Broken Hearts
46 O mundo inteiro vai saber... que eu amo você
Notas iniciais

► “Se seu problema TEM solução, então, não há com que se preocupar. Se o seu problema NÃO TEM solução, toda preocupação será em vão”, (Provérbio Tibetano) ◄
♣ Torre de Vigilância || Sala de Monitoramento ♣
(Um mês e meio depois)
— Hum... Olhinhos brilhantes e sorriso nos lábios costumam significar que alguém está feliz – A loira na cadeira ao lado se virou para a mulher à sua direita. – Então... como está a namoradinha da Liga?
A mulher de cabelos negros olhou para ela e sorriu. Depois fez um movimento com a mão direita: “mais ou menos”. Mas a expressão tranquila e o leve sorriso mostraram que isso não era um problema.
— Ei, mocinha... Nada de sinais. Você tem que falar. – Canário negro sorriu para morena, que suspirou em derrota.
— Está... bem... passarinha! – Diana fez beicinho, divertidamente. As palavras foram ditas pausadamente, mas estavam inteiras. As pausas não eram mais entre as sílabas, gaguejando como antes.
Após um mês, desde que recebeu o antídoto, a evolução positiva do quadro de sequelas que ela apresentara, como consequência direta da exposição excessiva ao vírus, surpreendeu até os mais otimistas.
Durante sua recuperação, ela ficou na mansão e Bruce concentrou todos os esforços em encontrar maneiras de reverter os prejuízos deixados pela infecção.
Ele consultou especialistas fonoaudiólogos em todo mundo, fez pesquisas por conta própria e organizou, por si mesmo, um roteiro de exercícios e rotinas vocais para reabilitar Diana.
E, mesmo que não gostasse disso, ela era uma guerreira disciplinada e, para bem de ambos, executava os exercícios fono-estimulantes à risca. E, mais que o fato de estar cada vez melhor, Diana amava ver o brilho orgulhoso nos olhos de Bruce, quando chegava da empresa, e ela mostrava o quanto tinha avançado.
Além disso, ela estava feliz por finalmente poder voltar à ativa, depois de 45 dias longe da Liga.
— Di, você está melhor do que eu imaginava – Dinah olhou pra Diana, que sorriu – Mas eu aposto que esse sorriso bobo na sua cara tem a ver com o fato de estar morando com um certo bilionário... Hum?
Diana manteve os olhos nas telas de monitoramento, mas o sorrisinho que ela soltou deu a Dinah uma pista de que o tema envolvia atividades libidinosas.
— O quê? Você não vai me contar?
Diana se inclinou até o ouvido da loira, para que a informação ficasse apenas entre as duas.
— Eu tive... um ótimo... incentivo – Diana corou.
Dinah sorriu em retribuição!
♣ Wayne Enterprises || Gabinete do CEO / Presidente ♣
— Eu não sei quantas vezes mais eu terei que repetir – disse Bruce Wayne, jogando a voz preguiçosa de playboy – A Wayne Enterprises não negocia com terroristas.
O homem vestindo um sobretudo preto deu-lhe uma bofetada forte o bastante para um estalar brutal no rosto de Bruce, fazendo o bilionário cair para trás na cadeira à qual estava atado por cordas de nylon.
Os outros reféns eram acionistas da companhia, rendidos, juntamente com Bruce e Lucius Fox, quando o homem adentrou armado na sala de reuniões, dentro do gabinete do presidente, herdeiro único do império dos Wayne.
O homem mostrava sinais de esquizofrenia e usava uma bomba atada a um colete. Bruce tentou acalmar a todos, pedindo para ficarem tranquilos. Mas o lunático de cabelos prateados mostrou o quanto era perigoso, justamente porque aquela era a situação de sequestro mais insana e sem sentido que ele já presenciara. A loucura não obedece a lógica, o resultado é aleatório, ele pode fazer qualquer coisa. É imprevisível.
Com raiva, o sequestrador puxou a cadeira com Bruce de volta para uma posição vertical, sentando em outra cadeira, ao lado, e encarou Bruce.
