta por todo o cômodo.

– Vovô! – Road Kamelot praticamente jogou Tiky para um lado qualquer, correndo em seguida na direção do recém-chegado.

– Road, querida, linda como sempre! ♥ – o homem dava a impressão de ser bastante gentil – E como anda o meu filho imprest... Digo, adorável?! — sorriu contidamente, fitando Tyki, o qual apenas tentava ignorar sua presença.

– Eu estava bem até aquela porta se abrir... – murmurou baixinho, apoiando o queixo sobre a mão e começando a observar um canto qualquer.

– Fiquei três dias na Sicília, resolvendo problemas com as outras famílias, porém, me apressei em vir, apenas por esperar que já tenha boas notícias pra mim. ♥ – ele sorria tanto que chegava a parecer doentio.

– Não, não tenho, Don. – Tyki virou o rosto para encará-lo nos olhos, a voz completamente gélida, assim como seu olhar.

– (...) Joyd, você se lembra do que me disse antes de eu viajar? – Don Millennio perguntou entredentes, seguindo calmamente até onde o filho – e também subordinado – se encontrava. Road apenas permanecia sentada sobre uma mesa, observando a cena com um sorriso de canto estampado nos lábios.

Tyki Mikk sabia, muito bem, que só era chamado daquela forma quando Adam estava prestes a surtar.

– Eu disse que iria conseguir encontrar o maldito pirralho, mas, como você pode notar, ainda não faço a mínima ideia de onde ele possa es... – fora impedido de terminar graças ao tapa – exageradamente forte – deferido sob o lado esquerdo de seu rosto. Sua cabeça pendeu para o lado e, por um momento, tudo ao seu redor pareceu girar.

O local preencheu-se com o som do estalo dolorido, não demorando muito para que um silêncio perigoso tomasse conta dos arredores. Tyki levou a mão até onde tinha sido golpeado e, aos poucos, a raiva incontrolável, que sempre o tirava do sério em momentos como esse, o invadiu por completo. Um olhar psicótico faiscava em direção a seu pai. Fez menção de se mover, contudo acabou sendo empurrado sobre o sofá, tendo seu queixo puxado com violência, ficando exageradamente próximo dos olhos escuros de seu chefe.

Lo ti ammazzo!* – Adam cuspiu as palavras em italiano de forma bruta, as quais ecoavam por todo o cômodo – É assim que se dedica em vingar a morte de Desires?! Estou quase me convencendo de que você não merecia ter meu sangue em suas veias, di nessun valore* – Millennio despejou toda sua frustração, para depois, apenas largar o filho, ajeitar a gola de sua camisa e lhe dar as costas, seguindo para a porta e desaparecendo entre ela.

O moreno permaneceu alguns segundos paralisado, pensava se deveria ceder ao ódio e ir atrás de Millennio a fim de devolve-lo todas as surras que ele havia lhe dado ao longo de sua vida. Não era de hoje que se segurava para não cometer uma loucura. Nunca recebera o devido reconhecimento, não importava o que fizesse; seu pai sempre continuaria a compará-lo com Desires, seu falecido irmão, pai de Road e o orgulho do Don, depois de Nea, obviamente.

“Desgraçado!” – gritava frequentemente em seus pensamentos, até que sentiu uma mão tocar-lhe o rosto, acariciando-o de leve.

– Você deveria parar de enfrentá-lo... – Road comentou baixinho, a expressão exibindo algum tipo de chateação. Passou os braços ao redor do tio, mas este apenas se livrou do contato, virando o rosto para cuspir a pequena quantidade de sangue que tinha se acumulado em sua boca.

– Tsc.

Sem dizer mais, sequer, uma palavra, Tikky se ergueu lentamente, não demorando em, também, retirar-se da sala de estar.

∞ ॐ ∞


Quinta-feira



Allen havia acordado cedo naquela manhã, por volta das nove horas, já estava de pé. Já tinha tomado o café da manhã, brincado com Mugen e lavado a louça. No momento, colocava suas roupas na máquina de lavar, localizada no lado de fora da cozinha.


Buscou pelo amaciante por todo local, entretanto não encontrava de jeito algum.

– Parece até que o Kanda está escondendo as coisas de mim, só pode... – comentou indignado, considerando a dificuldade que tinha em achar as coisas naquela casa.

Depois de tanto procurar, acabou por localizar o recipiente dentro de um cesto de roupas sujas, próximo da porta. Apanhou a embalagem azul, mas, por algum motivo desconhecido, o albino pegou uma das peças de roupas que estavam dentro do cesto; uma camiseta de Kanda. Quando se deu conta, estava com o tecido próximo de seu nariz, inalando o cheiro que se desprendia dali. Não fazia a mínima ideia de que perfume seria aquele, mas era muito bom. Uma mistura de lótus com alguma outra coisa.

