Broken Lines
36 Capítulo 36
Notas iniciais
Mais uma vez o sonho se repetia em minha cabeça, a cena de Louis caindo no chão baleado e inconsciente com o homem fugindo da loja.
Acordei pela sexta vez e quando olhei para o relógio já eram sete da manhã. Levantei-me da poltrona e fui até o lado de Louis que ainda dormia tranquilamente. Saindo do quarto dirigi-me a cafeteria do hospital, cheguei ao balcão e pedi um café bem forte.
Fiquei uns doze minutos na cafeteria e logo Percy apareceu na entrada do local, eu estava cansado, avistou-me e sentou ao meu lado.
–Tudo bem com você? – disse me olhando preocupado.
–Sim só estou cansado, não consegui dormir direito, as imagens do assalto ficaram indo e vindo à minha cabeça o tempo todo. — esfreguei meus olhos e a sensação de cansaço continuava. — Estou quebrado mais isso nem se compara com o que o Louis fez por mim.
–Eu teria feito o mesmo. E imagino o quanto Louis gosta de você só pra fazer isso. – disse Percy me olhando com dor nos olhos.
–Hey não fica assim ok?- disse olhando no fundo dos seus olhos. — Eu cresci junto com o Louis e a gente passou por muitas coisas juntos naquele orfanato, o meu amor pelo Louis é como se ele fosse um irmão. Eu estou muito mal com isso tudo. Mas quem eu amo é você Percy. – disse deixando uma lágrima rolar pelas minhas maçãs do rosto.
–Hey eu também te amo. – disse soltando um sorriso bobo.
–Vamos pro quarto do Louis. – disse me dirigindo até o balcão pra pagar pelo meu café. – Tenho que ficar de acompanhante, prometi a Kate que cuidaria dele.
Seguimos pelo hospital até chegarmos ao quarto de Louis, adentramos o local e Louis estava sentado na cama com os olhos cor de mel nos encarando.
–Hey pessoas. – disse abrindo um sorriso ao nos ver.
–Lo-lo-louis? – disse olhando surpreso para o mesmo. – Você está acordado desde quando? – perguntei com meus olhos marejados.
–Acordei tem poucos minutos. – Disse fazendo uma careta de dor e colocando a mão sobre o local ao qual foi ferido. – Sabe finalmente eu vou poder colocar medo em alguém dizendo, “Hey moleque não mexe comigo, eu já levei um tiro.” – disse fazendo caretas e eu fui abraçá-lo.
–Promete pra mim que nunca mais vai fazer isso?- disse deixando as lágrimas rolarem livremente pelo meu rosto.
–Isso o que? Entrar na frente de uma bala pra salvar meu irmão?- disse me olhando com uma de suas sobrancelhas arqueadas. –Não posso prometer uma coisa que se necessário eu faria novamente. – disse sorrindo e eu fiz o mesmo. Há muitas horas que eu não sabia o que era sorrir. –Desde pequenos, sempre foi assim lembra. – disse acariciando meus cabelos. – Eu por você...
–... E você por mim. – Não agüentei mais e me derramei em soluços.
Depois de uma hora Percy teve que ir porque Thalia precisava dele. Esperamos mais longas e árduas quatro horas até que o bendito médico chegasse, e nesse meio tempo os pais de Louis já estavam lá.
–Bem. – disse o medico olhando para os pontos no braço de Louis. – Os pontos estão tudo bem, os batimentos cardíacos, não há nenhum risco de infecção nem mesmo inflamação. Acho que o garotinho de vocês pode ir embora agora. – Disse dando um sorriso leve.
–Muito obrigado doutor. – disse Kate sorrindo. –Vamos pra casa meu amor.
Acredito que a mãe de Louis seja uma das pessoas mais bipolares que eu conheço, no dia do acidente, de tanta preocupação começou a passar mal. Agora ela estava chorando de alegria.
Vestimos Louis e o levamos até o carro. Abracei Kate pedindo desculpa mais uma vez, e cumprimentei John novamente.
–Me desculpe novamente. –disse corando. – Eu não queria que nada disso tivesse acontecido.
–Nós sabemos que não foi sua culpa Nico. – Kate sorriu ao dizer. – Nós que agradecemos por você ter ficado com ele quando eu tive mais uma de minhas crises de nervosismo. Você foi o que mais nos ajudou. Muito obrigado mesmo. – disse limpando as lágrimas que voltavam a escorrer por sua face.
–E mais uma coisa. – John disse serio. – nos gostaríamos de saber o quanto devemos a vocês. As despesas que ocorreram no hospital não vão ficar nada baratas. – disse com um olhar preocupado.
–Vocês não devem nada, ele levou uma bala por mim e acredito que meus pais pensariam da mesma forma. Vocês não nos devem nada, muito pelo contrario. Eu que devo a vocês, e muito.
–Bem nós estamos dispostos a pagar se necessário...
