Broken Lines
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Agora me lembrei das risadas que eu ouvi por todo o colégio, Percy havia feito Nico andar por todo o colégio de toalha, o fazendo passar humilhação pública. Dessa vez Perseu não escapava. Segui para o colégio para encontrar o meu irmão idiota, adentrei o corredor e vi a vadia loira que se dizia namorada do meu irmão.
– Annabeth onde Percy está?
– Por que você quer saber? – Disse cínica
– Eu só quero que você me diga aonde eu posso encontrar o Percy, agora!
– Ai, calma. Que grosseira você, não e a toa que te chamam de cara de pinheiro.
Essa garota havia me tirado do sério, dei um soco em seu nariz e um chute na sua barriga. Seu nariz sangrava como uma fonte do parque.
– Muito obrigada pela informação.
Deixei a vadia menstruando pelo nariz e continuei seguindo pelo corredor. Todo lugar que eu passava as pessoas me encaravam com medo. Segui para o vestiário aonde Nico havia dito. Cheguei lá e encontrei Percy e seus amigos rindo da situação que o mais novo tinha acabado de passar.
– Percy!
– Thalia?! — Me aproximei dele e o levantei pela gola da blusa. — O que você está fazendo?!
– Hoje você vai aprender que as pessoas têm sentimentos também, você vai pagar pelas coisas que fez.
– O que eu fiz?! — Perguntou cinicamente.
– Tira a roupa!
– O que?! – Ele me olhou assustado.
– Tira a roupa, agora!
– Thalia você tá ficando louca?
– Já tirou a roupa ou quer que eu tire pra você? -Percy me olhava chocado, e começou a tirar peça por peça, ficando somente com a sua cueca. — Eu falei toda a roupa.
– Thalia, eu não posso...
– Já mandei você tirar a roupa. — Olhei para ele com tanto ódio que ele tirou a cueca colocando suas mãos para tapar suas partes íntimas. Peguei seu cinto e o dobrei, o chicoteando. -Andando Percy, nós vamos pra casa.
– Mas o que?! — Acertei outra cintada nos seus glúteos.
– Eu disse ANDANDO!
Percy saiu do ginásio e todas as pessoas começaram a caçoar de sua cara.
– Thalia eu não posso fazer...
– Você pode e você vai. Pro Nico você achou que era fácil, não achou?! Então para você também é. ANDANDO!
Toda vez que ele parava eu lhe dava uma cintada que ele voltava a andar, seguimos assim até o estacionamento. Nico já estava no banco de trás e Percy sentou no banco do carona, olhei no fundo dos olhos dele e disse:
– Em casa nós conversamos. — Percy concordou com a cabeça, meio tremulo e com razão.
– Thalia... — começou Nico. — O que esta acontecendo?
– Só estou ensinando umas coisinhas ao Percy. Não se preocupe.
Disparei com o carro pela avenida indo em direção a nossa casa. Por todo trajeto eles ficaram calados e quando chegamos pisei de uma vez no freio fazendo o carro derrapar um pouco e girar, mas parando no lugar certo. Olhei para eles e estavam se segurando firmemente nos bancos, assustados.
– Desça Percy. – Disse eu sem olhar para ele.
Sai do carro o contornando e parando ao seu lado.
– Vá para a piscina. – Ele obedeceu, vi Nico entrando, mas o segurei pelo braço. – Você vai assistir Nico.
Ele concordou com a cabeça e parou ao meu lado.
– Thalia... Não... Não me obrigue a fazer isso... – Pediu Percy.
– Você não acha engraçado fazer os outros passarem vergonha? O que fiz foi fazer você sentir na pele o que Nico sentiu.
– Então por que eu tenho que ir pra piscina? – Lhe lance um olhar de ódio e ele continuou indo.
– Ele vai ficar pelado assim até quando, Thalia? – Perguntou Nico sem demonstrar nenhuma emoção.
– Até eu mandar. – Sorri para ele. – Agora Perseus, ajoelhe-se no chão.
Ele me olhou assustado. Com o calor infernal que estava fazendo, os azulejos estavam fervendo.
– Você só pode estar brincando.
– Pareço estar brincando? – Olhei para ele com minha melhor cara de “vou te matar se não me obedecer”.
– Não. – Ele se ajoelhou. Olhei para Nico.
– Vá até ele. – O garoto me olhou assustado e eu sorri. — Só vai.
– Tudo bem. — Nico foi até Percy e ficou de frente para ele, o mais novo o olhava com certa pena. Percy lhe mandou um olhar de ódio.
– Eu te odeio pirralho! Vai ter volta, pode ter certeza. – Ele remexeu as pernas no chão quente, Nico riu, se abaixou e puxou os cabelos de Percy para trás.
– Você está em desvantagem aqui agora, Percy. Se eu fosse você não me irritaria agora que Thalia está do meu lado.
– Você só está agindo assim porque ela está te defendendo, espera só e você... — Percy fez uma careta de dor.
Nico se afastou dele e foi até o canto da piscina pegando uma vasilha e a encheu de água, voltou pra perto de Percy e derramou a água no lugar onde ele estava ajoelhado e a expressão de Percy se suavizou. Olhei chocada para aquilo, pois a minha intenção era fazer Nico se vingar de Percy, mas ele o estava ajudando. Percy olhou para ele sem entender e Nico sorriu minimamente.