Antes que ele próprio desse conta do que estava fazendo, o som da campainha soou estridente, fazendo com que Allen se sobressaltasse assustado, notando o que fazia. Fitou ao redor, com medo de que alguém pudesse ver o que ele estava fazendo e não demorou em colocar a peça no lugar aonde a tinha pego. Respirou fundo sem saber se deveria, ou não, atender; ponderava por alguns segundos, mas acabou sendo interrompido devido ao “ding-dong” que martelava novamente em sua cabeça. O albino correu adentrando a casa, seguindo rapidamente à porta de entrada, parou olhando pelo olho mágico para ver de quem se tratava. Era Alma, o amigo de Kanda.

– Alma...? – perguntou um pouco sem fôlego, após destrancar e abrir a porta.

– Ah, oi, Allen! – o rapaz com cabelos castanhos o cumprimentou, sorrindo radiante à medida que adentrava a casa – Me desculpe por vir de repente, é que o Yuu estava muito ocupado lá no trabalho e, como eu não tava, ele me pediu pra pegar o carro dele e vir buscar uns papéis importantes que ele esqueceu. – Alma riu, caminhando pela sala tentando localizar a pasta que o melhor amigo havia lhe pedido. – Você tá... Bem? – questionou ao notar que as bochechas do garoto estavam coradas.

– Entendi. Mas, que estranho, o Kanda nunca foi de esquecer as coisas. – Allen sorriu, fechando a porta e seguindo o outro rapaz. – Estou sim, apenas... Lavava minhas roupas. – riu sem graça, levando a mão direita para coçar o topo da cabeça.

– Pois é! Ele anda muito distraído ultimamente. – Alma olhou de soslaio para o albino – Você não sabe o porquê de ele estar assim?

– Bom... Er, não tenho certeza. Talvez seja minha culpa, ele não gosta muito de mim. – respondeu de forma sincera, virando o rosto para fitar a parede mais próxima.

– Tenho certeza que ele o considera bastante, Allen. Portanto, não pense assim. Eu que não sei como você conseguiu aguentá-lo todos esses dias. – o moreno riu, virando-se para encarar o mais novo.

– Acho que eu já estava acostumado desde o colégio. – Allen sorriu de volta.

– Ah é, vocês estudaram juntos na adolescência. Ele me disse algo sobre isso, mas não deu detalhes. – Alma caminhou até a mesa da sala de jantar, avistando ali a pasta que tanto procurava. – Ahá, aqui está! – comentou, pegando o conteúdo em mãos.

– Sim, a gente estudava na mesma escola, mas não na mesma sala. Sou três anos mais novo do que ele, enquanto eu estava no primeiro colegial, ele estava no terceiro. – respondeu normalmente – Brigávamos muito, sei lá, nossos santos não bateram desde o início, – acabou por sorrir nostálgico ao se recordar daquela época – mas tínhamos alguns amigos em comum, por isso, apesar das brigas, aprendemos a conviver juntos. – obviamente o rapaz não iria contar sobre aquele acontecimento e de todos os outros problemas.

– Nossa, pensei que você tivesse a mesma idade que nós. – Alma comentou surpreso – Mas, faz sentido, você aparenta ser bem jovem. Faz faculdade de quê?

– As pessoas costumam dizer que eu pareço uma criança e, às vezes, algumas me acham completamente estranho pelo fato de eu ser albino e ter essa cicatriz esquisita no rosto. – divagou distraído. – E, ah... Fazia, quer dizer, faço faculdade de Medicina. – respondeu rapidamente, voltando a encarar o outro.

– Eu não acho estranho, muito pelo contrário, acho a cor do seu cabelo e a dos seus olhos muito bonita. – confessou sorridente – Medicina? Nossa, e você é de Boston, não é? Só falta você me dizer que faz faculdade em Harvard.

– Obrigado, você é uma das poucas pessoas que acham isso. – Allen não pode evitar em retribuir o sorriso do mais velho – E, er, sim, eu faço faculdade em Harvard. – suas bochechas coraram ao confirmar tal fato.

– Wow, então temos um gênio aqui. – o rapaz de cabelos repicados exclamou surpreso.

– Lógico que não. – o albino sorriu desjeitoso – Você e o Kanda não podem falar nada, afinal, fazem faculdade de Engenharia de Software, eu fico confuso só de me lembrar de um dos livros que eu vi aqui sobre o assunto. – coçou a cabeça.

– Mas, mesmo assim, é Harvard! Meus parabéns. – Alma tocou de leve o ombro do menor, um gesto de afeição – Falando nisso, você não está perdendo aulas? Ainda não é época de férias e eu ouvi falar que o ensino de lá é bem puxado, ainda mais em Medicina.

“Droga! Acho que eu não deveria falar tanto sobre mim!”. Walker pensou consigo mesmo ao notar para onde o rumo da conversa estava indo.

