Broken Hearts
6 Correntes cinzas da dor
Notas iniciais
Capítulo 6 – Correntes cinzas da dor
Sentia-se perdido novamente; perambulando entre as árvores da floresta leste de Magnólia. Não que não soubesse o caminho para casa, mas seu coração caminhava novamente por uma estrada sombria.
Fazia muito tempo desde que se perdera pela última vez. Há dois anos que não sentia essa dor corroendo seu peito, mas ela voltara mais intensa que antes.
O dia demorou a passar. Calmo e insuportavelmente lento, como se propositalmente reservasse todas as horas para o sofrimento do Salamander.
Natsu sentou-se à base de uma velha árvore cujas raízes se contorciam acima do subsolo. Desse lugar podia avistar o sol se pondo nas montanhas, com nuvens laranjas e arroxeadas movendo-se em sua direção.
E era nesse mesmo céu que Igneel voava...
Igneel...
Flashback ON
- Natsu, sabe por que o Sol se põe? – o grande dragão vermelho, Igneel, virou o focinho para o garoto sentado sobre seu braço escamoso.
Natsu mirou curioso para o dragão.
- Por quê?
O dragão inclinou a cabeça respeitosamente em direção ao Sol.
- O Sol precisa iluminar outros lugares, e para isso precisa deixar seus filhos no escuro; mas ele sempre volta no dia seguinte para oferecer-lhes sua luz. Afinal, seus filhos precisam aprender a viver sozinhos, só assim se tornarão fortes.
O garoto olhou para o chão ao ouvir a resposta.
- Mas é triste – disse o pequeno. – Ele abandona os filhos todas as noites?
Igneel riu soltando fumaça pelas narinas, em seguida deitou a cabeça ao lado do garoto de modo que um de seus olhos de dragão fixasse claramente a imagem de Natsu, provocando um ar misterioso.
- Não. De noite ele os observa pela lua.
- E quando não tem lua?
- Então ele deixa as estrelas com essa tarefa. – O dragão riu novamente e pôs-se a lamber seu filhote. – Mas ele jamais os abandona.
Flashback OFF
Mas Igneel se foi sem avisar para onde iria ou quando voltaria. Sumiu. Abandonou o pequeno Salamander que ainda nem tinha idade para sobreviver sozinho.
Foi a primeira vez que ele provou da solidão. A solidão causada pelo abandono.
Mas, não muito tempo depois, ele encontrou outro lugar que poderia chamar de lar. Conheceu pessoas que se importavam com ele. Pertencia novamente a uma família. Mas mais uma vez provaria da solidão.
Essa era a solidão causada pela morte, pela certeza de que nunca mais veria a pessoa querida.
Flashback ON
Chovia e o cenário era cinza. O único som, além das gotas que caiam, vinha dos passos do Salamander correndo em direção à guild.
Estava ensopado e perto de pegar um resfriado; Happy vinha logo atrás voando.
- Estamos de volta! – Natsu gritou ao escancarar as portas da guild.
Instalou-se o silêncio. A guild estava vazia. Natsu procurou pelos lados, mas não havia nem sinal de qualquer mago, muito menos de inimigos. O Salamander não gostou de ver a guild assim, parecia que fora abandonada.
- Onde está todo mundo? – Happy perguntou preocupado.
Alguma coisa estava tremendamente errada. Começando a ficar furioso, Natsu farejou o ar, preocupado que algo ruim pudesse ter acontecido aos companheiros.
Encontrou os rastros que procurava e disparou para fora da guild.
- Natsu! Me espera! – Happy chamou tentando acompanhar o Salamander.
Ao que parecia todos haviam seguido pelo mesmo caminho; era melhor, assim não precisaria procurar um por um.
- Na floresta ao sul, Happy! – Natsu indicou ao gato.
Happy levantou Natsu do chão no meio da corrida, voando a toda velocidade para o local onde o olfato do Salamander apontava.
Do alto, ao se aproximarem, viram todos os magos da guild reunidos debaixo da chuva em uma clareira.
O Salamander reconheceu o lugar preferido de Lisana. Saltou para o chão e pode discernir nos olhos dos companheiros que não havia apenas água da chuva escorrendo.
As pupilas do Salamander se estreitaram. Jamais poderia confundir aquelas expressões de dor. Natsu correu o mais rápido que podia em direção aos companheiros, forçando o coração a pulsar cada vez mais, desejando que nada tivesse acontecido.
Um raio cortou o céu em dois no momento em que o Dragon Slayer chegou à cena. Natsu aproximou-se assombrado enquanto o som do trovão abafava o choro dos companheiros. Todos estavam reunidos, de cabeça baixa, as lágrimas misturando-se à chuva.
Mirajane e Elfman estavam no centro. Elfman estava de joelhos com Mira chorando em seu ombro; e à frente deles jazia uma lápide cuja terra em sua base fora recentemente remexida. Havia um símbolo da guild na lápide, e o Salamander já adivinhava quem poderia ser.
Natsu empurrou todos que estavam em seu caminho até alcançar a amiga, agachando-se ao lado dela.
