Broken Lines
23 Capítulo 23
Notas iniciais
– Nico você não pode ir. – Disse Thalia me olhando assustada.
– Não vou sozinho, Percy vai comigo. – Falei olhando para ele. – Não é?
– Sim, claro. – Afirmou sendo pego de surpresa.
Cheguei ao quarto e tirei minha bermuda colocando minha calça jeans e uma blusa qualquer, calcei meu All Star e logo já estava lá em baixo esperando Percy terminar de se arrumar.
– Tem certeza que vocês vão ficar bem? – Perguntou Thalia me olhando preocupada.
– Sim vamos. – Respondi firme e logo Percy já estava lá em baixo.
– Vamos? – Disse me olhando sério.
Entramos no carro e Percy arrancou deixando Thalia e a entrada da nossa casa para trás, passamos pelo portão e seguimos o nosso caminho.
– Nico, tem certeza que você quer fazer isso mesmo? – Disse Percy olhando pra frente e tentando me olhar.
– Sim eu preciso fazer isso, é uma coisa minha. – Disse lembrando os poucos momentos que eu vivenciei ao lado de Bianca. — Você ao menos sabe o endereço? – Perguntei olhando para Perseu ainda dirigindo.
– Sim, sua irmã deixou seu cartão com o papai, já estamos quase lá. – Respondeu ainda olhando para frente.
– Tudo bem.
E foi só aguardar mais alguns instantes e logo havíamos parado em frente a um prédio com apartamentos bem divididos. Percy saiu do carro e logo eu o segui.
– Qual o número do apartamento? – Indaguei olhando nervoso para Percy.
– 105. – Falou olhando pro pedaço de papel que se encontrava em sua mão.
Sinceramente eu não sabia o que fazer. Se ficava feliz por Bianca ter voltado. Se ficava com raiva por ter me abandonado. Os sentimentos me invadiam como um turbilhão de emoções, mas eu precisava chegar a um consentimento. Aproximei-me dos interfones e apertei o numero referente ao apartamento cento e cinco.
– Pois não? – A voz dela era suave, mas ao mesmo tempo autoritária.
– Entrega. – Disse fazendo o melhor falsete possível.
– Tudo bem, suba. – Dizendo isso desligou o interfone.
– Sabe que mentir e feio, não é Nico? – Disse Percy, rindo.
– Hoje é necessário. – Olhei para ele com raiva em meus olhos e rapidamente a risada cessou.
O portão de ferro a nossa frente havia sido destravado e logo adentramos a propriedade e nos dirigimos ao apartamento. Toquei a campainha e logo uma mulher aos seus vinte e três anos usando uma calça jeans uma regata preta e uma bota de couro marrom abre a porta e me encara.
– Pois não? – Disse olhando confusa para mim e para Percy.
– Quanto tempo Bianca. – Falei olhando nos olhos dela.
– E quem é você? – Perguntou ainda em dúvida.
– Nico Di Angelo. — Respondi dando ênfase a cada palavra dita.
Bianca parecia estar em choque, a cor de seu rosto havia fugido completamente. Ela nos deu passagem e logo estávamos em uma sala de estar muito bem decorada. Percy havia sentado no sofá que ali se encontrava e eu permaneci de pé.
– Nico, eu não sei o que dizer. – Disse Bianca com os olhos marejados.
– Eu acho que você tem muito a me dizer. – A encarei o mais frio possível.
– Antes eu posso fazer uma coisa? – Pediu me olhando suplicante.
– Dependendo do que for. – Disse crispando meus lábios.
Bianca me envolveu em seus braços e eu continuei parado. Ela me abraçava de tal forma, tentando passar todo o afeto que eu sabia que era falsidade. Depois dessa cena cínica eu finalmente poderia pedir explicação de uma parte da minha vida.
– Nico eu... Eu fiquei tão preocupada com você durante todos esses anos. – Disse Bianca com os olhos marejados e secando as lágrimas que ameaçavam fugir de seus orbes tom de avelã.
– Você ficou Bianca? — Falei rindo ironicamente. – A quem você está querendo enganar? – perguntei logo de começo porque eu não queria que esse show de falsidade continuasse.
– Como assim? – Disse Bianca pensativa.
– Como assim, Bianca? Se você estivesse realmente preocupada me buscaria antes! – Gritei e me permiti sentir ódio sendo liberado pelo meu sistema como uma droga.
– Nico eu... — Cortei-a antes que terminasse de falar.
– Nico eu tentei fazer alguma coisa. – Falei forçando um falsete. – Se você realmente me queria, por que não veio me buscar antes? – Disse jogando isso na cara dela.
– Ho provato, ma i miei genitori mi proibì di venire dopo di te. – Disse me olhando com um olhar de dor. (Eu tentei, mas meus pais me proibiram de vir atrás de você.)
– Hai provato? Davvero non sembra come si è tentato. Se mi volevi indietro per davvero, tu mi hai cercato a prescindere di divieti. — Disse sentindo a amargura que havia em minha voz. (Você tentou? Realmente não parece que você tentou. Se você me quisesse de volta de verdade, você teria me buscado independente das proibições).
– Por favor, os dois conversem em uma língua que eu entenda. – disse Percy olhando pra Bianca como uma leoa protege seus filhotes.
– Eu fiz de tudo pra tentar te buscar Nico, tudo. Eu brigava diariamente com meus pais pra tentar te levar para Itália, mas eles nunca aprovavam. – Disse deixando escorrer uma lágrima por suas maçãs do rosto. – Eu sentia muito sua falta Nico. – Falou se aproximando para tocar meu rosto.
– NÃO ME TOQUE! – Gritei chorando de raiva. – NUNCA MAIS ME CHAME DE IRMÃO, VOCÊ NÃO É MINHA IRMÃ! NUNCA FOI! E NÃO É SÓ PORQUE VOCÊ VEIO ATRÁS DE MIM AGORA QUE VAI COMPENSAR TODOS AQUELES ANOS QUE EU VIVI O INFERNO NAQUELE MALDITO ORFANATO! EU TE ODEIO BIANCA! EU TE ODEIO. – Não esperei ela me responder.
Saí do apartamento e pude ouvir Percy falando pra ela dar tempo ao tempo. Mas eu acho que ela esperou tempo de mais. Entrei no carro de Percy me sentando no banco do carona e abraçando minhas pernas. Tinha tantas coisas acontecendo comigo de uma só vez, tantas coisas pra eu absorver ao mesmo tempo. Eu estava enlouquecendo. Percy entrou no carro e eu não consegui segurar mais o vazio que estava dentro de mim. Deixei algumas lágrimas fugirem e nem consegui escondê-las e logo Percy já tinha visto.
– Me tira daqui Percy. Por favor. – Olhei suplicante para ele, permitindo que uma lágrima seguida da outra começassem a descer pelo meu rosto.
– Tudo bem, só fica calmo. Já estamos saindo daqui. – disse Percy dando partida no carro e deixando para trás o apartamento de uma pessoa que supostamente se considerava minha irmã.
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