Broken Lines

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Hey Di Angelus retorna, bem fiquei com pena de deixar vocês esperando e vou postar mais um capítulo.(Eu e meu coração mole.) Então vamos lá

Dessa vez Marlene me ganhou. Acordei ouvindo-a gritar freneticamente para todos nós nos dirigirmos ao pátio pra encontrar nossas novas famílias. Pulei do beliche que dividia com Louis e ele estava quase morrendo afogado no seu travesseiro de tanta baba.

– Louis acorda.

– Só mais dois minutos... – Falou ele, numa espécie de gemido.

– Louis acorda agora!

Quando ele viu quem era, ele logo levantou com tudo e pra não perder o costume bateu a cabeça na minha cama de novo, levantou correndo e foi se arrumar. Eu já havia tomado banho de madrugada, então só vesti uma roupa qualquer e fui para o pátio, encontrando lá algumas famílias ansiosas para pegar seus pequenos pupilos.

Eu já não criava mais expectativa nenhuma. Sabia que logo quem me adotou ia se cansar de uma pessoa fria como eu e em breve estaria voltando para esse inferno. Isso é um ciclo e não pode ser quebrado.

Marlene e seu bendito megafone estavam novamente a atormentar meus ouvidos e os dos outros. Como sempre patrícia começa o evento da guarda provisória com o mesmo discurso de que tudo vai da certo, que nós encontramos uma nova família, e que vamos ser felizes e blá blá blá.

Ela tinha uma listagem em suas mãos e assim ia, o nome do órfão e a família adotiva e em seguida a ida até a mesa pra pegar a guarda provisória. Depois de cinquenta e cinco órfãos dispensados ainda sobrara eu e mais quinze, até que ouço meu nome:

– Nico di Angelo e Sally Jackson, por favor, se direcionar a uma das mesas.

Levantei-me do chão, peguei minha bolsa e segui para a mesa encontrando lá uma menina punk em torno dos seus dezessete a dezoito anos e a mesma mulher de ontem. A menina usava uma blusa do Green Day e uma maquiagem em fortes tons de pretos. Seus cabelos eram cortados em um Chanel desfiado e seus olhos eram de um azul elétrico profundo. Já a mulher tinha cabelos cacheados castanhos e olhos cor de esmeralda.

– Nico querido, como vai? — Perguntou Sally sorrindo e vindo me abraçar.

– Levando.

– Bem, essa aqui e minha filha mais velha, Thalia.

– Eae rapaz. – Disse me abraçando

– Oi. – Falei um pouco incomodado.

Enquanto Sally assinava os papeis eu mexia meus pés nervosamente. Mesmo eu não querendo, sempre criava um pouco de esperança, e essa esperança sempre me machucava porque eu sabia que eu perderia tudo em poucos dias. Depois que Sally assinou a papelada nós fomos para o lado de fora do orfanato, quando eu vi um Maserati Spyder preto e nós estávamos indo na direção dele. Eu fiquei babando o carro uns três minutos até que Thalia me chamou e eu entrei no carro. Assim que tomamos nossos lugares ela começou a conversar comigo:

– Hey carinha, você tem quantos anos?

– Quinze.

– Me chamo Thalia, tenho dezessete.

– Legal. — Disse tímido.

– Espero que vocês se divirtam. – Afirmou Sally rindo.

Seguimos o caminho com Thalia dirigindo e conversando com Sally, até que a conversa se dirigiu a mim.

– Mas então Nico, você tinha muitas roupas lá no orfanato?

– Três calças, um par de All Star, umas quatro blusas e minha jaqueta, por quê?

– Nós vamos resolver isso agora.

Thalia mal terminou de falar e já virou a primeira rua que viu até que paramos em uma vaga perto de um shopping.

– Agora você vai ter roupas boas. – Falou ela rindo e com seus olhos brilhando.

Entramos na primeira loja e Thalia já foi separando várias roupas, até que parei perto de umas roupas pretas e fui ver o preço de uma das blusas e, pelos deuses, nem se eu trabalhasse toda minha vida conseguiria comprar uma blusa dessas. Continuei olhando as blusas até porque olhar não tira pedaço, quando ouço Thalia me chamar:

– Nico vem aqui! Rápido! — Andei rapidamente até lá.

– Pois não?

