Broken - Season 1

16 Capítulo 15 - Murder Under The Apple Tree


Notas iniciais
Boa tarde pessoal!!! Estou de volta... com as férias tenho mais tempo.. ^^
Esse capítulo é um dos mais tristes... eu realmente chorei escrevendo...

Obs.1: as frases em itálico, entre estrelinhas, são os pensamentos da menina (vcs vão entender quem é a menina)
Obs.2: em determinadas partes da história, coloquei o link de algumas músicas, abram e ouçam enquanto leem...é parte da trilha sonora... mas, como o link não está funcionando, terão q copiar e colar)
Obs.3: "Ahh!!!!!!!" = gritos

Espero que gostem :D

– Belle –

Tudo foi resolvido. Após cinco dias sem poder vê-la, no final da semana nos encontraremos. Como será que ela está? Eu me sinto tão culpada por ter feito aquilo... Muita coisa mudou desde esse incidente. Agora irei morar com um completo desconhecido, vou me afastar definitivamente da Cora e do Hook e... é loucura, mas posso jurar que ouço alguém falando comigo, uma menina...

– Você está bem? – perguntou ele, interrompendo meus pensamentos.

– Sim, só estava pensando... tem certeza que irá conversar com a Cora? Ela não é nada fácil... uma vez me disse que eu era a “pérola” dela, uma arma infalível. Nunca entendi exatamente quais eram suas intenções, mas sei que ela não desistirá tão fácil...

– Não se preocupe com ela, eu já disse que resolvo isso. Confie em mim...

Esse é o problema. Inexplicavelmente, confio nele desde a primeira vez que o vi, e isso me dá medo. Confiei na Cora, e ela me abandonou. Confiei na Ruby, e ela me traiu. Todas as pessoas em quem confiei, me desapontaram. Regina é a exceção, porém, a traidora fui eu.

– Tudo bem.

Não está tudo bem. Eu não quero confiar nele, porém, algo me atrai em sua direção. Algo dentro de mim me obriga a confiar nele. Seus olhos escuros me passam tranquilidade, e tenho certeza que dizem a verdade. Mas como posso ter certeza?

– Eu já falei com o Neal, e a Regina está te esperando.

– Agora?!

– Sim, algum problema?

– Então ela já está recuperada?

– Não totalmente, mas é como se estivesse. Neal me disse que ontem ela resolveu lavar o banheiro, mesmo com dor de cabeça.

– Típico dela... – disse eu, sorrindo. Como um estranho já consegue me fazer rir desse jeito?


*Ele é especial.*



Não, de novo não. Essa voz de novo!!


– Droga...

– O que foi?

– O que?

– O que você disse?

– Nada. Quando vamos?

– Na verdade, eu não vou. Enquanto você visita a Regina, vou conversar com a Cora.

– Hm...tudo bem.

–------ Horas depois --------

– Cora –

– Bom dia Rumple, a que devo a honra de sua visita?

– Só vim te dar um aviso.

– Um aviso? Pois então diga. – não pude evitar, e meu rosto se abriu em um sorriso irônico.

– A partir de hoje, Belle não será mais sua aluna, e sim minha. Deste momento em diante, será minha aprendiz e viverá comigo. Você nunca mais colocará suas mãos nela.

Não, não pode ser verdade. Não é verdade!

– O que você disse? E desde quando se importa com ela?

– Cora Cora, não faça perguntas, apenas aceite. Você nunca mais irá manipulá-la.

– Ela recuperou a memória? Ora Rumple, vai me deixar sem uma resposta? Ah, esqueci: ela não se lembra de você!! Acha mesmo que ela iria confiar em você depois de tudo que aconteceu?

– Apesar de seus esforços, ela parece cofiar em mim. Pode não se lembrar de nós dois, mas isso é questão de tempo.

– Rumple, ela nunca iria abandonar uma professora que dá a ela o que tanto deseja: poder. Forças para se vingar de todos na cidade! Ela não iria me trocar por um desconhecido.

– Oh, e você não é desconhecida?

