Broken - Season 1
12 Capítulo 11 - Who’s To Blame?
Notas iniciais
Esse capítulo é uma continuação do anterior, sendo q é contado inicialmente pelo ponto de vista do narrador.
Espero q gostem ^^
– Como isso aconteceu?
– Você realmente não sabe?
– Se soubesse não estaria perguntado.
– Sabe Gold, eu sempre soube do que você era capaz, mas nunca imaginei que faria algo assim a ela, justo ela!
– Regina, pare de rodeios e diga logo!
– Muito bem....É melhor fechar a loja e irmos para seu escritório. Essa conversa será longa.
Dirigindo-se ao escritório, ambos sentaram-se em suas respectivas cadeiras. O Sr. Gold anciava por respostas e Regina não sabia como começar. Finalmente, o silêncio foi quebrado, e a história começou.
– Logo após vocês romperem, Belle teve uma discussão séria com algumas pessoas no Granny’s, o que a deixou totalmente descontrolada, desde aquele dia não mais a mesma. Na mesma noite, Belle me procurou. Conversamos por horas, e ela me propôs um acordo.
– Acordo?
– Sim, me pediu para apagar certas memórias e implantar novas lembranças de uma vida que nunca existiu. Obviamente, recusei no mesmo instante. Mas estava tão diferente, tão...vazia, que em determinado ponto, me convenceu. Me senti extremamente culpada pelo sofrimento que a fiz passar, e resolvi atender ao seu pedido.
– Você é louca?!
– Sim! Sou louca! Mas diferente de você, estou reparando meus erros, e me tornei uma pessoa melhor, muito melhor do que jamais foi!
– Você melhor?!
– Agora deixe-me terminar, ou saio agora por aquela porta e não ouvirá nada!
– Muito bem, prossiga, Your Magesty...
– Logo após atender seu pedido e selar nosso acordo, ela se instalou em minha casa. Estimulei um prazo para preparar tudo, na esperança que mudasse de ideia. Mas não o fez. Após 1 semana, tudo estava preparado. Minha mãe e ela se tornaram próximas, que Cora aprecisava sua sede de vingança, seu ódio e rancor. A sede por poder as uniu. No dia marcado, nos juntamos para a “iniciação”, e, acredite, tentei de todos os artifícios possíveis para fazê-la desistir, apelei para seu lado bom, mas Cora conseguiu convencê-la do contrário, não me dando outra opção a não ser aceitar. Depois daquela tarde, tudo nela se tranformou. Seus cachos castanhos se tornaram dourados, seus olhos adquiriram um brilho incomum, assim como sua pele empalideceu ao extremo, e sua beleza se acentuou. Mas o que mais me chocou, foi seu caráter. Toda a bondade que possúia desapareceu. Desde então, Cora vem ensinando magia a ela, que por sua vez tem muito talento. Em pouco tempo já dominava os feitiços básicos, e, quando se sentiu preparada, resolveu visitar a cidade. A surpresa foi geral, afinal, ninguém a tinha visto nos últimos meses. Mas logo se mostrou instável, perdia o controle com facilidade, se a contrariassem, usava da magia como artifício. Várias vezes discutiu com os habitantes. Mas está mais instável, mais descontrolada e, arrisco dizer, mais poderosa, e isso está me deixando preocupada.
Gold demorou a responder. Seu rosto era uma mistura de medo, angústia, raiva, arrependimento e surpresa, mas o que predominava era a dor, evidente em seus olhos.
– Mas... – hesitou, como se não soubesse o que dizer — como é possível? Como ela consegue praticar magia?
– Ela é adotada. Nunca foi filha do Sir Maurice e sua esposa, Clarice.
– Sorry?
– Você nunca notou que ela não tem nada em comum com o pai? Vou te contar uma história mais...antiga, por favor, não interrompa...
Um aceno foi o suficiente para que Regina continuasse a narração.
– Há muitos anos atrás, houve uma jovem feiticeira muito poderosa, capaz de atos grandiosos. Era conhecida por suas intervenções em batalhas, nunca perdendo. Porém, em determinado conflito, o general se igualou em força e coragem, deixando-a furiosa. Neste dia, ambos usavam cobriam seus rostos.
