Broken - Season 1

21 Capítulo 20 - The Time Has Come!


Notas iniciais
Fiquei muito triste com o último capítulo... São 14 leitores e apenas um comenta??

Obrigada pelos comentários Gabi taisho salvatore ^^

Capítulo 20 – It’s time!

- Regina-

Acordei com o sol entrando pela janela e aquecendo meu rosto. Senti algo quente sobre minha mão e quando vi, era a mão de outra pessoa que repousava.

Neal!

As imagens da noite passada passaram como um filme pelos meus olhos. As indiretas do Henry, o jogo Twist, Neal próximo ao meu pescoço, o jantar repleto de fotos; Neal assustando-me na cozinha, suas mãos no meu rosto, o espaço entre nós diminuindo, meus olhos se fechando, o quase beijo... Henry gritando. Evitei seu olhar o resto da noite, ainda envergonhada pelo que aconteceu... Quando chegamos em casa, Henry pediu para que o colocássemos na cama juntos, mas o cansaço era tanto que acabei adormecendo ao seu lado...

Oh meu Deus, Neal! Nós... Nós dormimos juntos?!

Levantei-me da cama cuidadosamente e fui para meu quarto, tomei uma ducha quente e, cerca de uma hora depois, desci para a cozinha enrolada num robe vinho. Sem olhar dos lados, abri a geladeira e peguei uma jarra de vidro com suco de maçã.

Preciso me acalmar, não aconteceu nada de mais... Mas o “quase” foi torturante...

- Bom dia pra você também... – exclamou uma voz, assustando-me.

Com o susto, o copo que estava em minhas mãos caiu no chão, de novo, e estilhaçou-se em mil pedaços. Abaixei-me imediatamente para juntar os cacos, até que Neal aproximou-se para me ajudar.

- Você está bem? Não costuma assustar-se tão facilmente... – debochou.

- Não sei... Estou um pouco tensa nos últimos dias... – por sua culpa, acrescentei mentalmente.

Neal não respondeu, apenas continuou a pegar os cacos e levantou-se.

- Obrigada. – respondi.

Logo Henry desceu e tomamos café da manhã, porém, em determinado momento, a campainha tocou e levantei-me para atender.

- Emma? – surpreendi-me.

- Bom dia Regina. – disse ela, sem graça – Desculpe vir tão cedo, é que o Gold me disse que o Neal está aqui... Posso falar com ele? É importante. – ela parecia tensa

- Claro. Espere aqui que ele já vem. – falei, deixando-a na sala.

- Quem era? – perguntou Henry com um pedaço enorme de bolo nas mãos.

- Emma. Ela quer falar com você – disse eu, dirigindo-me ao Neal. – Está na sala.

- Ãhn... Tudo bem. – concordou também um pouco tenso. – Eu vou levá-la para o jardim.

- E eu levo o Henry pra escola. Vamos mocinho? – perguntei, mudando o assunto.

- Sim senhora – respondeu ele, levantando-se com a mochila na mão.

- Ótimo. Até depois Neal. – falei, afastando-me com Henry.

Chegando à sala, Emma deu um beijo nele e despediu-se, seguindo para o jardim com Neal. Não que me importasse.

Deixei Henry na escola e entrei no carro, mas então lembrei-me que as chaves do escritório ficaram no meu quarto e, não tendo alternativa, voltei para casa. Assim que entrei, subi para o quarto. Por um momento vi movimentos no jardim e, extremamente curiosa, olhei pela janela. Por algum motivo, a cena que presenciei irritou-me profundamente.

Mas que droga Regina, por que você se importa?!!

Saí imediatamente da casa com passos decididos e a mente fervilhando.

Hoje será um longo dia...

- Belle —

Levantei-me mais cedo que o normal, comi menos do que o habitual e, para completar, acordei extremamente irritada. Rumple ainda não tinha descido, portanto, decidi passar um tempo no jardim para tentar me acalmar. Ver o arco-íris de cores e flores não ajudou em nada, o ar estava quente e úmido, o céu dividia-se entre o azul e o branco.

Por que essas flores precisam mostrar a todos que estão felizes?