— Quero que você olhe para mim, Bruce Wayne – disse ele, com a voz preenchida de ódio. O louco tinha uma espécie de arma congelante, bem “à moda Senhor Frio”.
— Estou olhando – disse Bruce. O truque era manter sua voz clara, esconder as maquinações furiosas de sua mente.
— Eu conheço a política da empresa, Sr. Wayne. Eu não sou o incompetente pelo qual você me toma.
— OK
— No entanto, também sei que, para cada regra, há muitas exceções. Especialmente para os ricos e se não quiser perder sua vida ou a desses almofadinhas aqui, é melhor rever essa política.
— Você nos mataria por tão pouco? –Bruce disse, como se a ideia fosse ridícula.
— Não... – Ele disparou e congelou a perna de um homem sentado ao chão, que começou a berrar de dor – Eu mataria por muito... muito dinheiro.
Na frente do arranha-céus, o comissário, um negociador de reféns da SWAT, os detetives Bullock e Montoya, além de uma equipe de policiais das Polícias de Gotham, do FBI, da SWAT e do Corpo de Bombeiros, se organizava para entender e solucionar a situação da melhor maneira.
— Encontre um modo de conseguir meu dinheiro, Wayne, ou eu vou começar a matar um por um – O homem apontou para a mulher atrás de Bruce e ela começou a chorar.
— Você é louco! – Bruce disse, tentando ganhar tempo.
— E você está desperdiçando meu tempo. Eu odiaria começar a matar as pessoas só pra motivar um riquinho mimado.
— Tudo bem... Mas eu preciso de um telefone! – Bruce apertou os lábios.
(...)
Bruce devolveu o telefone ao sequestrador após o término da ligação.
— Meu mordomo vai retirar o dinheiro da minha conta pessoal. Eu não poderia fazer isso com as contas da empresa.
— 50 milhões?
— Sim – disse Bruce.
— Se estiver mentindo, você vai ler muitos obituários com a palavra hipotermia no jornal de amanhã.
Bruce resistiu ao impulso de rolar os olhos. Claramente ele não era tão esperto como se mostrava. Não havia possibilidade de alguém levar 50 milhões de dólares até ele. O fato dele exigir tal quantia sem ter ao menos um carro forte ou um helicóptero à sua espera mostravam o quanto ele era amador.
Bruce fez os cálculos em sua mente: 50 milhões eram 50 mil notas de 100 dólares. Ele precisaria de dezenas de malotes para transportar a enorme massa de papéis emitida pelo Tesouro, que pesaria cerca quase meia tonelada.
Seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho cada vez mais alto de um helicóptero que circulava a torre da Wayne Enterprises. Sua audição treinada indicara que a potência da hélice era grande demais para um simples helicóptero de alguma rede de TV. Provavelmente parte da equipe da SWAT, que, sem dúvida, estava lá fora, já que os reféns eram “cidadãos que tinham, somados, quase metade da fortuna da América”.
Ele virou um par de olhos frios para Bruce.
– Você deve ter dito algo para eles no telefone, seu maldito.
— Não... Eu Juro. O departamento de polícia tem procedimentos para situações com reféns, você sabe disso.
— Eu deveria pegar o dinheiro e ir embora agora. Cadê o dinheiro? Eu vou começar a matar!!
— Você receberá seu dinheiro – insistiu Bruce – É apenas uma questão de tempo. Ninguém tira uma quantia tão alta facilmente, normalmente é feita uma transferência.
O homem franziu os lábios, finalmente aceitando a lógica de Bruce.
— Vamos esperar um pouco mais, mas o tempo está se esgotando, Wayne e minha paciência também.
♣ Torre de Vigilância ♣
O plantão de monitoramento havia terminado há algum tempo, mas Diana se deteve em uma longa e prazerosa conversa com J’onn. Quando deixou J’onn, Diana percebeu que queria ficar um pouco mais na Torre, antes de voltar à Mansão e tomou um banho no dormitório. Então pegou uma roupa casual no armário, um jeans escuro e uma camisa lisa de botão, de mangas compridas.
