Broken Wings
1 Just Me
Notas iniciais
I'm the kinda girl
Who doesn't say a word
Who sits at the curb
And waits for the world
But I'm about to break out
About to break out
I'm like a crook tonight
Ready or Not — Bridgit Mendler
" Eu ia te pedir desculpas.
Mas agora eu vejo que não tem porque EU me desculpar, sendo que eu não fiz NADA de errado.
Você é que tem que aprender a tolerar e controlar as coisas que SÓ VOCÊ vê e pensa. Você não pode simplesmente jogar fora uma amizade de tantos anos, e um relacionamento de 2, por causa de uma coisa RIDÍCULA como essa.
Porque, se agora você começar a me ignorar, ou coisa do tipo, pode ter certeza, todos esses anos terão sido em vão.
E, lá na frente, quando você olhar pra trás, e sentir saudade dos momentos que passamos juntos, das risadas, dos abraços, você, apenas VOCÊ, não vai ter NENHUM direito de reclamar, ou dizer o quanto sente falta.
Porque a culpa, é SUA.
Não sinto nem UM PINGO de pena de esfregar isso na sua cara porque você também não teve de esfregar na minha que você achava que eu estava te traindo apenas por andar muito com um garoto.
Jace, eu NÃO sou infiel.
Pode me chamar de qualquer coisa.
Mas... Infiel?
Não. Infiel não. "
Pois é, esse foi o texto que escrevi para o meu ex, Jace Granger. Da Erudição. Ok, ok. Sei que foi exagerado, mas isso não se compara a cena que ele armou na escola, na frente de todos. Nunca me senti tão humilhada. Bem, não mandei o texto, está em revisão, não posso deixar aí algo que ele possa usar contra mim depois.
Bem.. Meu nome é Violet Portland, tenho 16 anos, e moro em Chicago. Minha facção é a Franqueza. Essa semana será o teste de aptidão. Não estou nervosa. Não tenho a menor ideia do que vai acontecer nem como vai ser. Não acho que lá tenha nada que possa me deixar pior do que já estou. Queria desaparecer, voar, ver se faço falta, sei que soa egoísta. Meus melhores amigos são: Anna e Matthew, eles me apoiaram e me ajudaram quando eu mais precisei, eles me fizeram sorrir quando eu estava triste e me fizeram rir quando estava irritada. Quisera eu que dor de coração partido passasse assim tão rápido.
Amanhã é segunda, o dia do teste de aptidão. Sexta é o dia da Cerimônia de Escolha, que vai ser no Eixo, o prédio mais alto da cidade.
Quer saber? Vou mandar o texto logo. Estou ficando agoniada. Copio e colo o mesmo do meu bloco de notas e o envio em forma de SMS. Alguns minutos depois recebo essa resposta:
"Não me importa Violet. Infiel ou não você não é santa e ambos sabemos."
Respondo:
"Não ponha palavras na minha boca, Granger. Eu não disse que sou santa, nunca disse. Você tem é que tomar vergonha na cara, isso sim."
Envio. Um minuto depois, ele visualiza, mas não responde.
Saio de casa e vou direto para a casa da Anna, bato na porta.
— Quem é? — Ela grita de dentro da casa
— Violet — Grito de volta
- Entra — Ela diz e entro na casa dela.
Me deparo com o mesmo sofá preto e parede branca de sempre, depois, uma grande televisão de tela plana, e um tapete de veludo preto bem grande. Anna tem uma boa condição financeira. Ela mora com a mãe e o padrasto. Seu padrasto é membro do conselho e sua mãe médica. Fico observando sua sala até que ela se junta a mim e me acorda do transe.
— E aí? Pronta pro teste?
- Nasci pronta querida. — Ela ri
- Queria ter sua coragem.
- Aff Anna. O que poderia acontecer conosco naquela sala? Eles apenas irão injetar um soro na gente, e vai acontecer alguma coisa — eu rio.
- Ta ajudando muito. — Anna sorri sarcástica
- Malz aê. — rio baixinho.
Vamos em direção à um café, no centro da cidade. Caminhamos pelas ruas observando silenciosamente os altos prédios, tão altos que precisamos forçar a vista para enxergar o topo dos mesmos. Me pergunto o que eu escolherei? Para onde eu irei? Quem viverá comigo daqui à uma semana e como eu viverei daqui a alguns dias apenas? Irei continuar na Franqueza ou mudarei de facção? Não consigo me imaginar plantando, colhendo, e tomando decisões em conjunto como na Amizade, nem sendo um gênio, sabendo de tudo e mais um pouco, revolucionando a medicina e a tecnologia, como na Erudição, nem me negando o prazer de soltar o cabelo e fazer uma mecha colorida ou me olhar no espelho apenas 10 segundos por mês, como na Abnegação, ou empunhando uma arma apontada para a cabeça de alguém, por mais culpado que seja, como na Audácia. Apenas, falando o que penso e sendo eu mesma. Essa sou eu. Não um gênio, não uma agricultora, não uma largada -é o que eu penso deles-, nem uma matadora. Não me encaixo nesses padrões. Eu, Violet Portland, de 16 anos, filha de Juliet Portland e Joseph Portland, apenas eu. Violet.
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