– Desculpe Thalia, mas não consigo ser tão cruel. Mesmo ele tendo provocado, fazer isso não vai mudar muito as coisas, só vamos continuar a nos tratar cada vez pior e isso se tornará um ciclo infinito de ódio entre nós. E eu realmente não quero isso.
Olhei boquiaberta para ele e minha vontade era de correr ate ele e abraçá-lo. Como podia perdoar Percy depois da vergonha que ele o fez passar?
– Percy. – Chamei e ele olhou para mim. – Peça desculpa ao Nico.
Ele olhou para cima e em seus olhos tinha um brilho estranho.
– Me desculpe. — ele abaixou a cabeça. – Eu... Eu não deveria ter feito aquilo Nico. Fiquei com vergonha por ter perdido a luta e quis mostrar para os caras que não tinha medo de você... Queria mostrar que... Me desculpe.
Nico caminhou até a porta lateral sem falar nada, Percy se levantou e gritou:
– Não vai falar nada? Nem que me perdoa?
Nico parou na porta e falou sem olhar para ele:
– Eu disse que não sou tão cruel e que não queria dar inicio ao ciclo de ódio, mas nunca disse que te perdôo Percy. Não é algo que se possa perdoar. Agora vou para o meu quarto se me derem licença. — Ele entrou na casa.
Eu e Percy continuamos olhando para a porta por mais algum tempo. Depois desse choque fui até meu irmão, mas ele ainda encarava a porta com certa raiva. O empurrei para trás e me afastei antes que ele me agarrasse, ele caiu dentro da piscina.
– Não faça mais nenhuma gracinha com aquele garoto Percy! Estou avisando, se eu souber... — Ele saiu da piscina tossindo.
– Por que todos o defendem? Por que ninguém pensa no meu lado? – Revirei os olhos e saí dali antes que o afogasse. Mamãe definitivamente o mimou demais.
Subi as escadas e parei de frente a porta de Nico, levantei a mão para bater, mas não sei o que faria depois que ele abrisse. Suspirei, de todo jeito eu ia ter q falar com ele. Bati na porta.
– Que foi?
– Quero falar com você.
– Agora? – A voz de Nico parecia embargada, como quando tentamos segurar um choro.
Respondi que sim e ouvi passos do outro lado. Nico abriu a porta olhando para o chão. Entrei e ele a fechou de novo, sentei na cama e ele ao meu lado.
– Estou orgulhosa de você. – Comecei.
– Pelo que? – Ele olhava para o chão. – Por ter sido molenga e não conseguir ver Percy sentir dor?
– Não, por ter sido superior a nós dois e ter um coração enorme.
– O ajudei não por ter um coração enorme, o ajudei por que já me fizeram algo parecido em uma das casas em que fiquei. — Olhei chocada para ele, mas ele ainda encarava os pés e brincava com os dedos da mão. – Me colocavam de joelhos em grãos toda vez q eu fazia barulho enquanto brincava. Era doloroso. Mas claro, eu estava sempre vestido.
Ele corou um pouco.
– Eu... Eu não sabia. — Ele negou com a cabeça.
– Foi bom para ele aprender, mas... Isso só fará ele me odiar mais. – Vi quando uma lágrima caiu sobre seu tênis.
– Nico, ele não te odeia. Ele é só mimado e acha que manda na casa, quer a atenção só para ele, sempre foi assim. – Eu ia abraçá-lo e cheguei até a esticar o braço, mas desisti.
– Não quero ser o motivo de discórdia em sua família. Percy é o filho de sangue, ele é seu irmão de verdade, não eu. Desde que cheguei sinto que estou plantando discórdia entre ele e vocês.
– Nico, isso não é verdade. Você é tanto meu irmão quanto ele, eu já disse isso!
– Eu sei Thalia, eu também te vejo como irmã mais velha, eu realmente vejo Sally como uma mãe e até Peter que eu mal conheci parece meu pai. Mas essa situação com Percy... Quando eu sonhava em ter uma família, não era essa a situação que eu queria ter com meu irmão mais velho. – Vi mais lágrimas caírem em direção aos pés dele. – Eu me imaginava brincando com meu suposto irmão, ele me ensinando a nadar, jogar futebol. Eu imaginava que quando nós discutíssemos, terminaríamos rindo da situação depois. Imaginava que ele além de irmão ele seria meu amigo, que seríamos companheiros e faríamos coisas legais juntos. Que quando eu brigasse na escola ele me defenderia... Eu imaginava... — Ele soluçava, mas conseguiu dar uma risada fraca. – Eu imaginava que seríamos como os gêmeos Weasley, do Harry Potter, que faríamos bagunça e pegadinhas, riríamos juntos e depois seriamos castigados, juntos e sempre rindo. Eu costumava sonhar com isso, muito. Sally é a personificação da mãe que eu sempre sonhei e você é o que eu imaginei que Bianca seria comigo, caso estivéssemos juntos ainda...
Seus ombros tremiam. Dessa vez eu não aguentei e o abracei, meus olhos estavam cheios de lágrima, mas não me permiti chorar. Nico chorou por algum tempo e quando se acalmou sorriu para mim.
– Não fica assim.
– Obrigado Thalia.
– não há de que, irmãozinho. – Baguncei seu cabelo e peguei uma ultima gota que escorria pelo seu rosto. – Agora vai tomar um banho que já está quase na hora do jantar.
Ele acenou com a cabeça e foi para o banheiro enquanto eu saía do quarto e seguia para o meu. Também precisava de um banho bem longo para me acalmar.
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