Ela e Bruce combinaram de jantar juntos e, quem sabe, assistir um filme antes dele ir patrulhar. Gotham estava calma depois da explosão das bombas e eles iriam aproveitar até a próxima tempestade chegar.
“Diana”!
Ela ouviu o chamado telepático de J'onn.
“Por favor, venha para até a sala de monitoramento agora... temos um problema”!
♣ Wayne Enterprises || Bloqueio Policial ♣
— Esse sequestro é muito estranho – Disse o líder da equipe da SWAT pelo rádio comunicador da polícia – Ele liderava uma equipe que havia entrado na empresa e subia as escadas – Está tudo congelado!
— Ele também não fez qualquer exigência para nós – Disse Gordon.
— Esse cara é maluco. Ele não fez nada que fizesse sentido até agora: sem comunicação, sem exigências, não há nada para negociar com ele – disse o negociador.
O telefone celular de Gordon começou a tocar e ele ignorou. Mas a insistência foi tamanha que ele resolveu atender.
— Comissário Gordon falando. Eu não sei o que você quer, mas não é uma boa hora!
— Não desligue, Senhor Comissário. Eu sou Alfred Pennyworth, mordomo da família Wayne e acabo de receber uma ligação do mestre Bruce. Imagino que, dada a situação dele, o senhor há de convir que preciso lhe falar urgentemente.
— Isso é ótimo. Não tínhamos qualquer notícia dos reféns. Onde você está?
— À caminho da empresa. O senhor me verá entrar em um minuto!
Gordon olhou para a esquerda e viu Alfred caminhando em sua direção com duas pastas pretas em cada mão.
— O que temos aqui? – perguntou o comissário.
— Pouco mais de Um milhão e meio de dólares. 1,8 milhões para ser exato. – disse Alfred.
— Isso é muito dinheiro – Gordon interagiu.
— Ele pediu muito mais, mas não deve fazer a mínima ideia da proporção que teria essa quantia.
— Bom... E agora? – Perguntou o policial
— Mestre Bruce tem contingências para tudo. O sequestro de Bruce Wayne é esperado. Nas maletas há câmeras de reconhecimento facial. Há também dispositivos que jogarão um jato de gás paralisante quando ele abrir a pasta para conferir o dinheiro.
— Quem diria que um bilionário que mal consegue amarrar os sapatos tem medidas assim de segurança? – Disse o negociador da SWAT, incrédulo.
Alfred pareceu se irritar com isso, mas não disse nada.
— Seja como for, vamos lá!! – Disse Gordon.
(...)
A equipe SWAT era boa, mas simplesmente não havia uma maneira silenciosa de penetrar em barreiras espessas de gelo sólido que o louco sequestrador havia erguido no perímetro que compreendia o andar abaixo da cobertura – um complexo com 12 escritórios e, por conseguinte, ao redor de toda extensão da cobertura, localização exclusiva do escritório do presidente, Bruce Wayne – cuja extensão gigantesca compreendia mais que seu ambiente de trabalho como empresário, mas também esconderijo de apoio para o Batman. .
Bruce ouviu as explosões abaixo de onde estavam, indicando a aproximação da equipe de resgate. Em pouco tempo, ele fechou os olhos, quando uma granada de fumaça foi jogada dentro da sala, jogada por um policial no helicóptero, quebrando a janela. Bruce amaldiçoou a polícia por não confiar em seus planos, como se ele fosse um idiota.
— Mãos na cabeça! – gritou um dos membros da equipe que entrava pela que tinham acabado de explodir, ocupando posições ao redor da área. Alguns manejavam rifles, enquanto outros ajudavam os reféns.
“Os idiotas não contavam que loucos não obedecem regras”, pensou Bruce e de repente as coisas começaram sair do controle. O líder da equipe SWAT foi o primeiro a morrer, empalado por uma lança de gelo disparada pela arma. Quando começaram a disparar contra ele, uma parede espessa de gelo o protegia, e depois, mais gelo em formas pontiagudas foi espetando um a um dos policiais.
