Broken Souls

7 A luz na escuridão.


Chegamos à casa de Kai, ele traz a meia irmã nos braços e exibe um rosto cheio de repulsa pela garota.

— O que faremos com ela? —pergunta o ruivo.

— Não sei, talvez devêssemos chamar o restante do grupo? — digo, sabendo que ele vai concordar.

— Sim, vou chamá-los.

***

— Oi! — diz Nathan muito "discretamente", abrindo a porta do quarto onde estamos com a nossa querida refém, que se encontra amarrada e amordaçada, o que é um tanto desnecessário, pois eu e Kai poderíamos prendê-la e silencia-la com um feitiço, mas Tate nos impediu por que queria o modo tradicional sem magia, mas ele também é bruxo! Por que não usaria a magia? Logo vasculharei sua mente para descobrir.

— Então é aqui que a vadia está!

Malia emite um som estranho.

— E agora o que faremos com ela? — pergunta Tate ansioso, é bem notável que ele não está acostumado com esse tipo de situação.

— Aliás, onde está sua irmã? Nós tambem a chamamos. — diz Kai.

— Talvez esteja estudando, ela sempre faz isso a noite.— Embora seja bem estranho ela não estar aqui, julgando pelo quanto ela se importa com tudo isso...

A porta da casa se abre com um estrondo.

Nós corremos até lá e vemos Lucy com os cabelos despenteados e o olhar distraído demais , meio andando, meio cambaleando.

— E-eu estava saindo... Da biblioteca... Com um garoto chamado Theo... Que me ofereceu uma bebida azul! Era tão azul! Eu me sinto tão azul! Como o céu! Uau...essa porta é tão dura. — ela se apoiou na porta.

Todos a encaram intrigados.

— Olha! O que é aquilo? É uma garota amorda-da-da.... — diz ao ver Malia e cai nos braços de Nathan, que ficou sem expressão, a não ser choque.

— Você está chapada? — diz Tate em tom de reprovação absoluta.— Lucy! Como você po...

— Nathan, você tem uma bundinha hein?— diz Lucy ao passar a mão na região do quadril de Nathan, o qual ficou extremamente corado e constrangido com os olhos grandes e arregalados, afinal essa não é sua sexualidade.

Tate a levou dos braços de Nathan, e a deixou no sofá.

— O que está fazen... — diz Lucy antes de apagar completamente.

— Me desculpem, mas ela não costuma fazer isso, na verdade ela nunca fez! É tão certinha que as vezes me assusta. — E agora...— Tate parecia encabulado.

— Tudo bem, cara, isso acontece! — diz Kai levianamente. — Uma vez eu estava tão bêbado que acordei com uma fantasia de coelhinho sem as calças.

Todos o encaram, inclusive eu.

— Desculpe, o que? — digo.

— É querida, eu fico muito fofo com orelhinhas cor de rosa!

— Mas por que sem as calças?

— Quer mesmo saber? Porque eu até hoje não descobri.

— Ah, eu...

— Gente, foco! A Malia está aqui por algum motivo. — digo, e Tate assente com a cabeça.

— Certo, vamos. — diz Kai.

***

Agora estamos no quarto, e eu estou tirando a mordaça de Malia...

— Sua vadi...— eu acerto-lhe um tapa no rosto e junto ao golpe cravo minhas unhas na sua face, é cômico ela achar que eu deixaria que ela terminasse a frase.

— Então vamos começar, Malia ou você responde o que perguntarmos ou... Bom, Lili poderá fazer o que quiser. — diz Kai com a toda força que tem.

— Você planeja mesmo matar seu filho? — diz Tate com convicção.

— Não é mais meu filho.— ela para de falar. — É apenas uma aberração como vocês dois!

— Quem você pensa que é?— grito com toda a raiva que existe dentro de mim.

Eu a acerto de novo com mais força, meu olhar está cada vez mais insano e minha voz com mais ódio. Tento me conter e digo:

— Retornando ao interroga...

— Vá em frente pode me desfigurar! Pode me estraçalhar, mas isso não vai mudar o fato de que Tony sempre amará a mim, e mesmo quem eu morra ou mate o filho dele, ele sempre escolherá a mim não a você, ele sabe o quão pérfida você é, ele odeia tudo em você...ele mataria você...

— Sua vadia imunda! — eu a acerto mais milhões de vezes.

Quem ela pensa que é? Ela vai pagar por essas palavras.

— Bom, se Tony me odeia, eu não tenho motivo alguma para me preocupar com você, e muito menos com ele, sabe eu posso matá-lo, posso mutilar seu corpo em cortes lentos dolorosos, eu a farei assistir o sangue jorrar de seu peito, você derramará suas lágrimas sob quem você mais ama. — minha voz e meu olhar estão cada vez mais insanos. —Quando você estiver destruída e não tiver mais motivo pra viver farei seu pai se atirar ao lobos o morrer lentamente.

Acho que posso continuar.

—Bom, eu poderia fazer isso, mas eu não vou, diferentemente de você eu não machucaria as pessoas que eu amo, mas sabe, acho que você finalmente entendeu em que posição está, o quão frágil e vulnerável você é, você não pode fazer nada, você é só mais uma peça em um jogo que o mais forte e astuto vence, bom, você não é nenhuma dessas coisas – rio insanamente. – Fraca e fútil, na verdade você não é nada. — eu chego perto ao seu ouvido e sussurro: — Tenha uma boa noite, vadia.

Ela me olha com os olhos mais frustrados que já vi, e assim sinto uma satisfação inigualável.

Eu saio desse quarto enquanto todos me olham chocados, decido ir ao quarto de Kai.

