Broken Lines
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Na manhã seguinte acordei cedo, como sempre. Para minha decepção, eu estava sozinho em minha cama, completamente nu e com muita dor de cabeça. Os acontecimentos da noite anterior atingiram minha mente como num flash e uma espécie de arrependimento tomou conta mim.
Levantei e fui ao banheiro tomar um banho. Entrei no Box e liguei a ducha no gelado. Enquanto a água caía pelo meu corpo, pensei sobre a noite passada, sobre os toques de Percy em mim, mas principalmente sobre aquele olhar de desejo que saiam daquelas íris verde-mar durante todo o tempo que passamos juntos. Se ele me desejava tanto, eu não deveria me preocupar, certo? Errado.
Quando desci para o café da manhã, Thalia e o irmão já estavam sentados à mesa. Olhei para ele com uma expressão de medo quanto a como ele reagiria, mas era como se nada tivesse acontecido. Como fui burro em pensar que mudaria alguma coisa. Resolvi que era melhor para minha sanidade se eu ignorasse aquilo também.
Hoje era segunda, ou seja, dia de escola. Dessa vez fomos no carro da Thalia, já que Luke não ia passar para nos pegar. Ao chegarmos lá, a puta loira, digo, Annabeth esperava pelo namorado e assim que se encontraram começaram aquela cena ridícula. Enjoo logo de manhã não é nada legal.
Fui pra sala de aula e sentei no lugar que eu gosto, não tinha mais ninguém lá. Após alguns minutos as pessoas começaram a chegar e logo Louis sentou ao meu lado.
– E aí cara. – Cumprimentou animado, mas logo percebeu minha cara irritada e perguntou. – Aconteceu alguma coisa?
– Não aconteceu nada. – Respondi tentando fingir que estava tudo bem. – Só estou com um pouco de dor de cabeça.
Ele assentiu e a professora chegou em seguida. A aula era até legal, mas eu não conseguia focar no que ela falava. E a Annabeth fazendo graça do meu lado não estava ajudando em nada.
A minha vontade era de me espancar. Eu sabia o tempo todo que Percy era um idiota e que o que a gente estava fazendo era errado, mas acabei cedendo e, como de costume, eu ia me foder sozinho no final. Burro, burro, burro. Já não bastava o meu dia ter começado uma merda ainda tinha que aturar a vadia da Annabeth falando com sua voz fina no meu ouvido. Eu já estava puto da vida, não aguentava mais ouvir sobre suas bolsas da Louis Vuitton, e suas roupas da Gucci, tinha que colocar um ponto final nisso. Agora!
– Professora.
– Sim Di Angelo?
– Você poderia avisar a algumas pessoas que a aula de geografia não é pra se discutir sobre suas roupas. — Termine de dizer isso e logo puder ver Annabeth olhando para mim como se estivesse ofendida.
– Você está falando de mim Di Angelo? – Perguntou cínica
– No momento ainda estou falando com a professora, se eu quisesse falar com a galinha eu jogava milho.
– Você me chamou de que?!
– Não me interessa, você está me atrapalhando a prestar atenção na aula, eu vim aqui para estudar não pra ouvir uma vadia falando sobre roupas.
– Seu... — Annabeth levantou sua mão para me dar um tapa, mas desviei a tempo e segurei sua mão bem firme.
– Ouse tentar me dar um tampa outra vez que você leva uma surra.
– Ah, agora você vai bater em mulher?! — Disse sorrindo com escárnio.
– Não disse que a surra ia ser minha, e nem quem ia levar uma surra que pelo que me lembro você ainda tem um namorado. — Terminei de dizer e ela ficou assustada.
– Professora, eu vou à enfermaria, não estou me sentindo muito bem.
– Tudo bem, você quer companhia?
– Não, eu vou sozinho.
Arrumei meu material na bolsa que eu havia trazido pra escola e passei por entre as fileiras de carteiras da minha sala me dirigindo a porta, segui pelo corredor e fui para o telhado do colégio para pensar um pouco. Subir os degraus de mármore polidos e abri a porta, que rangeu sob as dobradiças mal lubrificadas, fechei a porta provocando mais rangidos e me sentei encostado ao peitoril do telhado. Precisava pensar sobre o ocorrido, Perseu me amava mesmo ou ele só estava de brincadeira comigo? Ele gostava realmente de mim ou não? As dúvidas invadiam minha mente como uma chuva torrencial no verão, dúvidas brotavam de cada canto e eu precisava esclarecer cada uma.
Rapidamente o sinal tocou e agora era hora da aula de educação física, uma das minhas aulas mais odiadas. Eu odiava esportes, odiava o sol, o suor dentre outras coisas. Peguei meu material e desci o lance de escadas que eu havia subido para chegar até aqui. Dirigi-me para o ginásio e encontrei a minha turma, e adivinhe. Eu fazia essa aula com Percy e Annabeth, mais um motivo para eu odiar essa aula.
– Hoje nos vamos estudar alguns tipos de luta. — Começou o professor que não passava de mais um bombado de academia. — Os meninos para o vestiário, as meninas vão treinar ginástica artística com a Sra. Johnson.