A parede de gelo separou o louco e Bruce dos outros. Ele virou para o bilionário, com um sorriso insano em seu rosto.
Ele pegou Bruce, ainda amarrado e o tirou da cadeira. Quebrou o vidro da janela com um disparo da sua arma e se jogou, agarrado ao playboy. Ambos caíam, em queda livre, a uma altura de mais de 27 andares, rumo ao concreto.
(...)
— Mulher Maravilha para Sentinela... Mulher Maravilha para Sentinela! – Diana disse em contato no comunicador – Eu estou no Centro de Gotham. Preciso que me conectem aos canais de comunicação da Polícia imediatamente. Há um sequestro em andamento!
— Entendido – Holt respondeu, hackeando com facilidade a comunicação e colocando o comunicador da amazona como receptor.
— Nos informe sua posição assim que tiver acesso aos reféns, Diana – Disse o Caçador de Marte, na sala de comando, ao lado do Senhor Incrível.
— OK – Mulher Maravilha respondeu secamente, voando em direção a Torre Wayne. Abaixo dela, se aglomerando na rua de acesso à entrada do lugar, uma multidão de espectadores e meios de comunicação, praticamente esmagando a polícia em um lugar pequeno.
Ela ouviu os gritos desesperados da multidão e olhou de relance para a janela do escritório de Bruce. Foi quando ela viu as duas figuras voando em direção ao chão, junto a uma chuva de vidros quebrados.
— Bruce!! – Diana gritou desesperada. Ela voou com toda velocidade que podia, aproximando-se da dupla caindo. Ela fechou a distância entre eles em frações de segundo. O próprio tempo parecia lento quando ela tentou segurar Bruce e sequestrador para interceptá-los antes de caírem no chão.
Ela os segurou, antes de atingirem o chão, mas ainda não tinham aterrissado quando o louco disparou a arma e a atingiu. Ela foi derrubada, congelada em um bloco de gelo que caiu como uma pedra em direção ao chão, mas por sorte, o gelo se quebrou e ela se viu livre, ainda que com frio.
O homem, antes do impacto de poucos metros, formou uma ponte de gelo para deslizar até o chão, levando Bruce com ele, sobre as cabeças dos expectadores.
Bruce aproveitou a distração quando ele olhou para Mulher Maravilha, e saltou da ponte de gelo, pousando graciosamente no chão, como o formidável artista marcial que é. Os olhos do vilão se alargaram de forma cômica, disparando a arma contra ele, que se esquivava.
— Eu vou matar você, seu riquinho idiota! – o home gritou.
Bruce esquivou-se a tempo de evitar ser decapitado por uma explosão de gelo. Ele saltou por cima de um carro estacionado e correu para um beco próximo, com o vilão atrás dele.
— Sem saída, gênio! – O homem de gelo riu.
— Eu ainda posso te dar o dinheiro – Bruce fingiu uma expressão de medo.
— Eu prefiro matar você!
De repente, a expressão tímida no rosto de Bruce evaporou, substituída por um sorriso: – Você demorou, princesa!!
O homem não percebeu quando uma amazona furiosa o bateu contra o chão com um pouco mais de força do que era necessário para deixá-lo completamente inconsciente. Ela estava muito, muito zangada!
Diana não perdeu tempo em apressar-se para ajudar Bruce. Eles estavam abraçados quando Diana falou: – Eu estava preocupada!
— Eu sei, princesa!
Ele plantou um beijo agradecido em sua têmpora, descansando o queixo sobre o topo da cabeça dela, respirando o aroma que os cabelos dela exalavam.
Diana sentiu o movimento da mandíbula quando ele lhe disse: – Obrigado, princesa!
(...)
Eles já estavam na rua de acesso ao beco e antes que os dois pudessem notar, já havia uma infinidade de policiais, praticamente a mídia do país inteiro e outra centena de civis curiosos ao redor deles. Eles haviam seguido na direção do sequestrador – que não havia ido tão longe (apenas dois quarteirões à frente).
