Broken Innocence
1 Breaking The Rules
Notas iniciais
Boa Leitura e espero que gostem!
Bjo bjo da Tammy.
Sexta-feira, 10 de Janeiro, dez horas da manhã.
Anna completava hoje dez anos de idade. Estava feliz, e ao mesmo tempo triste.Havia acabado de se mudar para Dallas, no Texas. Odiava aquele lugar e odiava aquela gente.A única coisa que ainda salvava ali eram seus melhores amigos, Manncy e Zacky.
Anna tinha cabelos longos e castanhos dourados, quase loiros, da pele branquinha e penetrantes olhos negros. Para uma garota de dez anos tinha um corpo e tanto. Era simplesmente linda.Anna odiava sua vida, pelo fato de seus pais obrigá-la a se casar com quem eles escolhessem,eram de uma religião qualquer que ela não dava a mínima importância.Uma de suas irmãs, Vanessa, tinha um casamento infeliz por conta disso. Havia sido obrigada a se casar com um qualquer por causa do dinheiro ou do status de seus pais e hoje vivia um inferno.
Como hoje completava dez anos, conheceria seu “futuro marido” . Segundo a tal religião a menina conheceria o futuro esposo quando completasse dez anos, mas ela nem entendia muito disso, e nem queria entender afinal. Anna achava isso tudo patético, não queria isso para sua vida, por isso ela planejava fugir em breve, iria esperar só mais um tempo, e logo se mandaria, qualquer lugar seria melhor do que ali, pelo menos era o que ela pensava.
Todo o mês Anna juntava sua mesada inteira, e qualquer trocadinho que ganhasse, tudo isso para ir embora daquele “pedacinho de inferno”, como ela chamava.
Anna estava deitada em seu quarto, encima de seu gigante puff em forma de mão.
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Não estava nem um pouco afim de participar da festa, nem nada, justamente por isso ainda não havia se arrumado.Deixou o som alto para não ser incomodada. Tocava Iron Maiden – Fear of the Dark.Ouviu a porta sendo esmurrada e preguiçosamente se levantou, caminhando sem nenhuma empolgação até o som, o abaixando, e em seguida abriu a porta, Marie, sua mãe, a encarou e parecia que seus olhos iriam saltar para fora.
-Eu não acredito que você ainda não se arrumou menina, John e os pais dele estarão aqui em duas horas, e você ainda nem tomou banho? Não fez escova, não fez nada? Você acha que vai conseguir casamento melhor do que esse menina? O seu pai precisa disso pelo bem da. –Anna a interrompeu e continuou a frase.
-Pelo bem da empresa, é eu sei disso mamãe.Só porque o garoto é rico, só porque os pais deles são grandes empresários e serão ótimos sócios. Você já parou para pensar mamãe se é realmente isso o que eu quero? Eu não quero ser infeliz como minha irmã. E se esse garoto for um futuro psicopata, alcoólatra, estuprador, bandido, drogado, ou algo do tipo? Você não pensa nisso mamãe, só pensa no papai em você e na empresa? – A menina falou irritada dando as costas para a mãe, que a puxou bruscamente pelo braço.
-Olha aqui menina, é melhor não falar assim comigo de novo se não quiser voltar para aquele internato. E você sabe muito bem como é lá, não sabe? Eu estou mandando você ir agora tomar um banho, lavar esses cabelos, fazer uma escova e descer impecável, em no máximo uma hora, nem mais nem menos, deu para entender? –Marie falou num tom alto encarando a filha.
-Sim senhora. –Anna respondeu baixo.
-Deu para entender ou não? –Marie perguntou chacoalhando a filha.
-Sim senhora. –Falou um pouco mais alto.
-Ótimo, uma hora. –Marie disse soltando a filha e dando as costas.
Uma coisa que Anna nunca esqueceria era de como era o internato.Por conta de seu mal comportamento, passou suas últimas férias lá. O lugar era tenebroso, literalmente um lugar mal assombrado, ou talvez só fossem pessoas de verdade sendo torturadas. Era possível ouvir gritos desesperados de socorro á noite, choros,risadas maléficas, barulhos de chicotes entrando em contato com a pele e mais gritos, muitos gritos.Sem contar que as tutoras do local obrigavam as meninas a fazerem quase tudo ali, comida, limpeza, sujavam lugares propositalmente só para que elas limpassem. Deixavam as garotas trancadas em salas escuras. Era um verdadeiro inferno ali.