– É que... Eu tive uns problemas pessoais e não teve jeito, sabe... É complicado... – ele abaixava a cabeça e olhava para os lados, totalmente sem graça por não saber o que falar ao moreno.

– Tudo bem, não precisa explicar. Todo mundo tem problemas, eu te entendo. – Alma sorriu compreensivo – Enfim, acho que tenho que ir! O Yuu vai me atormentar se eu demorar mais um pouco. – falou ao checar o relógio de pulso, caminhando para a porta e saindo para a varanda frontal.

– Obrigado, Alma. – o albino comentou grato por não ter que dar mais explicações que pudessem lhe comprometer.

– Hã? Ah, tudo bem. – respondeu com um meio sorriso, revirando os bolsos em seguida, retirando de lá um isqueiro e um maço de cigarretes Lucky Strike.

– Você fuma? – o ex-estudante de medicina questionou o óbvio, sentando-se em uma cadeira que ficava no canto da pequena varanda de entrada.

– Yep, já faz um tempo. – Alma respondeu normalmente, já tragando a fumaça do cigarro – Quer um? – perguntou casualmente, apontando a pequena caixinha para o mais jovem.

– Ahn... – Allen não soube o que responder; era óbvio que ele não fumava, qualquer tipo de droga ia contra seus princípios, contudo, naquele momento, algo dentro de si quis aceitar, afinal, fazia anos que não colocava um cigarro em sua boca. Subitamente sentiu falta da sensação que o tóxico lhe proporcionava quando ele se encontrava ansioso, ou com algum tipo de problema emocional, por isso resolveu aceitar – Claro. – respondeu incerto, retirando um crivo da embalagem que o rapaz à sua frente lhe oferecia.

Alma acendeu o cigarrete e, logo, os dois estavam sentados no banco; conversando como se fossem amigos há tempos.

– Mas, me diz... Como você conheceu o Kanda? – o garoto de cabelos platinados perguntou após alguns minutos de conversa.

– Nossa, já faz tanto tempo... – respondeu sorridente, olhando para o céu claro – Pra falar a verdade, nos conhecemos desde pequenos, nossos pais eram amigos e essa casa era onde eles passavam as férias, só que depois daquela tragédia com os pais do Yuu e com ele se mudando com o tio para Boston, acabamos perdendo o contato. – suas feições entristeceram ao relembrar tais fatos – Foi depois de muitos anos que ele me telefonou e disse que estava se mudando pra cá, pois essa casa era a herança que os pais tinham deixado e tal...

– Há seis anos... – Allen comentou tristemente, lembrando-se que fora nessa época que todos aqueles problemas tinham acontecido e que Kanda tinha ido embora para a Inglaterra.

– Sim, isso mesmo. Foi depois de ele terminar o colégio. E, sabe, foi muito difícil quando a gente voltou a se reencontrar, ele já não era mais o mesmo. – falou de forma melancólica, pondo-se a acender outro cigarro.

– Como assim? – o mais novo interessou-se no assunto.

– Tipo... Você e os outros amigos que o Kanda fez em Boston não chegaram a conhecer o verdadeiro Yuu Kanda. Ele não era assim, chato, frio, bruto, fechado para o mundo e todas essas coisas que eu tenho certeza que você sabe. O Yuu já nasceu com a personalidade irritadiça, mas posso dizer que ele ao menos sorria, brincava, era bem diferente, entende? – Allen concordou com a cabeça, dando consentimento para que ele continuasse a falar – Depois daquele acidente, ele perdeu a mãe e o pai, então você já imagina: é impossível uma criança não ficar traumatizada com tudo isso. Eu, sinceramente, não sei o que seria do Kanda se o Tiedoll, irmão da mãe dele, não tivesse ficado com a guarda. Ele começou a mudar a partir daí, eu não sei muita coisa, mas pelo que o tio dele falou, a adolescência foi muito complicada, ele cresceu revoltado, se fechando para o mundo, nunca querendo demostrar o que ele realmente sentia. – deu uma pausa para respirar – É complicado até pra eu falar do Yuu, é quase que impossível entender o que se passa na cabeça daquela coisa, mas ao menos eu tento e às vezes consigo ajudá-lo da melhor forma possível. É até meio chocante quando ele se solta... – sorriu.

“Eu realmente não sei nada sobre ele.” Allen pensou com tristeza, apertando os punhos sobre o colo, de forma contida.

– Nunca imaginei que alguém pudesse conhecer o Kanda tão bem... Eu me lembro do Tiedoll, ele era bem legal, mas o nosso amigo nunca deixava eu, a Lena e o Lavi falar direito com ele, só faltava matá-lo. – riu forçadamente – A gente nunca ficou sabendo direito da vida pessoal dele, sabíamos que ele tinha perdido os pais quando ainda era pequeno, mas só isso... Eu sempre quis que ele me mostrasse o seu verdadeiro eu e que não ficasse se escondendo, no entanto... Acho que já é tarde demais. – abaixou levemente a cabeça, fazendo com que os fios de sua franja caíssem sobre o rosto.

