Broken Lines
42 Capítulo 42
Notas iniciais
–Ai meu deus. – disse Sally já em prantos.
O tempo todo sentia o cano do revolver tocando a lateral de minha cabeça, havia parado de chorar depois que a adrenalina tomou conta do meu corpo.
A minha vida estava a um fio.
Um simples mover de dedo poderia tirar toda a minha dor, assim como as boas coisas.
Um simples disparo poderia fazer com que eu não sofresse mais, mas deixasse pessoas sofrendo.
Minha vida passava por meus olhos, todos os momentos. Dos bons aos ruins.
Sabia que poderia morrer a qualquer instante.
Ouço a sirene se aproximando de minha casa, senti a respiração do ladrão descompassando automaticamente, de seria e normal, havia se tornado ofegante.
Ele estava com medo.
–Saia da casa com as mãos levantadas! – pude ouvir um policial gritando em seu megafone.
–Quem chamou a polícia?! – disse o ladrão gritando.
–Ninguém chamou a polícia. Todos nós estamos aqui na sua frente. – Disse Peter tranquilo.
Pude senti mais tensão da arma em meu crânio.
–Por que você não o solta e se entrega? — perguntou Percy olhando para o assaltante irritadiço.
–Olha como você fala comigo porque eu ainda tenho seu bichinho de estimação sobre os meus olhos. – disse pressionando mais uma vez a arma contra minha cabeça.
Sally estava em prantos e Thalia a acalmava, mas a mesma também estava em choque.
Em um segundo ouço um disparo.
Fecho meus olhos e me entrego a morte.
Passou-se mais um segundo e logo ouvi um grito atrás de mim. O assaltante estava estirado no chão com a mão sobre um ferimento em seu braço direito, o qual segurava a arma. A polícia começou a entrar na casa e prenderam os assaltantes removendo suas mascaras, nenhuma deles era conhecido, não por mim. Corro em direção a Sally e a mesma derramava prantos sobre meus ombros e eu fiz o mesmo.
–Vocês tem ideia de quem sejam eles ou até mesmo se alguém poderia ter pago eles para terem feito isso? – disse um policial que se aproximava de nós, o mesmo aparentava ter seus quarenta e cinco anos de idade.
–Não nenhuma. – disse Peter olhando para o mesmo com seus rosto branco como um fantasma.
– Vamos ir para delegacia, precisamos de alguém para dar depoimento. – disse nos olhando sério.
–Eu vou. – disse Peter.
O mesmo subiu as escadas e logo em seguida saia de casa trajando um roupão preto e indo para a delegacia.
Sally ainda estava do meu lado com os olhos marejados e vermelhos de tanto chorar.
–Você está bem meu amor? – disse me abraçando apertado.
–Sim eu estou bem. – disse a abraçando mais forte ainda.
–Eu fiquei tão preocupada. – disse acariciando minha face enquanto lagrimas cobriam a da mesma.
Após alguns minutos todos já estávamos em nossos respectivos quartos, Sally havia tomado calmante e já havia dormido. Revirei-me durante algum tempo na cama, mas não conseguia dormir, viro novamente para o rádio relógio e ainda assim ele marcava quatro e meia da manhã. Levanto-me e pego meu travesseiro tomando os corredores da casa, abro a porta do quarto verde agua, me aproximo de Percy.
–Percy. – disse sussurrando. – tá acordado?
–Sim. – disse virando-se para mim com os olhos cansados. – O que você quer a essa hora da noite?
–Eu não consigo dormir. – disse ruborizando, até porque era verdade. – posso deitar com você?
–Pode, vem cá. – disse abrindo espaço em sua cama para mim me aconchegar.
Deito-me e logo os braços de Percy estão a minha volta, sinto seu calor se conduzindo para meu corpo.
–Você pode me acordar as cinco e meia? – perguntei virando-me para Percy.
–Posso, mas por quê? – me olhou curioso.
–Não quero que a mãe nos pegue desse eito. – disse olhando para baixo. – e mais uma coisa, me desculpa, eu não quero que nossos pais saibam da gente, não agora. – disse corando. – eu quero estar preparado pra quando isso acontecer, não é você, ou eu.
–Eu te entendo. – disse Percy rindo enquanto depositava um beijo em minha cabeça. – Durma bem meu anjo. –Até que o sono falou mais alto e eu dormi.
Acordei com Percy me balançando enquanto me chamava.
–Nico, acorda, você vai se atrasar.
–Que horas são? – disse coçando os olhos.
–Cinco e meia como você pediu.- deu-me um selinho e riu.
–Okay, vou pro meu quarto me arrumar e vamos juntos para a escola okay?
–Tudo bem.
Levantei-me e fui para meu quarto seguindo para o banheiro, tirei meu pijama e entrei debaixo da ducha quente. As imagens e sensações de ontem ainda me atingiam como uma enxurrada em um dia de verão. Terminei meu banho e me arrumei colocando uma roupa qualquer e desci.
Encontro Percy a mesa tomando seu café da manhã, sento-me ao seu lado e dou-lhe um selinho.
–Bom dia. – minha voz saiu embargada de cansaço.
–Bom dia Gasparzinho. – riu enquanto pronunciava meu apelido indesejado.
Peguei uma fatia de pão e cobri o mesmo com requeijão e assim tomei meu café da manhã.
Saímos de casa as seis horas, e Thalia ainda estava acordando, seguimos para a garagem para irmos para o colégio, adentro o carro de Percy e logo o mesmo está no lado do motorista. Abriu o portão com o controle remoto e tomamos as ruas de manhasset seguindoo para a Long Island Expressway.
–Percy. – disse enquanto o moreno passava a marcha.
–Sim. – encarava o transito enquanto me ouvia.
–Desculpas. – soltei as letras sentindo meus ombros pesarem.
–Pelo? – olhou para mim enquanto parávamos no semáforo.
–Por não ter te deixado dormir comigo, eu vi que você ficou irritado.
–Não tem que me pedir desculpas. – esboçou um sorriso. – eu que tinha que entender seu lado naquele momento, está tudo bem. – o carro guinou para frente enquanto tomávamos a rua a direita. O peso que estava em meus ombros havia sumido enquanto uma enorme alegria me invadia. ’’ E pensar que quando eu o conheci ele não era desse jeito’’ pensei até que avistamos a entrada do colégio.
E logo que chegamos podemos ver que havia algo errado. Annabeth me olhava de longe, encarava-me enquanto eu andava pelos corredores de mãos dadas com Percy.
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