Broken Lines

12 Capítulo 12


Notas iniciais
Oi gente. Então, Di Angelus colocou vocês de castigo, mas como eu sou boazinha, estou postando o capítulo (me sentindo aquelas mães '-'). Espero que gostem. (Daenerys aqui)

Depois da cena ridícula na piscina fui para o meu quarto vestir uma roupa, já que Thalia havia tirado a minha no colégio. Peguei um pijama, tomei um banho, o vesti e logo em seguida fui para a sala de jantar. Sentei à mesa e fiquei esperando Thalia e Nico descerem para o jantar. Vi Thalia com uma roupa de usar em casa descendo as escadas e vindo até mim para me abraçar.

– O que você quer com isso? – Perguntei desconfiado.

– Quero pedir desculpas. Sei que às vezes faço coisas que não devia, mas as faço porque eu te amo.

– Tudo bem.

– Percy – Disse puxando uma cadeira e se sentando – Eu quero te pedir uma coisa.

– Diga.

– Por favor, não faça mais isso com o Nico. Estava conversando com ele e sabe por que ele não deixou seus joelhos queimarem?

– Não.

– Porque ele era castigado assim em uma das casas que ele morou.

Fiquei surpreendido, mas não demonstrei. Não sabia que o Nico tinha sofrido coisas desse gênero. Imagine só uma criança sendo castigada por alguma coisa fútil. Essa noite eu iria conversar com ele.

E foi só pensar nele que o garoto apareceu. Ele estava com seu pijama de sempre, sentou-se e o jantar foi servido. Comemos em um silêncio agradável. Nem tanto, mas a refeição foi rápida e logo todos já estavam em seus cantos. Thalia foi para a sala pra ver algum programa de televisão e Nico fora para seu quarto. Subi o lance de escadas e me dirigi à porta do quarto dele e bati de leve, ouvindo passos do lado de dentro.

– Quem é?

– Percy.

– O que você quer?

– Falar com você.

– Diga o que você quer.

– Nico, por favor, me deixe entrar, eu quero falar com você.

Ouvi o barulho da fechadura se abrindo e logo a porta estava aberta, com Di Angelo me dando passagem para entrar em seu quarto.

– O que você que? – Questionou impaciente.

– Quero pedir desculpas.

–Pedir desculpas? – Riu ironicamente. — Você tem certeza que o que você veio fazer aqui é pedir desculpas?

– Nico eu...

– Sabe Percy, muitas pessoas já vieram me pedir desculpas. – Ele disse isso se dirigindo à janela. — Mas sabe, a maioria era mentira.

– Como assim?

– Você sabe realmente o que significa a palavra “órfão”?

– Uma pessoa que não tem os pais.

– Exatamente. Agora imagine: se nem os pais, que deveriam amar seu filho, não o ama, quem vai amar? – Fiquei em silêncio, até porque Nico estava certo. – Sabe Percy eu passei por várias casas esse tempo todo que eu estive no orfanato e em cada uma eu aprendia que ninguém nesse mundo era capaz de me amar.

Imaginei como aquilo deveria ser horrível para uma criança.

– Fui adotado por quatro vezes. – Continuou ele. — A minha primeira adoção foi aos meus quatro anos. Um casal com dois filhos queriam ter mais um, mas a mulher não queria engravidar. Quatro anos, eu era apenas uma criança inocente que só queria saber de seus brinquedos. – Disse sorrindo irônico novamente e isso já estava me assustando. — Até porque, qual criança não sonha com brinquedos?

– Nico... – Comecei a falar baixinho, mas ele me cortou e prosseguiu.

– As duas primeiras semanas naquela casa foram surpreendentes. Eu tinha brinquedos, comida, irmãos, uma cama e o que eu realmente podia ter chamado de lar. Mas na verdade eu estava enganado, passara essas duas semanas eu já estava sendo esquecido pelo casal que havia me adotado e seus filhos de cinco anos me espancavam dizendo eu não podia brincar com eles porque eu era um lixo. – Nico continuava rindo sozinho com os olhos marejados e isso me assustava cada vez mais. – A assistente social foi me visitar e eu contei pra ela o que estava acontecendo e ela conseguiu me tirar daquele inferno.