– Sou a mãe da Regina, e isso conta pontos ao meu favor. Você pode fazer o que quiser, ela nunca me deixará.

– Sinto desapontá-la dearie, mas fizemos um acordo há dois dias. E como sabe, todos os meus acordos são cumpridos.

– Mas... você não pode fazer isso! Ela é uma tonta mesmo não é? Se ao menos te conhecesse!

– Ela conhece!

– Mas não se lembra! Você é um tolo de pensar que vai conseguir tê-la de volta. Ela é minha, e ninguém irá tirá-la de mim! Nem mesmo você!!

– Isso é o que veremos. Nunca mais se aproxime dela, caso contrário, terá que acertar contas comigo! Entendeu? – disse ele, indo em direção à porta.

Isso não vai ficar assim Rumple, não vai! Vou resolver isso agora!

Quem ele pensa que é para fazer algo assim? Não vou perder a chance de ter nas mãos a maior arma que alguém pode ter... Estou só esperando aquela tonta dar à luz, assim, pego a criança e sumo daqui. Vou criá-la como minha, e, assim que completar uma idade razoável, voltarei e aniquilarei todos. Essa criança será MINHA arma, e ninguém irá me impedir.

– Annabelle?! – perguntei, já na casa de minha filha.

Onde essa menina se meteu? Ah, claro, como pude me esquecer? Ela vive no jardim da casa... Com tantas coisas interessantes a se fazer, optou justamente por ler no jardim. Qual a utilidade disso?

– Ah aí está você querida Annabelle.

– Cora? – perguntou ela, claramente surpresa. Estava como imaginei: sentada ao pé da macieira, lendo um livro.

– Surpresa querida? Pensei que já me conhecesse o bastante para saber que eu não aceitaria essa ideia absurda tão facilmente! Você me subestima muito Annabelle.

– Se você está falando de eu ter um novo professor, está perdendo seu tempo. Minha decisão já foi tomada, e o acordo selado. Hoje é meu último dia nessa casa.

– Como teve coragem?!?!

– Como tive coragem?! Realmente quer discutir isso??

– Annabelle, você nem ao menos o conhece! Ele irá te manipular, te usar em benefício próprio! Não tem vergonha de ir morar com um velho daquele?? Ainda mais grávida?? Não te dá repulsa vê-lo por perto?!?! Anda, responda-me!!!

– Tenho duas coisas pra te falar. Primeira: posso não conhecê-lo, mas ele já me ajudou muito mais que você, que conheço há pouco tempo para se intrometer em minhas decisões. Segunda: O que faço ou deixo de fazer diz respeito exclusivamente a mim! Você não vai me influenciar como fez com sua filha.

– Garota tola! Ele vai fazer com você o mesmo que fez comigo e com a Regina: usá-la e jogar fora! Vai te manipular de tal forma, que você chegará a pensar que ele realmente se importa com seus sentimentos e necessidades!

– Quem é você para me falar em manipular pessoas? Você nunca foi uma santa! Sei muito bem o que fez para conseguir o status de realeza e sua magia! Você fez um acordo com o Dark One para obter magia e assim se vingar da Rainha Eva! Você seduziu e enganou o príncipe Henry para poder se casar com ele. Você manipulou o pai dele e ele mesmo! Fazia o que queria com eles! Para nada interferir nos seus “planos”, tirou seu próprio coração! Criou sua filha a base de regras sem escrúpulos! Manipulou a todos para que a Rainha Eva morresse e sua filha usurpasse o posto, mesmo contra a vontade!! Você nunca amou a Regina! Apenas a manipulou e continua manipulando! Então não me venha com sermões pra cima de mim!! A Regina pode até acreditar e acatar suas ordens, mas eu não sou ela. Não vou e nunca irei me curvar diante de alguém tão desprezível como você!!! Minha opinião já está formada e não é você que vai mudá-la!!

Como ela se atreve a me dizer isso?

Belle prostrava-se em pé diante de mim, seus olhos brilhavam de raiva, e sua voz era firme. Porém, pude perceber algo diferente em sua postura: medo. É hora de atacar.