–Não tem problema. – disse cortando John e dando um sorriso, fui até a janela do carro e sorri pra Louis. -E ai garotão, finalmente vai pra casa.
–Sim. – sorriu em resposta. – Nico?
–Sim?
–Posso te pedir uma coisa?
–Quantas você quiser.
–Você pode passar hoje lá em casa, eu preciso falar uma coisa com você. — disse corando levemente.
–Claro eu vou pra lá com vocês, podem ir à frente.
Fui para o carro que Percy havia comprado pra mim, acho que ele precisa de tratamento, eu fico esperando horas no hospital pro Louis ficar bem e ele me liga dizendo que comprou um carro pra mim, tive um acesso de raiva mas depois me acalmei e pedi desculpas.
Fui até o Maserati preto que se encontrava no estacionamento do hospital, coloquei a chave na ignição e dei partida, sai do estacionamento e logo o Grand Cherokee dos pais de Louis tomou as ruas também.
Seguimos para o apartamento deles que se encontrava na 135East 79 Street, os pais de Louis foram pro estacionamento do prédio enquanto eu estacionava em frente ao mesmo.
Dirigi-me a portaria aonde os pais de Louis falavam com o porteiro para liberar minha passagem, subimos até o quarto andar do prédio, e deuses. O apartamento era imenso, a sala era demasiadamente grande para um apartamento comum, bem pelo menos a de estar. Fiquei sem graça de ficar observando a casa de Louis com olhos astutos.
–Sinta-se em casa Nico. – disse Kate sorrindo.
–Vamos pra cozinha, eu to com fome. – Louis deu mais um de seus sorrisos.
–Tudo bem. — sorri em resposta.
A cozinha também não foi diferente da sala, me surpreendeu muito por conta de ser um apartamento com tanto espaço. Louis abril a geladeira, e começou a montar dois sanduíches, depois de feitos seguimos para o quarto.
O quarto era tão suave como Louis, a cor azul bebe das paredes combinavam com toda sua quase “inocência”.
–Você tem certeza que eu não estou atrapalhando? – perguntei corando um pouco.
–Não, não esta. – sorriu pra mim e mordeu seu sanduíche.
Comemos em silêncio, até porque eu também estava com fome.
–Hey eu vou deitar um pouco. – disse sorrindo.
–Tudo bem. – ia me levantando quando Louis me empurrou de volta.
–Pode ficar.
Louis reclinou-se sobre a cama e colocou sua cabeça em meucolo. Logo eu comecei a acariciar seus cachos.
–Me desculpa ok?- disse tentando tirar o peso de minhas costas.
–Você não precisa pedir desculpas Nico. – disse olhando pra mim. – Prefiro ficar com meu ombro fodido a ter você morto. – disse rindo
–Louis desde quando você xinga?- perguntei fingindo um falso espanto.
–Muito tempo. – disse rindo.
Continuei a acariciar suas madeixas até que o mesmo se levantou e me encarou.
–Nico, eu tenho uma coisa pra te falar.
–Diz.
–Bem eu sei que você namora o Percy agora, mas eu tenho uma coisa a te confessar.
–Louis eu não estou gostando do ritmo dessa conversa. –disse preocupado.
–Bem, eu tive uma queda muito grande por você um tempo, hoje em dia não é tanto assim mais eu ainda gosto muito de você e com o passar do tempo você se tornou um irmão pra mim. Eu não quero acabar com nossa boa relação por culpa de alguns sentimentos idiotas meus. – disse deixando uma lágrima solitária correr pelo seu rosto.
–Louis não fica assim, não por mim ok? Eu sempre vou ser seu irmão independente do que aconteça, ok?- disse secando a lágrima que escorria logo dando lugar a outra. — Não quero ver você assim, não por mim. Você merece coisa melhor que eu.
–Mas eu não sei, são quatro anos que eu gosto de você e esse sentimento não passa Nico. Mesmo ele sendo pequeno, eu me controlo ao máximo, não quero que você e Percy terminem por minha causa. – disse derramando mais algumas lágrimas.
– Louis fecha os olhos. – pedi calmamente e ele me obedeceu. – O que você vê?
–Nada, está tudo escuro. – disse fazendo com que duas lágrimas corressem por suas bochechas. Encostei uma de minhas mãos ao braço de Louis.
–O que você sente?- perguntei calmo.
–Sua mão em meu braço. – disse se acalmando.
–Assim fomos por muito tempo, um zelando do outro, e não é porque nós moramos em casas separadas que isso tudo acabou, quero me desculpar por ter sido um idiota com você por muito tempo. E gostaria que me desculpasse por ter te feito sofrer também.
–Mas você não... — coloquei meu dedo indicador sobre seus lábios.
–Fica quieto Louis.
Aproximei-me de Louis e o abracei, nada mais que um abraço, fraternal? Eu não sei, mas era tudo que ele merecia e o máximo que eu podia fazer, ou tentar, para aliviar essa dor para ele.
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