– Flashback on —
O campo de batalha estava devastado. Corpos já sem vida cobriam a campina, os cavalos caiam um a um. Abrindo mais seus olhos, George percebeu que seus soldados eram arrematados por um único soldado, vestido completamente de branco. Seria...uma mulher? Não, não era possível. Seus movimentos eram rápidos e certeiros, e vinha em sua direção.
– Marcus, prepare-se, é hora de acabar com essa batalha.
– Mas George, aquele soldado é muito bom. Ele provavelmente foi treinado pelos melhores mestres! Você pode morrer!
– Melhor morrer com honra a fugir como um cão, com o rabo entre as pernas! Vou lutar até que meu sangue se vá de meu corpo.
E então, o guerreiro de branco se aproximou e ambos começaram a batalha. Suas espadas eram agora apenas uma sombra no ar. Após algum tempo, com um rápido moviento, George derrubou o oponente, prendendo-o com a espada em seu pescoço.
– Vamos! Mostre-se! Tire esta máscara e enfrente seu destino!
O guerreiro levou as mãos à cabeça, retirando sua máscara abrubtamente. Seus longos cabelos dourados caíram por sobre o ombro, emoldurando o belo rosto. Seus olhos eram azuis e brilhavam como dois diamantes, contrastando com a pele clara levemente rosada. Não aparentava ter mais que 18 anos.
– Você.....é uma criança! Uma menina!
– Nunca se deixe levar pelas aparências
E, com um sorriso diabólico no rosto, levantou-se e reiniciou a luta.
– Flashback Off —
– Ela era uma feiticeira, e ele, um príncipe. Mas a partir daquele momento, eram apenas um homem e uma mulher. Em meio à batalha, um grande amor floresceu.
– O que essa história tem a ver com a Belle?
– Começaram a se ver frequentemente, estavam fascinados um com o outro. Logo se casaram. Um ano depois, foram coroados Rei e Rainha. Ela sempre me mandava cartas, me via como uma irmã mais nova, mas, na época nos desentendemos, portanto, nunca respondi suas correspondências. Em todas elas, me contava o quão feliz era, e como era bom amar e ser amada. Um dia, porém, me confessou que estava grávida. Nove meses depois, me escreveu dizendo que a criança nascera, era uma linda menina de olhos azuis e cachinhos dourados, um doce de criança.
– Você não está me dizendo que...
– Dois anos depois, me escreveu novamente, implorando minha ajuda. Seu palácio seria invadido, e ela já não possuía poderes, já que foram sugados no parto. Me pediu ajuda, mas eu não fui a seu encontro.
Lágrimas brotaram dos olhos de Regina, mostrando o quão arrependida estava.
– Alguns dias depois, descobri que o povoado foi incendiado e dizimado. Milhares de pessoas morreram. Ela e George morreram nos braços um do outro.
– E a menina?
– Desapareceu. Ninguém nunca soube o que realmente aconteceu. O antigo vilarejo ficou em chamas, e anos depois, foi reerguido pelo reinado de Midas.
– E por que me contou essa história?
– Há uns meses comecei a desconfiar de certos....talentos. Procurei por velhos arquivos, conversei com pessoas e descobri o que aconteceu com a menina: George instruiu uma criada a levar a filha em segurança para o reino do irmão. Esse irmão recebeu a sobrinha e a adotou. Com o auxílio de algumas fadas, apagou qualquer vestígio de sua verdadeira origem, e a isolou em seu palácio por anos.
– Então....aquela menina...
– É herdeira legítima ao trono que pertenceu ao Rei Midas. Guinevere Le Fay foi adotada pelos tios, que alteraram seu nome para Annabelle French. Belle é a única descendente de Avalon Le Fay.
– Então...Belle é filha da Phênix Branca...
– Sim. Quando nasceu, todos os poderes que Avalon possuía foram sugados para a filha, e se manteve preso dentro dela todos esses anos. Agora que a raiva tomou conta de seu coração, essa força está se libertando cada vez mais, e tenho quase certeza que ela está no caminho para o “Rito de Passagem”.
– Não, a Belle não é a Phenix Branca...