– Como OUSA a levantar o tom de voz comigo? Você é insana garota! Acha mesmo que alguém como você vai atrapalhar meus planos?! Já derrubei pessoas muito maiores que você!

– Sim! Sou insana! A partir do momento em que aceitei sua “ajuda”. Desde então, tudo que tem feito foi alimentar minha sede por vingança! Não passo de uma arma criada por você!

– Você não passa de um ser insignificante! Além de sonsa, é idiota o suficiente para achar que você me serve para alguma coisa! É só um passatempo dearie. Meu verdadeiro objetivo está dentro de você.

– Belle –

– Quando você tomou aquela poção, pensei que se tornaria uma mulher forte e destemida! Mas vejo que me enganei; você se tornou uma tola sem significado algum, sem personalidade própria e dependente da Regina! Eu te dei tudo que poderia te satisfazer: poder. Te ensinei como capturar um inimigo, como surpreendê-lo e como criar feitiços. Mas tudo pra quê? NADA! Menina ingrata! Você deveria saber com quem pode mexer sem se queimar!!

Dito isso, senti galhos se enrolando em minhas pernas e meus braços, meus pés saíram do chão, senti minha face queimando de raiva, sinal de um possível descontrole.

– Eu trouxe um presentinho pra você... – disse ela, se aproximando e depositando um belo bracelete no meu braço direito.

\"\"

– Você sabe que esses galhos não vão me segurar. Muito menos um presente me amaciar.

– Que tom prepotente... Quem falou em “segurar”? Agora você vai aprender a não se intrometer nos meus negócios.

Então começou. Descargas elétricas percorriam meu corpo, uma dor que nunca senti. Um dos galhos apertava cada vez mais meus pulsos, enquanto eu me contorcia de dor. Nesse momento, esqueci de tudo ao meu redor. Henry na casinha da árvore, Regina no quarto principal descansado, meu corpo sustentado por galhos, nada disso me veio à mente. Tudo que sentia era dor.

– Cora -

– My Dear Annabelle, você ainda acha que pode me trocar assim?

– Você pode até me matar, mas NUNCA vou me ajoelhar aos seus pés!!!! Ouviu bem?! NUNCA!!

Era óbvia em seu rosto a dor que estava sentindo. Ninguém conseguiria se livrar daqueles galhos sem usar magia, e meu bracelete daria um jeitinho nisso. Se ela não estará do meu lado, tirarei o último resquício de humanidade que ainda possa se formar: a criança em seu ventre.

– Renda-se de uma vez Annabelle, você nunca conseguirá se livrar desses galhos...

– Henry —

Belle gritava cada vez mais, seus braços se contorciam numa tentativa falha de se soltar. Em determinado momento, tentou usar magia, mas algo deu errado. As descargas elétricas estavam mais fortes, e lágrimas rolavam por seu rosto. Como ninguém escutou seus gritos de dor? Minha mãe está na casa, mas mesmo assim não aparece. Será que... não, ela não seria capaz. Ou seria? Que pergunta besta, é claro que seria. Provavelmente, Cora lançou um feitiço no lugar, algum tipo de “campo de força à prova de som”. Tenho que fazer algo, mas o que? Se eu sair dessa casinha na árvore, ela vai me ver e me impedir de correr, mas se eu ficar, algo muito pior pode acontecer.

– Ahh!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! – Annabelle voltava a gritar, seu semblante era de desespero, confusão...

– Belle –

Apesar da dor incalculável, preciso me calar, não darei o gostinho de vitória à ela...

– O q-que tem nesse bracelete?

– Oh, você consegue falar? Impressionante...

– Diga logo!!

– Vejo que já fez efeito, foi mais rápido do que imaginei. Quem diria que um velho feitiço, escondido à “sete chaves” poderia me trazer tantos benefícios...

– É claro, como não pensei nisso antes? O feitiço para “aniquilação” não é? – Meus olhos se fecharam. Ah!!!. Outro choque elétrico, estão cada vez mais intensos – Toda magia tem um preço Cora, está pronta para pagar o seu?

