Broken - Season 1
18 Capítulo 17 - Soothing
Notas iniciais
Adorei escrevê-lo, espero que gostem!!
Boa leitura!!
– Neal –
“Estava em um imenso jardim, cercado de flores de todas as cores, árvores frutíferas acompanhavam o caminho de pedras, e, embaixo de uma delas, um balanço descansava. Logo ao lado, um lago com águas cristalinas refletia todo o esplendor do pôr do sol. Tudo exalava paz e tranquilidade. A visão de uma mulher de longo vestido negro se aproximava. Não consegui ver seu rosto, mas de alguma forma sabia que era linda. Uma brisa leve nos alcançou, a mulher estava cada vez mais perto. Seu vestido voava junto com as folhas, o cabelo, na altura dos ombros, esvoaçava-se em seu rosto. Eu não conseguia tirar os olhos dela. Aproximei-me ainda mais e levantei a mão, com o intuito de tocá-la. Minhas mãos tocaram seus braços, sua pele era macia como a pétala de uma rosa. Seu perfume era doce e viciante. Esperei que ela se virasse e olhasse para mim, mas não o fez. Saiu andando, se afastando cada vez mais, corri na sua direção, mas não conseguia alcançá-la”.
Abri os olhos.
Um sonho... Foi apenas um sonho...
– Hm... – sussurrou Regina, apertando a mão que descansava no meu braço.
Lentamente, abriu os olhos, o sol rompia pela janela. Estava sonolenta, mas, quando percebeu nosso... “contato”, estremeceu.
– Regina? Você está melhor? – estranhei o quão rouca estava minha voz.
– Neal? O que faz aqui? O que nós fazemos aqui? – perguntou ela, recuando.
– Hey, calma, uma pergunta por vez... Ontem, após aquele... acidente, você estava chorando muito, no chão do jardim. Estava chovendo, e nós, encharcados. Então, te trouxe para descansar, mas, como estava muito sensível, nem sabia o que acontecia ao seu redor. Tentei te deixar na cama, mas você segurou com tanta força na minha camisa, que não pude deixá-la. Você acabou dormindo, e, para não te acordar, continuei aqui. Acho que acabei dormindo também...
Inicialmente, Regina ficou assustada, mas então, suas bochechas ficaram vermelhas.
– Está com vergonha? – disse, quase rindo.
– É claro que não! Você está vendo coisas Neal...
– Ah sim... Você está vermelha como um pimentão! – com essa frase, ela ficou mais vermelha do que estava – Bom, depois da chuva que tomamos, se você não quiser ficar gripada, um bom banho e uma caneca de chocolate quente são ótimos remédios...
– Oh meu Deus, olhe pra sua camisa! Está totalmente úmida e gelada! E você está rouco!
Foi então que eu percebi: uma de suas mãos continuava repousada no meu braço, enquanto a outra analisava minha camisa.
– Bom, graças a você, essa parte está quentinha...
Regina enrubesceu imediatamente, e eu me arrependi do que disse. Droga, isso foi uma cantada?! Tenho que contornar a situação...
– Eu...
– Me desculpe. – Regina se afastou de meus braços sentando-se ao meu lado — Eu venho e dando tanto trabalho... Desde que nos conhecemos você está me ajudando... Primeiro aquela história com a Belle, então Henry. Eu me machuquei e você cuidou de mim esse tempo todo... E agora minha... mãe. – seus olhos ficaram úmidos – Eu me sinto uma criança com isso tudo, como se eu precisasse de uma babá!! Sou uma mulher adulta, independente!
– Já me xingaram de coisa pior que ‘babá’... Mas, falando sério. Ser independente não significa ser sozinha. Você é mãe e prefeita, não sei se Rainha entra na conta, mas enfim, você carrega tudo nas costas. Ao mesmo tempo em que cuida do Henry, tem que cuidar da Belle e da cidade toda sozinha. É normal nós ‘desabarmos’ de vez em quando, afinal, somos humanos não? As vezes, é bom ter alguém por perto pra ajudar. Eu já disse isso e repito: deixe-me te ajudar! Eu quero te....‘atchim!’
– Bom, no momento, quem precisa de ajuda é você... – disse ela, rindo do meu ataque de espirros – Seu nariz está vermelho!
– Isso não é bom...