Segui para o vestiário onde aqueles meninos idiotas gostam de tirar um com a cara dos outros e provocar outros alunos, peguei a roupa para esportes do armário e fui para um dos reservados para me trocar. Troquei-me rapidamente porque se tem uma coisa que aprendi no orfanato e não ficar enrolando, quando mais você enrolar mais tempo as pessoas tem para fazer alguma coisa. Sai do reservado e guardei o resto das minhas coisas no armário e fui para o lado de fora, até porque não queria ouvir o assunto de algumas pessoas.
– Bem vamos lá, sei que alguns aqui praticam arte marcial e outro tem estilo próprio, hoje eu quero ver do que são capazes. Dividi as duplas que irão lutar entre si, é só seguirem para o mural e conferirem as chaves.
Cheguei ao mural e vi que na minha chave estava Perseu Jackson. Automaticamente me lembrei da outra noite e o meu ódio me consumia. Fui para o tatame e esperei Percy chegar.
– Os primeiros a lutarem serão Di Angelo e Jackson, por favor, Jackson se dirija ao tatame. -Percy levantou do meio do seu bando e veio para o tatame. — A regra é clara, para ganhar a luta vocês têm que ter três pontos, conquistado os pontos vocês ganham. – Terminou de falar e apitou.
Sabia que Perseu era horrível com luta por isso nem me preocupei, podia ver desprezo em seus olhar, o que me irritava mais ainda.
– Vamos ver do que você e capaz. – Falou ele.
– Será que as duas surras que eu te dei não foram suficientes?
– Que duas surras?
– A que eu te dei em casa e a que você vai levar agora.
Fui pra cima de Percy e ele dirigiu um soco ao meu rosto. Desviei seu soco com minha mão e com a outra acertei um murro em seu estomago. Joguei meu corpo para trás fazendo com que eu desse um mortal de costas. Todos me olhavam surpresos inclusive o professor, Percy estava irritado porque estava apanhando na frente de seus amigos e eu estava com raiva por ele me tratar como um lixo. Ele veio em minha direção como um animal selvagem. Fui a sua direção e saltei sobre ele apoiando minhas pernas em seu braço e o trazendo ao chão com uma chave de braço, já tinha conseguido dois pontos até ai. Levantei-me novamente e Percy ainda estava me olhando com um olhar mortífero. Veio em minha direção com um soco mais ele o falseou e me derrubou aplicando-me um sossega leão. Faltava mais um ponto pra min ganhar e acabar com isso de uma vez, corri em direção a Percy apliquei uma rasteira derrubei-o no chão e travei seu braço atrás das costas fazendo com que ele ficasse imóvel.
– Di Angelo pode ir pra arquibancada.
Sentei em uma das cadeiras mais distantes e fiquei observando essa brincadeira idiota. Depois de dois tempos de aula vendo idiotas se bater e gritarem. Fomos dispensados e fomos ao vestiário. Estava todo suado, esse foi um dos dias mais quentes em Manhattan. Peguei minha toalha e fui para o chuveiro me lavar. Terminei meu banho e enrolei-me na minha toalha e saí do chuveiro seguindo em direção ao meu armário, cheguei perto dele e ele estava arrombado e todas as minhas roupas foram tiradas de lá.
– Procurando alguma coisa Nico? — Virei para trás e vi Percy e seus amigos de toalha rindo de mim.
– Perseu, o que você fez com minha roupa?
– Por que você não fala com o diretor? Ele pode te dar alguma ajuda.
– O que você quer dizer com isso?
– As suas roupas estão dentro da gaveta da escrivaninha do diretor, se você as quer de volta vai ter que ir buscar.
Raiva era o que eu sentia naquela hora, estava molhado e de toalhas e teria que atravessar meu colégio desse jeito para recuperar minhas roupas. Sai do vestiário de toalha e entrei no corredor, todos começaram a rir da minha cara e lágrimas brotavam nos meus olhos, mas eu não iria derramá-las. Continuei andando e todos ainda riam da minha cara. Cheguei à direção e a secretária me olhou assustada.
– Senhor Di Angelo, o que o senhor faz aqui de toalha?
– Esconderam minhas roupas na sala do diretor.
– Como assim?
– Estava na aula de educação física, os garotos esperaram eu entra no chuveiro para esconderem minhas roupas na gaveta do diretor, agora será que eu posso pegar as minhas roupas?
– Sim, claro.
A secretária entrou comigo e explicou ao diretor a minha situação e logo que abriu sua gaveta minhas roupas estavam lá. As peguei e fui para o banheiro para me vestir e eu só queria chorar e muito, terminei de me vestir peguei minhas coisas e fui para o carro e encontrei Thalia nos esperando. Corri até ela e a abracei chorando e muito.
– Nico! Nico, o que foi?
– Hoje na aula de educação física, Percy escondeu minhas roupas na sala do diretor me fazendo ir de toalha até a direção. Todo o colégio riu de mim Thalia. – Disse entre soluços e vi seus olhos azuis fervendo de raiva.
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