– Eu?? Não me faça rir... Você é muito tola garota. – Cora fechou as mãos, diminuindo o intervalo dos choques.

– Até já imagino o que a Regina pensará de tudo isso... E, claro, meu novo “professor”...

– Acha mesmo que ele se preocupa com você??

Ah!!!!!!! Isso realmente dói...

*Você precisa se soltar, por favor.*

O quê? De novo não...a voz de novo não...

Nesse momento, minha expressão se fechou, porém, foi mal interpretada pela Cora.

– Isso mesmo querida, ele nunca se importou com você. Eu sim. Te dei tudo, e estou disposta a perdoar. Basta um simples pedido de desculpas, seguido de uma promessa e um gesto de reverencia, é claro.

– Não vou me prestar ao papel de serva obediente!! Eu Ah!!!!!!!!!!!! ...

– Você está cansada, pare de lutar! Isso só fará mal ao bebê...

– Não ouse abrir sua boca suja para falar dele!!

– Então essa é sua última palavra?

– Você não terá nada mais de mim.

– Você me decepcionou muito. Infelizmente, terei que me livrar de um encosto...

– Por que não me matou ainda?

– Por que você não é o alvo principal. O mundo não gira ao seu redor dearie...

O que ela está dizendo? Quem é alvo principal então?

*Sou eu.*

Ora que droga! Até à beira da morte ouço vozes?!

*Por favor, tente se soltar. Está doendo muito. Esses choques machucam...*

Quem é você?

*Achei que já soubesse...*

Se soubesse não estaria perguntando.

*Sou sua filha.*

Como é?!! Como você pode ser minha filha? Fetos não falam!

*Acredite em mim... sou eu quem está na sua barriga durante os últimos 7 meses... Sei de cada sentimento seu, cada pensamento e, no momento, toda a dor que sente, eu também sinto, porém, com menor intensidade.*

Então... Regina estava certa. Os filhos das Phenix podem mesmo se comunicar com as mães durante a gestação?

*Sim, ela está certa*.

Então... você é uma menina? Serei mãe de uma menina?

*Sim...*


A emoção tomou conta de mim. Seria mãe em alguns meses de uma garotinha? Eu normalmente não ficava tão sensibilizada perante minha gravidez, mas ouvir essa vozinha doce dentro de mim, de certa forma, tocou meu coração. Não aguentei e comecei a chorar novamente... Meu sorriso de felicidade, os gritos de dor e a expressão de surpresa se misturavam em minha face.


– Desistiu de conversar? Suas forças já estão se esgotando não é?

*Mommy, por favor, tente se libertar, sei que consegue. Por favor... não desista...*

– Renda-se logo Annabelle, não adianta lutar...

*Você consegue, tem forças pra isso...*

Eu não tenho magia, não consigo

– ...você perdeu...

*Você não precisa de magia.*

– ... está sem magia...

*Você precisa de fé*

– ... nunca foi amada, ninguém se importa com você ...

*Acredite em você mesma*

Desculpe-me, eu não consigo...

– ... você é fraca, uma inútil!

*Eu acredito em você. Vamos, lute!!*

– Você nunca verá o rosto dessa criança...

*Mommy, eu preciso de você! Por favor, não desista!!*

Do que me chamou?

*Mommy... Eu acredito em você...*

Após ouvir essas palavras, uma estranha força tomou conta de mim. Senti meus braços queimarem, minha cabeça ardia e meus músculos respondiam à dor dos choques. Meus olhos se fecharam instantaneamente, era como se eu estivesse sendo possuída, como se todos os meus poderes estivem voltando com força total.

– O quê? O quê está acontecendo? – seu rosto era um misto de surpresa e medo.

Eu já não estava no controle de meu corpo.