– Vamos, você precisa tomar banho e trocar de roupa. – disse ela, saindo da cama e me puxando pelo braço.
– O que você vai fazer?
– “Às vezes é bom poder contar com alguém. Deixe-me te ajudar...” – sorriu, repetindo minha frase.
– Ei, isso é plágio, essa frase tem direitos autorais!
– Bom, você pode me cobrar depois, mas, agora, vai entrar nesse banheiro, tomar um belo de um banho e trocar de roupa. Depois, vai deitar na sua cama e se cobrir.
– Só isso doutora?
– Bom, por enquanto sim... Talvez tenha que medir a temperatura – duplo sentido? Neal, cala a boca... – Que foi? Eu criei um garoto por longos anos, acha que não sei cuidar de um resfriado?
– Eu não disse nada...
– Mas pensou, e pela sua cara, coisa boa não foi. – Depende do ponto de vista... – Pra sua informação, eu sobrevivi à febres, gripes, catapora e sarampo, cor de cabeça, dor de estômago, dor no braço, na perna...
– Iiii, vai começar...
– Hm... – fez careta
– O quê?
– O Henry é igual a você.
– Eu sei que o garoto é lindo, charmoso, inteligente...
– E manhoso!!
– E? Isso é uma adição... Também me acha lindo, charmoso e inteligente? – sem pensar, me aproximei. Estávamos em pé diante da porta do banheiro, com centímetros nos separando.
– E-eu não disse isso...
– Mas pensou!
– E aquela história de direitos autorais?
– Você plagiou primeiro.
– Hahaha, engraçadinho. Você foi bem mandão quando eu estava machucada, agora é minha vez. Entre nesse banheiro já! – disse ela, me empurrando para dentro.
– Regina —
– Sim senhora! — disse ele, batendo continência como um soldado, me fazendo rir.
Assim que entrou no banheiro, me dirigi para o quarto com o intuito de me olhar no espelho e dar um jeito nas minhas roupas, porém, me peguei fitando a cama.
Agora me lembro dos detalhes
Estávamos no jardim, minha mãe foi morta na minha frente. Assim que me dei conta, cai num choro desenfreado, e Neal me impediu de desabar no chão. Então começou a chover mais forte. “Temos que sair daqui”, disse ele, tentando me tirar de lá, mas eu não saía. Após algumas tentativas, me carregou no colo e me trouxe para o quarto. Ele bem que tentou me soltar, mas eu estava tão inerte que meus dedos grudaram em sua camisa, e meu rosto ainda estava apoiado em seu pescoço. Foi então que ele desistiu. Sentou-se na cama e me acomodou nos braços. Com os olhos fechados, consigo sentir seus braços me apertando, suas palavras tentando me confortar, suas mãos acariciando meus cabelos. Não me lembro por quanto tempo ficamos assim, apenas que, em determinado momento, a canseira me atingiu, e meus olhos se fecharam.
De manhã quando acordei, me senti quente e protegida. Ele dormiu a noite toda comigo sobre ele. A camisa ficou ainda mais úmida pelo contato com meu corpo ensopado, afinal, havia apenas um cobertor nos aquecendo. Eu dormi confortavelmente bem, mas ele com certeza não. Além de ter meu corpo molhado sobre si, o colchão também estava ensopado. Percebi que tinha apenas alguns travesseiros na cabeceira da cama.
Ele dormiu sentado?
Como isso chegou nesse ponto? Como ele me traz tanta segurança? Como ainda consegue me fazer rir depois de perder minha mãe?
– Mom... – sussurrei.
Ela nunca foi uma mãe presente, eu até tentei matá-la.
Tudo que eu sempre quis foi ser amada...
Com esses pensamentos em mente, parei em frente à porta de seu antigo quarto. Lembranças de quando ela ainda estava viva, das palavras que me disse, de tudo que fez para eu chegar ao trono real... Ela sempre quis que eu vencesse, mesmo contra minha vontade...
– Regina? – perguntou Neal, parado no batente da porta.
– Neal? Já terminou? – disse eu, sem me virar, tentando esconder as lágrimas que insistiam em cair.
– Sim... Você está bem? – perguntou, se aproximando e sentando-se na minha frente.