Alma não soube o que responder, pois realmente não sabia o que o melhor amigo pensava de Allen, mas sentia que ele não o odiava como o albino dizia. E, apesar de toda essa proximidade entre os dois o incomodar de certa forma, ele queria entender o porquê de toda essa inimizade entre os dois e ajudá-los a se dar bem.

– Você gosta muito do Kanda, né? – acabou sendo tirado de seus pensamentos ao ouvir a pergunta de Allen, que ecoou repetidamente por seus ouvidos, pegando-o de surpresa, fazendo com que sentisse as bochechas corarem.

– S-Sim! Eu gosto muito dele... – sorriu de forma triste, virando para encarar o mais jovem, que o observava de volta com um pequeno sorriso nos lábios, mas estranhando o fato de Alma parecer chateado com o que havia acabado de dizer.

“Entendi...” Walker pensou, compreendendo os sentimentos de Alma apenas pela forma que ele falava de Kanda. “Talvez ele sinta o mesmo que eu sint... Sentia.” Corrigiu-se mentalmente, colocando o verbo no passado. Afinal, ele não sentia mais nada pelo japonês? Certo? Cortou os pensamentos antes que chegasse a uma conclusão contrária da que queria. “Droga.”

– Nee, Allen... Você também notou que eu e você somos muito parecidos? Digo, sei lá, temos alguma coisa em comum, não acha? – o moreno soltou de repente, quebrando o pequeno silêncio incômodo, exibindo um sorriso de orelha a orelha.

– Notei isso também, não sei o que é, mas, sim, temos algo em comum. – Allen comentou distraído – enquanto olhava a rua vazia – soltando a fumaça que havia tragado para dentro de seus pulmões – Acho que se tivéssemos nos conhecido há um ano eu saberia responder o que temos de tão parecido. – sorriu melancólico, fitando os próprios sapatos.

– Por que diz isso?

– Eu não tinha tantos problemas como agora. E... Alma, posso te pedir uma coisa? – perguntou sério, ainda olhando para o chão.

– Claro...

– Seria demais pedir pra que você não comentasse com ninguém sobre tudo o que conversamos aqui? – sorriu sem graça, erguendo o rosto para encarar o mais velho.

– Não, de jeito nenhum. Não vou falar nada. – respondeu simplesmente, sobressaltando-se em seguida, dando-se conta de que o tempo havia passado. – Meu deus! Marie e Kanda vão me matar! Allen, me desculpe por ficar te enchendo aqui, tenho que ir, ok? A gente tem que conversar mais num outro dia. – falava rápido, à medida que praticamente saía correndo pelo gramado da entrada e adentrava o carro estacionado de Yuu. – Se cuida!

– Ok, obrigado por me fazer companhia! A gente se vê! – Allen levantou-se do banco e acenou para o rapaz que já se retirava apressadamente com o veiculo.

Quando já estava sozinho, a solidão e o sentimento de tristeza começaram a lhe rondar. Por mais que sentisse algo estranho em relação às palavras que havia trocado com Alma, sobre Kanda, tinha de admitir que conversar um pouco com alguém simpático e amigável havia feito bem a si. Três semanas já passavam desde que ele chegara ali e fora a primeira vez que conversava com alguém dessa forma. Lavi não ligava com a frequência de antes, mas ele entendia que isso era para seu próprio bem. E, bom, a relação com Kanda estava melhor do que no início, eles até conversavam, jantavam na mesma mesa e, às vezes, até assistiam TV juntos. Porém, ainda assim, ele sentia como se o japonês quisesse impedir com que ele se aproximasse mais. Quando tudo parecia ir bem, o moreno se afastava. E Allen sabia muito bem por que... Só não sabia se ele conseguiria consertar os erros do passado.

Sentia-se sozinho e a vontade de ligar para Lenalee e inúmeros outros amigos era grande demais. Entretanto sabia que não poderia se dar ao luxo de fazer isso.


∞ ॐ ∞



Após um dia cansativo na faculdade e no trabalho, Yuu Kanda finalmente estava pronto para ir embora. No momento, dirigia-se até o prédio de Alma, o qual se encontrava sentado no carona, completamente em silêncio: algo que, para Kanda, poderia ser considerado completamente anormal.



– Oe, Alma, o que você tem? – perguntou normalmente, notando que o amigo realmente estava estranho.


– Nada, por quê? – Alma mentiu, mas a face entristecida acabava por entregá-lo.

– Te conheço muito bem, por que simplesmente não me fala o que tem de errado? – tinha um breve palpite sobre o que estava entristecendo o outro – Ainda está chateado por causa daquilo? – perguntou cautelosamente, sabia que estava proibido de tocar nesse assunto por um tempo.

– Yuu, por favor... – Alma sussurrou, cobrindo ao rosto com as mãos – Só esquece aquilo, tá legal?