Anna ligou o som novamente e entrou debaixo do chuveiro, enquanto tomava um rápido banho, pensou em como seria sua vida se tivesse pais diferentes, se pudesse ser normal como todas suas amigas, ter um namorado, poder sair para brincar a hora que quisesse, afinal de contas ainda era criança. Queria não ter pais tão exigentes.Anna saiu do banho e se enrolou na toalha, começou a secar os cabelos, abriu a porta do banheiro para que refrescasse um pouco, avistou Manncy entrando em seu quarto, seguida de Zacky que fechou a porta atrás de si e caminhou todo sorridente até Anna.
-Parabéns amiga. –Manncy disse enquanto abraçava Anna.
Manncy era o tipo de melhor amiga que se pode ter, ambas eram amigas desde os cinco anos de idade, os pais de Manncy também haviam se mudado para Dallas, quase que na mesma época que Anna que se mudou, eles achavam que a parte educacional ali era melhor, sendo assim, mais fácil ela entrar em uma boa faculdade.
-Obrigada Manncy. –Anna disse retribuindo o abraço.
-Parabéns sua nanica. –Zacky disse abraçando Anna quase fazendo a toalha da garota cair.
-Obrigada seu gorducho. –Anna respondeu rindo.
Voltou a secar os cabelos, Manncy e Zacky estavam sentados no puff esperando Anna.
Mancy era mais alta que Anna, parecendo assim mais velha, mas na realidade era um ano mais nova que Anna, tinha cabelos castanhos e olhos cor de mel.
Já Zacky era três anos mais velho que Anna, era super divertido e sempre fazia as meninas rirem, eram melhores amigos também, eu diria inseparáveis. Qualquer lugar que fosse esse trio estava junto. O pai de Zacky era um renomado empresário, sócio do pai de Anna. Marie o conhecia muito bem, bem até demais. Os dois haviam tido um caso três anos antes de Marie conhecer o pai de Anna, e ficaram um bom tempo sem se ver, mas agora que ele havia se mudado para o Texas, se encontravam quando Joel viajava a negócios.
Anna, Manncy e Zacky eram carne e unha, eles adoravam aprontar, sempre estavam correndo atrás de alguma coisa nova para fazerem, ou zoando alguém. Eram literalmente pirralhos quando estavam juntos.Anna terminou de secar seus cabelos e foi até o quarto, parando de frente para a roupa que Marie havia separado para ela. Segundo Marie aquela roupa seria a mais adequada para a ocasião, Anna odiava as roupas que sua mãe escolhia. Era uma meia calça da cor da pele, um vestido branco com uma fita preta passando na cintura e uma sapatilha preta. Queria que a filha prendesse o cabelo num coque alto e sem maquiagem, porque segundo Marie maquiagem era coisa de mulheres perdidas.Anna parou de frente as roupas e bufou, olhou no relógio, ainda tinha meia hora.
-E aí está animada? –Manncy perguntou, encarando a amiga.
-Você acha que estou com cara de animada? –Anna disse fazendo sua pior expressão.
-Aparentemente não. –Zacky disse rindo.
-É, isso é verdade, mais vai que no fundinho você esteja. –Manncy disse rindo.
-Vai se ferrar Manncy. –Anna disse enquanto vestia sua roupa.
-Vai você. –Manncy respondeu se espreguiçando.
-Já decidiu quando vai fugir? –Zacky perguntou cochichando.
-Quando marcarem o casamento. –Anna respondeu.
-Já ia me esquecendo, aqui seu presente de aniversário, não é muito mais pelo menos vai ajudar um pouco quando você decidir ir. –Manncy disse se levantando e indo até a amiga com um montinho de dinheiro.
-Manncy eu não posso aceitar. Aparentemente quase toda a sua mesada do ano está aí. Muito obrigada mesmo, mas eu não posso aceitar. E também não se preocupe eu tenho o suficiente até que consiga um emprego. – Anna disse.
-Deixa de ser idiota menina, que frescura, poxa vida, você sabe que o suficiente nunca é o suficiente suficiente. –Manncy disse rindo no final.
-É, acho que entendi mais ou menos esse negócio de suficiente aí. Eu vou aceitar, e prometo que assim que recuperar mando de volta com juros. –Anna disse sorrindo e abraçando a amiga fortemente.
-Não precisa Anna, deixa de ser chata pequena. Você sabe que eu te amo, e isso é um presente. –Manncy respondeu apertando o abraço.
-O que seria de mim sem você? Eu também te amo. Muito obrigada mesmo. –Anna apertou mais ainda Manncy que reclamou.
-Não vai mesmo contar pra onde vai? –Zacky perguntou a encarando.
-E correr o risco de vocês contarem na primeira chantagem emocional? –bufou- Haha, vai sonhando rechonchudo. –Anna respondeu rindo.
-Valeu. –Zacky respondeu mostrando a língua.
-Vem vamos descer. –Anna disse em meio a risos.
