Broken Lines
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Como sempre o mesmo sonho me atormentava. Vi eu e Bianca pequena em meus sonhos sendo deixados na porta do orfanato. Bianca dormindo e eu quieto, vi minha mãe fugindo e deixando eu e minha irmã largados. Acordei ofegante e suando frio, odiava quando isso acontecia.
Olhei para o relógio da cabeceira da cama e já eram quatro e meia da manhã. Levantei-me e fui em direção ao banheiro, lavei o rosto e fiz minha higiene, troquei de roupas colocando uma calça de moletom e uma blusa de mangas compridas e voltei ao quarto. Minha mania de acordar cedo às vezes me atrapalhava.
Fui até a cozinha e prepararei meu café, panquecas e café escuro com creme. Fiz tudo, até que uma empregada entrou na cozinha e se assustou comigo, ela deu um pulo, mas logo me reconheceu:
– Sr. Nico! Desculpe, não queria assustar o senhor.
– Não me chama de senhor, me chame de Nico, mesmo porque não sou melhor que você em nada. – Disse a ela, dando um sorriso sincero.
– Tudo bem. – Ela me olhou agradecida.
Peguei o que eu havia preparado, já tinha lavado tudo o que eu utilizara e fui para a sala de jantar. Me sentei no mesmo lugar de antes, comi as panquecas e tomei meu café e segui para o jardim da casa que era imenso. Fui pala o lado das roseiras e fiquei lá por um tempo até ver o jardineiro cuidando das plantas que ali estavam. Me levantei, voltei pra dentro de casa e vi que estavam começando a colocar a mesa, subi as escadas correndo e troquei de roupa porque eu ainda estava de pijamas, coloquei a roupa que eu vim do orfanato e desci. Chegando lá em baixo encontrei Sally, Thalia e Percy à mesa.
– Bom dia Nico. — Saudou Sally sorrindo.
– Bom dia campeão. — Disse Thalia.
– Bom dia. – Respondi.
Percy não disse nada e eu continuei quieto, peguei apenas um copo de suco, pois eu já tinha tomado café e Sally reparou que eu não havia pegado nada para comer:
– Nico, você não vai tomar café?
– Não, eu acordei mais cedo e fiz meu café. – Falei sorrindo para Sally.
– Uau, finalmente alguém que sabe cozinhar melhor que eu. — Declarou Thalia, rindo.
O café passou rápido e Sally disse que ia ter que sair para resolver uns problemas e nós ficaríamos em casa:
– Primeiro sem briga vocês todos. Segundo, sem visitações para o Percy. Não quero aquela abusada aqui outra vez. E terceiro, tomem cuidado crianças. — Dizendo isso, beijou cada um e saiu de casa.
Fui para meu quarto e ouvi uma música vindo do andar de baixo e, como eu esperava, era Green Day. Fechei a porta e fui ver minhas roupas até que eu ouço a minha porta sendo fechada. Thalia não era porque os passos dela eram silenciosos, a pessoa que havia entrado em meu quarto estava fazendo barulho de mais. Tinha duas pessoas em mente, ou era uma empregada querendo arrumar meu quarto ou era Percy tentando fazer algo comigo. Me escondi no closet e pelas frestas da porta pude ver o casaco azul de Percy, ele estava olhando meu quarto até que ele me surpreendeu:
– Nico. – Permaneci em silencio no closet. — Eu preciso falar com você.
– O que você quer? – Perguntei saindo do closet e indo em sua direção.
– Vim lhe pedir desculpas.
– Sinceramente, não preciso de sua pena e não vou aceitar suas desculpas.
– Como assim? — Indagou ele, me olhando espantado.
– As pessoas só tomam decisões baseadas em algum sentimento, que no seu caso é a culpa.
– Se você não quer minhas desculpas, ótimo, não vou ficar correndo atrás de você. — Dizendo isso, saiu do quarto me deixando em paz. Nesse momento ouvi Thalia me gritar. Desci as escadas e a vejo ao lado de um garoto alto, loiro, com uma cicatriz no olho.
– Luke, esse é Nico di Angelo, meu novo irmão. – Disse ela me puxando para perto dele. – Nico, esse é Luke Castellan, meu namorado.
Ele sorriu e estendeu a mão para mim.
– É um prazer te conhecer Nico. — Apertei sua mão, envergonhado.
– O prazer é meu. – Thalia sorriu.
– Agora que se conhecem... Percy! — Ela gritou o nome do irmão e logo ele estava no topo da escada fazendo uma careta.
– Quer um mega fone cara de pinheiro? – Ele se virou para Luke. – E ai cara?
– Oi Percy, que cara é essa? Caiu da cama hoje? – Perguntou Luke, Percy olhou para mim rapidamente e deu de ombros.