- Lisana... – ele chamou vagamente.
Apoiou ambas as mãos na lápide e levou um choque ao descobrir como estava fria. Fria... E morta. Assim como Lisana deveria estar abaixo dela.
- Não! Lisana! Não pode ser verdade! – Natsu socou a lápide com força, disposto a quebrá-la. – Lisana! – Não havia dúvidas, o único cheiro que mal podia sentir no grupo era o dela.
- Ei! Natsu! Pare com isso! – Gray puxou o Salamander, afastando-o da lápide.
Natsu levantou-se, os olhos percorrendo rapidamente vários pontos, insanos pela dor. Estava procurando alguém a quem atirar o sofrimento.
- Quem fez isso? – gritou com toda a fúria que possuía. – Quem foi o maldito que fez isso?!
Elfman escondeu o rosto nas mãos, tremendo quase que convulsivamente.
- Quem foi...?! Ah!
Antes que Natsu concluísse a frase, sentiu a dor física do punho de Gray em seu rosto. O Salamander foi jogado ao chão com a força do golpe.
- Cale a boca! – Gray falou duramente.
Natsu ficou paralisado por alguns instantes encarando Gray antes de correr de lá. Precisava se afastar o máximo que podia, tentando distanciar-se do sofrimento, como se realmente pudesse fugir.
- Natsu! – Happy, que estava entre os magos, chamou o amigo, mas este estava longe demais para ouvir.
O cenário ficou borrado devido às lágrimas do Salamander. Era mentira! Lisana poderia estar em qualquer outro lugar. Só por que seu odor estava fraco não significava que ela estaria embaixo da terra. Não podia aceitar que nunca mais veria Igneel, e que agora nunca mais veria Lisana também.
Flashback OFF
Depois de Lisana nunca mais acreditou que poderia amar tanto uma pessoa; até que conheceu Lucy.
No começo, Lucy lembrava-lhe Lisana; mas conforme o tempo passava Natsu percebia o quanto eram diferentes. Lisana era Lisana e Lucy era Lucy. E agora ele amava Lucy. Não que tivesse deixado de amar Lisana, mas o sentimento que tinha para com elas era diferente, assim como eram pessoas diferentes.
Mas Lucy escolhera ficar com Gray, e o Salamander decidiu não interferir na felicidade da garota. Por ser um Dragon Slayer, Natsu sempre seguia seus instintos, mas apenas desta vez os ignoraria. Pelo menos até aquela noite durante a última missão.
Ele foi fraco. Sabia que Lucy não desistiria de Gray tão rapidamente, mas não conseguiu resistir. Se estava sofrendo agora a culpa não era de ninguém a não ser de si próprio.
- Natsu! – Happy apareceu para o amigo. – Achei que você estaria na casa da Lucy, mas te vi correndo para cá de novo.
Além disso, deveria estar acostumado, mas então por que...
- Por quê, Happy? – Natsu arranhou o próprio peito, no local do coração – Por que dói tanto?
Happy mirou o chão por um momento, sem saber o que havia acontecido, mas ainda assim entendendo a dor do Salamander. Então pensou em se aproximar para aninhar-se ao amigo, o melhor modo que encontrara para confortá-lo.
Mas antes que fizesse qualquer coisa, estranhas algemas de ferro presas em correntes aparecem de repente e se prenderam nos pulsos, tornozelos e pescoço de Natsu, arrastando-o para longe de Happy a uma grande velocidade.
- Natsu! – o gato chamou, tentando seguir o Salamander, mas as correntes eram rápidas demais.
- O quê...? – Natsu estava confuso, esperando que as correntes parassem de arrastá-lo, o que não demorou muito.
O rosto do Salamander foi arranhado por causa do atrito com o chão, mas ainda assim eram ferimentos que não deveriam ter acontecido na pele de um Dragon Slayer.
O mago olhou para cima e viu dois homens observando-o; ambos usavam capas negras encapuzadas.
- Então foi ele quem bateu no seu irmão, Daisuke? – o homem que fez a pergunta baixou o capuz e revelou cabelos loiros, quase ralos, e um dos olhos sem pupila, o que era claramente um ferimento.
- Quem diria que seria tão fácil capturá-lo, não é, Tadao? – a voz do outro homem soava fria como as correntes. Embora a capa o escondesse muito bem, Natsu pode discernir algumas marcas negras em seu rosto.
Certo, então aqueles homens queriam briga, não é? Era o dia de sorte deles então, pois a paciência de Natsu não estava piedosa hoje.
- O que pensam que estão fazendo? – O Salamander tentou levantar-se, mas descobriu que não tinha força para isso; pior, não conseguiu uma única chama ao tentar usar sua magia.
As algemas estavam sugando seu poder.
- O que estamos fazendo? – disse o homem da voz fria, Daisuke – Nos divertindo, é claro.
Natsu sentiu uma horrível dor de cabeça e de repente tudo escureceu.
Notas finais
Então modifiquei algumas partes do 2º flashback pra não ficar muito diferente do anime xDD
O nome dos magos que apareceram foram escolhidos randomicamente, isso é o que a preguiça faz u.u
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