Eu fecho a porta e me sento na cama, acho que eu consegui demonstrar poder e inflexibilidade, mas quando ela disse que Tony me odiava, que ele me queria morta... Foi como se todos os meus ossos se quebrassem de dentro pra fora, algo morreu dentro de mim, e eu desmoronei em cinzas, fui burra quando achei que eu poderia ser o tipo de pessoa sorri todos os dias, e tem um final feliz, agora eu sei que o sol nunca mais vai brilhar para mim.

Espero que a porta esteja trancada, não quero que ninguém me veja chorando, mas isso dói, dói tanto...

– Tony...Tony... – Murmuro enquanto choro sob a cama de Kai.

Ouço batidas na porta, eu não respondo.

Kai entrou.

– Lily, como você está? – diz sensivelmente.

Eu levanto e tento esconder meu rosto, chego perto dele e digo:

– Só...só me abrace. – ele obedeceu gentilmente e me envolveu em seus braços, eu não quero soltá-lo, pela primeira vez na minha vida eu me sinto segura, de modo com o qual nunca me senti, agora me pergunto, por que tenho que sofrer e amargar- me por alguém que infelizmente me odeia, se aqui e agora eu tenho alguém que gosta de mim?

Ele ainda não me soltou, e espero que continue.

– Lily.– diz enquanto me solta, mas continua com os braços ao redor de mim. – Você é tão... Você.

– É um elogio?–pergunto.

– Sim. – responde sorrindo.

Ele me beija. E o beijo dura por muito tempo, eu correspondo.

E nós caímos um sobre o outro.

***

Eu acordo ao lado de Kai, foi bom.

Ele me olha, como se me contempla-se, ele me beija.

— Vamos sair? ­— diz sorrindo.

— Vamos. —eu retribuo o sorriso e o beijo.

Eu me visto e ele também, nós abrimos nossas asas e pulamos pela janela.

***

Estamos num parque, porque é claro eu adoro parques né? Não.

Kai quis vir aqui e acabou me convencendo, esse parque é grande provavelmente não serei reconhecida, há várias crianças brincando e sorrindo com seus familiares e amigos, isso me lembra a época em que eu era assim, quando eu sorria sem pesar ou amargura.

Vejo duas irmãs num balanço, a mais velha com cabelos castanhos longos segurando o balanço da irmã radiante, eu costumava fazer isso com Alison, éramos muito unidas até que eu a matei.

–– O que está olhando? –– pergunta Kai. –– Quer sorvete? –– subitamente vejo que ele está com dois sorvetes nas mãos.

–– Tá.

–– Chocolate não é?

–– Por que acha que gosto de chocolate?

–– Porque você murmura palavras dormindo.

–– Eu não! ... Espere eu falo dormindo?

–– Fala sim, essa noite você falou sobre chocolate. –– Embora eu esperasse que você sonhasse comigo e não com “ chocolate... chocolate...” –– ele me imita sorrindo com uma voz fina e abafada.

–– Ei! Cale a boca, Cone de trânsito!

–– Cone de trânsito? –– pergunta Kai rindo.

–– Sim, você é.

–– Ah, pare! Eu sei que você ama meus lindíssimos cabelos ruivos.

–– Fofinho.

Eu o beijo, e ele corresponde.

–– Você é a primeira garota que me chama de “fofinho”, geralmente eu ouço mais que sou sexy...

–– É porque sou única, onde você acha que pode encontrar outra psicopata super sexy? –– digo.

–– Sexy mesmo. –– Murmura em meu ouvido.

Eu sorrio

—– Vamos naquela montanha russa? –– pergunta.

–– Tá, mas por que?–– eu o encaro, eu não gosto de montanhas russas.

–– Você tem medo de montanhas russas? Você é imortal!

–– Tá, então vamos.

Nós chegamos à aquele “monumento” enorme cheio de bancos azuis e vermelhos, nós nos sentamos e esperamos ela ligar.

Ela ligou.

Um vento fortíssimo bate no meu rosto, até que essa sensação é divertida, eu me sinto presa e livre ao mesmo tempo acho que me sinto normal, finalmente.

–– Isso é demais né? –– grita Kai em meio ao vento.

–– É sim, eu adorei! –– respondo.

Ouço um barulho estranho de ferramentas ou coisa do tipo, tento ver o que é...

O banco se soltou, e nós estamos sendo lançados ao céu, Kai pega minha mão com força e salta da cabine me levando junto, nós abrimos nossas asas e voamos, como se nada importasse , até quase aterrissarmos no parque, todos nos olham assustados e chocados, julgando saber quem somos.

–– Fodam-se! Cansei de me esconder!–– Grita Kai para multidão, revelando a todos nossa maldição.

Todos nos encaram, estou adorando isso.

Nós voamos para o alto novamente, estamos indo até o topo de um prédio próximo.

Assim que chegamos Kai diz:

–– Uau! Isso foi incrível, você é incrível.–– ele me beija.

–– Por que você pulou? Bom, eu adorei.–– digo com um sorriso leviano.

–– Íamos morrer!

–– Somos imortais. –– respondo.

–– É, verdade. –– confirma Kai corando.

–– Eu adorei o “fodam-se!”– digo com entusiasmo.

––Eu também! Foi um dos melhores momentos da minha vida.–– ele responde do mesmo jeito entusiasmado.

Eu sorrio, acho que eu posso ser feliz de novo, o sol pode voltar a brilhar novamente.

–– Você é uma luz em toda essa escuridão, sabia?

—– Eu sei, eu brilho. – diz sorrindo.

Após um tempo ele diz:

—– Obrigada, quero que saiba que você que me encorajou a fazer isso, me fez sentir realmente livre, acho que...

O telefone dele toca antes que ele termine a frase.

Ele desliga após terminar a ligação, com uma expressão de absoluto choque.

—– Era Tate, Malia está tendo o bebê.