– Mas há uma lenda que diz: “Quando a Phenix Branca encontrar o verdadeiro amor, e este for um homem honrado e valente, o fruto dessa união será o ser mais poderoso da terra, ultrapassando qualquer limite de força e poder. Será conhecido como ‘A Phenix Vermelha’ ”
– Eu conheço essas lendas. Houve apenas uma vez na história em que nasceu uma Phenix Vermelha, mas não sobreviveu ao Rito de Passagem...não era forte o suficiente... – Gold finalmente percebeu onde a história acabava — Espera...isso quer dizer que...
– Eu não sei se Belle sobreviverá. Seu estado é complicado, e único. Tenho medo pelo que pode acontecer a ela...
– Mas, se ela fosse a Phenix Vermelha, já teria acontecido o Rito de Passagem há meses atrás...
– Sim, mas creio que, devido às coisas que aconteceram à ela recentemente, e seu estado físico, estão atrasando essa passagem... Tenho quase certeza de que, assim que o filho nascer, se sobreviver, o Rito começará...
– SE sobreviver? É claro que vai sobreviver!! Farei o impossível para que ela fique viva!!
– Eu sei! Por isso fiz com que voltasse.
– Você.... como assim?
– Eu liguei pra Emma há alguns dias, expliquei o necessário e pedi que te trouxesse imediatamente.
– Por que a preocupação com a Belle?
– Gold, eu mudei. Sou outra pessoa. Assim que se mudou para minha casa, me conquistou. Dia após dia, a via como parte de minha família. Por isso faço de tudo para tirá-la desse caminho de vingança, por isso que enfrento minha minhã mãe se necessário. Ela agora é parte de mim, e felizmente, o sentimento parece ser recíproco, sou a única em quem confia... Sou a única que consegue tirá-la daquele descontrole que presenciou ontem. E é isso que me dá forças todos os dias, saber que sou útil a ela, saber que sou digna de sua confiança. Portanto, tenha certeza que farei tudo que estiver no meu alcance para ajudá-la.
– Então você gosta dela?
– Eu....eu... – Regina hesitou um pouco, finalmente afirmando – Eu a considero uma irmã. I....I think I love her...
– Mas isso não muda o fato de que VOCÊ é a única culpada por tudo que está acontecendo! – disse Gold, visivelmente alterado.
Regina ainda estava sensibilizada, mas estas palavaras foram suficientes para que a ira se apossasse de si.
– ÚNICA culpada?!?!
–--
Neste momento, Ruby e Granny passavam na rua, e ouvindo a gritaria, preocuparam-se.
–--
– VOCÊ QUERIA QUE EU FIZESSE O QUÊ?!
– Recusar seria um ótimo começo!!!
– Se não fosse eu, ela procuraria em outro lugar!! Além do mais, não fui eu quem a iludiu desde o início para agora simplismente abandoná-la!
– Eu não tive outra escolha! Era a única saída!
– Então ao invés de consolá-la, conversar, você resolve o quê?! Terminar tudo e abandoná-la!! Ela se entregou completamente a você! Te deu o bem mais precioso que tinha e você a mandou embora! Sabe, eu estava certa, você NUNCA a mereceu! Maldita a hora em que vocês se conheceram!
– Se ela sofreu, não foi por minha culpa apenas, você também é culpada! Quem a sequestrou e a prendeu num calabouço? Quem apagou suas memórias e a prendeu num maldito HOSPÍCIO por 26 anos?!?!
– ASSUMO QUE FIZ TUDO ISSO, MAS APENAS POR SUA CAUSA! Se a prendi, foi para ter uma arma contra VOCÊ! Se a mantive cativa por 26 anos, foi para TE manipular! Se menti e a enganei, foi para te fazer sofrer!
– Oh, então admite que a fez sofrer muito mais que eu??
– Não se atreva a me comparar com você. Eu machuquei sua carne, você quebrou sua alma! Eu prendi seu corpo, e você MASSACROU seu coração!
– Se você realmente soubesse o que é amor, saberia que o que fiz foi para o bem dela! Ela nunca poderia ser feliz ao meu lado e você sabe disso! Sacrifiquei minha própria felicidade para vê-la sorrir, coisa que você nunca faria!
Regina já não se continha, tudo que sentia transparecia em seus olhos: dor, angústia, preocupação, medo...