Aproximei-me de uma das roseiras e, com as mãos, acariciei suas pétalas. Perdida em pensamentos, senti uma pequena dormência nas mãos. Quando percebi, estava esmagando uma das rosas, e os espinhos cravavam minha pele sem piedade.

Por que coisas tão lindas podem machucar tanto?

Inebriada pela sensação, ou talvez num acesso de loucura, apertei com mais força a pequena rosa em minhas mãos, fazendo-as sangrar. Fechei meus olhos e vislumbrei um lugar totalmente escuro com paredes de pedra cobertas por galhos e folhas. Num dos cantos, grades grossas e fortes eram o único contato com o mundo exterior; por ela vi um grande oceano negro, iluminado pela luz da lua. Em uma das paredes jaziam grandes correntes sujas e enferrujadas. O lugar era úmido e frio, assustador para muitos. Mas eu não tinha medo, pois as paredes que me prendiam eram velhas amigas.

- Belle? – perguntou Rumple, tirando-me de meus devaneios.

- Bom dia. – respondi, ainda sem me virar, encarando a rosa em minhas mãos.

- Você acordou cedo hoje... Está tudo bem? – sua voz transparecia preocupação.

Não.

- Sim. – falei, sem qualquer entonação.

- O que faz aqui fora?

Revivendo lembranças que não são minhas.

- Nada.

- Então vamos entrar...

- Não. Deixe-me aqui. – respondi calmamente.

- Tem certeza?

- Sim.

Fechei os olhos novamente, voltando para as paredes que antes imaginei. Mas dessa vez não eram apenas imagens e sim memórias.

- Flashback on –

A luz da lua tornava-se cada vez mais escassa. Manchas de sangue pintavam os céus, assim como lobos uivavam e crianças choravam. Sombras apossavam-se dos guardas, chegando cada vez mais no alto das masmorras.

- É hoje. – disse um homem de aparência cansada.

- O quê? – perguntou uma criança.

- Uma criança será presenteada pela luz e pelas trevas, porém, caberá a ela decidir em qual lado permanecerá. Quando a décima lua de seu vigésimo quinto aniversário aparecer, a escuridão tentará apossar-se dela, assim como a luz irá reivindicá-la para si.

- E quem vencerá? – disse a criança novamente

Antes que o velho homem respondesse, o céu foi inundado por sombras negras e prateadas, lutando com luzes brancas e douradas. Numa dança frenética por espaço, ambas colidiram e espalharam suas dádivas pelo mundo.

Uma criança chorava nos braços de uma mulher. Alguns a tinham como louca, outros como bruxa. Porém, o que poucos sabiam, é que a criança de olhos negros em seus braços era a escolhida. Esse pequeno bebê seria reverenciado e lembrado por toda a existência.

- Flashback off –

Meus olhos abriram-se imediatamente. Minha respiração vacilava, minha mente voava. Olhei ao meu redor e percebi que já passava de meio-dia. Surpresa por te passado tanto tempo parada sem ao menos sentir canseira, segui para a cozinha e preparei meu almoço. Rumple não estava em casa, mas deixou um bilhete avisando que não viria para almoçar.

Logo após sentir-me saciada, segui para a biblioteca. As memórias que vi há pouco insistiam em perseguir-me.

Essas lembranças não são minhas... Ou são? Não, é claro que não são. Mas então como?

Pensamentos rondavam minha mente, hipóteses absurdas me atormentavam.

*Mommy?*

Hey! Finalmente resolveu conversar...

*Só gostaria de te falar uma coisa.*

Pode dizer.

*Não desista.*

O que quer dizer com isso?

*Quando a dor tornar-se insuportável você será forçada a fazer uma escolha. Por mais que sofra deve pensar bem, pois sua decisão pode afetar o curso do destino.*

Você está me assustando

*Não se assuste. Tudo ficará tudo bem...*

- Ah!!!!!!!!!!! – gritei, rompendo o silêncio da casa.