– Eu... – meu rosto estava úmido pelas lágrimas que rolavam – Eu... eu não sei. – respondi, com sinceridade.
– Você não quer falar a respeito?
Após alguns instantes nos encarando, vencida, decidi que já não aguentava mais ter que guardar tudo dentro de mim. Eu precisava conversar com alguém...
– Sabe, ela nunca foi uma mãe de verdade. Manipulava tudo e todos em seu favor. Matou muitas pessoas para conseguir o que queria: que eu fosse a Rainha.
– Você não estava na linha de sucessão?
– Não. Quando era jovem, era conhecida como “a filha do moleiro”, era pobre, ninguém a respeitava. Um dia, uma princesa a tratou tão mal, que ela jurou vingança. Foi nesse período que conheceu seu pai. Eles fizeram um acordo e ela conseguiu se casar com o príncipe Henry: meu pai. Tudo que ela queria era se vingar daqueles que a maltratavam. A partir de então, seu único propósito era que a filha viesse a se tornar rainha, para mostrar a todos que ela venceu.
Me inclinei pra frente, apoiando meus braços no colo.
– Ela manipulou tantas pessoas, que finalmente conseguiu: eu fui pedida em casamento pelo Rei Leopold, pai da Snow. Seus desejos foram realizados: eu me tornei Rainha, todos estavam aos meus pés... Sem saber, me vinguei por tudo que ela sofreu...
– Você deve ter ficado feliz em se tornar Rainha...
– Não. Eu nunca quis ser rainha. Tudo que queria era fugir e me casar com Daniel, o tratador dos cavalos... No dia da fuga, um pouco antes do casamento, por causa da Snow, minha mãe descobriu e nos impediu. Ela esmagou seu coração na minha frente... Daniel morreu nos meus braços.
– Eu... eu não sabia, sinto muito...
– Tentei várias vezes trazer Daniel de volta, mas era impossível. Meu coração foi partido, todas as minhas esperanças se foram. Minha mãe venceu: eu me casei com o Rei, mas, a doçura, a pureza e a bondade que eu tinha antes também se foram. Restou uma mulher amarga e rancorosa. Desde então, a magia e o poder me cegaram. Meu objetivo era me vingar da Snow... matá-la. Tentei tantas vezes... Nunca consegui. Acabei me tornando igual a minha mãe...
– Eu te entendo...
– Duvido.
– Não, é verdade. Por pior que ela tenha sido, era sua mãe... Quando meu pai me abandonou, me trocou pela magia, meu coração foi destroçado. Eu estava sozinho em outro mundo, e eu sabia que ele não iria me buscar. Eu me senti... desprezado. Dói muito saber que você nunca mais verá alguém que ama...
– Eu sei que ela fez coisas horríveis, que matou e manipulou muitas pessoas. Sei também que ela nunca se importou com a minha felicidade... Mas, mesmo sabendo de tudo isso, ela era minha mãe... Eu a amava... Mesmo não sendo correspondida, eu a amava...
Neal se aproximou ainda mais e me puxou para um abraço.
– Eu sei... Apesar dos pesares, ela era sua mãe... E, felizmente, você a amava.
– Felizmente?
– Sim, pois isso prova que você não é igual a ela. Prova que a jovem pura e bondosa ainda está aí dentro...
Pela primeira vez, contei tudo que sentia, minha história e tudo que me incomodava... Neal foi compreensivo e escutou cada palavra, opinando de vez em quando. Quando terminamos, me senti aliviada, com a certeza de que aquele era o início de uma grande amizade.
– Bom, eu já tomei banho e me troquei, te obedeci direitinho... – disse Neal, encerrando o assunto “Cora”.
– É... Você foi um bom menino...
– É claro que sim, quem você acha que o Henry puxou?
– Por isso ele é convencido e manhoso...
– Ai, agora doeu.... – brincou, rendendo boas risadas.
– Pararam os espirros... está melhor? – perguntei, colocando a mão em sua testa para medir a temperatura.
– Sim doutora. Obrigado. Agora... Lembra do chocolate quente?
– Sim...?
– Enquanto você toma um banho e troca essas roupas, eu preparo a bebida. Nos encontramos na cozinha? – disse ele, sorrindo.
– Tudo bem. Desço em alguns minutos.
Dito isso, eu me dirigi ao banheiro e ele para a cozinha.