Os gritos, a excitação das pessoas, a imprensa em polvorosa querendo exclusividade sobre o desfecho incrível do sequestro de Bruce Wayne, salvo por ninguém menos que, a Mulher Maravilha.
O circo midiático e os gritos da multidão fizeram Diana congelar. Ela estava segurando Bruce em seus braços, como se o estivesse protegendo. Diana pensou que estavam perdidos. Que Bruce iria culpá-la por descobrirem sobre eles e que isso seria desastroso.
Mas a mente do grande detetive sempre trabalhou com uma velocidade extraordinária, especialmente sob pressão. E toda aquela situação, que tinha tudo para ser desastrosa, na realidade, foi providencial. Sorrindo com seu melhor estilo playboy para multidão, Bruce agarrou a cintura de Diana com força, como se estivesse “se aproveitando do momento”, encostando a cabeça no ombro dela, fingindo estar desfrutando seu momento com uma heroína.
A multidão de policiais, jornalistas e curiosos logo percebeu o quanto o playboy bilionário estava se aproveitando do fato de estar nos braços da Mulher Maravilha, não negando a fama de mulherengo.
Bruce agradeceu silenciosamente o fato de Diana ter paralisado ao ser pega com ele. A postura corporal dela era visivelmente tensa e desconfortável – e graças ao comportamento de Bruce, dava todos os indícios de que ela estava assim porque estava com vergonha ou tímida por causa do comportamento aproveitador dele.
Não tinha dado tempo para polícia fazer um bloqueio e a imprensa se amotinou sobre eles. Bruce conduzia tudo com desenvoltura, enquanto Diana tentava enxergar alguma coisa à sua frente – os flashes a estavam cegando. Ele se posicionou ao lado dela, ainda segurando sua cintura, como se fosse o sinal para ela não sair, porque ele tinha tudo sobre controle.
“Senhor Wayne, Senhor Wayne... O que aconteceu lá em cima?”; “O que o sequestrador queria?”; “Qual a sensação de ser salvo pela Mulher Maravilha?”
Os repórteres gritavam perguntas e microfones, smartphones e gravadores foram dirigidos na direção deles.
— Eu não tenho palavras pra agradecer a Mulher Maravilha... Eu estou vivo graças a ela – Ele olhou pra ela com um sorriso muito mais sedutor que agradecido. – E respondendo a sua pergunta: Agora eu sei porque Lois Lane, do Planeta Diário, sempre se mete em confusão para ser salva pelo Superman. Eu me jogaria da Wayne Tawer todos os dias se ela me abraçar de novo.
A multidão riu e Diana corou, rindo levemente. Bruce era realmente incrível. Ele havia transformado um problema com consequências trágicas em uma situação ao seu favor. Mas o que a surpreendera, bem como a todos, foi o que veio a seguir, após mais uma pergunta direcionada a ele:
“O que o senhor pretende fazer agora, senhor Wayne? Vai intensificar a segurança? Que medidas serão tomadas?”, um jornalista da CBN perguntou.
— Bom, outras pessoas irão se dedicar a melhorar a segurança da empresa. Eu estou pensando em otimizar a MINHA. – ele disse, destacando a última palavra – Eu vou convidar a mulher maravilhosa que salvou a minha vida para jantar em minha casa. O que vocês acham?
Os repórteres e a multidão ficaram em polvorosa. Mais flashes, gritos e perguntas começaram a ser gritadas de forma que não podia-se dizer o que estava sendo dito.
Bruce olhou pra ela e viu os olhos arregalados, incrédulos, que perguntavam-lhe “o que está fazendo?”. E ele sorriu, perguntando a ela, diante de todo imprensa se ela aceitava jantar com ele. Quando Diana permaneceu em silêncio, ele entendeu que ela parecia não saber o que responder. Se ele queria que ela negasse ou se dissesse sim. E Bruce completou:
— Por favor, aceite, princesa. Será minha forma de agradecer-lhe por ter salvado minha vida. Eu estou em dívida com você e é o mínimo que posso fazer!
— Sim! – Diana mal respondeu e a multidão gritou.
(...)