Uma dor incrivelmente forte atingiu-me no ventre, era como se eu estivesse sendo rasgada de dentro para fora. A janela abriu-se bruscamente, dando espaço para o ar gélido que invadia o ambiente. Senti meu corpo contorcer-se em dor e agonia, era tudo muito intenso. Tentei me levantar, mas assim que dei o primeiro passo, desabei. Lágrimas rolavam pelo meu rosto, o desespero tomando conta e a dor ficando cada vez mais forte.

“Não desista”, ela me disse.

Impondo ainda mais força, levantei-me com dificuldade, ainda gritando de dor, e arrastei-me até o telefone. No caminho esbarrei várias vezes, mas não desisti. Assim que alcancei o objeto, apoiei-me na parede e pressionei o botão de discagem rápida, torcendo para ser o número dele.

- Alô? – disse uma voz feminina, aparentemente irritada.

Outra forte contração atingiu-me, fazendo-me gritar de dor.

- Belle?! – falou a mesma voz do outro lado.

- Por favor... – tentei falar, mas a dor não ajudava, fazendo da minha voz um grito de agonia.

- Belle! O que está acontecendo?!! – perguntou novamente

- Eu... Hmmm... Eu preciso de ajuda... – outra contração.

- Estou indo, não desliga tudo bem?

A dor localizava-se nas costas, era como pegasse os ossos na coluna até o cox. Não conseguia falar ou pensar em nada. Senti minhas veias queimarem e meus ossos recuarem.

Momentos depois percebi mãos afoitas correndo pelo meu rosto.

- Belle! – gritou

- Regina?

- Sim, sou eu... Belle, o que está acontecendo?! – perguntou desesperada.

- Eu... Eu acho que está na hora... – falei, com lágrimas correndo pelo meu rosto.

- Belle, você precisa se levantar... Vamos...

Ela passou as mãos ao meu redor e levantou-me. Num momento estava sentada no chão, no outro, deitada numa cama. Regina segurava minhas pernas e logo senti mãos apertarem as minhas. A dor ficava cada vez mais forte.

- Belle, você precisa empurrar! – alguém falou.

Empurrei o mais forte que pude, mas a dor apenas multiplicava. Empurrei novamente, e a dor multiplicava. Era uma sensação anormal, insana! Senti novamente a necessidade de empurrar, e assim o fiz, usando o pouco da força que me restava. O alívio chegou instantaneamente, era como se um peso saísse de mim.

- Você conseguiu! Belle, você conseguiu!

A sensação de liberdade durou pouco, pois logo começaram dores muito piores, já não sabia se gritava ou chorava, não tinha consciência de nada ao meu redor. Meu sangue parecia queimar, meu coração batia mais forte e minha respiração saía entrecortada.

- Belle?

- Ahh!!!!!!!! – gritei

A partir de então tudo apagou-se à minha volta. Pensamentos e memórias invadiam minha mente ao mesmo tempo em que a dor me tomava por inteira.

“Quando a dor tornar-se insuportável você será forçada a fazer uma escolha. Por mais que sofra, deve pensar bem, pois sua decisão pode afetar o curso do destino.”

“Uma criança será presenteada pela luz e pelas trevas, porém, caberá a ela decidir em qual lado permanecerá.”

“Uma criança chorava nos braços de uma mulher. Alguns a tinham como louca, outros como bruxa. Porém, o que poucos sabiam, é que a criança de olhos negros em seus braços era a escolhida.”

“ Esse pequeno bebê seria reverenciado e lembrado por toda a existência.”

A escolhida... Mas é claro! A criança dessa profecia foi a primeira Phênix!

Quando a décima lua de seu vigésimo quinto aniversário aparecer, a escuridão tentará apossar-se dela, assim como a luz irá reivindicá-la para si.

Está acontecendo...

Senti meu corpo contorcer-se, dúvidas e hipóteses rondavam-me. O que fazer?

$ Ceda.

O quê? Ceder a quê?

$ Entregue-me sua bondade e nunca mais sentirá dor ou sofrimento...

# Lute!

Por quê?

# Se você ceder para o caminho mais fácil, não conquistará nada por si mesma.

Mas dói muito...

$ Então ceda! Desista! Basta uma palavra sua e toda a dor se extinguirá, todo o sofrimento desaparecerá! Você tem um grande poder nas mãos, use-o!