E quanto a Belle? Ainda preciso saber o que aconteceu no jardim ontem...
Meia hora depois, estávamos os dois na cozinha, tomando nosso chocolate quente. Os sinais de gripe começaram a aparecer no Neal, e eu não pude deixar de rir da situação.
– Regina... – disse ele, mais sério.
– Sim...?
– Enquanto você estava no banho, meu pai ligou...
– Ela quer falar comigo não é?
– Sim.
– Eu também quero falar com ela... Temos que nos entender.
– Você...não pretende se vingar ou algo parecido, certo?
– Não. Já aprendi minha lição...
–---- na manhã seguinte -------
– Neal -
Fiquei de cama o resto do dia, com gripe e tosse. Regina se sentia culpada pelo que aconteceu, mas consegui convencê-la do contrário. Assim que amanheceu, liguei para meu pai pra que ele trouxesse Belle à tarde.
– O que você está fazendo aqui?
– O almoço. Quer suco?
– Sim. Está melhor?
– Com uma médica 24horas presente, não tinha como não ficar. – disse eu, fazendo-a enrubescer. – me passa a cebola...
Por mais uma hora, ficamos na cozinha preparando o almoço, depois nos sentamos para comer.
– Hey! O que vai fazer?
– Lavar a louça...
– Nada disso! Não vou deixar que mexa com água gelada doente desse jeito! Pode sair dessa cozinha agora!
– Mas...
– Faz o seguinte, pega algumas maçãs no jardim que vou fazer uma torta à tarde... – disse ela, pegando o avental branco e me dando uma cesta.
Regina, Regina... O que eu não faço...
Horas se passaram, e, por volta de 15horas, Belle e meu pai chegaram. Enquanto ela e Regina foram para a cozinha, eu e meu pai ficamos no jardim.
– Filho, o que você tem?
– Por quê?
– Seu nariz está vermelho, parece cansado...
– Ah, é que eu tomei chuva e dormi com a roupa molhada... Peguei um resfriado... Ontem eu até estava com febre...
– Mas você está melhor? – perguntou ele, se mostrando preocupado.
– Sim. Regina me deu um remédio e já estou bem melhor...
– Vocês ficaram bem próximos não é?
– Acredito que sim. Nos tornamos grandes amigos.
– Só amigos?
– O que quer dizer com “só amigos”?
– Nada...
– E a Belle?
Assim ficamos nas próximas horas. Conversamos sobre a Regina, sobre a Belle e sobre a loja, mas quando puxei o assunto de como se sentia com essa história, ele mudou de assunto. Logo decidimos entrar na casa, já estava escurecendo e eles tinham que voltar.
– Rumple –
– Já voltaram? – perguntou Regina, que arrumava as mangas da camisa.
– Já? Você por acaso sabe que horas são? – disse Neal, brincalhão.
– Onde está a Belle? – perguntei.
– Subiu para pegar algumas coisas no quarto. – me encarou por um segundo e continuou — Obrigada Rumple.
– Pelo quê?
– Por ajudar. Ela já me contou tudo o que aconteceu. Com certeza esse tempo vai fazer bem a ela...
– Eu espero que sim...
– E essa torta, sai ou não sai? – perguntou Neal, se aproximando para abrir o forno.
– Hey! – impediu Regina – Pode se afastar desse forno mocinho!
Neal mostrou a língua, seguido por Regina. Eles estavam se dando bem, pareciam duas crianças brincando.
– Só uma olhadinha... – tentou novamente
– Neal...
– É só pra experimentar... – disse ele, com a mão na porta do forno.
– Não se atreva! – rebateu Regina, batendo com a colher na mão do Neal.
– Ai! Chata!
– Atrevido!
– Mandona!
– Teimoso!
– Hey!! O que eu perdi? – interrompeu Belle, na porta da cozinha e, entendendo a situação, resolveu entrar na brincadeira – Neal, é melhor não bater de frente com ela... – aproximando-se do forno – Já está pronta?
Belle fez menção de que abriria o forno, mas Regina foi mais rápida e a impediu.
– Você e o Neal parecem crianças... Saiam já da cozinha!
– Mas...
– Nada de mais. Vamos, os três pra fora!
– Sobrou até pra mim... – disse eu, entrando na brincadeira.