– Não tem como esquecer se você não conversa comigo sobre o que aconteceu! Como eu vou saber se você estava falando sério ou se só tinha bebido demais? – a habitual irritação começava a lhe subir – Se for verdade, eu não posso simplesmente te deixar sofrendo em silêncio sem ao menos tentar conversar. – falava entre dentes, querendo resolver aquela situação de uma vez por todas.

– Nós dois estávamos de porre, não se esqueça disso. E, outra, e se for verdade? O que isso vai mudar? Você já tinha dado sua resposta logo depois de eu te beijar e falar todas aquelas coisas – essa era uma das poucas vezes que Alma Karma realmente se exaltava, aumentando gradativamente o tom de sua voz. Sentia a face corar ao relembrar-se do beijo que os dois haviam trocado, há uma semana.


Flashback ::: On



CAUSE I KNEW YOU WERE TOUBLE WHEN YOU WALKED... SO SHAME ON ME NOW… ~ ♪ – o rapaz de cabelos castanhos claros gritava a plenos pulmões enquanto era puxado por Kanda, que o arrastava para fora de um bar localizado no centro de Londres.



– Você definitivamente tem que parar de beber... – o japonês comentou irritado, ignorando as pessoas que olhavam para eles, rindo de Alma cantando aquela música ridícula.


– Yuuu, para de ser chato! – Alma ria descontroladamente, debatendo os braços numa tentativa falha de soltar-se do maior – Oh, Oh, Oh, Touble, touble... ~ ♪ – ele continuava a cantar, a voz rouca de tanto gritar.

– Vou cortar sua língua se você não ficar quieto, Alma! – por mais que não deixasse transparecer, Kanda estava rindo por dentro do comportamento do outro, talvez fosse pelo excesso de álcool ou apenas porque era realmente engraçado. Buscou a chave de seu carro entre os bolsos, ainda segurando o outro em seus braços, mas não demorou em abrir a porta do carona e jogá-lo ali dentro. Ele mesmo estava meio bêbado, por isso, se esforçava para não cambalear. Adentrou o Outlander GT4, virando a chave na ignição, arrancando para longe dali.

Durante todo o trajeto até a o edifício de Alma, ele e o mesmo conversavam sobre coisas totalmente sem nexo e, como sempre, Kanda só ria na frente do amigo, mas ainda assim, de forma contida.

– Yuu~ – Karma repetia seu nome inúmeras vezes, fazendo gestos esquisitos com as mãos na frente do japonês.

– Você está querendo nos matar? – advertiu o outro, no entanto este apenas respondeu com uma feição inocente, infantil. – Pronto, chegamos. – declarou ao estacionar em frente à calçada, quase subindo em cima da guia – Mas, pelo jeito, vou ter que te levar até lá em cima... – estalou a língua, já se retirando do carro e indo até a porta de Alma.

***

Depois de dez minutos, o rapaz com cabelos compridos finalmente havia conseguido subir todos aqueles lances de escadas, pois, por ironia do destino, o elevador havia quebrado. Estranhou um pouco o fato de o outro estar lhe abraçando repetidas vezes durante todo o processo, mas não deu muita importância a isso.

O segurava apoiado entre seus braços, puxando-o até o apartamento de número 49. Buscou pelas chaves nos bolsos de Alma Karma, não demorando em encontrá-las e destrancar a porta, já jogando o menor no sofá mais próximo.

– Está entregue! – proferiu após um longo suspiro, caminhando até o banheiro no corredor.

Alma, por sua vez, apenas observava Yuu pelas costas e, apesar de estar se sentindo tonto e enjoado, tinha vontade de ir atrás do melhor amigo e finalmente lhe dizer o que havia escondido por tantos anos. Seus pensamentos fluíam de forma rápida e sabia que estava prestes a cometer uma loucura.

“Não, não, não, não”. Repetia para si mesmo ao notar que estava alucinando, imaginando as diversas coisas que poderiam acontecer em seu apartamento se conseguisse convencer Kanda a ficar. Sempre considerava uma tortura os momentos em que eles ficavam completamente sozinhos.

– Oe, você vai ficar bem? Já está tarde e eu tenho que ir. – ouviu a voz grave dizer, não se dando conta que o mesmo já havia saído do banheiro.

– Yuu... Vem cá, quero falar com você. – murmurou baixinho, não conseguindo mais se controlar.

– Hm? – observou Kanda vir até si, curvando-se sobre o sofá para ouvir o que tinha a ser dito.

– Acho que tenho que te confessar uma coisa... – disse de uma vez, puxando o moreno rapidamente para o sofá, fazendo com se sentasse ao seu lado. O mesmo apenas o encarava impassível, a face levemente avermelhada devido à bebida.

– (...) – Alma hesitava.

– Falo logo, porra!

– Eu te amo! – fechou os olhos à medida que as palavras deixavam sua boca.

