Quarenta e oito horas haviam se passado desde o dia o qual eu apelidei de: ‘’ O dia que eu perdi meu olho’’. E bem, nada havia mudado desde então. Jellal vinha praticamente o tempo todo me ver quando não estávamos juntos conversando com nossos amigos, os vigias pararam um pouco de pegar nos nossos pés e sossegaram comentando sobre algo que eu entendi como carta de adoção e i Independente do que isso significasse, sentia-me mais tranquila por finalmente ser deixada de lado pelo Mestre e Phillip.

Erzaaaaaaaaaaaaaaaa! — O grito de Milianna havia quase me deixado surda, como se já não bastasse eu ser meia-cega.

Oi? — Mesmo entre amigos eu era extremamente tímida, e com os últimos acontecimentos, bom, eu tinha vontade de sumir, — como se eu já não tivesse antes... Ah.

Jellal, Erza, Simon, Shô, Wally... O que vocês pretendem fazer quando sairmos daqui?!

Eu sei! — Jellal se pronunciou. — Quando sairmos daqui eu vou pedir a Erza em casamento! — Eu corei.

Crianças não podem se casar! — Milianna retrucou.

Não tem problema, eu posso esperar! — Ele finalizou me encarando.

Então tudo bem! — Shô e Wally riam.

O que tem a dizer, Erza?! — Minha vez.

Eu... Ah... Bem... — Eu estava ensopando a bonequinha de pano de tanto que eu estava a apertando. — Eu só quero ser feliz! — Dei de ombros.

Ao meu lado. — Jellal me abraçou, senti-me completamente corada apesar da nossa inocência.

Quanto mimimi... — Cobra revirava os olhos com nossos comentários.

Cobra, fique quieto! — Wally bufou.

Mimimi irritante esse de vocês, deveriam estar trabalhando. — Ele deu de ombros, me encolhi.

Blábláblá, nós não queremos saber o que devíamos ou não estar fazendo. — Jellal tomou a frente. We!

Tanto faz.

Dito isso, o pequeno Cobra se retirou da caverna rumo a qualquer lugar.

E se um dia nós nos separarmos... ? — Perguntei um pouco envergonhada.

Nós nos acharemos, Erza. Como amigos, é nosso destino ficarmos juntos, independente do que venha a acontecer. — Ele me abraçou.

É isso mesmo! — Milianna concordou gritante.

Vamos dormir todos aqui hoje? — Todos assentiram.

Ótimo! — Shô comemorou vitorioso, eu sabia que ele, assim como eu, adorava ficar junto dos amigos.

Aqui estão as crianças, Senhores. - A voz do Mestre fez com que todos nós nos calasse.

Poderemos escolher?

Claro. Se gostarem de algum é só falar e eles serão seus!

Muito bem.

Dito isso, a porta foi bruscamente aberta.

Escolham. — Assim que o Mestre deu o ar da graça, Jellal veio ao meu encontro e me abraçou.

O casalzinho, quem são? — Um dos homens perguntou apontando em nossa direção.

Erza e Jellal. — Eu tremi.

A ruiva é minha. — Anunciou o homem aparentemente mais velho. Jellal me abraçou com força.

Ótimo, ficarei com o azulado. — Disse o moreno.

A escolha é toda de vocês, Senhores. — O Mestre sorriu para nós, vitorioso.

Amanhã eu venho busca-lá. — E então o homem anão deu meia volta e se retirou da caverna.

Digo o mesmo. — O outro fez o mesmo.

Que pena... O casalzinho vai se separar! — O Mestre riu dando meia volta e acompanhando os dois senhores que acabaram de sair dali.

C-Como.... Como assim?! — Perguntei assustada.

Eles nos venderam Erza... Nos venderam! — Jellal anunciou derrotado. — Eles vão nos separar, Erza! — As lágrimas escorriam incontáveis pelos nossos rostos, tanto dos nossos quanto de Shô, Milianna, Simon e Wally, todos sabíamos que seria nosso fim.

Eles não podem fazer isso! — Milianna tentava argumentar.

Eles já fizeram. — Jellal anunciou.

O-Oque... O que eles vão fazem com a gente, Jellal?! — Perguntei em meio as lágrimas.

Eu não sei, Erza... Não sei. — Ele me abraçou ainda mais forte.

Quem eles eram? — Shô perguntou.

Compradores... — Simon respondeu calmamente. — ... Dispostos a nos separar.

Completamente tomados pelo medo e pela insegurança do que poderia acontecer no dia seguinte, nos deixamos levar pelo sono e adormecemos.

(...)

- Eu irei para a tal Torre do Paraíso... — O homem anão e grisalho anunciou. — Me falaram que eles escravizam crianças! Não posso deixa-lós lá, irei para lá amanhã mesmo e trarei o máximo que eu conseguir para a guilda. — A mulher loira concordou.

Se você acha que isso é o certo, Makarov, não sou eu quem irei lhe impedir. — Ela sorriu. — Certamente traze-lós para Guilda os fará ter uma vida mais feliz do que viver na escravidão que eles vivem... — A tristeza era audível em sua voz.

(...)

O senhor só poderá levar uma criança, Senhor. São as regras, não posso fazer nada. — O Mestre deu de ombros.

Tudo bem. — O grisalho respondeu apesar de não estar satisfeito.

O mesmo serve para você, Senhor Zeref. Só poderá escolher um. — O moreno assentiu.

Farei uma boa escolha. — Dito isso, em uma pequena fração de segundo seus olhos tomaram uma cor avermelhada.

Tenho certeza que sim. — O Mestre sorria. — Se vocês procuram alguém que seja fácil de lidar, aconselho ficarem com a Erza, e caso querem alguém esquentadinho, temos o Jellal. — Ele anunciou faceiro, certamente queria se livrar do casalzinho.

(...)

Novamente na Guilda Makarov e a mulher loira conversavam.

Eu fiquei com dó deles, Mavis... Se você visse o olhar assustado deles quando nos viram... E uma garotinha ruiva... — Ele pronunciou derrotado. — Ela não tinha um dos olhos! Eu perguntei para o tal Mestre da Torre o que havia acontecido, ele disse que ela havia caído sobre uma agulha e esta furara seu olho... — Ele estava indignado. — Só que eu sei que não foi bem isso que aconteceu, eu podia ver o medo da garotinha, a tal da Erza... Eu a escolhi.

Acredito que fez uma boa escolha, Makarov. — A mulher loira assentiu. — Quando ela vem?

Amanhã. Queria poder livra-lá daquele inferno ainda hoje, só que não foi possível. E aquele homem, o tal Zeref que pegou a outra criança, tem algo nele que não me alegrou... Só que independente disso, se ele puder fazer aquele garotinho se livrar daquela Torre já vai estar de bom tamanho. — Finalizou indo em direção a porta. — Espero que Natsu e os outros gostem dela, porque sem dúvidas ela vai precisar de bons amigos.

(...)

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.