– Mais ou menos.
– Muito bem meninos, hora de ir para a escola! Luke vai nos levar hoje.
– Vou? – disse ele rindo, e acenou para que nos o seguirmos.
Eu corri para o quarto pegar minha mochila, Sally havia arrumado tudo e desci os encontrando de frente para uma Hillux. Durante o trajeto para a escola Luke e Thalia ficaram contando coisas engraçados sobre eles e Percy, que só fazia caretas e se sentou o mais afastado possível de mim no banco de trás. Eu não me importei, achei até bom. Luke era um cara legal.
Chegamos à escola e Thalia me levou à minha sala. Agradeci aos céus por Percy não ter a primeira aula comigo. A agradeci por ter me levado até ali e ela bagunçou meu cabelo seguindo com Luke pelo corredor. Respirei fundo e entrei na sala, estava praticamente vazia, me sentei no fundo ao lado da janela e dei uma espiada na minha mochila. Nunca tive cadernos legais, então estava curioso, tirei alguns dos cadernos e coloquei na mesa, abri um singelo sorriso. Os cadernos eram bem legais, a maioria em preto e azul escuro com caveiras ou logotipo de bandas de rock, não me surpreendeu pela metade ser do Green Day, na verdade isso me fez aumentar o sorriso.
Guardei os cadernos de novo e olhei meu horário, essa seria a aula de inglês. A sala começou a se encher de gente e a maioria me olhava com curiosidade e receio, até que um garoto entrou de cabeça baixa, possivelmente com vergonha, olhou para os lados procurando provavelmente um lugar afastado e quando olhou para mim meu coração saltou. O garoto era Louis. Fiquei sem reação, mas ele, claramente e como sempre, ficou eufórico.
– Nico! – Ele gritou e correu pela sala, parou ao meu lado com um sorriso enorme no rosto e se sentou à mesa ao lado da minha.
Todos da sala nos olharam confusos e alguns começaram a rir, mas e daí? Meu amigo estava aqui.
– Oi Louis... — Falei dando um sorriso para ele.
– Como vai cara? Pensei que nunca mais ia te ver!
– Então somos dois, coincidência não é?
– Sim, muita! Onde você está morando? Como é sua família? E.... — Levantei a mão e segurei seus ombros e o fiz sentar na sua cadeira.
– Calma... — eu ri um pouco aliviado. – Nem eu sei meu endereço ainda. Sally é muito legal...
– Ela é a sua mãe? – Ele me cortou.
– Hum, acho que era para ser... Eu não estou preparado para chamá-la de mãe apesar, de ela ter sido tão gentil comigo. — Ele acenou concordando.
– Você tem irmãos? Pai?
– Pai eu não sei, irmãos eu tenho uma que se chama Thalia e eu realmente gostei dela. – Ele riu. – E outro que se chama Percy, não gostei dele... — Ele me olhou questionando. – Digamos que ele não gostou de mim primeiro e eu só estou correspondendo o carinho da mesma forma.
Ele riu mais e disse:
– Parece bem divertido.
– Para você tudo é divertido.
– Nem tudo, mas eu tento ver o lado bom das coisas. Agora por exemplo, fomos adotados, e estamos juntos ainda, isso e bom. – Sorri minimamente e concordei.
A professora entrou na sala nesse momento.
– Olá alunos! Temos dois estudantes novos esse semestre. – Ela esquadrinhou a sala e olhou para nós. – Por favor, se apresentem.
– Meu nome é Louis! — Disse ele se levantando e eu revirei os olhos. – É um prazer conhecer vocês! – E sorriu de orelha a orelha.
– Nico di Angelo. – Fim, não precisam saber mais nada sobre mim.
A professora me encarou por alguns segundos, assim como alguns colegas, então deu de ombros e começou com a aula.
– Vejo que sua educação não mudou nada. – Cochichou Louis, tirando os cadernos da mochila.
– Obrigado. – Sorri sarcástico e tirei meus cadernos também.
Sempre fui muito discreto com tudo, e nunca gostei de chamar atenção. Mas tem gente que nasceu pra isso, estávamos copiando o exercício do quadro quando uma menina loira de olhos cinza entrou na sala, a típica patricinha de colégio. Vestia uma saia jeans curta salto cor de rosa chiclete e uma jaqueta da mesma cor. Acho que uma parede tinha menos argamassa do que o rosto dessa menina, era tanta base que quase se formava uma segunda pele. Atrás dela vinha uma menina ruiva com uma calça skinny, uma jaqueta azul e um salto verde. Dava-me enjôo só de olhar. Chegaram à sala fazendo um estardalhaço.
– Senhorita Chase e Senhorita Dare, posso saber o motivo que as fez chegarem atrasadas para a minha aula?
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