– Cora –

Sua postura mudou. A mulher que gritava de dor há poucos segundos atrás, desapareceu. Seus olhos estavam fechados, sua boca permanecia calada. Suas mãos tremiam, fechando-se num punho. Sua cabeça se levantou, com um ar sereno e um sorriso diabólico. Sua pele tornou-se pálida e seus lábios arroxeados. Os olhos negros eram um destaque em seu rosto.

\"\"

Dito isso, suas mãos, agora em punhos, começaram a forçar os galhos para frente, ignorando as múltiplas descargas elétricas que se seguiam. Era como se não fizessem efeito.

– Não, isso não é possível, você deveria estar sem poderes! O bracelete... ele... ele deveria.... funcionar!!

Girou seus punhos e agarrou os galhos. Com uma força fora do comum, em um só puxão, Belle partiu ambos os lados dos galhos.

No mesmo instante, o céu começou a se escurecer, o vento tornou-se mais forte, as folhas e maçãs da árvore balançavam sem parar, e algo aconteceu. Como se fosse um raio, uma chama vermelha explodiu em minha frente. Inexplicavelmente, essa luz vermelha queimava os olhos. Foi então que percebi: essa chama vinha de Annabelle. Os galhos que ainda prendiam suas pernas se queimaram, assim como o bracelete que prendi em seu braço.

\"\"

Com um sorriso de satisfação, finalmente me encarou.


– A Phênix nunca desiste...

Num rápido movimento, suas mãos estavam no meu pescoço.

– A Phênix não é fraca...

Sua outra mão fazia pressão contra minha garganta.

– A Phênix luta para ganhar!

Num simples movimentar dos dedos, me lançou alguns metros à frente,caminhando em minha direção lentamente, enquanto eu tentava me levantar.

– Eu sou pura magia! Puro poder!

Outro movimento e eu estava presa contra a macieira.

– Quem é a fraca agora? QUEM É A INUTIL AGORA?!

Ela se aproximava cada vez mais, seu olhar era puro ódio, puro... poder.

– Eu não perdi...

Annabelle pegou uma das maçãs da árvore e a estraçalhou na minha frente. Não sei dizer ao certo o que aconteceu, apenas que eu não conseguia me mexer...

http://www.youtube.com/watch?v=6tv3iVsD7Bg


- Belle —

*Não faça isso*


O quê?

*Por favor, não faça isso. Vai se arrepender depois.*

Você não sabe o que sinto.

*Sei sim. Você quer descontar toda a tua raiva nela. Quer se vingar pelo que ela fez, mas esse não é o caminho certo.*

Você me pediu para lutar, para não desistir. É o que estou fazendo.

*Não, você está pegando um atalho, o caminho mais fácil. Isso vai obscurecer sua alma e seu coração. Por favor, não faça isso.*

Não me importo. Ninguém mais vai tomar o controle da minha vida.

*Pois é o que está acontecendo agora. A Phenix está te controlando. O gosto do poder pode ser bom, mas a recompensa não. Você nunca mais terá paz, nunca mais se esquecerá. Não deixe que ela te domine, assuma o controle de suas ações!*


Por um breve momento, minha consciência tornou-se clara novamente, e me dei conta do que estava acontecendo.



*Essa não é você, pare...*


Sua voz esta fraca... por que sussurra?


*Estou sem forças. Cada vez que você perde o controle, é como se uma parte de mim fosse sugada para manter sua força intacta... Minhas lembranças vazam de minhas veias... deixam-me vazia e sem peso, isso dói muito, estou cansada...*

Eu... eu...

- Desistiu darling? – ao ouvir sua voz, a Phenix tomou conta de mim novamente, me fazendo esquecer tudo e de todos.

- Não, estou apenas começando...

Com minhas mãos em seu pescoço, comecei a apertar...

*Por favor, pare... está doendo muito! As chamas que saltam de seu corpo estão me machucando...*

Mais pressão...

*Por favor...*

Mais pressão, posso sentir os ossos de seu pescoço.

*Me desculpe...*

Como?

*Gostaria muito de te conhecer...*

Tem alguns meses ainda pra nascer...

*Não... essa dor é muito forte, não aguento mais... desculpe-me por não te trazer alegria...*

O que está fazendo?