Saímos da cozinha, conversando e dando risada. Nunca me senti tão bem, tão... leve. Alguns minutos depois, Regina voltou para a cozinha, chamou Neal para ajudar e voltou segundos depois. Ela com uma bandeja com pedaços de torta, e ele com outra de suco.
Ficamos algumas horas na sala conversando e rindo, era como se eu tivesse uma família. Por volta de 21horas, nos despedimos e fomos embora. Ofereci o braço pra Belle e ela aceitou. Tudo parecia finalmente estar se encaixando.
– Regina –
Estávamos terminando de limpar a cozinha, conversando e rindo.
– Regina, amanhã vou arrumar minhas coisas... – disse ele, mais sério.
– Por quê? Estão espalhadas pelo chão do quarto?
– Não, palhaça! – disse eu, jogando o pano de prato em sua cara — Eu vou arrumar minhas coisas pra ir embora. Você já está bem melhor, abusei de sua hospitalidade tempo demais.
– Ah... – não sei por que, mas imediatamente uma tristeza me atingiu.
– Se você quiser, posso trazer o Henry antes, tenho certeza que ele está com saudades...
– Claro. Eu também sinto falta dele...
– Atchim!
– Já tomou o remédio?
– Sim senhora.
– Então vamos subir que já está tarde...
–--- na manhã seguinte ----
– Neal –
Sai cedo para buscar Henry. Assim que cheguei à casa da Emma, fui recebi com um grande abraço. Ele estava pronto, a mochila arrumada, ansioso para ver Regina.
– Hey! Não vai nem se despedir de mim? – perguntou Emma
– Claro! – voltou Henry, beijando-a e abraçando-a. – Nos vemos depois.
Assim, voltamos para a casa da Regina.
– Como ela está? – perguntou ele, mais sério.
– Triste por tudo que aconteceu... Mas, com a sua presença, logo logo se recupera.
– Vou fazer de tudo para alegrá-la.
– Eu sei que vai, posso te pedir um favor?
– Claro.. – disse, desconfiado
– Cuida bem dela. Ela te ama muito...
– Isso não precisa nem pedir... – disse ele, com um grande sorriso no rosto.
– Pronto, chegamos!
Henry entrou correndo na casa, chamando pela mãe. Me apressei para acompanhá-lo.
– Henry! Como é bom te ver... Senti tanta a sua falta!
Regina e Henry estavam abraçados na cozinha. Ela usava um robe longo preto.
Neal se controla...
– Você já tomou café da manhã?
– Não
– Ótimo! Então vou preparar as panquecas que você adora! Leva suas coisas pro quarto e lava a mão.
– Tá.
Henry deu outro beijo em seu rosto e subiu correndo as escadas.
– Nossa, nunca vi ele tão animado...
– Ele é assim quando está feliz... Fica elétrico e ninguém segura. Não duvido muito que ele me peça para brincar com ele depois... – disse ela, sorrindo.
Ela estava tão feliz por ter o Henry de volta... Tirou o robe, mostrando sua camisola longa e negra, colocou o avental, se dirigindo à pia.
– Então... ele também gosta de panquecas?
– Também?
– Sabe, não faço ideia de quem ele puxou isso... – fiz carinha de anjo, iniciando “nosso” jogo favorito.
– Hm... Deve ser de alguém muito guloso, espaçoso...
– Ou de alguém muito chata, mandona... – não pude terminar a frase, pois um punhado de farinha me atingiu no rosto – Hey!
– Ah, desculpe, foi sem querer... – disse ela, rindo com carinha de criança quando apronta.
– Hm... – comecei a me limpar – Você não devia ter feito isso...
Chegando mais perto, peguei um grande punhado de farinha e lancei em sua direção, manchando a camisola preta.
– Atrevido! – disse ela, se preparando para um “segundo round”. Corríamos pela cozinha, atirando farinha e açúcar, até o chocolate em pó não escapou.
– Agora eu te pego! – disse eu, encurralando-a num dos cantos da cozinha, com a mão molhada e cheia de farinha, formando uma pasta.
– Não se atreva... – falou, totalmente encostada na parede.
– Você não tem saída... – falei, confiante, me aproximando ainda mais.
– Sempre há uma saída – disse ela, sorrindo e fugindo por baixo dos meus braços – Nesses momentos é bom ser pequena...