Mesmo depois que ela havia pedido para ser teleportada para Torre, deixando Bruce lidar com a mídia e a policia, ninguém saíra do local e ela não viu quando Bruce jogou um sorrisinho para as câmeras dizendo “acho que eu estou apaixonado”, no descontraído tom habitual do playboy (o tom que falava sobre as celebridades que namorava), mas desta vez, não era só isso e a imprensa e as pessoas perceberam. Havia algo mais nas declarações dele.
Ainda era o playboy estúpido, falando sobre como era incrível ser salvo pela Mulher Maravilha. Mas desta vez, Bruce Wayne mostrou-se diferente diante das câmeras. O príncipe de Gotham parecia realmente interessado nela e qualquer um poderia perceber isso na forma como ele se comportou diante das câmeras.
— Vocês acham que eu tenho alguma chance com ela? – Ele perguntou, afogado por microfones – Será que eu vou ter problemas com o Superman?
Eram perguntas que descontraiam a mídia e que mantinham sua persona de solteirão mulherengo mimado intacta, porém, o que surpreendia era o fato de que desta vez Bruce Wayne não mostrara a indiferença cômica de sempre. Sua postura, suas expressões faciais, suas palavras, tudo nele mostrava que aquela mulher o havia impressionado. Ele parecia um adolescente cheio de excitação e ansiedade para sair com a “garota dos sonhos” – o que, para um homem como ele, era simplesmente impossível. E a mídia amou!!
Logo, toda imprensa, tabloides, jornais e programas de TV, especulavam se Bruce Wayne finalmente teria caído de amores por uma mulher. Se o relacionamento dela com o Superman tinha acabado de fato. Se Bruce Wayne iria levar uma surra se fizesse algo indecoroso no jantar com ela.
A imprensa simplesmente os amava: Um possível relacionamento entre a heroína mais popular do Mundo e o Príncipe de Gotham se tornou o principal assunto em todo planeta e a mídia viu seus lucros em alta com as especulações sobre o tema, que ganhava cada vez mais força, ao invés de se esgotar com o tempo.
Mas a mídia conhece muito bem seu mercado. As pessoas amam os romances, os contos de fadas da vida real. Especialmente, quando eles têm todas as nuances das grandes histórias de amor: “O príncipe órfão, descrente no amor é salvo pela linda heroína, que também é uma princesa e se apaixonam perdidamente”!!
É o romance da década, ainda melhor que o casamento real britânico.
♣ Mansão Wayne || Sala de Jantar ♣
Alfred fez questão de organizar os jornais na mesa, após organizá-la para o café-da-manhã. Ele os dispôs ao lado da cadeira de Bruce, à cabeceira da mesa, como sempre.
O inglês sorriu ao elencar publicação por publicação, umas sobre as outras. Todas traziam como destaque de capa a mesma manchete. A única diferença era a disposição da imagem principal desta manchete. Fotos de Bruce e Diana estampavam cada um dos periódicos e a preferida de Alfred, colocada estrategicamente no topo da pilha, dizia: “Os Novos Queridinhos da América – O romance real entre o príncipe de Gotham e a Princesa Amazona”.
Alfred riu para si mesmo, pensando no quão impressionante era a genialidade de Bruce. Ele não perguntaria. Não era preciso. Mas ele não estava certo se tudo aquilo era ou não um golpe de sorte.
O inglês emitiu um suspiro cansado, porém satisfeito, como se dissesse a si mesmo que em breve ele poderia descansar e Bruce não estaria sozinho. O homem teimoso estava finalmente disposto a trazê-la para sua vida. E tomou todas as medidas para se certificar que assumir um relacionamento com Diana não colocaria a identidade do Batman em risco.
Não haveria dúvidas para o público: Bruce se apaixonou pela mulher que salvou sua vida e faria tudo para conquistá-la. Inclusive, estaria disposto a um “namoro sério”, como ele declarou à imprensa, se ela exigisse isso dele.
A identidade do Batman permanecia a salvo e em breve, eles poderia sair em público e, aos poucos, depois de alguns encontros, assumir um namoro!!
Era bom demais para ser coincidência!
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