– Cora-

Lágrimas saltam de seus olhos. O que está fazendo? As pupilas negras parecem tremer, a pressão no meu pescoço está mais fraca, algo está acontecendo...

- Belle –

*Eu gostaria muito de poder ver seu rosto... tocar seu cabelo... poder brincar com você... *

Você não vai morrer

*Gostaria de te ver ao menos uma vez...*

Espere...

*Me desculpe, não posso aguentar mais...*

É minha culpa não é?

*Não se preocupe, mamãe, eu ficarei bem. Vou para o céu... *

Não, não pode fazer isso comigo...

*Adeus mamãe...Eu... eu te amo...*

Não, não desista...


Silêncio.


Filha? Filha?! Por favor, responda, não vá embora...


Silêncio novamente...


- Cora —

– Não...

– O que foi agora? Desistiu de me torturar?

Seus olhos pareciam vazios. Choravam copiosamente. Seus braços me soltaram, e suas pernas fraquejaram...desabando no chão à minha frente, numa crise de choro intenso. Seus gritos eram mais altos que quando estava sendo torturada. A Phenix desapareceu. O que aconteceu?

– Belle –

– Não, por favor, não....

Volte, por favor, me desculpe, eu não queria... por favor, não se vá... não me deixe!!!

– Belle?! – gritou Regina, acompanhada por Neal. Ambos vinham em minha direção.

Por favor, volte...

A dor que senti agora foi ainda mais forte... era como se um pedaço de mim estivesse sendo arrancado à força... Eu estava perdendo meu bebê... Minha filha...

– Belle? O que houve? Belle olha pra mim...

Não, eu não consigo olhar pra cima. Estou estilhaçada... minhas forças estão desaparecendo, a única coisa que sinto é a fina grama molhada sob meu corpo e a fina garoa que começava a despontar do céu.

– Belle? Belle!! Reaja, por favor! Não me deixe! Olha pra mim! – Regina continuava a gritar comigo, mas não estava ouvindo nada, tudo que sentia era o vazio.

– Neal, ligue pra ele.

– Por favor, volte...– minha voz quase não saia, estava fraca. Eu já não a reconhecia.

– Quem deve voltar Belle?

Não, eu não posso perdê-la... você precisa voltar... por favor, volte... Eu preciso de você...

– No final das contas, foi você quem perdeu, não é? – disse Cora.

A raiva tomou conta de mim...

– É sua culpa...

– Minha?! Você que a perdeu, não eu. Eu avisei que não deveria se voltar contra mim...

– É SUA CULPA!! MALDITA!!

– Belle, o que está acontecendo? O que ela te fez?? – Regina já não sabia o que fazer, e Neal tinha um grande ponto de interrogação na face.


http://www.youtube.com/watch?v=JHOwxTquaoY



– VOCÊ A TIROU DE MIM... VOCÊ TIROU MINHA VIDA NO MOMENTO EM QUE PISOU NESSE JARDIM... VOCÊ QUERIA ME VER DESPEDAÇADA? POIS CONSEGUIU! É ASSIM QUE ESTOU ME SENTINDO: DESTROÇADA!


– Fico feliz que meus objetivos tenham sido atingidos... – o sorriso em seu rosto inalava vitória.

– Regina, sai daqui.

– O que?! Não vou deixá-la do jeito que está!!

– SAI!!!!! – com a magia que ainda me restava, a afastei do lugar, juntamente com Neal e Henry, que agora estava ao lado do pai. Lancei um feitiço ao meu redor, que impedia qualquer um de entrar ou sair.

– O que está fazendo? – perguntou Cora, com um receio nos olhos.

– Resolvendo minhas contas.

Minhas lágrimas tinham secado. Meu coração estava destroçado. Minha alma em pedaços. Meu peito com a pior dor que já senti na vida...

Com um rápido movimento, lancei-a contra a macieira novamente, os galhos se prenderam ao seu corpo, apertando-a o mais forte possível.

– Adeus Cora...