Quando Ana desceu, sua mãe já olhou no relógio e a encarou com cara de brava, Anna cumprimentou os convidados de um a um, e depois disso se sentou no sofá com Manncy e Zacky. Nunca havia tido uma festa tão chata, tinha mais adultos ali do que crianças, e as crianças que tinham eram as filhinhas ou filhinhos de empresários chatos, sendo assim, filhinhas de papai que se achavam.
O pai de Zacky estava conversando com Marie, ambos riam de qualquer coisa, os três sentados no sofá observavam toda a movimentação na casa. Um amontoado de meninas brincando, meninos no pula-pula, e nada de interessante para os três fazerem.
-Isso aqui está um saco sabia. –Zacky disse cruzando os braços e bufando.
-Se pelo menos tivesse uma música boa dava pra engolir. Mais essas músicas infantis me dão enjôo.-Anna comentou também cruzando os braços.
-Pode crer. –Manncy comentou enquanto deitava a cabeça no ombro da amiga.
Quando os três resolveram se levantar e sentar na rua Marie segurou Anna pelo braço.
-Agora não, eles estão chegando. –Marie cochichou apertando o braço da filha para que ela entendesse o recado.Anna bufou e ficou ao lado da mãe, Zacky e Manncy voltaram para o sofá emburrados.
Enfim o tal garoto e seus pais estavam dentro da casa. Era um menino branquinho de cabelos negros e olhos incrivelmente azuis, como piscina, era alto, pelo menos mais alto que Anna, e até que parecia ser legal. Já os pais dele, tinham aquele maldito nariz empinado, se achaam melhores que todos ali, olhavam a todas as pessoas com ar de desprezo.Marie os cumprimentou e em seguida os apresentou para Anna.
-Filha, essa é a senhora Frantiesco, e esse o senhor Frantiesco. E esse é John.Anna os cumprimentou timidamente.
-Ela é linda. –Stephanie comentou.
-Obrigada. –Anna respondeu tímida.
John sorria simpaticamente, mostrando seus belos e alinhados dentes brancos, era mais velho que Anna quatro anos. Anna não podia negar, ele era bonitinho, mas literalmente, não queria se casar, não com ele pelo menos.
-Acho que vocês deveriam se conhecer um pouco, porque não vão se sentar lá no jardim? –Marie sugeriu fazendo Anna a fuzilar com o olhar.
-Acho uma ótima idéia senhora Vecchi. –O garoto respondeu.
-Leve – o até lá Anna. –Marie a encorajou.
-Sim mamãe. –Anna respondeu um pouco irônica e foi caminhando até o jardim, o garoto a seguia.
Anna odiou a idéia, lançou um olhar de “Help me” para Zacky, que entendeu perfeitamente. Zacky se levantou e ia caminhando até Anna, mais foi puxado por seu pai. Anna olhou para trás encarando a cena e bufou.
-Nem pensar garoto. –O pai de Zacky disse.
Zacky se sentou ao lado de Manncy e bufou.
-Ta com ciúmes é? –Manncy disse brincalhona.
-Ta zoando né? –Zacky a encarou arqueando uma sobrancelha.
-Admita Zacky, eu te conheço muito bem. –Manncy respondeu rindo.
-Idiota. –Zacky murmurou.
É claro que ele estava com ciúmes, afinal de contas no fundinho sentia uma quedinha por Anna, e ela por ele, só que ambos não admitiam.
Anna se sentou na beirada da piscina, estava quente demais, e a brisa da água refrescava. O garoto se sentou ao lado dela.Ficaram em silêncio um bom tempo, sem se olharem e sem dirigir nenhuma palavra, até eu o garoto quebrou o silêncio.
-Olha, não sei você, mas eu não estou nem um pouco afim disso, sinceramente. –Ele disse rindo pelo nariz.
-Sinceramente nem eu. –Anna disse rindo.
-É tenso, porque meus pais querem que eu faça coisas que eu não quero fazer,eu tenho outros planos para minha vida. –Ele disse travesso.
-A meu Deus que bom, penso da mesma forma. Mas o que vai fazer, o que vai falar pra eles? –Anna perguntou o encarando.
-Bom, eu ia te perguntar isso, porque eu não tenho noção nenhuma do que fazer. –Ele respondeu a encarando.
-Bom, estou pensando em fugir assim que marcarem o casamento. –Ela respondeu sincera.
-Perfeito então. –Ele disse sorrindo e exibindo seus belos dentes de novo.
-Até lá agente finge ter se gostado. –Anna comentou.
-Fechado. –Ele disse se levantando e dando a mão para ela se levantar, mas a garota já estava de pé. Ele deu de ombros e ambos entraram dentro da casa.
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