– Você tem razão, – disse, com a voz rouca, ferida em sua maior cicatriz – eu nunca faria o que você disse. Você quebrou seu coração, tirou a ilusão do amor verdadeiro, usurpou a esperança! Enquanto estava em Manhattan, conhecendo novos lugares, procurando o único ser que ainda poderia te amar, ela estava aqui, aos pedaços, sozinha, com medo e com raiva! EU que juntei seus pedaços, EU que a ajudei, EU fui a única a lhe estender a mão, a ÚNICA a se precoupar com ela... Então não me venha falar o que é sacrífico...
– Que bela ajuda a sua não é? Fazê-la tomar uma poção que acabaria com todas as lembranças e vestígios de amor em seu coração, transformá-la em uma pedra e ensinar-lhe magia!!!
– Você diz isso pois não viu o estado em que estava! Você nunca amou ninguém, nunca se preocupou com aqueles ao seu redor! Você abandonou as únicas pessoas que te amavam, e por que? Pela magia! Agora responda, DIGA QUE ESTOU MENTINDO!!!
A porta dos fundos se abriu, dando espaço para um homem, que, atraído pelos gritos, entrou sem ser visto.
– E quem é você para me dar lição de moral? Matou o próprio pai por uma vingança estúpida!!
– E você não se preocupou em me impedir não é? Pelo contrário, até me incentivou! Não fui mais que uma simples marionete nas suas mãos! Você me usou Gold, assim como faz com todos a sua volta! Quando Baelfire te pediu, não, implorou! que abdicasse da magia, o que você fez? O deixou ir! Mas depois se arrependeu não é Rumple? Tanto é que usou tudo e TODOS para que a maldição fosse lançada! E quanto à Belle, não foi diferente. Ela te amava, te entregou todo o amor que sentia e você simplismente a abandonou dizendo: “não te quero mais, dearie”. Desde quando isso é sacrifício? Você se sacrificou pelo seu filho? Você se sacrificou pela mulher que amava?!? Vamos Gold, responda!!!!
Seu mundo desabou. Ele sabia o quanto errou em sua vida, mas ouvir todos eles cuspidos em sua cara, sentiu-se como o pior ser do universo, sentiu-se insignificante, culpado de todas as dores já sentidas, de todas as desilusões.
– Ela acreditou em você. Depois de maltratar tantas pessoas, você foi agraciado com um anjo. Por que desperdiçou a oportunidade? Amor assim não acontece sempre, pelo menos não nessa terra. Mas quando acontece, devemos nos agarrar com todas as forças, e nunca deixá-lo escapar. Pois um dia, quando acordar de manhã e perceber a casa vazia, vai finalmente ver o quão solitário é.
Gold mantinha-se calado. Pela primeira vez, fora vencido pela Rainha.
– Você perdeu a melhor chance que alguém poderia ganhar. Pense nisso Rumple, eu realmente fui a maior culpada?
Dito isso, Regina deixou a loja, com os olhos vermelhos e úmidos. O rapaz que assistia a cena, deu a volta e a encontrou na entrada, esbarrando-se “acidentalmente” na prefeita.
– Cuidado! Olhe por onde anda!
– Desculpa, eu...você está chorando?
– Não é da sua conta.
– Hey, seja lá qual for o motivo, não precisa descontar em mim! Aliás, por que uma mulher tão bonita está chorando?
O rapaz levantou sua mão para limpar suas lágrimas, mas foi impedido.
– Nem todos são de ferro, estou cansada de interpretar a mulher de aço. Você é novo na cidade não é? Sugiro que volte para onde veio e me deixe em paz.
– Ah, desculpe mas... acho que ainda não nos apresentamos.... Sou...
– Não me interessa quem é você. Tenha uma boa estadia na cidade.
– Neal –
Antes mesmo que eu pudesse dizer algo, ela deu uma desculpa e saiu, como se estivesse envergonhada por chorar em frente a um desconhecido.
Apesar da evidente canseira em seu rosto, tinha algo mais, algo... maravilhoso.
Com certeza foi alguém da realeza, em FTL. Sua voz era doce, mas amarga; suas feições duras, mas delicadas; apesar de ter a aparência de um anjo, mostrava-se sofredora, como se algo a tivesse machucado profundamente. Seus olhos eram castanhos, mostrando-se frios e calculistas, e este contraste me encantou profundamente.
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