– Huh?! – Kanda o olhou sem entender, confuso com o que tinha acabado de ouvir.

– Eu... Te... Amo! Nunca amei alguém como amo você, Yuu. – proferiu roucamente, fitando os olhos do moreno e não avistando nenhuma expressão de choque, e sim, confusão. – Eu não aguento mais, não quero mais esconder isso de você, pois dói demais quando te vejo com alguma garota. Me desculpe, eu sei, eu sei que parece algo anormal, mas, por favor, não me odeie por isso. Foi inevitável, foi desde a primeira vez que te vi... Você é meu melhor amigo, mas também é tudo que eu sempre quis... – os olhos de Alma transbordavam em lágrimas e, em um gesto desesperado, ele enlaçou os braços no pescoço do amigo, aproximando seus rostos, colando os lábios nos dele, iniciando um beijo desajeitado. Enquanto isso, Kanda começava a se dar conta do que estava acontecendo e que Alma realmente falava a verdade. Quando sentiu a língua do outro adentar sua boca, começando a beijá-lo apaixonadamente, a cena que tanto lhe tirava o sono veio até sua mente, acompanhada daquelas palavras que ele não conseguia esquecer.

É difícil de falar, mas... vendo que o outro não falava nada, respirou fundo, resolvendo continuar Quando eu chego perto de você, eu sinto como se... Meu coração fosse explodir. E, eu sei, talvez não haja explicação para isso... Allen começava a sorrir levemente Mas... Já faz um tempo que eu queria te contar isso, só que nunca tive chance e nem coragem. E, talvez, eu só tenha conseguido porque bebi um pouco e porque não tenho mais tempo... Já que você vai embora depois da formatura. sorriu de forma triste, voltando a encarar as próprias mãos, que tremiam em seu colo. Não quero que você me odeie, ainda mais por isso, mas vou entender se você o fizer. Eu só... Não aguentava mais guardar isso dentro de mim...”.

Seu coração bateu mais forte ao relembrar-se da declaração de Allen e da pequena semelhança com as palavras proferidas pelo amigo há pouco. Estava correspondendo o beijo, porém essa memória fora o suficiente para fazer com que ele acordasse, percebendo que não era o moyashi que estava ali. Empurrou Alma de si, fazendo com que ele tombasse a cabeça sobre o sofá.

– Yuu? – ele continuava chorando.

– Eu não... Eu não posso fazer isso. – confessou confuso, levando a mão até própria boca, subindo-a ao restante do rosto, esfregando sobre a face na tentativa de ficar completamente sóbrio.

– Por quê?

– Não quero perder a nossa amizade por isso, mas, simplesmente, não dá. – falou com os olhos ainda fechados, abrindo-os em seguida para encarar o menor.

– É por causa daquela pessoa, não é? – perguntou embriagado, as lágrimas correndo livremente por seu rosto. Ele já ouvira uma vez, enquanto Kanda estava completamente bêbado, que não conseguia esquecer uma pessoa que o havia feito de idiota no passado. Nada mais ele sabia sobre o assunto. Mas talvez, agora, tudo fizesse sentido. Pois o japonês nunca tinha relacionamentos que passassem de uma noite.

– Não. – respondeu simplesmente, se levantando bruscamente e seguindo até a porta, parando apenas para dizer algo – Me desculpe, Alma. – logo, ele já não estava mais ali.

Flashback ::: Off


– Então você está dizendo que é verdade? – Kanda questionou seriamente, fitando o amigo que se segurava para não começar a chorar.



– Eu não estou dizendo nada. Simplesmente vamos fingir que aquilo não aconteceu e continuar como sempre fomos. Ok? – sorriu forçadamente, retirando o cinto de segurança rapidamente e saindo do carro, batendo a porta com força. – Obrigado pela carona... – Assim que passou pela portaria, Alma deixou com que as lágrimas finalmente começassem a cair.


Yuu Kanda apenas permaneceu parado sobre o volante. Passou a mão sobre os cabelos, não sabendo o que fazer.

“O que diabos eu vou fazer?”. Perguntou para si mesmo, batendo a cabeça contra o volante. Ele não queria magoar Alma.

Manteve-se imerso em pensamentos por alguns minutos, até que finalmente ligou o carro, pondo-se a procurar um bar qualquer; tudo que ele precisava no momento era encher a cara.

***

Quando se deu conta, Kanda já estava na quarta dose de uísque, fazia aproximadamente meia hora que este permanecia sentado ao balcão de um local chamado “La Passion”.

Sua cabeça estava cheia de pensamentos e começava a doer, pois ele não encontrava nenhuma solução para, sequer, um dos inúmeros problemas que tinha.

– Me vê mais uma... – repetiu a mesma frase pela quinta vez, nem dirigindo o olhar à garçonete que tentava chamar sua atenção desde o momento em que ele havia sentado ali.