Tentei dizer que ele não precisava dizer essas coisas pra mim. Mais uma vez fui ignorado e o garoto continuou a me contar aquelas coisas terríveis:

– Voltei para o mesmo orfanato e fiquei lá até meus sete anos de idade. Novamente fui adotado por um casal já de trinta a quarenta anos de idade, ao qual a mulher era estéril. Fui para aquela casa e tudo ia tudo bem até que eu fui estuprado pelo marido daquela mulher. — Nico já estava chorando e isso estava partindo meu coração. — Fui violado mais de uma vez naquela casa e todas as vezes que eu tentava falar para a mulher que havia me adotado, eu recebia uma surra como lembrança de que eu não poderia dizer para ela. Novamente a assistente social me buscou e me tirou novamente do inferno. Fiz um ano de tratamento psicológico e aos meus onze anos, fui adotado de novo. Fui para uma casa de pessoas ricas e que tinha um casal de filhos. Eu achava que ia conseguir ser alguém na vida novamente, que as coisas que aconteceram nas outras casas não iam se repetir, mas novamente eu estava enganado. Eles não queriam um filho, eles queriam uma empregada de graça. Eles me obrigavam a fazer todo o serviço da casa. Tudo que eu comia ou eles me davam para vestir era cobrado de mim com serviços. Quando eu fazia alguma coisa que eles julgavam errado, eu obrigado a me ajoelhar sobre grãos ou pedras, ou então eles me batiam até ficarem marcas. Sorte que conseguiram me tirar de outro inferno desses. – Nico levantou a barra de sua calça na altura dos joelhos e removeu sua blusa e eu pude ver muitas marcas sobre sua pele. – Agora, finalmente, eu achei uma casa onde eu realmente acho que encontrei uma família que me ame. Mas eu sei que estou atrapalhando a sua vida Percy e não se preocupe, quando a assistente vier checar como estou, peço para voltar ao orfanato e nunca mais você vai me ver.

Ele ainda falava chorando e sorrindo irônico ao mesmo tempo e era muito triste vê-lo assim. Ele mal terminou de dizer as últimas palavras e eu senti o peso do céu sobre as minhas costas. Me aproximei de Nico e peguei seu rosto nas mãos. Meus olhos ardiam e ameaçavam chorar, porém eu me controlei. Olhei nos olhos do garoto e disse:

– Não precisa dizer nada. Você vai continuar aqui, essa é sua família.

Assim que terminei selei nossos lábios. Ele pareceu ceder no começo, mas seu corpo enrijeceu logo depois. Ele me empurrou e se afastou de mim, indo parar do lado oposto do quarto.

– Não se atreva a me beijar, não depois do que você fez. – Ele praticamente gritou isso enquanto apontava o dedo na minha cara.

– Eu já pedi desculpas pelo que eu fiz na escola.

– Você sabe muito bem que eu não estou falando da escola. – E continuou depois de ver minha expressão confusa. – Como pôde ignorar o fato de a gente ter passado uma noite juntos?

As palavras dele transbordavam desprezo. Tentei me aproximar novamente, mas ele se afastou mais ainda.

– Nico, eu fiquei com vergonha, entenda meu lado. Além disso, achei melhor se nós não discutíssemos.

– Você é totalmente inconsistente, Percy. Como pode falar isso logo após ter me beijado?! – Ele riu sarcástico. – Mas eu é que sou o idiota por achar que você poderia ser diferente. Vai embora, saia do meu quarto. Eu quero ficar sozinho.

Ele abriu a porta olhando para o chão e evitando me encarar enquanto eu passava por ele. Fui para o meu quarto pensado em tudo o que ele me dissera. Quando deitei na cama não consegui dormir. Passei a maior parte da noite pensando em cada palavra de Nico e quando consegui dormir, sonhei com ele me olhando com aquele olhar de desprezo.

Foi então que percebi que aquele garoto que eu odiava tinha se tornado importante para mim. Vi também como a minha idiotice havia destruído e transformado em cacos qualquer chance de eu me aproximar dele. Talvez para sempre.

Notas finais
Gostaram do final? Eu que fiz kkkkkkkkk não me odeiem T^T Podem postar mensagens de amor pra mim por eu ter postado o capítulo (mentira). Até mais. Beijos