Broken Lines
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Eu pensei que apenas o jeito daquela garota seria extremamente irritante, porém eu estava totalmente enganado. No momento em que ela começou a falar, aquela voz estridente e infantilizada me fez querer correr e tapar a boca dela com super cola.
– Ora professora, eu estava apenas no banheiro retocando a maquiagem.
– Claro, como se não tivesse maquiagem suficiente no seu rosto. – Retrucou a mulher e nesse momento eu comecei a gostar muito dela. – Não importa. Sentem-se as duas e seus nomes serão marcados na caderneta.
Sorri de satisfação com essas palavras. Eu sempre gostei de ver gente ridícula se ferrare essa menina era um excelente exemplo de pessoa ridícula. Para o meu azar, as únicas mesas vazias eram à minha frente e a outra logo ao lado, ou seja, na frente do Louis. A loira sentou-se na cadeira diante de mim e a amiga na outra.
– Ai, não é a toa que eu odeio essa velha idiota. – Falou a de rosa, revirando os olhos e jogando o cabelo ondulado para trás. – Mas até eu ficaria assim se fosse tão mal comida quanto ela.
As duas riram e a ruiva completou:
– E quem iria querer alguém como ela, Annie?
– Tem razão. E não achei que você pudesse dizer alguma coisa inteligente, Rach. — Pelo jeito a outra era realmente burra, por que não entendeu a ofensa e ficou sorrindo feito idiota.
Apesar disso tudo, a aula passou tranquilamente. A professora disse que estudaríamos sobre literatura inglesa e achei a matéria bem interessante. Ela indicou alguns livros para lermos antes da aula acabar.
O sinal tocou e eu fui em direção aos armários. Quando estava destrancando o meu, vi Percy encostado em um canto se agarrando com a garota loira da minha sala. A amiga a havia chamado de Annie e se não me engano, o nome da namorada do Percy era Annabeth. Fazia sentido ele namorar ela, afinal eles se mereciam.
Virei o rosto para não precisar ver aquela e cena e olhei meu horário. As próximas duas aulas seriam de História. Fui para a classe logo que o sino tocou e novamente sentei na última carteira. As aulas passaram normalmente e o professor era legal, apesar de parecer ser um pouco rígido.
No intervalo encontrei Thalia e Luke juntos e eles me chamaram para sentar com eles, porém resolvi ficar na companhia de Louis. Passaram-se mais três aulas depois do recreio e em nenhuma delas o Percy caiu na minha sala, ainda bem.
Finalmente chegou a hora de ir embora e fomos para o estacionamento, pois voltaríamos no carro de Luke. Percy já estava lá, praticamente engolindo a cabeça da namorada. Como aquela garota conseguia ser tão vulgar a ponto de fazer uma cena daquelas no meio da escola?
Quando chegamos perto do casal, Thalia pigarreou para chamar a atenção e os dois pararam o beijo. Só então Annabeth me notou.
– Quem é esse? – Perguntou me olhando de cima a baixo.
– Esse é meu novo irmão, Nico. – Respondeu a mais velha, com um ar de orgulho.
– Oh, Percy não me contou que tinha ganhado um novo irmão.
O garoto de olhos verdes pareceu irritado e praticamente gritou, olhando para mim:
– Eu não ganhei irmão nenhum! Esse é só um garoto que minha mãe sentiu pena e resolveu levar para casa, mas daqui a pouco ela se cansa e ele volta para onde é o lugar dele.
Admito que aquelas palavras me incomodaram mais do que eu gostaria, no entanto não deixei que isso transparecesse. Em vez disso olhei o garoto nos olhos e ri debochado.
– Sabe Percy, sua irmã me considera como irmão e sua mãe me considera me considera um filho. Só você não percebeu isso e fica agindo como um imbecil. Por que você não para de ser criança e acorda pra vida de uma vez?
Todos ficaram em silêncio. Pude ver claramente o que cada expressão dizia: Thalia parecia admirada com as minhas palavras; Luke e Annabeth estavam surpresos com a minha reação; mas a expressão de Percy era a melhor, pois ele não sabia o que dizer, apesar de estar procurando uma resposta com toda a inteligência que possuía.
Aquilo já estava me incomodando e foi Luke quem me salvou daquela situação:
– Acho que a gente deveria ir embora.
– Concordo. – Afirmou a morena.
Percy, que transbordava raiva, falou:
– Eu vou para a casa da Annabeth. — Sem nem esperar pela resposta da irmã, ele saiu com a loira.
Entramos no carro e seguimos pelo caminho até em casa. No trajeto, Thalia me olhou pelo retrovisor e percebeu minha cara de tristeza.
– Como você está? – Questionou cautelosa.
– Bem. – Menti.
– Por que será que eu não acredito em você?
– Tudo bem. – Suspirei derrotado. – Eu estou assim porque tudo o que ele disse é verdade.
– Vamos discutir isso de novo?
– Não. E eu não estou dizendo que dessa vez vai acontecer, mas em todas as outras essa foi a realidade. A família me adotava por pena, depois se cansava de mim e me devolvia. Cansei disso, eu não um objeto qualquer.
Ela virou e pegou minha mão, sustentando um olhar compreensivo no rosto.
– Nico, não se preocupe. Em hipótese alguma nós te devolveríamos. Você é parte da família e se tem uma coisa que eu aprendi, é que você não pode desistir da sua família.
Sorri abertamente para ela, coisa que nunca tinha feito a ninguém. Thalia era o tipo de pessoa que você iria querer por perto quando estivesse feliz e pronto para a diversão, mas também para quando estivesse triste e precisando de conforto. Me senti muito grato por ela ser minha irmã.
Alguns minutos se passaram e do nada um assunto surgiu na minha cabeça.
– Thalia, você não me falou nada sobre seu pai.
– Ah, é mesmo. – Ela sorriu de lado e arqueou uma sobrancelha. – Primeiro você tem que saber que Percy e eu somos irmãos só por parte de mãe.
– Sério?
– Aham. Meu pai se chamava Zachary. Ele e minha mãe eram namorados de colégio e ela engravidou quando tinha dezenove anos. Ele morreu quando eu tinha apenas dois meses de vida e eu nunca o conheci. Um ano depois, minha mãe conheceu o pai de Percy, Peter. Eles começaram a namorar e em um ano meu irmão veio ao mundo.
– E como é sua relação com ele?
– Bom, para mim, Peter é meu pai. Ele sempre me tratou como filha, desde que me conheceu. Ele viaja muito a trabalho, por isso vocês não se conheceram ainda.
A essa altura já havíamos chegado em casa. Ao abrir a porta, a garota teve uma grande surpresa. Um homem estava sentado no sofá da sala. Ele tinha aproximadamente quarenta anos, cabelos castanho-escuros, pele bronzeada e olhos verdes. Ele usava uma camisa pólo azul e calça jeans. Thalia correu para abraçá-lo e disse animadamente:
– Pai! Eu senti tanto a sua falta.
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