E então, com as mãos em chamas, transformei-a em cinzas...bani sua existência da Terra...

A barreira que construi se dissolveu, mostrando Regina, Henry, Neal e Gold preocupados.

– Isso é o que você é... pó – disse eu, abrindo as mãos, deixando escapar parte da mulher já morta...

Quando viram o monte de cinzas na minha frente, emoções diversas passaram em seus rostos: surpresa em Neal, medo em Henry, satisfação e arrependimento em Gold e, finamente, choque e tristeza em Regina. Ninguém se mexeu, a não ser a morena, que agora desabava ao chão, sendo amparada pelo rapaz, que a abraçava.

As lembranças dela voltaram como um raio em minha mente.

“Não faça isso”, ela pediu, “por favor, pare”... Por que não a escutei? Lágrimas começaram a brotar em meus olhos, a voz dela ecoando em minha mente... a doce e inocente voz da minha filha... Ela me amava sem ao menos me conhecer. Ela acreditava em mim. Ela confiou em mim.

Não aguentava mais. Totalmente sem forças, minhas pernas fraquejaram e me levaram ao chão. Minhas mãos pousaram em meu ventre, e a emoção que me envolvia à segundos atrás voltou. Eu seria mãe. Em alguns meses, teria um filho! Eu matei minha menina, minha garotinha se foi, sem ao menos conhecer o mundo aqui fora, sem ao menos saber o que eu sentia...

– Belle! – gritou Gold, que correu ao meu encontro assim que cai. Ele continuou a me fazer perguntas, mas não ouvi uma palavra sequer. Minha mente era preenchida pelo arrependimento, pela dor.

Eu sinto muito... por favor, me perdoe. Por favor... me desculpe... Eu queria tanto te conhecer! Agora eu percebo o erro que cometi, que sempre cometi. Estava tão preocupada com minha sede estúpida de poder que não percebi o quão especial você era pra mim...

– Belle! – sua voz estava longe... Ele tentava me levantar, mas eu estava agarrada ao chão... a chuva se intensificou, minhas roupas estavam úmidas, e meus olhos fechados. Não parava de soluçar e chorar.

Fui muito egoísta... só pensava em vingança e rancor...

– Belle... por favor...

Eu te amo... Te amo sem ao menos te conhecer. Te amo sem ao menos ter vindo ao mundo... e esse é meu pior arrependimento... não poder te amar. Eu te amo, minha garotinha... Te amo...

– Rumple –

– Vamos Belle, fale comigo... por favor

Belle continuava deitada no chão, suas mãos na barriga e seus olhos fechados. Chorava intensamente, gritava de dor e eu não podia fazer nada...

Neal abraçava Regina, que também estava chorando, ele e Henry tentavam convencê-la a sair da chuva, mas não conseguiam. Até que Neal a pegou nos braços e a levou para dentro da casa, seguidos pelo filho.

– Belle? Belle volte pra mim, não desmaie agora! Belle!

Seu corpo parou de tremer, seu choro cessou e seus gritos se calaram, ela perdeu a consciência... Porém, em poucos segundos, uma luz começou a brilhar em seu corpo... especialmente em sua barriga. Era como se milhares de diamantes estivessem sendo iluminados pela luz do sol...

– Belle –

Depois de tanto chorar e gritar, minhas forças acabaram... minha garganta já não correspondia, meu corpo estava inerte, e meus olhos se fecharam, tirando totalmente minha consciência.

A sensação era de estar flutuando. Meu corpo já não estava pesado, nem minhas veias pareciam queimar. Uma luz branca me preenchia por completo. Senti minha alma ser reposta... Como se... estivesse sob os efeitos de um tranquilizante.


*Eu também te amo mamãe...*



Com essa voz ecoando em minha cabeça novamente, cai num sono profundo... Pela primeira vez, dormi calmamente, com os melhores sonhos de um futuro possível.


Notas finais
E então?? Ficou bom?? Sim? Não??

Não deixem de comentar.... reviews me dão ânimo para o próximo capítulo...

Até a próxima!!!