– Está tendo uma noite ruim, moço? – a voz irritante fazia com que a cabeça de Kanda doesse ainda mais. Por que ela simplesmente não podia calar a boca e fazer o maldito serviço?

– Tch – estalou a língua, ignorando-a por completo. Apanhou o pequeno copo assim que a moça o completou, sorvendo o líquido rapidamente, sentindo seu interior esquentar-se quase que instantaneamente.

Ouviu seu celular tocar em um dos bolsos, demorando em encontrá-lo, mas logo atendeu, sem nem se dar o trabalho de ver quem era.

– Sim? – sua voz soava mais grave que o normal.

“Yuu-chan!”. A voz de Lavi pode ser ouvida de forma alegre, fato este que fez as veias de sua testa quase estourarem. Além de chamá-lo pelo primeiro nome, colocava o “chan”?! Aquele desgraçado do usagi não tinha jeito.

– O que você quer? – perguntou apático, tapando o outro ouvido com a mão, pois havia muito barulho no local em que estava.

“Você tá bem? Está com uma voz estranha...”.

– Já não estava muito bem antes de você me ligar, agora então, nem se fala...

“O que aconteceu? Você e o Allen brigaram?”. Sua voz parecia preocupada.

– Não, não aconteceu nada. E eu não estou em casa, ele já deve estar trancado no quarto dormindo, assistindo TV, fazendo qualquer porcaria aleatória...

“Trancado no quarto?! Yuu, o Allen já te contou o que aconteceu?”. A voz do usagi ficou séria.

– Não, e eu também não faço questão de saber... – mentiu descaradamente.

“Sabe que a mim você não engana, certo? Bom, eu não tenho o direito de falar, ele que tem que te contar. Mas, meu, é uma situação delicada. Vocês já se resolveram pelo menos?”

– O que você quer dizer com “se resolveram”, maldito? – Kanda praticamente rosnou.

“Você sabe do que estou falando, – Lavi riu em meio à sua explicação – não se faça de desentendido. Está perdendo tempo por quê?”

– Como é? – o japonês acabou rindo de forma escarnica, não acreditando na ousadia do ruivo.

“Você tem a chance de finalmente resolver os desentendimentos do passado, Yuu. Por que simplesmente não deixa seu orgulho de lado? O Allen está passando por um momento extremamente difícil. Ele só tem a você aí, por favor, tome logo alguma atitude.”. Lavi até parecia irritado.

– Fala como se tivesse alguma moral para me dizer esse tipo de coisa. – respondeu secamente – Não fique achando que sabe algo sobre mim, idiota. Você é única pessoa no mundo que não tem o direito de falar absolutamente nada sobre isso.

“Posso não ter certeza, mas eu sei que você sabe, portanto, pare de ficar se torturando. Conversem logo de uma vez, joguem as cartas na mesa, sei lá, o chame pra sair. Você tem noção do que é ficar preso dentro de uma casa por um mês, Kanda? Sei que não tenho moral pra tocar nesse assunto com você, mas passei anos pedindo desculpas. E o mais importante: não posso sentir minha consciência limpa sabendo que meu melhor amigo está sofrendo aí, apenas pelo fato de você estar sendo egoísta. Não faz ideia do sofrimento que o Allen está passando, é tão difícil para você tentar ajudá-lo? Não notou que ele nem, sequer, sorri? Pelo amor, Yuu, você não consegue ver o quanto ele está diferente?”. Foi a primeira vez que o moreno viu aquele coelho falar de forma tão séria e indignada.

– (...) Vá se foder, eu não preciso que me fale o que eu já sei. – não esperando mais nenhum segundo, encerrou a ligação. Amaldiçoava Lavi por jogar as coisas em sua cara daquela forma e tinha vontade de morrer por admitir que –talvez – ele estivesse certo.


∞ ॐ ∞



Allen fitava o relógio da sala pela milionésima vez, começando a se preocupar por Kanda estar demorando tanto. Faltava pouco para meia noite e isso o deixava completamente ansioso. Estava sentado sobre o sofá, não conseguindo dar a mínima atenção ao filme de terror que tinha começado a assistir.


– Kanda... – pensou em voz alta, xingando a si mesmo por não ter pegado o número do celular do moreno.

Mugen também se encontrava sobre o acolchoado macio, porém já estava no centésimo sonho.

No final, nada o albino podia fazer. Procurou pela caixinha de Lucky Strike e o isqueiro que Alma havia esquecido e se dirigiu até a porta de entrada, saindo e não demorando em sentir o vento gelado bater contra seu rosto. Desceu até os degraus de madeira e sentou-se ali mesmo, começando a observar a rua que não continha uma alma viva, completamente vazia e silenciosa.

Fechou os botões de seu cardigã preto e logo estava a acender um cigarro, levando-o até a boca em seguida.

“Como eu sinto sua falta, pai...” pensou de forma inesperada, sentindo seu peito apertar e o nó, que não via há dias, voltar repentinamente até sua garganta.