Não percebemos, mas nessa hora, Henry nos observava atrás da porta, escondido.
– Trapaceira! – gritei, correndo atrás dela novamente. Rodamos umas cinco vezes em volta do balcão, e finalmente consegui alcançá-la.
– Você não vai me pegar... sou mais rápida!
– Ah é? Vamos ver...
Com a mão livre, agarrei seu braço, puxando-a. Assim que seu corpo bateu no meu, segurei fortemente sua cintura, seu braços por baixo do meu.
– Neal! – disse, não se aguentando de tanto rir, assim como eu.
Com a outra mão, passei a “pasta” de farinha com água no seu braço. Em meio à gargalhadas, Regina estremeceu e gritou com o contato com a pasta gelada.
– Ah! Neal, me solta!! – disse quando a tirei do chão, ainda presa, passando a mão suja em seu rosto – Você me paga Neal!! Espera só eu me soltar!
– Até você conseguir se soltar, já vai estar cansada, então não vai fazer nada... Você mal consegue falar de tanto rir!!
– Você também não!
Decidi trocar o braço, mas assim que seus pés tocaram o solo, me deu uma rasteira. Desequilibrei-me e cai no chão de costas, levando Regina comigo, que caiu em cima de mim.
– Ai! – disse eu, com impacto do chão e o corpo dela.
– Eu avisei! – falou, tentando se levantar.
– Você não vai escapar tão facilmente... – disse eu, segurando seus pulsos, fazendo-a cair novamente, porém, dessa vez, prendi-a embaixo de mim. Minhas mãos, por estarem sujas, escorregavam no chão.
Com os dois braços presos ao lado do corpo, Regina parou de lutar. Ficamos nos encarando por alguns minutos, seus intensos olhos pareciam desvendar minha mente. Minha respiração parou, e a dela saia entrecortada. Sentir seu corpo tão perto assim transmitiu ondas pelo meu.
Como ela pode ser tão linda?
Nossos rostos estavam muito próximos...
Podia sentir sua respiração quente...
Seu perfume doce invadia minhas narinas...
Estávamos muito próximos...
Cada vez mais...
Mais um pouco...
– Mon? – interrompeu Henry
Regina se assustou, e eu imediatamente a soltei, saindo de cima dela.
Que situação constrangedora!
– O que aconteceu aqui? Tem farinha e...chocolate em pó por todos os cantos... – enquanto ele falava, me levantei e ajudei Regina, que já estava vermelha de vergonha. –O que aconteceu com a sua roupa? E a sua? – a última se referindo à mim.
– Ãhm... Sua mãe jogou farinha em mim... E eu aceitei esse “desafio” e entrei na brincadeira. Acho que passamos um pouco da conta...
Regina suspirou aliviada, porém, ainda estava de costas.
– Acho que eu coloquei a mão na massa, literalmente. – brincou, descontraindo um pouco o ambiente. – Henry, já lavou as mãos?
– Sim senhora
– Ótimo, então vamos fazer logo essa panqueca... – disse ela, levando-o ao balcão e começando a cozinhar.
Durante o café da manhã, Regina pareceu estar em outro mundo, pensativa... Quando nossos olhares se cruzavam, um misto de vergonha e surpresa se mostrava, de ambos os lados. Henry percebeu o clima estranho, e perguntou se estava tudo bem, para contornar, Regina respondeu estar pensando na mãe, e não foi questionada. Quase uma hora depois, levei Henry para a escola.
– Vocês iam se beijar não é? – perguntou ele, me fazendo engasgar com o copo de café.
– O quê?!
– Sou criança, mas não sou cego. Fazia um tempinho que estava na porta da cozinha observando... Acha que eu não percebi o clima entre vocês dois?
– Henry, você é muito novo para “perceber” essas coisas... Agora ande que já está atrasado. – disse eu, fugindo do assunto. – E vê se esquece dessa história maluca...
– Hm... Se você está dizendo... Tudo bem. Mas, caso algo acontecesse, eu ficaria muito feliz...
– Algo? O que quer dizer com isso?
– Tchau Neal... – disse ele, se afastando e entrando na escola, me deixando com cara de bobo no portão.
– Esse garoto é esperto...
Fale com o autor