Broken Lines
18 Capítulo 18
Notas iniciais
– Thalia, você tem que vir no banheiro masculino agora! – Disse Luke exasperando no telefone, eu corria pelos corredores da escola atrás de Nico e quando ele me ligou tinha acabado de sair da sala dele.
– O que aconteceu? – Perguntei nervosa.
– Você tem que ver com seus próprios olhos. — Ele não desligou o celular, mas parou de falar. Ouvi a voz de Lyon e Luke dar instruções a ele. Cheguei ao banheiro derrapando no piso e quando entrei vi Nico deitado no chão com suas roupas rasgadas e em estado de choque. Fiquei assustada de vê-lo nessas condições, ele estava todo sujo de sêmen e sangue, uma fúria enorme tomou conta do meu corpo. Cerrei as mãos em punho e comecei a tremer de raiva.
– Lyon, me dê seu sobretudo. – Disse Luke. O garoto rapidamente entregou o casaco e Luke cobriu Nico, que nem se mexia.
– Nico, eu vou te tirar daqui. – Falou ele calmamente o pegando no colo.
Pela primeira vez Nico fez um barulho de gemido e dor e sêmen com sangue começou a escorrer entre suas pernas, trinquei os dentes.
– Quem fez isso com você? – Eu disse com a voz afiada e baixa.
Nico me olhou com lágrimas nos olhos, mas não conseguiu falar. Lyon pegou o material de Nico que estava jogado no chão e olhou para mim com receio.
– Eu não vi quem foi também, mas quando descobrir me avise. – Disse ele.
– Levarei Nico para sua casa, você vai? — Eu olhei para a poça de fluidos, onde Nico estava há alguns segundos e dei as costas para aquilo, saindo do banheiro.
– Leve Nico para casa e volte. Lyon, fique com ele e chame o Louis para ir também. Encontre Luke no carro dele.
– Ele está na Educação física, vou chamá-lo. – E o garoto correu pela escola. Passei minhas mãos pelo cabelo de Nico, estavam pegajosos pelo suor.
– Seus irmãos estão na escola? – Perguntei a Luke olhando o rosto pálido de Nico.
– Estão, só saem as quatro. – Respondeu Luke parecendo entender o que se passava na minha mente. Sorri. – Quer que eu ligue para eles?
– Eu mesma ligo. Quero que você chame Clarisse. Vou precisar dela. – Luke concordou com a cabeça e se foi pelo corredor carregando Nico. Disquei o numero no telefone.
– Fala! Estamos na aula de geografia usando fones, então estamos os dois na linha, seja cuidadoso com as palavras, sem notícias bombásticas para não nos denunciarmos ao professor. — Disse Connor, baixinho.
– Preciso do serviço de vocês meninos. É um assunto sério.
– Thalia? Se você tá ligando no meio da aula, algo está errado. — Falou Travis.
– Tem algo realmente muito errado Stolls. Alguém, ou mais de um, estupraram meu irmão no banheiro. – Escutei eles prenderem a respiração para não falarem mais alto.
– Percy? – Perguntou Connor.
– Não, ninguém faria isso com o cabeça de alga. Foi o Nico, certo? – Disse Travis.
– Sim, quero que descubram quem foi e o mais rápido possível.
– Você quem manda. Até a hora do intervalo da tarde teremos os nomes, palavra dos Stolls.
– Obrigada.
– Mais uma coisa Thalia... — Disse Travis. – Caso precise de nós para uma lição...
– Não conhecemos muito Nico, mas esse tipo de coisa é imperdoável. — Afirmou Connor.
– Estaremos à disposição. – Completou Travis.
– Pensarei no que eu farei, mas é bom saber que posso contar com vocês. – Escutei a voz do professor deles e eles riram, a linha caiu.
Guardei o telefone e caminhei pelo corredor. Precisava pensar em algo, quem fez isso com o meu irmão vai pagar caro.
– Thalia! – Ouvi Percy me chamar, olhei para trás e ele vinha correndo até mim. Quando chegou se apoiou nos joelhos, arfando. – Eu vi Luke levar Nico para o carro, ele estava mal... O que houve?
– Algum ser que vai ser castrado em breve o pegou no banheiro.
– O pegou? Como assim?
– Não se finja de idiota, o que acha que aconteceu para o Nico ficar naquele estado? – Ele pareceu começar a raciocinar e depois a compreensão veio junto com um olhar de raiva.
– Quem foi? – Ele trincou os dentes de tanto ódio.
– To tentando descobrir, coloquei os Stolls para trabalhar. Vou pensar no que fazer durante o almoço.
– Seja o que for que você vai fazer, conte comigo.
– Pensei que não gostasse dele e nem se importasse Percy. – Ele deu de ombros e saiu pisando duro. Fui para minha sala de aula e fiquei pensando no assunto ate a hora do intervalo à tarde. Meu telefone tocou quando me sentei sozinha na mesa do refeitório e eu atendi.
– Conseguiu? – Perguntei para Travis.
– Sim, onde está?
– No refeitório. – Desliguei o telefone e comecei a comer. Os gêmeos chegaram Junto com Luke e Clarisse. Dei um toque no celular de Percy e mandei uma mensagem para ele se juntar a nós e em minutos ele estava ali.
– Foi o time de natação. Todos eles. — Começou Connor. – Eles o cercaram no intervalo de manhã e fizerem tudo o que podiam e não podiam. Foi nojento.
– Como você sabe que foi nojento? – Perguntou Luke. – Tava lá por acaso?
– Nós não, mas nosso passarinho sim, ele estava dentro de um dos boxes e quando ouviu a bagunça ele se trancou e subiu em cima do vaso, viu tudo e tirou fotos. Disse que iria usar para fazer chantagem.
– E como eles não o viram? — Perguntei.
– Francamente, eles pareciam cavalos no cio. Nem se preocuparam e olhar se tinha alguém lá dentro, só entraram e depois levaram o garoto. – Disse Travis.
– Percy... — Olhei para ele com ódio, mas ele parecia estar com muito mais raiva que eu, suas mãos tremiam e seu pescoço estava vermelho.
– Eu não sei o porquê de eles terem feito isso... Eu os conheço desde sempre. — Ele deu um soco na mesa.
– O importante é que sabemos que foram eles e temos provas. — Disse Luke.
– Vão entregar eles? Por que isso seria um enorme desperdício de minha presença aqui. — Falou Clarisse.
– Apesar de ser o certo a se fazer. — Disse Luke.
– Não, não vamos entregá-los. — Eu disse com um sorriso no rosto, uma idéia me veio a mente. Clarisse, Luke e os Stolls sorriram comigo, perceberam que eu bolei um plano e Percy continuava perdido na própria cabeça.– Quem foi que começou aquilo?
–John Felter foi o primeiro. — Disse Travis. Concordei com a cabeça, olhei para Percy.
– Hoje seus amiguinhos irão treinar até as seis, certo? – Perguntei para ele. Percy despertou e balançou a cabeça concordando. – O treinador fica durante esses treinos?
– Não, as chaves ficam com o capitão do time, ou seja, eu.
– Ótimo. Quero todos aqui às seis e meia. Fiquem preparados, tragam cordas.
– Tô gostando de ver... — Disse Clarisse.
– Você tem certeza? – Perguntou Luke.
– Ninguém mexe com minha família. Eles Provarão do próprio veneno.
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