Uma lágrima silenciosa escorria por seu rosto quando ele ouviu o barulho de um carro se aproximando da esquina na rua, não demorando a que o vistoso Mitsubishi parasse em frente à casa. Allen enxugou seus olhos com a manga da roupa, erguendo o olhar em seguida e encontrando o de Kanda, que esperava o portão da garagem se abrir.

Apesar da distância, pode notar algo diferente nos olhos negros do amigo, que continuavam a encará-lo de dentro do veículo. Assemelhava-se muito ao jeito que ele havia lhe olhado naquele dia, após sua declaração.

Sorriu bobamente ao recordar-se, abaixando o rosto para que Kanda não o visse agir como um idiota. Após alguns minutos, ouviu passos saírem de dentro da garagem, subindo a rampa e vindo em sua direção.

– Oe, Moyashi... – não pode conter a felicidade que o invadiu ao ver o japonês chegar são e salvo e, principalmente, por ouvir aquela voz – O que você pensa que está fazendo? – o mais velho questionou, notando o cigarro na mão direita de Allen.

– Ah, só estou tomando um ar. – respondeu sorridente, simples ato que causava arrepios em Yuu.

– Tch – revirou os olhos – Estou me referindo a essa porcaria em sua mão! Aonde você conseguiu isso? – perguntou à medida que se sentava ao lado do pirralho, mantendo apenas uma pequena distância.

– Isso é do Alma, ele veio aqui hoje mais cedo buscar uns papéis e acabou esquecendo... Mas, enfim, eu estava preocupado. – confessou baixinho, começando a encarar os próprios sapatos, o que era um hábito conhecido pelo maior.

– Ver você fumando é algo bizarro, sabia? – na verdade ele tinha achado sexy – Huh, preocupado por quê? Sentiu minha falta, Moyashi? – sorriu irônico, chegando à conclusão de que nunca faria esse tipo de pergunta se não estivesse levemente embriagado.

– Senti sim, não posso? – Allen não acreditava que estava cedendo a algo que ele queria evitar.

– (...) – o moreno apenas ergueu as mãos, numa expressão como se dissesse “Tá bom então, né...”.

– Você estava bebendo? – o albino perguntou desconfiado, aproximando-se um pouco para sentir o cheiro de álcool que vinha do outro. Kanda acabou por se sentir petrificado ao sentir a criatura branca ficar tão próxima.

Ignorando completamente a pergunta, virou-se para observá-lo, tentando reter-se para não afagar os cabelos platinados. Apenas arrancou o cigarro da mão de Allen, levando-o até a boca e dando uma profunda tragada.

– Ei... – o mais novo acabou por fazer uma careta, tentando recuperar o crivo que Kanda havia roubado.

– Hey, Moyashi – começou a falar ao mesmo tempo em que encarava a rua – Você quer sair nesse sábado? – perguntou de forma tão simples e com a voz tão calma que Allen quase escancarou a boca em surpresa.

– S-Sair?

– É, idiota, sair comigo. – revirou os olhos, voltando a olhar para o garoto.

– Er... – nem dando muita importância ao xingamento, Allen desviou o olhar, não conseguindo evitar que aquele sorriso bobo que Kanda tanto adorava – em segredo – escapasse de seus lábios – Claro que sim. Aonde nós vamos?

– Não vou falar. – declarou decidido, exibindo o habitual sorriso de canto, levantando-se em seguida para entrar em sua casa.

“Foda-se está merda!”. Pensava consigo mesmo, já que, afinal, acreditava que não seria mais possível lutar contra o que sentia. Seu sorriso alargou-se quando deu as costas para Walker, o qual ainda permanecia sentado nos degraus da escada.

Allen tinha o mesmo sorriso que o seu estampado no rosto.

Notas finais
*Lo ti ammazzo: Eu te mato!
*Di nessun valore: Imprestável

E então? O que acharam? Estou sem tempo para fazer perguntas.
Mas o que acharam sobre a primeira aparição do Conde e a forma como ele trata o Tykki-pon? ;33;
Sei lá, falem o que acharam sobre o que aconteceu com o Alma e o Kanda.
Bom, a atualização vai demorar um pouco mais de vinte dias. Sinto muito, meu aniversário é semana que vem e, estou enrolada resolvendo detalhes sobre a festa. E fora que não fiz nada durante o bimestre e preciso fazer vários trabalhos para não fechar com vermelha em todas.
Sei que todo mundo já viu esse vídeo, mas vale a pena. O ALMA ESTAVA CANTANDO BEM ASSIM, EHAUEHUAHEUAHEH.
http://www.youtube.com/watch?v=S3ypYlLDDe4
Não me matem pelo beijo dele e do Kanda. Eu amo a amizade dos dois e tals... E ah, não tenho mais tempo.
APAREÇAM! u3u
Beijos e até os reviews. ♥33333