– Vai experimentar. – disse olhando pra uma pilha de roupas do lado dela.

– Não posso! — Declarei nervoso. — Não tenho dinheiro pra pagar isso tudo.

– Não estou perguntando se você tem ou não, estou mandando você experimentar.

Ela disse isso tão autoritariamente que eu fui me vestir, mesmo odiando que as pessoas me mandem. Ou Thalia é muito cagona ou ela é adivinha. Todas as peças que ela escolhera couberam em mim perfeitamente e a maioria era de cores que eu gostava: preto, branco e cinza. Depois que experimentei todas as roupas Thalia me puxou pra uma loja de sapatos e começou a pedir um monte de modelos e do meu tamanho. A menina tinha que ser adivinha, só podia!

Depois de ela ter comprado meio shopping voltamos ao carro, Thalia ria muito e Sally ria também até que ela deu partida no carro e seguimos a trajetória. No meio do caminho tomei coragem pra falar o que eu estava querendo há muito tempo:

– Senhora Jackson.

– Me chame de Sally querido. — Pediu sorrindo.

– Eu não tenho dinheiro pra pagar essas coisas. – Falei isso sentindo minhas bochechas ficarem coradas.

– Anjinho não se preocupe não, isso e um presente meu, okay?

– Eu gostei muito de você então relaxa, você não vai precisar me pagar por isso. – Disse Thalia num tom autoritário.

Consenti e seguimos o caminho até as casas mais afastadas e caras da cidade. Estávamos nos aproximando de uma residência de três andares e com a maioria de suas paredes substituídas por vidros, pelo menos as do primeiro andar. Saí do carro acompanhando Thalia e Sally até a casa imensa. Acho que quando você se acostuma a um lugar com cheiro de baba de criança e suor delas, você esquece como é muita coisa.

O lugar era muito bem decorado e tinha um cheiro muito bom, era refrescante como brisa do mar e forte como cheiro de inicio de uma tempestade. Odiava ficar vermelho, ainda mais de vergonha. Thalia me olhou e começou a rir:

– Vem, vou te levar pro seu quarto.

Estava nervoso demais, minhas mãos suando e eu estava corando cada vez mais, olhei para Sally e ela maneou a cabeça positivamente. Segui Thalia para o segundo andar e passamos por varias portas e uma delas tinha uma placa escrita “Não entre, filha de Zeus presente”.

– Você gosta de mitologia? — Indaguei corando mais, se é que era possível.

– Sim. — Respondeu rindo. — Gosto de mitologia desde meus onze anos.

Chegamos perto de uma porta de madeira envernizada em um marrom muito forte quase preto. Thalia abriu a porta e lá estava um quarto imenso com uma cama de casal, uma escrivaninha, uma porta, que eu acho que é um closet, outra porta que eu não sabia o que era e uma prateleira vazia, que era ótima pra livros.

– De quem é esse quarto? – Perguntei assustado.

– Esse é o seu quarto. – Disse rindo tranquilamente. – Mamãe e eu que o decoramos, ela voltou da visita ao orfanato e disse que encontrou um garoto perfeito e que pelo jeito que ele se vestia, gostava de preto. Se você não gostou a gente pode mudar a cor e...

– É lindo. – Interrompi com os olhos marejando.

Um dos piores sentimentos é o abandono, mais um dos melhores é gratidão. Segurei minhas lágrimas e Thalia deu um sorriso imenso, transparecendo toda sua satisfação e saiu dizendo que ia pegar as bolsas. Me sentei na cama, que era muito macia e continuei segurando as lágrimas.

– Esse foi o melhor presente da minha vida. – Pensei alto.

– Ainda bem que gostou. – Disse Sally entrando no quarto.

– Muito obrigado. — Olhei para o chão, pois sabia que estava vermelho e uma gota tinha me fugido escorria por meu rosto. Sally se aproximou de mim e me abraçou, uma das poucas vezes que pude sentir o amor materno que eu precisava tanto. A abracei também, mas de um jeito mais frio. Ela me abraçou mais forte e com tanto amor que eu não consegui segurar e desabei em prantos. Sally percebeu o que me preocupava e me confortou:

– Nós não vamos te abandonar Nico, eu prometo.

Notas finais
Bem espero que tenham gostado, divulguem com os amigos e comentem,. Seus comentários me fazem feliz hihihihihih