# Desistir não é o caminho certo. Use esse poder para o bem, use-o com sabedoria!

Minhas veias parecem estar queimando!

$ É o poder fluindo por você. Desistir é o caminho mais fácil de acabar com a dor.

# O caminho fácil pega atalhos, seus frutos nunca serão plenos ou satisfatórios.

$ Lutar só vai prolongar o que está sentindo.

“ *Quando a dor tornar-se insuportável você será forçada a fazer uma escolha. Por mais que sofra, deve pensar bem, pois sua decisão pode afetar o curso do destino.* ”

Então esta é a escolha? Escolher entre lutar e desistir?

$ Essa é a escolha. Lute, e você continuará sofrendo, a dor ficará cada vez mais forte.

# Desista e você estará fugindo de si mesma. Você é forte e determinada, então prove!

$ Ninguém antes escolheu lutar e venceu. Todos falharam...

# Sua mãe conseguiu. Ela lutou pela vida e venceu!

$ Desista!

# Lute!

$ Chega de sofrimento

# Não perca a esperança!

$ Você pode se tornar livre! É só desistir!

# Você precisa voltar para sua família...

$ Você não tem família! Ninguém te aceita!

# Sua filha precisa de você!

Eu estava confusa. Vozes me diziam para lutar, outras pediam para desistir...

“Não desista”, falou minha menina, “Eu confio em você”...

Minha filha...

# Não desista Annabelle.

$ Entregue-se! É o melhor a fazer... O mais fácil!

# Lute!

$ Desista!

Chega!!

Desistir é o caminho mais fácil, vai me poupar de muita dor no futuro. Mas não é o certo a se fazer. Minha filha pediu que eu lutasse, e assim farei. Nem todas as promessas do mundo podem me tirar a oportunidade de vê-la e dizer: ‘Eu venci! Você me pediu para lutar e eu lutei!’

$ Essa é a sua última palavra?

Não vou desistir. Pela minha filha eu luto quantas vezes for preciso, enfrento o que for necessário! A dor não vai me impedir de lutar por ela!! E se eu não resistir, ela saberá que morri tentando...

# Seu sentimento é nobre, você merece vencer. Lute! Lute com todas as forças que tem! Lute pela sua filha!

$ Você fez a escolha errada. Quer lutar? Então vamos ver se aguenta.

Nesse momento senti uma dor incalculável na espinha, parecia torcer meus ossos e depois quebrá-los um a um. Senti um fogo apossar-se de meus pés, subindo pelas minhas pernas até o quadril, atravessou meu ventre e seguiu na direção do pescoço, queimando tudo por onde passava.

Eu não posso desistir... Não posso!!

Logo um sentimento de agonia começou a manifestar-se. Parecia que alguém tentava arrancar meus olhos! Minha garganta estava seca, ficava cada vez mais difícil de respirar.

Vou aguentar... Por ela...

Eu estava à beira da loucura. Tudo queimava e ardia. Senti minhas mãos congelarem ao mesmo tempo em que o resto do corpo aquecia-se. A dor era insuportável, cada vez pior. Senti meu corpo enfraquecer, minha alma pesava.

Preciso... Preciso voltar para ela!

Quando pensei que não resistiria, ouvi novamente uma voz na minha cabeça.

# Você realmente é forte e tem um motivo nobre. Merece vencer...

Instantaneamente, senti uma onda de alívio me invadir. As dores começaram a diminuir, o fogo cessava.

O que está acontecendo? Eu perdi?

Imagens começaram a passar como num filme diante de mim.

Cora

Hook

Grumpy

Emma

Snow

Ruby

Charming

Granny

Luzes brilhavam e rostos desconhecidos se apresentavam. E então mais imagens.

Henry

Neal

Regina

Rumple

# Você venceu.

E então eu caí, mergulhando na mais profunda escuridão.

Notas finais
Nesse capítulo usei vários 'sinais', caso alguém não entenda o significado deles, aqui está:
$ lado das trevas
# lado da luz
** pensamentos da filha da Belle

Só posto o próximo com no mínimo 3 reviews.